Melhor Não

1 Capítulo único


Mariana fitava-se no espelho, estava um caco, na verdade encontrava-se na sua mais deplorável situação, pois, havia acabado com seu namoro e seus dias não haviam sido os melhores. Olheiras marcavam os olhos, o cabelo loiro há muito que não penteava e as roupas estavam um trapo de tão amarrotadas. Havia passado duas semanas em plena “fossa” e naquele dia uma amiga a chamara para sair, aceitou desanimada, mas a amiga lhe disse “Vamos sair dessa deprê!” e ela, bem ela concordou. O mundo não acabaria ali ou naquele dia (embora a ideia de que o mundo acabesse ali não lhe parecesse ruim).

Respirou fundo, tomou um banho e se arrumou escondendo o máximo daquelas olheiras terríveis com maquiagem, mas nada muito espetacular. Saiu de casa, ligou o carro e foi a até a casa da amiga. Samanta, era uma mulher alta, devia ter lá pelos seus 1,80 m de altura, a pele morena bem cuidada, tinha corpo invejável, rosto redondo e um sorriso que tiraria qualquer homem da linha. Uma modelo praticamente.

Foram a uma “baladinha” em que Samanta encontrara seus amigos de faculdade, onde a loira fora apresentada aos demais. Por um instante Mariana pensou em correr dali, pois, não conhecia ninguém. Pediu licença e dirigiu-se até o balcão pedindo uma dose de tequila, que virou rapidamente na boca causando-lhe uma leve tontura, precisava daquilo e se ficasse de alguma forma bêbada iria embora de táxi. Voltou a rodinha de amigos no canto da boate sendo apresentada um rapaz que antes não estava ali. Ricardo. E como o nome lhe caia bem, Ricardo de significado “Poderoso Senhor”. Era alto, tinha olhos castanhos, os cabelos escuros que insista em jogar para trás, um brinco de argola que lhe enfeitava a orelha esquerda e por conta da blusa um pouco larga e aberta podia-se notar o começo de uma tatuagem no peitoral, segurava em uma das mãos um cigarro que pelo cheiro seria dos mais baratos e como característica mais marcante tinha um sorriso maravilhoso, embora meio amarelado por conta do consumo de nicotina. Ele olhou a loira de cima a baixo mostrando esse sorriso, puxando assunto naquela boate cheia, embora fosse difícil ouvir. Ficou tarde, Mariana foi embora, tomando espaço na mente libidinosa do moreno que buscou Samanta para adquirir ao menos o telefone daquela jovem.

Ligou para garota no dia seguinte, causando certa surpresa a ela que foi resistente, pois, ainda mantinha o coração num estado de luto graças namoro recém-terminado. Mas Ricardo era insistente, e ela se acostumara com isso. No fundo queria mesmo tê-lo. Mas sempre dizia ao telefone “Melhor não”.

Era sexta à noite, ela estava deitada e seu celular tocou, era Ricardo e estava bêbado e como todo bom bêbado a sinceridade não lhe faltava. Provocou falando do que queria dela, o que faria se a tivesse ali e da maneira em que Mariana estava fragilizada aquilo a fazia delirar e querer aquilo, cada palavra, um desejo que a consumia e pensava no quando ele era mau de fazê-la querer. A loira apenas ouvia calada cada uma das provocações, ele se esqueceria do que disse no dia seguinte mesmo. Soltando apenas um “Melhor não”.

Mariana acordou assustada, o celular tocava em pleno sábado de manhã. Era Ricardo e pedia desculpas pelo que tinha dito no dia anterior e queria se redimir levando-a para sair, ela riu, então, ele se lembrava e aquilo era um golpe para que eles saíssem, ela sabia.

A noite caiu, ela se arrumou como nunca. De fato, uma “quase-mulher” bonita, com seus recém feitos 20 anos. Tinha uma estatura mediana, a cintura acentuada pelo quadril largo e os seios tão pequenos que fazia questão de esconder com enchimentos, os longos cabelos loiros caiam-lhe sobre os ombros e os olhos... Ah, aqueles olhos hipnotizantes, eles seriam matadores para qualquer homem que ousasse mergulhar neles, como os olhos de um felino: misteriosos, elegantes, charmosos e ainda sim discretos. E assim o fez, queria que os olhos rebatessem aquele sorriso cafajeste, queria provocá-lo como ele fizera, mas não com palavras.

