Memórias

6 Capitulo 6


Notas iniciais
Caboooo, ultimo cap XD o/ enjoyem!!!

Quando Sherlock subiu o telhado da St. Bart’s ele não sabia quem ele iria encontrar, se James ou Moriarty. Há muito havia desistido do amigo, mas algo dentro dele tinha esperanças que James residia lá dentro em algum lugar.

– Nós estamos sobrevivendo, Sherlock! Nós dois, nesse mundo! – falou a figura de James sentada no parapeito.

– James...-começou o outro, mas foi logo interrompido.

– Moriarty! – corrigiu – Achei que já tivesse se acostumado!

– Só me diga o motivo de tudo isso!

– Eu disse, eu vou queimar seu coração!

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Sherlock já estava há dois dias em Londres com Mycroft, não havia conseguido contar a Molly que não iria para sua festa, e muito menos visto James desde aquela noite em que o amigo fora ao seu jardim. “Covarde!” censuravasse toda vez que lembrava a forma como tinha agido.

O garoto e o irmão mais velho estavam tomando café da manhã no hotel,e Sherlock apenas cutucava sua comida. Sempre tivera pouco apetite, mas naquele dia sua falta de vontade de comer vinha na visão de Molly sozinha em seu aniversário naquela noite, esperando por um Sherlock que não iria aparecer. O garoto sentia nojo dele mesmo, só de imaginar a amiga esperando por ele.

– Ahh Sherlock, boas notícias para você, presumo! Embora não sejam as melhores pros seus amiguinhos!

Os olhos de Sherlock levantaram-se surpresos para Mycroft. Será que eram notícias de Molly e James?

– O que houve?! – perguntou.

– Parece que seu medo de faltar a festa da sua amiga foi em vão, a festa foi cancelada!

– Cancelada? Mas por que? –estava ficando cada vez mais confuso.

– A mãe da garota sofreu um acidente e está no hospital em estado grave! Mamãe acaba de nos mandar esse telegrama avisando! Boas notícias pra você irmãozinho!

Boas notícias? Mycroft era insano? O garoto sentiu o estomago embrulhar e várias imagens passaram pela ua cabeça, de Molly feliz e com grandes expectativas pela festa de quinze anos, de como ela ficou vermelha ao convidá-lo, da mãe dela se acidentando e indo parar no hospital e de Molly chorando no corredor de espera, com medo de ficar sozinha mais uma vez. Em um acesso de raiva, Sherlock socou a mesa com força. Mycroft assustou-se. Sem dizer nada, o garoto foi até o quarto e colocou suas coisas de qualquer jeito na mala.

– Aonde pensa que vai? – perguntou Mycroft tentando parecer autoritário.

Sherlock não respondeu, assim que fechou a mala, foi em direção à porta.

– Não seja bobo, o que acha que pode fazer? Não vai curar a mãe dela!

Mas Sherlock já havia saído antes mesmo que Mycroft tivesse completado sua fala, deixando um surpreso irmão mais velho no hotel.

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– Não acha que deveria estar com sua irmã?! – perguntou Tomás enquanto terminava de limpar uma das motos que tinha na garagem.

– Sherlock é melhor que eu pra isso! – respondeu com desprezo – Ele deveria estar lá!

– Sherlock está em Londres, caso tenha esquecido! E desde quando meu atormentando irmão mais novo é bom em consolar pessoas?

– Ele não precisa consolar, só precisava estar lá!

James jogou alguns equipamentos no chão de raiva.

– Calma ai, pequeno! – falou Tomás irônico.

– CALMA O CARAMBA!!! – gritou, assutando o outro – ELE SÓ PRECISAVA ESTAR LÁ! MOLLY ESCOLHEU ELE, ENTÃO ELE TINHA QUE ESTAR LÁ!

E arremessou coisas que estavam em cima da outra mesa no chão.

– “Molly escolheu ele”? – repetiu enquanto recolhia o que James havia jogado – Está dizendo que está apaixonado pela irmãzinha?

– Está enganado – falou o garoto sério -, meus sentimentos pela Molly estão acima disso!

– Acima?!

– Ela é minha, e não me sinto confortável em dividi-la com mais ninguém! Só aceito por que Sherlock é meu melhor amigo, não fosse por isso, ele já estaria morto, como todos os outros que tentaram!

Tomás sorriu, adorava ver o sadismo nos olhos de seu pequeno sócio.

– Falando em riscar gente da lista, aqui estão os próximos! – disse entregando um papel para James. – São quinze, acha que consegue dar conta até amanhã?

James riu, como se fosse a tarefa mais simples do mundo.

– Já pensou no nome que vai assumir? – perguntou enquanto voltava a limpar a moto.

– Pensei sim, eu vi em um livro e acho que é o nome perfeito: Moriarty!

