Notas iniciais
Uma fluffy em Modern!AU só pra não perder a paixão em shippar Margaery e Sansa. PS: Sansa não está marcada como personagem nas informações porque o Nyah só meu deu a Margaery e o Tyrion como personagem, mas ela tá aqui pfvr. Espero que goste :)

As mãos de Sansa estavam sujas de terra úmida. O sol naquela manhã era tímido, mas seu calor estava na medida certa, aquecendo-a suavemente, fazendo com que seus cabelos ruivos brilhassem ainda mais. As rosas a seu redor se exibiam orgulhosamente. Vermelhas, amarelas, brancas, cor-de-rosa e as rosas azuis, nascidas a partir da muda que Sansa havia presenteado Margaery, uma espécie de rosa que crescia apenas no norte, no frio, nos jardins gelados do Alasca, nas terras de Sansa.

Já havia cortado as flores que os Tyrell usavam para decorar a grande e majestosa mansão, flores essas que eram trocadas todos os dias antes da tarde chegar. Com o alicate próprio para jardinagem, havia removido as folhas desnecessárias e os espinhos – que a machucaram no processo. Margaery correu para ajuda-la, lavou sua mão com água fresca e observou o pequeno filete de sangue escapar por sua pele. Com um sorriso travesso e malicioso, Margaery enroscou os lábios no dedo espetado de Sansa e o sugou, sua língua brincando com a ponta. Quando terminou, Sansa tinha a respiração levemente pesada e Margaery ostentava um semblante orgulhoso. Mas seu dedo já não sangrava mais.

Regara as rosas um pouco antes, mas sua atenção estava mesmo em Margaery, que tinha os olhos castanhos cintilando sob a luz do dia, os cachos da mesma cor caindo sobre suas costas como suaves ondas de um mar tranquilo, as bochechas rosadas por causa do esforço de erguer um regador pesado, os lábios vermelhos pelos beijos que compartilharam poucos minutos antes, o vestido primaveril salmão que usava dançando ternamente com o ritmo da brisa. Margaery nunca falhava em fazer o fôlego parecer algo distante para Sansa, com sua beleza tão doce e feminina. Sansa podia ver o quanto Margaery gostava de suas rosas – provavelmente algo que estava em seu DNA. A família Tyrell tinha os maiores campos de rosa de toda a América, era a segunda maior do mundo perdendo apenas para uma da Europa – que tinha seu próprio jardim particular, afastado do que enfeitava a entrada da mansão Tyrell, nos fundos da casa, onde ela podia apreciar a qualquer hora em que espiasse pela varanda de seu quarto. Margaery não permitia que nenhum jardineiro encostasse-se àquelas rosas. Cuidava ela mesma, todas as manhãs, independente do clima, com todo o carinho e dedicação. Sansa descobriu o prazer em ajuda-la, mas a verdade é que gostava mais de ficar perto dela, de ver seu sorriso contente ao ver sua namorada compartilhando da mesma paixão do que qualquer outra coisa.

Depois de cuidar da terra, de qualquer inseto que ousasse destruir as belas rosas de Margaery, Sansa olhou para o jardim, limpando a fina camada de suor de sua testa com o antebraço. O vento calmo e refrescante que adentrou seus cabelos foi muito bem vindo, fazendo-a suspirar. Satisfeita com seu trabalho, Sansa foi direto para a fonte de mármore que ficava a poucos passos das rosas, feito especialmente para qualquer necessitade que Margaery tivesse com as flores. Mergulhou as mãos na água que caia; cristalina e de temperatura certa. As rosas esculpidas no mármore alvo da fonte eram de detalhes impressionantes.

Olhou para o céu. Estava azul como deveria ser, mas estranhamente tingido de roxo em uma parte, no horizonte, àquela hora da manhã. Sorriu ao perceber que aquele era o tom de roxo do vestido que Margaery usava na primeira – segunda, se pensasse conforme os fatos – vez que se conheceram.

Era apenas mais uma viagem de família em que Sansa não estava muito contente em participar, mas era grata por sair do frio incessante de sua casa, podendo sentir os raios de sol contra sua pele que era quase tão branca quanto à neve que pintava o telhado da mansão de sua família. Estava em um charmoso bistrô com seus pais e dois de seus irmãos quando sentiu que alguém a observava. Buscou pela pessoa e encontrou um par de olhos castanhos que não desviaram quando seus próprios olhos azuis os encontraram. Sansa a olhou na mesma intensidade, sentindo-se demasiadamente tímida quando ela abriu um sorriso. Sansa desviou os olhos, embaraçada. Por mais que fosse a pessoa mais calorosa de sua família, Sansa ainda era uma Stark, de temperamento tão gelado quanto o vento que uivava pelos corredores de sua casa todas as noites. Levou certo tempo para adquirir coragem para olhá-la de novo, e, quando o fez, ela não estava mais ali. Foi com um grunhido decepcionado e uma carranca irritadiça que Sansa terminou seu chá de maçã e seu bolo de limão.

