Melodia sem ternura
7 Pagu
Notas iniciais
Uma mania que a sociedade tem é titular e estereotipar.
Quando eu era pequena, na escolinha ainda, a professora (ou melhor, a tia) contava várias histórias com feiticeiras más e corcundas, que faziam de tudo para causar o mal aos outros.
E então eu cresci, conheci várias feiticeiras, e nenhuma delas era corcunda — aliás, as costas delas eram mais retas que a minha —, sua magia não fazia mal a ninguém e o que mais me impressionava nelas, era a bondade.
Até hoje me pergunto se as mulheres que viraram carvão na época da inquisição, também eram como elas. Ou eram ainda melhores.
Quando eu fiquei mais velha eu fui obrigada a viajar pro exterior — Estados Unidos para ser mais especifica —, eu contava os dias para voltar. Era insuportável eu contar que era Brasileira, e eles me perguntarem “Então, por que você não tem bunda?”, “Você sabe sambar?”, “Mentira, você é branca!”.
O povo daquele lugar é tão preconceituoso, e eu realmente sentia falta do Brasil. Do meu Brasil.
Quando voltei ainda estava no ensino médio, e todos me achavam a nova Madre Teresa, apenas porque eu ainda era virgem. Quando eu perdi, eu contei para uma “amiga”. De repente toda escola sabia, e “olhe, ela que dormiu com o tal. Que puta”. E os garotos vinham para cima de mim feito cachorros no cio, tinha vontade de avisa-los que meu buraco é mais em cima.
Depois disso ganhei a fama de “porra louca”. Tudo bem.
Um pouco mais para frente, já tinha até esquecido o que aconteceu. E de repente me arranjam um novo titulo; A bruta. Eu entrei na aula de luta livre, perto da escola. Minha força não é bruta, apesar de eu ser mais macho que muito homem.
Me colocaram muitos mais títulos conforme eu crescia, mas eu escolho o que eu sou, e agora eu sou Pagu indignada no palanque.
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