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Quando Sherlock voltou para sua cidade já estava quase anoitecendo. Desesperado como estava, foi diretamente para o local que sabia que deveria estar: o hospital. Carregando as malas de viagem consigo, ele se informou na recepção pelo número do quarto da mãe da garota, e uma notícia mais devastadora veio em seguida. Ela havia acabado de falecer e seu corpo estava sendo encaminhado para o necrotério. Sherlock não precisou perguntar aonde o necrotério ficava, conhecia aquele hospital como a palma de sua mão,e saiu correndo em busca de Molly.

E lá estava ele, tal como ele imaginara, na porta do necrotério, com lágrimas silenciosas escorrendo pelo seu rosto.

– Sherlock! – gritou a menina surpresa ao ver o amigo se aproximando – Achei que estivesse em Londres!

Sherlock não falou nada, deixou suas malas caírem no chão e abraçou a amiga com toda a força que pode.

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– Molly?! – a voz do detetive ecoou pelo silencioso quarto escuro para a legista deitada em seu peito.

– O que foi? – respondeu a garota.

– Eu te amo! – ele disse em um tom de voz extremamente natural.

A garota sorriu e levantou-se, encarando aqueles olhos azuis que brilhavam em meio a escuridão.

– Eu sei!

E o beijou com toda a ternura que sentia pelo detetive.

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–Queimar meu coração?! – repetiu Sherlock – Por que essa fixação em queimar meu coração, James?

– Moriarty!!- corrigiu novamente, mostrando um certo nervosismo.

Sherlock não respondeu, esperando até que o amigo se acalmasse.

– Eu a deixei pra você, Sherlock! Eu fui embora e a deixei pra você! Eu vi você no hospital com ela, vi que você criou coragem e voltou! Então eu fui embora, por que sabia que ela estaria com você, e o que você fez? Me responde, Sherlock, o que você fez?

O detetive notou uma raiva extremamente contida nas palavras do amigo.

– Eu não fiz nada, James! – defendeu-se.

– EXATAMENTE! – gritou – Você NÃO fez nada! Uma única coisa! Eu a deixei para você, eu só permitia que você a tocasse e você deixou que ela fosse tocada por outros caras! Insignificantes!

– Sua irmã tem o direito de ficar com quem quiser, James, e eu também!

James riu, um riso sinistro, que arrepiou Sherlock.

– Voce não vai ter mais escolhas, Sherlock! Eu tenho um atirador mirando em cada uma das pessoas que você escolheu, ao invés de Molly! Você vai pagar pelo que fez! Vai pagar por ter deixado que outros encostassem nela!

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– Aonde será que está Jim?! – perguntou enquanto saia de mãos dadas com Sherlock do hospital.

– Ele não estava aqui? – surpreendeu-se o garoto por não estar com a irmã que ele tanto amava em um momento como esse.

Molly negou com a cabeça.

– Não o vejo desde ontem à noite!

– Talvez meu irmão saiba, eles trabalham juntos afinal! Vamos até lá em casa!

Os dois caminharam silenciosamente até a casa de Sherlock. Molly aparentemente já não estava tão triste e parecia até mais calma do que quando o garoto a encontrara no hospital. Eles trocavam olhares de cumplicidade, e sem emitir uma única palavra, cada um sabia o que o outro queria dizer.

Ao chegarem no jardim da casa de Sherlock, tiveram uma surpresa. Carros de polícia estavam cercando a casa. Sherlock e Molly soltaram as mãos e correram para dentro da casa.

O garoto se surpreendeu ao ver a mãe sentada no chão, chorando. Foi até ela e colocou sua mãos sobre os ombros dela, preocupado.

– Mãe, o que houve aqui?!

Mas a Sra. Holmes não conseguia dizer nada. O garoto então procurou pelo pai, mas não o encontrou.

– Ele está na delegacia, irmãozinho!

Sherlock olhou para trás e viu Mycroft aparecendo pela porta de entrada.

– O que? – perguntou confuso com a situação.

– Parece que nosso querido irmão Tomás está envolvido com roubos e assassinatos! – explicou com a voz extremamente calma. – Nosso pai está na delegacia, mas temo que não há nada a ser feito, as provas são incontestáveis!

– Tomás? O que? – o garoto balbuciou confuso.

– Você está um tanto lerdo hoje, não?! – zombou Mycroft e virou-se para Molly – Parece que seu irmãozinho era cumplice também!

Molly levou as mãos a boca, tentando prender um grito.

– Você já sabia? – perguntou Sherlock, agora com uma notável raiva na voz.

– Sim! – confirmou o outro – FO motivo de eu ter te levado a Londres, foi pra que Tomás se sentisse seguro, e em consequência, se tornasse um pouco descuidado! Coisa que ele presivelmente foi!

