Memórias Impagáveis.

21 Capítulo 21 - Visita.


Notas iniciais
... :c

Normal pov.

Ainda era muito cedo para uma manhã de domingo, mas o celular de Amu já estava tocando. Por um momento, hesitou de atender o telefonema pois ainda estava em pleno sono, mas quem lhe garantia que não fosse alguém especial respectivamente, Ikuto?
- Alô? — Disse ela sonolenta, esperando a grave voz masculina do garoto, não sabia se era realmente pois não havia visto o número no visor.
- Amu-chan? Acordei você? — A voz era totalmente diferente que pensou que poderia ser, era uma melodia mais doce e calma, parecida com a sua. Era sua mãe, Midori.
Ela não esperava por aquela ligação, e tanto quanto havia ficado decepcionada.
- Ah, não mãe. — Murmurou ela, sono já estava curto no momento, deixando o tom de sua voz mais normal.
- Tudo bem. — Continuou ela, animada. — Amu-chan, pode nos visitar hoje? Sentimos sua falta, querida.

Então naquele momento havia acabado de lembrar, que semana passada ela tinha de ir fazer uma visita rápida para matar a saudade. Mas os seus outros problemas e motivos havia ocupado sua mente, esquecendo-se por completo deste compromisso.
- Claro mãe, irei com certeza! — Respondeu Amu, com uma falsa emoção. Não era que ela não queria ver os pais e a irmã, a garota só estava fugindo das lembranças. Naquela casa, em seu quarto, ela mesmo jurou que teve as melhores lembranças e mesmo assim... Estava querendo fugir delas também. Isso se chama ser covarde, mas já naquela altura do campeonato, estava virando até rotina.

- Amu, e bom você ir visitar seus pais. — Disse Utau animada, colocando seu prato a mesa e dando partida no café da manhã. — Tenho medo que você desenvolva alguma doença.
- Qual tipo de doença? — Indagou ela, olhando repulsiva para comida.
- Depressão. — Sussurrou a garota, olhando para Amu com preocupação.
- Não exagere tanto, eu estou bem. — Mentiu ela, de fato. — Realmente estou bem.

Amu abriu um falso largo sorriso, ela ainda se sentia bem com toda esta situação, só não sabia o que iria fazer quando as lembranças vierem a tona, e as lágrimas então caindo de seus olhos sem nem se quer perceber.
- Cuide-se, por favor. — Pediu a mais velha, em um tom severo.
- Eu irei passar a noite lá, ok? — Avisou Amu, pegando sua pequena mala e ligando para um táxi próximo.
- Faça isso, irá se sentir bem melhor. - Sorriu Utau, acenando para a garota que já partia dentro do táxi.

Por algum motivo, olhar a paisagem da cidade pela janela e escutar musica em seu fone de ouvido, estava lhe deixando mais calma. Era como se estivesse em um clipe, e todas as preocupações fossem embora. Até as musicas que insistiam fazer que Amu se lembrasse de Ikuto, elas não estava lhe afetando. Se estivesse, provavelmente em casa, tentaria mudar, mas sem sucesso. Ela iria preferir escutar todas aquelas musicas, na esperança de amenizar todos aqueles problemas, mas não iria adiantar.
- Onee-chan! Que saudades. — Sua pequena irmã a recebeu, Ami. Mas ela já não estava tão pequena assim, Ami estava completando 13 anos daqui um mês.
- Ami! — Amu abraçou a irmã e colocou a pequena mala ao chão, por seus pais. A casa sem ponto de vista, não havia mudado quase nada, apenas alguns móveis estavam posicionados de outra maneira ou tinham sido trocados. Como poderia estar seu quarto? Mesmo que havia saído de casa a alguns meses, ele provavelmente tinha alguma mudança. Amu abriu a porta de seu quarto, apenas um sentimento podia lhe explicar naquele momento.

Nostalgia.

As lembranças vieram a tona, as lágrimas caiam de seus olhos cada vez mais rápido. O quarto era idêntico, não havia mudado praticamente nada, mesmo estando crescida ela deixava a mesma decoração como recordação. Mas aquilo, naquele momento, não estava fazendo nada bem.

Conseguindo se recuperar, antes que seus pais pudessem perceber algo de errado em si, jogou a mala encima da cama e tentou se distrair por alguns segundos. Funcionou, e então usou aqueles segundos para fugir daquele cômodo.

Foi neste quarto. Na sacada deste quarto, nesta mesma cama, neste mesmo guarda-roupa que inúmeras coisas aconteceram. Memorias, aquelas memorias não estavam te prejudicando mal algum, elas só estavam provocando a saudade. Mas por algum lado, isso continuava a ser ruim.

Os seus pais e a pequena Ami, estavam reunidos à espera da garota no sofá da sala. Amu rezava que seus pais, principalmente sua irmã, não tocasse no nome de Ikuto. Ela não saberia agir, diante de toda aquela nostalgia.

O que funcionou, por alguns minutos, poucos.

- Onee-chan, o Ikuto esta de volta não é? Porque não me contou? — Indagou a irmã, com um fofo sorriso. Neste momento, a garota perdeu a noção do mundo e do tempo. Não sabia o que responder, não sabia responder sem chorar ou mesmo se quer lembrar daquelas recordações que insistiam martelar em seu peito.
- Ikuto voltou? Que bom, querida. — Sorriu a mãe, agarrando as mãos da filha mais velha. — Boa sorte.

Amu ainda permanecia calada, ela respirava pausadamente, ia perdendo o foco.

