Memórias Profundas

2 Bitter Sweet Symphony Parte 2


Notas iniciais
Essa é a segunda e final parte dessa história. Foi muito legal e até mesmo de certa forma satisfatória terminar uma história, mesmo que tenha levado muito tempo para se concluir. Acho que todos que publicam suas histórias originais, fanfics e outras histórias sentem isso também. A alegria de colocar em público aquilo que ficou guardado na mente durante todo tempo. Não por comentários ( que é maravilhoso receber claro) mas por conseguir colocar no "papel" uma criação própria. É um sentimento muito bacana. Bom, espero que quem leia essa parte final da história goste! E meu muito obrigado para todos que tiraram do seu tempo para ler! With Love, L.U.

Minha mente estava me pregando uma peça. Eu sabia que a música pode ter um efeito profundo, mas não imaginava que poderia ser tão forte. Aquilo veio com uma flecha ardente, direto no meu coração.

Coloquei na mesinha minha garrafa de cerveja pela metade e olhei para o palco onde meu amigo acabava com a clássica música do MJ. Tentei me distrair com sua horrorosa performance, mas a verdade é que eu não conseguia tirar o Garoto da minha cabeça.

Por que eu o vi ali? Por que imaginei o Nando se transformando naquele Garoto? Eu permiti com que Bitter Sweet Symphony fosse a fundo na minha mente. Deixei que permitisse meu subconsciente lembrar dos momentos que passei com o Garoto.

A terrível performance do Nando acabou, que por incrível que pareça, arrancou aplausos frenéticos, não por sua voz, mas seu carisma incomparável. Não é porque Nando têm boa aparência, mas ele conquistava as pessoas. Mesmo que indiretamente. Ele seria a única pessoa que eu contaria que existiu um Garoto na minha vida. Eu não tinha medo da reação dele, tinha certeza de que ele reagiria bem, mesmo assim decidi deixar minha vida com o Garoto em segredo. Aliás, se fosse contar para o Nando, teria que contar a constrangedora parte de que o Garoto nunca meu viu com os mesmos olhos que eu o via.

Nando se aproximou da mesa no qual eu estava sorrindo com toda a aclamação que estava recebendo. Não pude deixar de sorrir sinceramente, afinal foi um momento muito bacana.

— Isso foi para jogar na sua cara como eu arraso – Ele disse em meio de sorrisos ofegantes – Eu sou um puta cantor, MJ está com inveja.

— Ah, pode ter toda a certeza de que ele está te invejando.

—Eu gosto muito do seu humor ácido Yuri, me motiva a sempre esfregar na sua cara o quanto eu sou talentoso.

— Eu sei, sou uma pessoa hilariante. É perceptível em meu rosto.

Damos uma breve risada junto e ele sai da mesa no qual estou para falar com alguns amigos dele que não conheço. Nesse meio tempo, uma garota se aproxima de mim com um sorriso.

— Olá Yuri, quanto tempo!

Diz uma garota loira, olhos verdes e com um curto vestido preto. Ela não me era estranha, eu sabia que a conhecia.

—Oi – Disse meio sem jeito – Como você está?

—Yuri, você é um péssimo mentiroso. É ridículo você não se lembrar de mim, éramos inseparáveis no fundamental. Você não lembra? Você até me chamava de Quinn Fabray do Glee, pois dizia que eu era parecida com ela.

— Meu Deus! Aline!

Dou um forte abraço nela. Sim, eu me lembrei quem era ela. Éramos realmente inseparáveis na escola. Ela mudou bastante desde a oitava série. Ficou mais alta, ganhou corpo. Muito diferente quando tínhamos 14 anos.

— Me desculpa Aline, mas a verdade é que você está muito diferente. Mudou pra cassete! Está linda!

— Obrigada Yuri, você está ótimo também. Eu também quase não te reconheci, está bem mais magro desde a época da escola.

— Bom, não tenho escolha. Meu melhor amigo é um viciado em academia e faz faculdade de Educação Física, não tenho escolha a não ser acompanhá-lo.

Damos risada juntos, e me lembro porque à chamava de Quinn Fabray. Nós éramos parte da nossa própria Profana Trindade. Aline era a Quinn, uma outra garota, a Suzana era a Brittany e eu era a Santana Lopez. Não era bullier que nem ela, mas sempre tive um humor mais ácido. Sem contar que éramos ótimos cantores.

— E quanto a Suzana? Sabe algo dela? – Pergunto com curiosidade e quase gritando, pois, um outro cantor amador estava no palco estragando Cálice do Chico Buarque.

