Memória Perdida

15 Capítulo 14 Um segredo, Uma dama, Um navio


Notas iniciais
Podem xingar a vontade, eu JÁ SEI que esse capitulo ficou uma porcaria!!!!
Bom, mas leiam assim mesmo e deixem comentários assim mesmo!
Bjinhos sangrentos!

O mar estava calmo e o Sol brilhava forte no céu.

Gideon, encostado na proa do navio, observava a calmaria que se instalava naquele navio. O vento estava forte e o seu cabelo batia de um lado para o outro. O garoto escrevia em seu próprio diário.

14 de janeiro de 1469.

Depois de quatro dias em alto mar, já estou me acostumando com o balanço do mar e com o cheiro ruim que vem do porão.

Consegui decifrar mais um dos códigos escritos pelo meu pai. Já descobri quais são os quarenta e um ingredientes para o soro e pretendo começa-lo assim que chegar a El Dourado. As recentes terras descobertas poderão me fornecer todos os ingredientes que preciso para o soro e ainda não precisarei me esconder o tempo todo, como fiz nesses últimos três meses.

Ainda não entendi o funcionamento dos anéis que meu pai me dera. São iguais, ou melhor, são iguais na forma, pois um é de ouro e o outro é de prata. São grandes demais até para os meus dedos e eu os mantenho sempre na corrente de ouro presa no meu pescoço. Acredito que os anéis sejam algum tipo de chave, pois possuem, em torno do aro, curiosas saliências incrustadas e ranhuras minúsculas. Não são bonitos e esse é mais um motivo que me leva a pensar que eles têm algum significado oculto.

Nos últimos dias, estou saindo cada vez mais da minha cabine para observar o mar. Tudo aqui me fascina. Saímos de Milão e faremos uma pequena pausa na Espanha para reabastecer antes de partimos para o Novo Mundo.

Gideon parou de escrever e levantou a cabeça. Seus olhos se focaram em uma pessoa.

A garota era a única pessoa do sexo feminino que estava no navio. Devia ter a mesma idade de Gideon e tinha um longo e cacheado cabelo preto. Ela estava acompanhando o seu pai em uma viagem de negócios para a Espanha. Sempre vinha pegar vento e Gideon ficava observando-a em silêncio. Ela era calma e arrastava seus longos e lindos vestidos pelo convés, sem nojo de todos os tripulantes sujos e fedorentos.

Assim que colocou os olhos na menina, Gideon sentiu uma nova e diferente sensação. Um nervosismo sem motivo.

Olivia Railly. Aquele era o nome da garota.

Olivia pareceu sentir que Gideon a observava, pois virou o rosto na direção dele e o pegou no flagra. Ele abaixou a cabeça rapidamente para disfarçar. O rosto de Olivia corou forte e ela saiu de perto dele e foi andar pelo convés.

Gideon a seguiu com o olhar.

----------------------------------------- XXX -----------------------------------------

Gideon Cahill estava deitado em sua cama. Como tinha pagado ao capitão do navio um preço acima do mercado pela viagem, recebeu um quarto apenas para ele.

O cômodo era pequeno e os únicos móveis do lugar eram a cama de solteiro e uma pequena mesa com uma cadeira velha e fedorenta a mofo.

O rapaz bufou e fechou o caderno que o pai lhe dera. Os códigos estavam cada vez mais complicados e Gideon se desconcentrava facilmente. Sua mente, sem permissão, voava para a linda garota dos cabelos negros como a noite que envolvia o navio.

Ele olhou para o teto de madeira e respirou fundo. Levou a mão ao pescoço e soltou a corrente. Tirou um dos anéis – o de ouro – e colocou no polegar enquanto observava o outro anel.

BUM!

Gideon foi lançado para o lado. O caderno voou longe e o anel de prata preso na corrente desapareceu debaixo da cama.

BUM!

Gideon se levantou com um pulo e correu para fora do quarto. Homens corriam de um lado para o outro, empunhando espadas e adagas. Gideon mal pisou no convés que mais uma bola de canhão acertou o navio. Ele foi lançado para frente e se agarrou ao mastro do navio para não cair.

Outro navio não parava de atirar bolas de canhão. Algumas cordas foram lançadas e, de repente, o convés se viu cheio de homens gritando. A tripulação do outro navio era esquisita e não tinham nenhuma piedade.

Piratas!

A mente de Gideon quase explodiu. Tinha que voltar para a sua cabine e procurar o caderno e o outro anel, mas foi atacado por um dos piratas.

O jovem Cahill se esquivou do golpe de espada e começou a fugir do homem que o perseguia. A tripulação do navio estava quase toda morta, e os que continuavam vivos estavam em minoria.

Ele pegou uma espada de um dos tripulantes mortos que jazia perto de seus pés e atacou o pirata. As espadas se chocaram com força.

Homem era mais rápido e muito melhor em esgrima que o garoto. Gideon caiu no chão e estava prestes a se render quando ouviu um berro forte.

