Memórias Impagáveis.
12 Capítulo 12 - Um dia sem você.
Notas iniciais
Está tudo bem, eu estou aqui.
Essas palavras eram extremamentes dolorosas, embora servissem de consolo.
Por um lado, elas não eram totalmente falsas, estava tudo bem. Mas por outro, você não esta aqui.
Quero meu coração de volta, quero você de volta. Eu estou chamando por você, onde está você?
Eu prometi, prometi mim mesma que seria forte.
Mas algumas lágrimas, não iria me fazer mal algum, iria me fazer bem.
Lágrimas limpam a dor, e também, limpam a alma.
Eu não estava com vontade de levantar da cama naquela manhã, eu preferia ficar na cama com um pote de sorvete no colo, igual as americanas deprimidas, agora eu havia algo em comum entre elas. Desci as escadas para ir até a cozinha, eu realmente queria o sorvete. Ainda era muito cedo, o sol ainda nascia, o céu tampouco era escuro. Utau nem se quer iria levantar agora, Kukai estava no quarto com ela. Ri baixinho, com um pouco de inveja. Seria ótimo outra presença masculina na casa, poderia apagar um pouco da presença "dele".
Peguei o pote maior de sorvete, 20 litros, chocomenta, meu novo consolo.
Eu não iria para meu quarto, eu iria para de Ikuto. Ao abrir a porta, seu cheiro ainda permanecia intacto no quarto, um cheiro forte porém doce. Esse era o cheiro dele, o cheiro que eu adorava, o cheiro que tanto amava. Sua presença ainda estava ali, fechei meus olhos e pude sentir suas mãos tocar meu corpo. Eu iria chorar.
Meu sorvete estava derretendo, sentei na cama e começei a tomar. Sua presença estava cada vez mais forte, ao meu ver eu ja estava totalmente perdida nas minhas imaginações, e as lágrimas estavam descendo cada vez mais rápido. Aquilo, por algum motivo, estava me fazendo bem. Chorar não era algo tão ruim, era um consolo para mim. Neste momento eu só podia contar com as lembranças e as lágrimas, e claro, com sorvete.
Eu acho que estava chegando no 3 pote, quando Utau me gritou para almoçar, já se passava de meio dia? Eu podia escutar as risadas até os estralos dos beijos, eu me sentia ruim as vezes, as também tinha um pouco de inveja. Uma inveja saudavél, é claro...
Desci as escadas rápidamente, interropendo um longo beijo.
- Desculpe! — Me senti um pouco triste, porém não deixei que percebecem.
Kukai sorriu e me deu leve abraço.
- Sinto muito. — Susurrou ele baixinho. — Mas ele vai voltar.
- Espero que sim. — Devolvi o sorriso, porém falso.
Almoço foi harmonioso e clima era agrádavel e romantico. Por um momento esqueci de tudo no meio das risadas, Kukai sempre me fazia rir, era um meio de distração dos problemas. Ele entendia meus problemas como ninguém, depois de Ikuto. É claro.
Eu deveria sair mais de casa, com Utau e Kukai por exemplo, assim eu poderia parar de comer besteira e não engordar. Mas seria muito incomodo eu sair com os “pombinhos”, como já estava no fim das férias, tentei ligar para Rima.
Mas meus dedos só teclavam o número de Ikuto.
Acho que vou enlouquecer assim...
O jeito era sair sozinha, embora eu tivesse um pouco de medo. Medo de ser abortada novamente pelo idiota do Tadase, aquele garoto não desiste, vive ligando pra mim.
Mas Ikuto simplesmente bloqueou número dele no meu celular, o que foi bom, é claro.
Ao meu ver, todo o almoço eu falava de “Ikuto, Ikuto Ikuto Ikuto” Que compulsivo! Eles apenas observavam e riam. Eles entendiam, que eu sentia sua falta.
Meu telefone estava tocando, eu já estava no quarto de Ikuto, inspirando o doce cheiro impregnado.
- Alô, Amu? — Eu gelei, eu realmente gelei e fiquei sem ações naquele momento, ele havia me ligado. Sua voz ecoava na minha mente, me deixando atordoada.
- AAh... Oi. — Respondi sem jeito, eu ainda estava atordoada, era realmente ele?
- Sinto a sua falta. — Gelei, corei, fiquei boba. — Você corou não é?
Ah como ele me conhecia bem...
- Idiota, cale-se. — Gritei, mesmo sendo a verdade. — Está tudo bem?
- Tirando de lado que eu estou sendo forçado... — Odeio ser lembrada disto! — Está tudo bem, é você?
- Estou bem, só sinto muito... a sua falta. — Pausei um momento, procurando ar, eu estava estranha de algum modo. — Quando poderá me contar o que houve, é tão grave?
- Não Amu, é que... — Interrompi.
- Irá me machucar? — Perguntei, só pude escutar a sua respiração. Nada de respostas.
- Tudo bem, é sempre assim... Mais alguma coisa? — Suspirei, também tinha de ser fria.
- Não aja assim comigo. — Ikuto riu baixinho. — Eu sei que você não é assim.
Não adiantaria esconder os sentimentos por trás de palavras frias, ele sempre iria perceber de algum modo. Não respondi, apenas suspirei, corada. Mas ele não iria saber, ele não estava me vendo, infelizmente.
— Eu te amo. — Como ele sabia o que eu tanto queria ouvir? — Sempre.
— Eu... também te amo. Muito. — Respondi em meio de sorrisos bobos e alguns suspiros.
— Preciso desligar, meu pai e a família de Sakura chegou, desculpe. Tentarei te ligar mais tarde. — Obvíamente eu fiquei um pouco recentida, porém, ele tinha seus motivos, certo? Certo...
— Tudo bem, estarei esperando. — Desliguei e fui me deitar, Ikuto não iria ligar, aposto que não. Sua família era rígida, muito.
Deitada em sua cama adormeci,atordoada mas porém feliz, sua voz havia me acalmado tanto... Os lençóis ainda tinha seu cheiro e sua presença ainda estava ali, só podia me consolar nas imaginações e sonhos. O sonho de você voltar pra mim, ficar junto a mim, e assim permanecer por toda eternidade.
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