Melodias do Passado
8 Oito - Regresso
Notas iniciais
Luka e Kamui começaram a andar em nossa direção. Eu e Shion entramos em desespero – em silêncio –, não sabíamos o que fazer.
–Aha!... Ãããã? Hora essa! Não tem ninguém aqui! – ouvi Kamui dizer, deduzi que ele estava exatamente onde estávamos.
–Podia jurar que ouvi vozes vindas daqui! – Luka disse equivocada.
–Deve ter sido o vento...
–Vamos embora daqui antes que realmente apareça alguma pessoa. – Kamui diz.
Ouvimos passos se distanciando, quando não ouvíamos mais nada, saímos do esconderijo. Eu e Shion estávamos escondidos em uma sala minúscula onde tinham materiais de limpeza: vassouras e rodos , sala que por sorte estava aberta.
–Aqui Hatsune. Uma vassoura pra você voar. Hahahaha. – Disse Shion sarcasticamente com uma vassoura na mão.
–Hahahaha. – Ri ironicamente. – Como você é engraçado Shion! – Revirei os olhos.
–Ufa! Foi por pouco! – Shion disse passando a mão na testa.
–É! Quase nos viram! – Concordei – Eu vou embora. O que vão dizer se me vir com um idiota como você? – Eu disse saindo daquele lugar.
–Não esqueça sua vassoura Hatsune. Como você irá embora sem ela? – Shion disse me provocando. Nem dei bola estava com a cabeça cheia para dar atenção para brincadeiras infantis.
–Idiota. – Gritei.
Sai da escola correndo. Tinha passado da hora de estar em casa fazia tempo. Era sexta-feira e meu pai iria para a casa da minha avó. Deveríamos estar saindo agora. Mas eu não havia chegado em casa.
Caminhei depressa para casa. Não parava de pensar no que eu ouvi. “O noivo da Luka era o Kamui? Pobrezinha. Os dois se odeiam tanto!” pensava.
Cheguei à minha casa e meu pai me deu uma bronca. Em cinco minutos troquei de roupa fiz minha mala com poucas roupas, pois era só um fim de semana. Eu e meu pai saímos de carro rumo ao sítio da vovó, que demorava uma hora para chegar.
Chegando lá, tratei de comer algo, pois estava pálida de fome. Com aquilo que acontece na escola não deu tempo de comer em casa. Estava exausta e com a cabeça cheia de coisas. Pensar só em uma coisa estava difícil. Como sempre, fui me sentar nas escadarias da mansão como sempre fazia quando ia pra casa da minha avó.
Estava sentada nas escadas da mansão, e achei que seria como todos os dias que eu estava lá. Sem nem um movimento na mansão. Mas não foi...
–Ele voltou! – Disse o motorista da mansão que era o mesmo desde que eu era criança.
Eu fiz uma cara de dúvida para o motorista, mas ele mais nada falou. A julgar que a ultima coisa que ele me disse foi: “O menino foi embora e voltará daqui muito tempo” e isso faz 10 anos. Eu sempre via o motorista perto da mansão. Mas ele nunca havia falado nada para mim desde aquela vez. Agora ele havia me falado que ele voltou.
Depois de relembrar dessas coisas deduzi que era o menino da qual eu brincava na infância que havia voltado. Mas duvidava...
–Espere! – gritei para o motorista que estava entrando na garagem já um pouco longe. Ele apenas se virou. Nada disse. – Você fala do menino? É o menino que eu conheci com seis anos que voltou?
O motorista apenas assentiu com a cabeça e entrou na garagem.
Eu abri um enorme sorriso. Fiquei muito feliz. Eu adorava aquele garotinho. Ele era tão gentil comigo. Deixava-me ficar circulando pela mansão como se eu fosse parente dele. Depois que ele foi embora nunca mais entrei na mansão...
Eu sentei novamente na escadaria e fiquei pensando como estaria o menino...
–Ei... Garota? Quer entrar e tomar um café. – Uma mulher atrás de mim pergunta.
Do nada me lembrei daquela mulher. Ela era babá do menino. Foi embora junto com ele e agora voltou junto com ele. “Mas ele estava meio velho para ter baba...” pensei.
–Oi... Lembro-me de você. Você é a menininha que brincava com o... Você se lembra? – a mulher interrompeu meus pensamentos.
A mulher era alta e bem magra. Tinha cabelos grisalhos e usava um vestido preto e branco longo tipo as empregadas do século dezenove (bem démodé devo dizer).
–Claro que me lembro do menino! E da senhora acabo de me recordar.
–Como você tem a memória boa! Entre! Acabei de fazer um café. – Ela disse apontando para a porta.
Não tive como recusar, o cheirinho bom do café vinha de dentro da casa pela porta que estava aberta.
Entrei e de repente fui me lembrando de tudo da mansão, como eu imaginava, ela era linda. Tinha paredes brancas, esculturas douradas delicadas. Logo após o hall de entrada havia um grande salão. Com mesas em alguns cantos com flores. Tinha um cheiro bom de limpo. A mulher me mostrou o caminho para a cozinha. Mas eu parei...
Vi um piano, igual ao da mamãe, só que era branco. Havia uma foto em cima dele. E o que eu achei mais estranho. A foto era idêntica a que eu vi na casa de Rin e Len. A diferença era a moldura. Aquela que via ali era bem mais cara que a da casa dos Kagamines. Novamente me veio à pergunta na cabeça: “Quem são esses da foto?”.
–Venha minha querida. Tome o café! Está bem quentinho. – A mulher me chamou me acordando da minha viajem nos meus pensamentos.
Sentada à mesa de mármore, tomei o café que estava muito gostoso. Comi uns bolinhos. Não parava de me perguntar onde estava o menino...
–Cadê o menino que eu brincava quando criança? – Perguntei com a esperança de reencontrá-lo.
–Ele tá lá em cima. No quarto dele... Mas vou logo te avisando... Ele mudou muito depois que se mudou daqui da fazenda.
–Porque ele fica lá no quarto enquanto mora nesse lugar lindo? Lembro-me que ele adorava esse lugar.
–Por isso que te disse ele tá mudado... Ele não é o mesmo, não gosta das mesmas coisas.
Terminei o café. Perguntei se eu podia andar pela mansão. A mulher afirmou.
Estava caminhando pelo salão da mansão que era enorme. Vi uma sacada baixa rente ao chão, fui lá. Vi o jardim da qual eu havia plantado a rosa azul com o menino. Fui para uma porta que havia em um dos lados do salão. Abri-la sai da mansão e entrei no jardim...
O jardim parecia ser mais bonito do que e me lembrava. Fiquei maravilhada com aquele lugar. A brisa vinha até mim trazendo aquele cheiro doce de flores.
Também tinha algumas árvores frutíferas mais no fundo do jardim: macieiras, laranjeiras, cerejeiras...
Fui logo procurar a rosa azul que havíamos plantado. Estava ansiosa para saber se ela ainda existia.
Cheguei ao lugar onde ela estava plantada.
Ela continuara lá todo esse tempo. Era linda. Estava grande e florida. Havia duas rosas desabrochadas e três botõezinhos.
Fui perto da roseira, me ajoelhei e fiquei olhando para as rosas. Passando os dedos delicadamente em suas pétalas. Elas exalavam um perfume muito bom. Fechei os olhos e fique sentindo aquele cheiro e lembrando o quanto era bom ter passados aqueles dias brincando naquele jardim com o menino misterioso...
–Você? O que faz aqui? – Uma voz familiar atrás de mim interrompe meus pensamentos.
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