Melodia e Lágrimas
1 Cap Unico - Melodias e Lágrimas
Notas iniciais
Vitoria andava por entre as paredes de pedra, deslizando uma das mãos pela mesma. A jovem de aparência frágil, corpo delicado, protegido por um vestido rosa claro mais conhecido como rosa cor-de-pele, pele alva e acetinada, olhos de tonalidade amendoada, bem marcados pelo lápis de olho preto. Mas o que ela fazia ali?
A menina dos cabelos pretos, lisos, herdara a mansão de seu tio-avô. Tudo era tão certo em sua vida, até o dia em que seu melhor amigo e tutor (o tio) falecerá, deixando-a a mercê de suas escolhas e pensamentos.
Assim que a jovem avistou as duas portas de madeira nobre, trabalhado com entalhos de notas musicas não teve duvidas, caminhou apressadamente até a mesma, assim que chegou a frente da porta parou e depois de um longo suspiro empurrando uma das pesadas portas, Vitoria adentrou na empoeirada sala de musica.
Tudo estava coberto por um pano branco, já amarelado pelo tempo, à anos ela não entrava naquele local. Um doce sorriso apareceu nos lábios da jovem Vitoria, o mesmo logo se desfez quando ela puxou o pano mais próximo de si. O violoncelo imponente e bem preservado surgiu enquanto o pano dançava com o movimento da garota, logo a dança do tecido foi interrompida por um descuido que o fez pairar no ar por breves segundos até encontrar o chão frio.
Mesmo com a pouca iluminação a madeira polida dava sinais de brilho e esplendor, o instrumento clamava pelo toque de sua dona, que sem medo o tateou da pestana até haste de metal em sua extremidade, tocando suas cordas com leveza e cuidado, entoando cada nota com prazer.
- Dó, Sol, Ré e Lá, — Disse a garota enquanto o som nas notas invadia o local. – Um pouco desafinado, mas creio que ainda posso tirar o melhor dele.
O melhor que o Instrumento tinha não era a melodia agonizante que entoava, mas as memórias que carregava por sobre sua madeira, era a sua história. E junto as memórias do instrumento estavam lembranças da vida de Vitoria com o tio. Bons momentos.
- Há quanto tempo meu amigo. – Ela novamente sorrio, agora mais leve, um sorriso doce e inocente.
Não demorou muito para que Vitoria descobrisse uma cadeira de madeira, acolchoada com a almofada e o encosto na cor azul marinho. Cuidadosamente ela levou a cadeira até o instrumento e se posicionou, trazendo para si, deixando-o por entre as pernas. O arco que estava ao lado do violoncelo logo foi preso pelas mãos da garota, que aos poucos começava a toar uma suave e triste musica.
As notas saiam com tamanha naturalidade, Vitoria nem se dava ao trabalho de pensar nas mesmas, apenas deixava o aro ir e vir, ir e vir, enquanto a outra mão se ocupava de pressionar as quatro cordas em uma ordem desconhecida até então.
A melodia tomava contada do local e da alma da jovem, que viajava por entre os sons redescobertos em uma nova musica criada por ela para ela. Não houve surpresa quando a voz de Vitoria saiu, complementando a melodia com sua voz, dando mais vida a musica e aquela sala.
- Em um castelo se deteriorando lentamente... Em um sedento tempo de mudanças.
O arco foi e voltou, deslizando lentamente, fazendo com que o cello desse a impressão de choro. Um choro repleto de magoa e angustia.
- O meu acinzentado eu... Está desaparecendo devagar.
Uma pausa breve, um suspiro, um coração falhará de leve.
- Preciso morrer.
O som do violoncelo novamente dominava sozinho todo o local, num ritmo mais rápido, porém ainda sim sensível, e repleto das emoções de Vitoria. Aos poucos as palavras voltaram a ser despejada pelos lábios rosados da jovem.
- Reunindo as estrelas... E construindo um castelo de areia.... Onde entôo uma oração suave... Na emboscada daqueles passos se transformando em pó, fluindo para longe.
A melodia do violoncelo novamente chorou, poderia um instrumento compreender a dor de sua dona?
- Por favor, alguém... – Sussurrou por fim, sentindo as lágrimas voltarem a molhar seu rosto e a agonia crescer em seu peito.
E do mesmo modo que a melodia a começará, ela terminará, deixando uma garota aos prantos, em uma escondida sala de musica localizada no subsolo de uma mansão.
Notas finais
Kissus Boa leitura
=D
Fale com o autor