- Amu-chan? — Chamou-lhe o pai, repetidamente. As lágrimas estavam rolando em seus olhos, ela estava tentando ser forte lutando contra elas. " As lágrimas só secam os meus olhos e me machucam." Lembrou-se ela. " Mas elas são mais fortes que eu."

A família permaneceu calada por alguns instantes, até mesmo a pequena Ami havia estava entendendo aquilo tudo.
- Estou bem, e só que... — Ela não conseguia achar palavras, sua irmã levantou-se do sofá e lhe deu um abraço reconfortante, acompanhado dos pais.

Amu correu para seu quarto e se trancou ali, seus pais não se preocuparam em lhe acompanhar e pedir para contar seus problemas. Sabiam que isso só iria piorar ainda mais, aquela delicada situação.

A noite já havia caído, ela passou uma grande parte do tempo trancafiada naquele cômodo. Descia algumas vezes para conversar de outros assuntos triviais, tentando esquecer o episódio passado. Já deitada na cama, com um pijama qualquer visto pelo seus olhos, tratou-se de dormir. Sem sucesso.

Amu pov.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10, estou imaginado abrir os olhos e te ver aqui, amanheceu e quer saber? Ainda não dormi.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10, peço a Deus para amenizar o sofrimento, trazer de volta seus defeitos tão perfeitos, pra que você entenda o quanto eu te quero.
Eu vou estar aqui, te esperando... Então por favor, jamais me esqueça, pois eu farei o mesmo, independendo do tempo que terei que esperar. Isso e uma promessa, não se esqueça.

Oh lua, conte suavemente a ele meus sentimentos.

Ainda acordada, naquela madrugada fria, fui até a sacada do quarto.
- Tire meus pés do chão, Lua. — Fechei meus olhos, sentindo a brisa fria beijar minha pele exposta. — Me faça voar no céu, Lua.
- Ei, Lua. Onde ele está? Pode dizer que te amo e sinto sua falta? Pode dizer que sua pequena, está com muitas saudades? — Pedi a lua, minha única conselheira.
- Lua, você pode me levar a ele? — Pedi novamente, sorrindo. — Estou pedindo demais, desculpe.
- Fale para ele, Lua. Fale para o Ikuto que estou a esperar, estou esperando que ele volte para mim. — Ela sorria largo, verdadeiramente. — Cuide dele para mim, Lua. Por favor, é tudo que te peço.

O brilho da lua ficou mais radiante, resplandecente. Isso seria a resposta?

- Conte, conte meus sentimentos suavemente. — Sussurrei para lua, fechando a porta da sacada e entrando novamente dentro do quarto, que a temperatura estava mais quentinha. Agora eu podia dormir tranquilamente, minhas preocupações iam desaparecendo, minhas mágoas iam sumindo. As lembranças iam tornando sorrisos, e as lágrimas iam desaparecendo novamente. Para mim só restava imaginar, sonhar. Isso era meu remédio, remédio para aquela dor tão... Agonizante.

Porque falar com a lua, era mesma coisa de falar com ele. Eu sabia que ele estaria escutando, estaria entendendo tudo. Aquela promessa estava de pé, como todas as outras ainda estavam.

Normal pov.

- Amu-chan, Oyaho! — Disse seu pai animado, colocando seu prato favorito de café da manhã em sua frente.
- Comida na cama? — Perguntou ela, estampando um sorriso sincero. — Não necessitava disto.
- Querida, está bem? — Perguntou sua mãe, entrando no quarto.
- Estou bem, realmente bem. — Ela ainda mantia um sorriso sincero, e Midori conhecia aquele sorriso de pé a cabeça, como todas as atitudes.

- Eu conversei com ele, noite passada. — Disse ela, mordendo o waffles que escorria calda de chocolate pelos lados, sujando-o canto de sua boca e sua camisola amarela xadrez. Se parecia muito com sua antiga camisola, que usava em torno de seus 13 anos, deve ter sido um dos motivos de ela ter comprado.
- Sério? Isto é bom, Amu. — Sua mãe abriu um largo sorriso, sua felicidade era a felicidade de suas filhas. — Poderia me contar?

Sua mãe piscou para seu pai, que entendeu muito bem o recado. Saiu do quarto para que elas pudessem bater um papo “de mulheres”.
- Não foi bem uma conversa. — Murmurou ela, comendo o ultimo waffles e tomando um pouco de suco. — É como uma promessa, que fizemos a um bom tempo atrás. Mesmo longe, estaremos conectados a luz da lua, tudo que eu disser para ela, Ikuto estará escutando.
- Isso é... incrivelmente... romântico! — Midori, sua mãe ficava feliz por Ikuto ter mantido sua promessa por tantos anos, ela lembrava daquele garoto que dormia em sua casa escondido, que dizia que amava sua filha. Pensava que seria apenas uma paixão rápida, uma atração, mas isso agora estava virando uma verdadeira historia de amor.

Amu ficou acanhada por um tempo, seu rosto estava ruborizado, e ela se lembrava daquelas palavras, daquela promessa como se fosse ontem.
- Foi aqui, onde tudo começou, Okaa-san. — Comentou ela, olhando ao redor do quarto que ainda permanecia intacto.
- Sim, eu sei. — Midori pegou a bandeja e desceu as escadas para lavar a louça, parecia ainda muito cedo para levantar, então ela simplesmente dormiu naquela cama macia, naquele quarto rosa, onde seu romance havia começado. Sua historia de amor.

Notas finais
Até o próximo.