Memórias Impagáveis.
14 Capítulo 14 - Um mês sem você.
Notas iniciais
A dor tampouco me servia de consolo, embora dentro dela, crescia o mais tão puro amor.
O tão puro amor, que mais sofria em silêncio, buscando apenas por você.
Você, você , você.
Que nem se quer imagina, o quanto me faz falta.
Eu estava feliz, a tristeza já não me abatia o tempo todo, eu estava conseguindo sorrir.
Era o que eu gostaria de estar falando.
Mas isso não quer dizer, que eu realmente possa.
Já não acordava com tanto animo quanto a alguns dias atrás, normalmente agora, estava acordando com uma leve irritação, ou um grande estresse, e passava o resto do dia inteiro assim todos os dias. Você não me liga, não me manda mais mensagens, não sei mais nem se você está bem. O que está acontecendo, Ikuto? Você não se importa mais com meu sofrimento, e tampouco comigo?
Eu não queria pensar daquela maneira, não mesmo. Mas era só apenas a tão pura insegurança.
Eu tentava entrar em contato, todo o momento eu mandava alguma mensagem, eu estava tão aflita. Eu estava enlouquecendo, cada vez mais e mais. Eu já nem via mais os raios solares entrarem pela a janela de meu quarto, as cortinas ficavam sempre fechadas, e consequentemente nem saía de casa.
Com que animo? Eu já nem sabia mais o que era isso.
Utau, Rima e Yaya sempre me chamavam para sair, mas nunca aceitava, não seria bom se eu estragasse a diversão delas. Eu não saía do meu quarto, quanto mais, para ve-lás, eu também raramente mandava alguma mensagem ou fazia qualquer tipo de ligação. Eu as preocupava, mas eu não fazia por mal, eu só não conseguia mais... mentir.
Mentir que estava bem, mentir que não chorava mais, mentir que estava nem se quer... sentia a falta dele. Isso estava me consumindo, a dor estava me consumindo, me sufocando a cada minuto.
Onde está você quando eu te chamo? Até quando eu vou aguentar, até quando? Eu irei ficar sozinha novamente? Esperando por você por anos? Você não imagina como isso dói?
Ah... Mas eu também estava sendo egoísta, muito egoísta... Eu nem se quer sabia o que estava acontecendo, também estava sendo insensível aos seus sentimentos.Mas Ikuto sempre foi assim, ele nunca deixou que eu ajudasse-o, ele sempre queria aguentar tudo... sozinho.
— Você não está mais sozinho, você sabe disso. — Sussurrei baixinho, ao escuro do meu quarto. Minha voz saia falhando a cada palavra, elas ecoavam pelo quarto ainda mais baixo. Queria que ele escutasse, me contasse tudo. Assim eu também abraçaria sua dor, da mesma forma que ele, abraçou a minha.
Eu estava atordoada, meus pensamentos não fluíam direito, meu rosto estava ressecado, eu nem perceberia que estava chorando, já havia se tornado habitual.
Decidi me levantar, era de madrugada. Eu não dormia direito, meu sono só chegava ás 6:30 da manhã, quando Utau manisfestava os primeiros indícios de que estava prestes a levantar.
Meu consolo era a geladeira, a comida. Ou melhor... chocolates. Por algum motivo eu não engordava, achava isso um pouco anormal.
Eu apenas ficava deitada, comendo, chorando, se lamentando, imaginando...
Imaginando eu e você... Juntos... Felizes.
Porque? Porque sempre estes momentos duravam tão... pouco!
Eu não mereço isso, eu realmente não mereço... Eu só preciso de Ikuto kami-sama. Porque tinha que ser tão difícil assim... Será que um dia, eu poderei sorrir da mesma maneira de sempre?
Não havia resposta, apenas o simples silêncio estava presente, me deixando incrivelmente ainda mais... atordoada.
Ultimamente, minhas perguntas não obtiam mais resposta, o silêncio era o único meio de resposta. E eu claro... Tinha de aguentar... mesmo não tendo mais forças para isto.
Era egoísmo meu, era insensibilidade minha. Mas eu também preciso de você, da mesma forma que você precisa de mim. Só queria saber se você está bem, só queria saber onde está você, só queria abraçar você... Só queria estar junto à você.
Mas minhas vontades não eram atendidas, não aquele momento, nem mesmo naquele mês. E nem outros que poderiam estar por vir.Mesmo eu querendo... tanto!
— Amu, por favor, abra a porta. — Utau sussurrava baixinho, batendo de leve na porta com os punhos.
Abri a porta e logo abracei Utau, eu precisava de um abraço, de um ombro amigo pra chorar... Já que nem mesmo, a voz de Ikuto naquele momento, poderia me consolar.
Utau me deitou na cama e ficou à acariciar meus fios de cabelos enquanto eu chorava, ela cantava uma doce canção. A sua canção, que eu mais amava. Ela sabia, de alguma forma, que aquilo me acalmava. De fato, logo eu havia parado de chorar e adormeci em seus braços. Era, de uma forma, incrivelmente reconfortante.
A dor passada, tampouco se compara a esta. Eu simplesmente me apaixonei pela mesma pessoa, cada vez mais e mais.
Isso é normal? Não, não deveria ser.
Mas simplesmente aconteceu... E agora eu estou assim, me apaixonando ainda mais por você, a cada minuto que se passa...
Ainda era de madrugada, eu não havia dormido nem se quer uma hora. Utau dormia serenamente ao meu lado, o sorriso era largo em seu rosto, ela sempre estava assim... Sorrindo.
E, mesmo só um pouco, sentia inveja.
Eu também queria estar sorrindo daquela maneira.
Mas eu não podia... E nem se quer conseguia.
Tentei me levantar um pouco, me dirigindo até a janela do quarto, abrindo as cortinas, e de quebra, as janelas também. A luz da lua invadiu todo quarto, deixando parcialmente iluminado pela leve luz, mas o quarto ainda permanecia um pouco escuro.
A lua estava cheia, tão bonita, brilhando no céu. A presença da lua era reconfortante, tanto ao ponto de conseguir me arrancar um pequeno sorriso. E fazer minhas imaginações fluir, de uma maneira que meu sorriso se expandisse. Aquele sorriso, era o primeiro verdadeiro do mês. Não gostava de fingir assim, só não queria mais... Preocupar ninguém.
Por um momento, pude sentir que estava conectada com a lua e logo com Ikuto. Era uma presença interessante, era um conforto muito bom, eu me sentia um pouco mais feliz.
Ele era a luz que iluminava minha vida, de fato, nunca em meus sonhos pude imaginar algo assim, uma presença assim, alguém assim. Um amor assim.
Ikuto já fazia totalmente parte da minha vida, queria também, que eu fosse importante para ele. Tanto quanto ele e, e sempre será para mim. Será que um dia, ele pensará assim?
O brilho da luz mais explendecente, foi a resposta.
- Eu te amo. — Sussurrei baixinho para a lua, na esperança de que ele um dia escutasse também...
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