Olivia Railly era puxada de dentro de sua cabine (ainda vestida com o seu pijama) pelos cabelos. Ela urrava e se debatia, mas não conseguia se soltar. Aquela visão fez Gideon retomar suas forças e empurrar o pirata que o atacava para fora do navio.

O garoto correu até o homem que segurava Olivia e enterrou a espada em suas costas. O pirata caiu morto no chão.

Gideon puxou o braço de Olivia e a colocou de pé.

- Você está be... – Ele não conseguiu terminar sua fala.

BUM!

Uma bola de canhão acertou os barris de pólvora que estavam armazenados no porão do navio e uma enorme explosão jogou pedaços de madeira em chamas para todos os lados. Gideon empurrou Olivia para o chão e caiu sobre ela, protegendo-a dos escombros.

A água começou a inundar o convés. O navio não flutuaria mais que alguns minutos.

Os últimos tripulantes vivos se jogavam no mar e os piratas voltavam para o seu próprio navio, os braços e bolsos repletos de joias e dinheiro.

- Temos que sair daqui! – Olivia gritou, empurrando Gideon para o lado. Ela correu pelo convés e o garoto a seguiu. Como estava descalça, a menina pisou em um pedaço pontudo de madeira e perdeu o equilíbrio, caindo encima de um corpo sem vida de algum dos tripulantes...

Com um grito de horror, ela percebeu que caiu encima do corpo de seu pai. As lágrimas inundaram seus olhos e ela abraçou o corpo de homem.

O fogo e a água destruíam os últimos restos do navio.

Gideon puxou Olivia pelo braço.

- VAMOS!

Ela o seguiu, tropeçando e chorando. Ele a empurrou na água e depois pulou também.

Eles nadaram na água salgada até encontrarem um dos botes do navio, que boiava de cabeça para baixo. Gideon e Olivia se agarram ao bote e subiram nele. Olivia não parava de chorar.

Em um impulso, ela se jogou nos braços do menino e chorou – colada a camisa molhada dele.

Gideon a abraçou e depois olhou para o próprio dedo polegar. O anel de ouro ainda estava ali, mas ele só tinha aquilo: perdera o anel de prata e o precioso caderno do pai. Tudo que sobrou foram as quarenta e uma pistas que estavam gravadas em sua mente e aquele anel esquisito.

Olivia o apertou com mais força.

- Obrigada por me salvar. – Ela sussurrou depois de um bom tempo. – Tu és realmente muito corajoso. Tão corajoso quanto o meu...

Tão corajoso quanto o meu pai. Ela não conseguiu terminar a frase e foi tomada por um acesso de lágrimas.

- Eu perdi meu pai há apenas alguns meses. – Confidenciou Gideon. – Meu nome não é Cahill, essa família nem mesmo existe, sou um Calenahill fugindo de sua própria família. Tudo que meu pai deixou para mim eu acabei perdendo. – Ele foi tomado por uma raiva súbita e apontou para as águas escuras onde, mais cedo, o navio afundara. – Tudo que ele me pediu foi para eu mantivesse o seu segredo guardado e agora está tudo no fundo do mar!

- Você é o filho desaparecido do Conde Alexander, de Milão? – Olivia sussurrou e depois focou os seus belos olhos azuis no garoto a sua frente.

- Sou. – Gideon baixou a cabeça. O mar, mesmo depois do que acontecera, estava calmo. A lua brilhava no céu e iluminava os cabelos do garoto.

Olivia segurou o queixo dele e ergueu sua cabeça:

- Não se preocupe, não vou dizer a ninguém quem tu és. Meu pai era a minha única família e depois do que aconteceu, acho que vou acabar na mesma situação que tu.

Eles se encararam por alguns segundo em silêncio. Gideon, depois de hesitar um pouco, levou a mão ao rosto molhado dela. Para sua surpresa, Olivia não se afastou.

- Você não está mais sozinha, Senhorita Railly.

Ela abriu um leve sorriso, porém, seus olhos continuavam tristes e, apesar da escuridão, Gideon pôde perceber isso.

- Temos que chegar à costa. – Ela falou. – Tu me ajudas que eu te ajudo.

Gideon olhou mais uma vez para trás. Queria mergulhar e procurar pelas coisas de seu pai, mas sabia que isso era impossível.

Enquanto o bote flutuava solitário pelo mar, o navio pirata sumia mar a fora, levando o anel de prata de Alexander Calenahill.

Notas finais
Bom, nesse capitulo mostra como Gideon e OLivia se conheceram e como Gideon perdeu um dos aneis (ou acha que perdeu ;D)
Espero que, apesar de ter ficado uma (perdoem-me pelo nome) cagada, vocês me perdoem. Esse final de semana eu estou sem inspiração NENHUMA.
Bom, depois dessa volta no tempo, acho que só vou escrever capitulos nos dias de hoje.
Não se preocupem, eu não esqueci de Amyan!
Bjinhos sangrentos e amo vocês!