Voltou ao bistrô no dia seguinte, sozinha desta vez, sentada no balcão de vinhos, com a esperança desconhecida de encontra-la novamente. Os deuses que acreditava lhe foram bons, e ali estava ela, na mesma mesa, também sozinha, com o mesmo adorável sorriso do dia anterior. Sansa se viu, por algum motivo, incapaz de retribuir, mas não desviou o olhar desta vez. Mas foi quando ela se levantou e caminhou em sua direção que Sansa se viu mordendo o lábio inferior, nervosa. O vestido roxo e curto que usava era delicado e combinava perfeitamente com os cachos castanhos. Ela sentou ao seu lado e Sansa abaixou os olhos, repentinamente achando sua pulseira de prata com pingente de lobo extremamente interessante.

—Um lobo – A voz macia chegou a seus ouvidos – Um lobo uivando – Ela pareceu perceber o objeto de sua atenção.

—Sim, é… – Sansa disse com a voz baixa, sem levantar o olhar – É uma coisa da minha família.

—Uma coisa de família? – Sansa apenas assentiu – Por quê?

—Sou de uma família antiga, bastante antiga, e tradicional, dessas cheias de história – Sansa encontrou-se dizendo, não fazendo ideia de como estava conseguindo falar, mas deixou-se levar – Tem uma lenda… Que diz que minha família veio dos lobos. Que o primeiro membro da família era um lobo, que se transformou em homem por bondade ou crueldade dos deuses. Também dizem que, sempre que alguém da família morre, seu espírito vai para um lobo – Ela riu suavemente – É bobagem que os velhos contam para as crianças da nossa família, como se uma lenda fosse fazer de nós uma “linhagem”, como eles dizem, mais especial. As crianças amam essa história, eu já amei. A verdade é que existiam muitos lobos nas nossas terras. Acho que existem ainda, mas são poucos.

—De onde sua família é?

—Alasca. Sou do Alasca.

—Não é uma bobagem, achei muito original e totalmente interessante – Sansa podia ouvir o sorriso em sua voz, já que ainda encarava sua pulseira – Minha família tem uma coisa também.

—O quê?

—Rosas. Não por causa de uma lenda assim como a sua, mas porque é o negócio da família desde sabe-se lá quando. Temos campos de rosa por toda a América. Aí tomamos como um símbolo. Embora seja só dinheiro pra maioria dos meus parentes, é especial pra mim.

—Por quê?

—Rosas são consideradas as flores mais bonitas do mundo. São delicadas. Requerem um cuidado especial, ou morrem, como a maioria das coisas importantes da vida. E na maioria das vezes representam o amor. As rosas são como o amor. São bonitas e te fazem se sentir especial, mas o modo como cuida delas é o que conta. Se não houver carinho e dedicação, é só mais uma coisa que vai terminar mais rápido do que deveria.

A pulseira então não lhe pareceu mais tão interessante e, sem que percebesse, Sansa olhava de perto para ela pela primeira vez. Era ainda mais bonita, a garota mais bonita que seus olhos tiveram o prazer de contemplar.

—Isso foi poético – Sua voz saiu mais rouca do que realmente era.

—Palavras bonitas para uma garota bonita – Ela sorriu – Toma um vinho comigo?

—Não tomo vinho com pessoas desconhecidas.

—Sou Margaery Tyrell.

—Ainda é desconhecida.

—Você é mais. Ainda não sei seu nome.

—Sansa. Sansa Stark.

—Podemos nos conhecer enquanto você me acompanha em uma taça de vinho.

Quando Sansa recebeu seu vinho, era quase de coloração tão roxa quanto o vestido de Margaery e quase tão doce quanto o seu sorriso.

Sansa foi despertada de seus pensamentos com um beijo em seu maxilar e uma mão em seu colo. Sorriu quando sentiu seus cabelos serem colocados para o lado, a respiração quente em sua orelha.

—Uma moeda por seus pensamentos, menina-lobo.

—Só estava pensando em você.

Margaery riu suavemente, um riso cheio de alegria e encantamento, Sansa bem sabia.

—Você me ama tanto que é patético.

—Você não está tão diferente.

Ouviu o riso adorável enquanto se virava, ficando cara a cara com ela. Recebeu um terno beijo no queixo e então nos lábios, os braços de Margaery embrulhando firmemente sua cintura.

—Temos vinho e bolo de limão – Margaery disse com os lábios pressionados na maçã de seu rosto.