Encontraram-se na mesma boate, dessa vez apenas os dois. Ricardo mantinha-se da mesma maneira e quando a viu exibiu seu sorriso cafajeste maravilhoso, conversaram um pouco do lado de fora e entraram para a batida de música eletrônica. O local estava cheio não os deixando manter distância e eles não queriam nenhuma distância, na verdade dançavam aquela batida alucinante tão perto que sentiam os corpos suarem. Quanto calor, ele tirou a regata de cor branca exibindo a tatuagem, um leão, como ele um predador, olhando sua presa pronto para abocanhá-la ao sinal de que era seguro fazê-lo. A loira olhou a tatuagem tocando-a com as pontas dos dedos, subindo vagarosamente as mãos para o pescoço dele que a segurou pela cintura, trazendo-a para si, dançaram colados e ele ainda tentava beijá-la, mas ela não cedia, queria deixá-lo no ápice da vontade, como um leão faminto. Virava o rosto como quem dançava, acariciava o pescoço e as costas dele com as unhas, lambia-lhe e mordia-lhe as orelhas. Ele mordia os próprios lábios, ela sabia fazer aquilo, era ousada. Ricardo se deixou brincar, até não aguentar nenhum instante mais e a segurar delicadamente pelos cabelos da nuca e puxá-la arrancando-lhe um beijo, um beijo longo, gostoso, um beijo urgente. Mariana nunca ficara com alguém daquele jeito, na verdade beijava apenas rapazes “bonzinhos” de boa índole que lhe respeitavam sempre, mas aquele... Aquele homem não, Ricardo não. Mariana pensou em dizer o que sempre dizia “Melhor não”, mas ele tinha gosto de perigo, gosto de algo novo, aquele gosto de tabaco e bebida barata que só um homem como aquele poderia ter, um perfeito e gostoso canalha. Ela o queria muito e no auge daquilo tudo ela já havia empurrado a mulher para um banheiro escondido, escuro, sujo, mas quem se importava?

Ricardo percorreu o corpo da loira com as mãos, fazendo com que ela cravasse as unhas em suas costas, beijou-lhe o pescoço, buscou com as mãos as delas levando as mãos dela até onde queria que ela fosse e ela o fez deixando-o louco, ficaram assim por alguns minutos até a música cessar. Pararam. Mariana olhou no relógio, já amanhecia.

_Sinto muito, hora de ir. – Ela sorriu afastando-se.

_Vai me deixar assim? – Ele riu safado.

_É a vida, ela não é justa. – Mariana olhou para o estado do homem, brincalhona.

_Sei... – Ele mordeu os lábios dando a ela um último beijo.

_Então, até mais. – Ela saiu do banheiro imundo seguindo para o seu carro

_Podemos terminar o que começamos na minha casa? – Ricardo a segurou pelo braço.

A loira analisou o homem passando as mãos pelo seu peito e o agarrando pelo pescoço.

_Bem... – Ela chegou os lábios bem perto dos dele encarando-o em uma dança suave - Melhor não.

Ele riu da frase que tanto ouvira dela ao telefone, sorrindo de lado, em seguida beijando-a levemente e ela saiu pela porta daquele banheiro, indo embora. Mariana não precisava mais daquilo, foi ótimo, e aquela experiência única apenas a lembrava de que ainda era uma mulher poderosa, teria outros homens e um ex-namorado não atrapalharia sua vida, deveria ser feliz, iria viver.

Enfim, chegou a sua casa em poucos minutos e seu celular já tocava, era Ricardo. Riu. Atenderia?

Melhor não.

Notas finais
Bom... Mais uma one-shot!Tô ficando boa nisso -qEssa fic. foi divertida de escrever, na verdade nunca eu havia escrito algo do gênero e resolvi tentar.Espero que tenham gostado, pois, pra mim foi uma boa experiência! *-*Afinal, acho que toda mulher tem vontade de ser louca assim uma vez, não é?Obrigada e não se esqueçam dos reviews, das estrelinhas e dos pontinhos, sim?;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!