Notas iniciais
O... Quê?!
- Oh! Sério, Carol? Eu nunca ia imaginar! – disse uma surpresa Ana, se levantando pela primeira vez do sofá.
É. Certamente eu NUNCA ia imaginar. Meu choque era tanto que eu não conseguia falar palavra alguma.
Ana, pelo visto, estava gostando da situação.
- Quem foi? Quando foi? E a pergunta mais importante... – respirou Ana para falar – É bom?!
- Ca — calma! – disse Carol, bastante envergonhada, tentando (em vão) acalmar a outra garota.
Eu continuava olhando para ela estupefata. Quem diria que aquela estúpida, CDF... Aquela garota que eu pensava conhecer tudo desde criança... Teria já beijado alguém, e do mesmo sexo? E o mais importante... Por que eu estou me sentindo desse jeito...?
Enquanto eu estava em plena discussão mental, Carol olhou para mim e notou que eu não falava nada.
- E você? – falou ela se referindo a mim, me assustando – ao vai falar nada não?
-... – Eu olhei para o lado e não falei nada? Por quê?! Eu não sabia. Eu devia falar alguma coisa, não é? Mas... Eu não conseguia...
Carol ainda olhava para mim. Suspirou, admitindo a derrota, e devido as (grandes) insistências de Ana em falar sobre o tal beijo, ela decidiu contar.
- Bem... – começou ela, ainda olhando de relance para mim, mas eu continuava olhando para a televisão – Não vou entrar no modo flashback como a Ana, então eu vou contar diretamente.
- Tudo começou naquela viagem do colégio na 7ª série, em que a Bia não foi por que estava doente.
Subitamente me lembrei daquela época. Se eu não me engano, a Carol voltou muito feliz daquela viagem... Meu peito ardeu. Será que foi por isso?
- Eu estava extremamente entediada porque minha única melhor amiga não estava lá, e apesar de eu me dar bem com o resto da turma, não era a mesma coisa.
Confesso que fiquei feliz com isso. E não consegui evitar sorrir quando ela sorriu para mim.
- Então lá estava eu, na beira do rio, forever alone, lembrando minha vida, quando...
- Quando...? – perguntou Ana empolgada.
- Quando eu ouvi alguém se debatendo na água e pedindo por socorro. A pessoa estava no meio do rio, e era difícil chegar até lá, mas... Mesmo assim eu fui.
- Você tava doida?! – a interrompi, gritando. Percebi que fiz muito barulho e voltei a me sentar, me controlando. – Você não sabia nadar direito naquela época!
- Bem, era. – confirmou coçando a cabeça. – Mas o que você queria que eu fizesse? Uma pessoa estava morrendo lá. Eu não podia ficar olhando sem fazer nada!
- Sim, mas... – eu ainda estava irritada. – Mas você poderia ter morrido! Se você tivesse morrido eu... Eu...
Oh, não. Não neste momento. Tentei evitar, mas foi em vão. Lágrimas começaram a escorrer no meu rosto.
Quase que instantaneamente, senti um abraço. Um abraço forte, caloroso. Um abraço que eu não sentia à muito tempo...
- Sua besta. – sussurrou Carol no meu ouvido – Eu nunca vou te deixar, ok? Você confia em mim, não confia?
Fiz que sim com a cabeça, embora continuasse a chorar. Ficamos abraçadas por bastante tempo, não sei se foram minutos, horas, dias... A única coisa que eu sei... É que eu queria que não acabasse.
- Gente... – ouvimos uma voz e percebemos que há um mundo lá fora – Desculpa cortar o clima de vocês, mas a Carol não terminou a história dela!
- Quê...? Ah, sim. – Carol se lembrou da sua narrativa e me soltou rapidamente. Eu quase disse “NÃO!”, mas segurei minha língua Eu não era assim. O que estava acontecendo comigo?”
- Er, continuando... – com isso voltamos a prestar atenção na história.
- Eu nadei com dificuldade até a pessoa, a agarrei e nadei de volta. Quando conseguimos chegar à beira do rio percebi que não era exatamente uma pessoa. Era um anjo.
Notas finais
Au revoir!
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