—Você está me mimando – A resposta de Sansa veio em forma de uma voz preguiçosa e sorridente.

—Sou a mais velha. Tenho que agradar a criança.

—Você abusa dessa criança.

—Acha que os deuses me castigarão?

—É possível.

—E se os deuses levassem em conta que esta criança gosta de ser abusada, hm? Terei mais tempo na Terra antes de queimar no inferno?

—Só se você agradar esta criança corretamente.

—Creio que posso fazer isso – Margaery selou seus lábios rapidamente antes de encontrar sua mão, entrelaçar seus dedos e caminhar pela grama com Sansa a seu alcanço.

Havia uma bandeja com uma garrafa de vinho, duas taças e pequenos quadrados de bolo de limão em uma parte da grama onde o sol não alcançava, na sombra.

Sentaram-se no chão e Sansa não perdeu tempo em agarrar um pedaço do bolo e dar uma mordida, suspirando com seu sabor favorito – depois da pele, boca e verdadeiro paraíso que Margaery tinha entre as coxas. Sua namorada sorriu, despejando o vinho tinto nas taças, logo bebericando a bebida. Sansa a imitou, bebendo um gole de sua própria taça e largando-a na bandeja, apoiando o peso nos braços e fechando os olhos, jogando a cabeça para trás e aproveitando a claridade do dia – mesmo que estivesse na sombra.

—Pare de me olhar – Sansa disse ainda de olhos fechados, sentindo o olhar de Margaery sobre si.

—Por quê? Coisas bonitas são feitas para serem apreciadas.

—Oh, como você é charmosa – Sansa zombou.

—E você se derrete, não tente dissimular.

Sansa não podia argumentar, era verdade. Ela se derretia com Margaery, com as palavras, com o olhar, com o sorriso, com os toques, os beijos, a voz sussurrada no pé do ouvido, os orgasmos que atravessavam seu corpo no meio da noite. Derretia-se com Margaery desde a primeira vez que a viu.

Seus olhos se abriram quando Margaery subia em seu colo, montando sobre si. Sansa sorriu e a acomodou alegremente, seus dedos começando uma carícia inocente – até o momento – nas coxas firmes de pele macia. Os braços de Margaery envolveram seu pescoço e a boca não perdeu tempo em encontrar a sua, a língua aveludada entreabrindo seus lábios. O beijo tinha o gosto intenso e suave do vinho e a doçura dos bolos de limão, mas o sabor que mais lhe agradava era o sabor de Margaery, um sabor certeiro para fazê-la tremer.

Margaery agarrou-lhe os cabelos, puxando da maneira que ela sabia que faria Sansa suspirar. Quando seus lábios se separaram, Margaery se preocupou em beijar a mandíbula de Sansa, empurrando-a delicadamente até que se deitasse na grama. Arrepiou-se quando sentiu as pontas dos dedos de Margaery acariciarem suas coxas por baixo de seu próprio vestido azul – aquele que Margaery dizia que destacava seus olhos, consequentemente o vestido que mais usava. Quando seus lábios se encontraram mais uma vez, Sansa sentiu dedos atrevidos acariciarem o calor entre suas pernas, que rapidamente se tornaria úmido se aquilo continuasse.

—Não… Margaery… – Sansa sibilou entre beijos – Margaery… – Ela choramingou – Até onde… – Ela suspirou quando sua namorada aplicou pressão no carinho que fazia – sei, não estamos sozinhas na sua c-casa.

—Hm… – Margaery praticamente ronronou, descendo os lábios para seu pescoço – Vovó está com Megga, Elinor e Alla, dando conselhos para que consigam um bom marido. Willas ainda está dormindo e Loras, bem, Loras é Loras. Ele de todas as pessoas não deveria se sentir incomodado com algo assim – Mordeu levemente sua pele, seus dedos nunca parando de se movimentar no doce calor de Sansa, que já se encontrava molhado.

Sansa abriu os olhos, não muito, mas o suficiente para enxergar o jardim, o céu azul tingido de roxo e a bandeja com as taças e os pequenos bolos de limão. Quando Margaery lhe invadiu, gemeu baixo e sorriu, a brisa que passou por seus corpos trouxe o aroma das rosas até seu nariz.

Sansa teve certeza que Margaery lhe faria derreter mais uma vez.

Notas finais
Eu não tenho ideia se existem jardins e lobos no Alasca, mas como é tudo de mentirinha, vamos fingir que isso é fato cientificamente comprovado ;) Muito obrigada por ler, deixe um review se puder e também siga-me no tumblr porque lá o nível de feels e shippação de muitos gêneros é grande >>>>>>>>>> mizzdlovato :))))))
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!