— Falo com ela as vezes, ela está bem. Porém bem ocupada com a faculdade. Medicina é foda. Você está fazendo faculdade?

— Estou sim e você?

— Também, estou fazendo bem ao contrário do que dizia que faria – Ela meio que revira os olhos depois dessa fala – Estudo para ficar em frente ao computador o tempo todo.

— Então, não está fazendo Artes Cênicas né? – Pergunto com cautela

— Economia. Bem parecido, não é? – Diz Aline com perceptível desânimo – E você, está fazendo o que queria?

— Estou no quinto semestre de Cinema

— Fico feliz Yuri, bom saber que está realizando seus sonhos.

Eu precisava mudar de assunto, não queria que assuntos girasse em torno de mim, pois isso levaria sobre a vida pessoal. O que levaria a perguntar sobre namoro e amor. E naquele momento era a última coisa que queria conversar.

— Bom, Quinn Fabray, que tal relembramos os velhos tempos e cantar?

— Ainda bem que pediu – Diz ela dando risada – Vamos mostrar para esses perdedores como se canta

— Exato! Bom, já sabe a música né? – Pergunto de forma presunçosa

— O melhor dueto de Quinn e Santana. Take my Breath Away.

— Faz anos que a gente não se vê, mas ainda consegue ler meus pensamentos, vamos cantar.

Aline segura forte minha mão e vamos rumo ao palco. Somos ótimos cantores e essa música é incrível. Não é igual Bitter Sweet Symphony, essa música não me lembra ninguém. Eu apenas gosto dela. Para dizer que não me lembra nada, me faz lembrar da própria Aline que está ao meu lado, e do Tom Cruise em Top Gun.

Dizemos ao condutor das músicas que queremos cantar Take my Breath Away e ele abre um sorriso doce e diz que foi uma ótima escolha, pois é uma ótima música.

Pego dois microfones e dou um para a Aline, que está sorrindo genuinamente. Fico feliz em ver o sorriso dela, me faz concentrar mais na música e esquecer de vez a melancolia que me invadia a cada minuto momentos antes de encontrá-la.

Watching every motion

In my foolish lover's game

On this endless ocean

Finally lovers know no shame

Turning and returning

To some secret place inside

Watching in slow motion

As you turn around and say

Take my breath away

Take my breath away”

Nossas vozes estavam perfeitamente sincronizadas. Éramos uma verdadeira dupla, anos sem cantar juntos, porém nossas vozes eram perfeitamente combinadas.

Mas por que nós separamos? Por que nós afastamos tanto um do outro, já que Aline e eu éramos tão inseparáveis? Por que essas coisas aconteciam? Por que o Garoto se afastou de mim? Por que ele disse que éramos apenas amigos? E que jamais poderia me amar de verdade? Por que eu ainda me machucava tanto pensando nele, sendo que eu sei que ele não está pensando em mim?

Minha cabeça entrou num turbilhão. Eu achava que não, mas Take my Breath Away teve o mesmo efeito que Bitter Sweet Symphony. De repente, os acordes da música tema de Top Gun sumiram. Nas caixas de som do palco, o violino melódico do The Verve se espalhou por todo o bar. Não, não era possível. A música mudou, Bitter Sweet Symphony estava a toda altura. Penetrava na minha mente como facas afiadas, como espadas de guerreiros. Não, eu não queria cantar essa música.

Olho em direção onde estava Aline, mas ela não está mais lá. Mas na minha frente estava Ele. Aquele que tanto invadia minhas memórias profundas. Sua voz cantando a amaldiçoada canção, não apenas fez lágrimas caírem, mas me provocou intensa perturbação. Ele olhava no fundo dos meus olhos, no fundo da minha alma, no fundo das minhas memórias profundas.

— Então, cantaria essa música comigo Yuri?

Não conseguia responder. Nem ao menos conseguia respirar normalmente. Aquilo não podia ser real.

— Yuri, a vida é assim. Não podemos mudar certas coisas. Existem dois grupos. Aqueles que pela sua humildade vivem temporadas de amor por eras. E aqueles como você, que vivem em lapsos temporais eternos. Melhor dizendo, em um looping eterno.

Em segundos eu não estava mais naquele palco. Eu não estava mais cantando. Estava sentado, observando garçons e garçonetes indo e vindo. As luzes coloridas pelo palco, num ambiente descontraído. Pelo bar aquela canção era mais do que perfeitamente audível.

Bitter Sweet Symphony.

Eu estava preso. Não podia me soltar. Sabia que meu looping Lana Del Rey, envolto de uma poesia musical, estava apenas começando.

Notas finais
Espero que tenham curtido!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!