– Mas Jim, ele não! É muito novo ainda! – disse Molly tentando defender o irmão

– E começou criança mesmo, primeiro assassinato cometeu aos oito anos, seu pai, se acredito bem! – disse Mycroft enquanto lia as reações faciais de Molly e Sherlock que entregavam o amigo – E depois disso, uma sequência de garotos da escola, alguns vizinhos e alguns a mandato do, infelizmente, integrante da nossa família!

Molly encarou Sherlock, os olhos dela mostravam dor e confusão. Sherlock amaldiçoou o irmão, como podia fazer isso com ela? Ela já havia perdido a festa, a mãe e o irmão, tudo isso em um único dia! De todas as pessoas do mundo, Molly era a única que não deveria passar por isso! Então uma ficha caiu, Tomás era seu irmão, e foi por culpa dele que James havia se enfiado nesse negócio, desde o dia em que Tomás ajudara James a se livrar do corpo do pai. Mycroft também era seu irmão, e ele foi responsável por denunciar James, e ele também havia sido responsável por tira-lo de Londres no dia do aniversário de Molly. E também, havia ele, o pequeno covarde e egoísta que fugira da amiga sem nem dar satisfação. Fora ele com sua família os responsáveis por aqueles olhos castanhos estarem cheios de lágrimas agora.

Uma dor atingiu o peito do garoto. Ele causava sofrimento a amiga. “Ela não merece!” – pensou tentando engolir as próprias lágrimas.

– Em todo o caso, quando as coisas se resolverem por aqui, devemos voltar a Londres! – falou dirigindo-se para Sherlock. – Eu não menti em relação ao trabalho, apenas antecipei para poder deixar tudo em ordem antes de partimos!

Sherlock não disse nada, ele aceitaria a proposta do irmão. Ficar perto de Molly era sofrimento certo para a amiga.

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– Você não tem ideia do absurdo que está falando, está?!

Sherlock estava assustado com o discurso do amigo. James riu.

– Absurdo foi eu ter achado que você poderia cuidar dela!

– Não fale como se fosse um benevolente, James! Você foi embora pra fugir da polícia, não por que queria que Molly e eu ficássemos juntos!

– Ahh Sherlock, sempre achei que éramos iguais, mas nós não somos! Você não tem nada de extraordinário, é apenas outra pessoa comum, sem-graça! Você não tem mais minha permissão pra encostar nela!

– Não se engane, James! Você sabe muito bem o que eu sou, quem eu sou! Sabe do que sou capaz!

James recuou um pouco, e depois riu. Sherlock podia ver a loucura em seus olhos.

– Você que não sabe do que sou capaz, Sherlock!

E tirando uma arma do bolso, atirou dentro da própria boca.

– Nãaao! – gritou Sherlock, mas já era tarde demais.

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Quando desembarcaram em Londres, Mycroft pediu por um táxi, mas notou que o irmão mais novo pedia por outro.

– O que está fazendo? – perguntou Mycroft confuso.

– Me demitindo, Mycroft! Agradeço sua carona até Londres, mas a partir daqui é comigo!

E dizendo isso, Sherlock entrou no táxi e sumiu de vista.

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Quando amanheceu e Molly levantou, Sherlock já estava acordado e encarava o teto pensativo.

– O que houve?

– Memórias! – respondeu o detetive.

Molly assentiu.

– Tivemos disso a noite toda! – concordou a legista se levantando e abrindo o armário. – Com que roupa acha que eu devo ir ao seu funeral?

– Você sabe que é James que está no caixão, não sabe?!

Molly confirmou.

– Vista algo que ele gostava, então! – foi a resposta final.

Molly retirou um vestido roxo.

– Ele adorava me ver nessa cor! – comentou sorrindo.

Sherlock sorriu de volta.

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– Muito bem, Sr. Holmes, aqui é o laboratório onde você pode analisar as substâncias se quiser! Normalmente permitimos que apenas os alunos da universidade usem, mas já que o Sr. é..digamos..excepcional, fique a vontade!

Mike Stanford guiava Sherlock pelos corredores do St. Bart’s, ao chegarem, Mike abriu a porta que dava para o laboratório. Uma garota de cabelos longos e usando um jaleco branco se encontrava no ambiente. Sherlock a reconhecera imediatamente. Quando ela se virou para ver quem estava entrando, ela sorriu. Também o havia reconhecido.

– Esta é Molly Hopper! Residente da faculdade! – apresentou Mike.

– Olá, Estranho! – disse a garota em tom de brincadeira.

– Sherlock Holmes! – respondeu entrando na brincadeira da amiga.

Os dois sorriram. Novamente, não foi preciso palavras para que eles soubessem o que cada um queria dizer naquele momento.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!