Notas iniciais
Boa leitura e leiam as notas finais.

Com expectativa olhava o relógio pendurado na parede. Estava quase na hora! Mais um pouco, e mais alguns relatórios de missões e estaria liberado.

Posou o queixo em uma mão e com a outra ficou a bater a caneta de leve na madeira da mesa. Sorria e continuava a ver os ponteiros se movimentarem. Aos poucos via o tempo passar como sempre ocorrera em sua vida, o tempo voava de suas mãos assim como as lembranças de um dia qualquer se foi e voltam em momentos inesperados.

– Está com pressa, Iruka-sensei? – escutou falarem com ele. Aquela voz que nunca esqueceu e o deixava nostálgico. Rapidamente corrigiu sua postura perante a presença de Hatake Kakashi.

– Perdão, Kakashi-sensei? – não entendera a pergunta do outro.

– Por você estar parado há bom tempo olhando aquele relógio pensei que estivesse com pressa.

– Não estou com pressa.

– Bem, lhe trouxe o relatório. – estendeu para o outro um papel. Iruka recebeu com um sorriso e esperou o outro se retirar, como é de costume, o que não ocorreu. – Você vai estar ocupado mais tarde?

Era de se estranhar esse tipo de pergunta do ninja copiador. Pegou Iruka desprevenido o fazendo corar levemente, que desviou o olhar preferindo olhar as pilhas de papeis ao seu lado.

– Acho que vou estar... – respondeu.

– Vai estar... – a voz do outro mudou levemente, o olhar era critico. – Por acaso vai encontrar algum amigo? – o tom de voz era um pouco enciumado.

– Talvez eu vá! – respondeu um pouco ansioso, o jeito da voz e o olhar de Kakashi o estava deixando retraído.

Kakashi colocou suas mãos no bolso, olhou para o relógio. Ele torcia para que Iruka não encontrasse Kaito. Por algum motivo não foi com a cara dele. Poderia ser todos menos Kaito.

– Vou querer muito que um dia o senhor conheça K, Kakashi-sensei! – Iruka cortou seus pensamentos, sorria abertamente com os olhos castanhos brilhando. Então era K que Iruka se referia que poderia se encontrar mais tarde. Pelo menos isso lhe aliviou.

– Gostaria muito de conhecê-lo. Você deve saber que gosto de cachorros. – sorriu por de baixo da mascara e deu as costas. – Até logo.

Saiu sem escutar a despedida do outro, já fora do prédio foi para um lugar isolado. Parou olhando em volta se certificando. Estava começando a ter certa desconfiança de o que estava se passando com ele.

“Desconfiança não é certeza.” Pensou. Depois de um tempo a pensar fez um clone, Kakashi se transformou em um cão cinzento. O cão saiu correndo do local e o outro Kakashi tirou em livro do bolso e andou para outra direção.

– X -

Iruka saia sem pressa do prédio em que estava, olhava a entrada e a luz claríssima que lá vinha, ao sair deparou-se com seu pequeno companheiro sentado a lhe esperar. Sorriu, já esperava por isso. Se aproximou do animal.

– Olá, K! Agora podemos ir. – andou sendo seguido pelo cão. – Hoje eu acordei com um pressentimento que hoje será um dia extraordinário.

– X -

– Nossa você está com uma cara de cansaço, Kakashi! – Gai falou com as mãos na cintura. – Você deve se exercitar mais, assim como eu. – seus dentes brilharam.

– Me chamou para me falar isso? – respondia lendo o Icha Icha.

– E você anda muito nervoso! – ao escutar isso de Gai segurou o livro com mais força e uma veia começava a aparecer em sua testa. – Mas não foi pra falar isso que te chamei, foi pra te perguntar quando vai acabar isso. Você não esta conseguindo nada!

– Só estou começando. E não se preocupe estou conseguindo sim. – guardou o livro.

– Esta conseguindo ficar louco! – fez uma maldita piada sem graça. – Você o persegue para todos os cantos transformado em um cão. Quando está como você mesmo fica a olhá-lo. E nem me disse nada sobre ele, confessa logo que aquele rapaz tem nada.

– Ele tem algo. – falou seriamente.

– E o que seria? – Gai levantou um daquelas sobrancelhas enormes.

– Foi pra descobrir isso que entrei nessa aposta! – olhou para o céu sem interesse.

Gai olhou para o alto colocando uma mão no queixo. Depois coçou a cabeça olhando para o chão logo depois.

– Seria mais fácil você desistir. Já acabaria logo com essa aposta. – falou.

– Nada disso. Agora que a aposta de verdade começa. – a resposta não veio de Kakashi, e sim de outra pessoa.

O vento que passava levava com sigo um cheiro desagradável de tabaco, o cigarro que estava a ser queimado soltava uma fumaça com cheiro forte. O fumante em questão se deliciava em encher seus pulmões com aquela fumaça e aos poucos era solto. Tirou o cigarro de seus lábios deu uma leve batida nele para deixar cair suas cinzas, logo voltou a fumar.

– Asuma? – Kakashi ficou um pouco surpreso, coçou a cabeça. – É, a situação ficou difícil agora.

– Pode ficar tranquilo Kakashi, vim para facilitar para vocês. – Asuma sorriu de lado. – quero participar dessa aposta!

“Tem algo errado!” as feições de Kakashi eram pura confusão. Gai sorriu.

– Você quer participar disso porque tem certeza que eu estou certo sobre Iruka-sensei? – Gai perguntou fazendo aquela típica pose ridícula.

– Não. – a resposta foi rápida. – A minha aposta é um pouco diferente a de vocês. Eu andei observando um certo cachorro seguir Iruka-sensei, um cão sempre atento, cuidadoso e reparei que ele é um pouquinho ciumento. – Gai não entendera o que o outro queria dizer, já Kakashi estava estreitando o único olho visível. – Gai tem razão, você anda muito nervoso ultimamente.

– Chegue logo ao assunto. – Kakashi falara, tentando desviar a atenção. Gai não estava entendendo nada mesmo.

– A minha aposta é o seguinte, por causa da aproximação de Kakashi ele chegará a ser intimo de Iruka-sensei. – soltou a fumaça ao mesmo tempo em que sorria. – Intimo mesmo, no meu modo de dizer. Acho que você entendeu Kakashi.

– Eu não entendi nada. – Gai falou.

– No caso de eu ganhar a aposta, vou querer uma ajuda para conquistar uma pessoa. – Asuma continuou.

– Ótimo! Sou bom em conquistas! – Gai se animou.

– De preferência vou querer a ajuda do Kakashi. – Gai deixou a cabeça cair indicando derrota.

– Aceito a aposta!

– Tem certeza Kakashi? – Asuma falou em um tom irônico.

– Você acha que eu não consigo me controlar?

– Não quando esta perto do Iruka-sensei.

Kakashi abaixou a cabeça colocando suas mãos no bolso novamente. Teve um tempo de silêncio, até Kakashi se transformar em fumaça.

– Um clone! – Gai ficou nervoso por falta de consideração do outro, ele não tinha ido pessoalmente e sim mandado um clone.

– Não é interessante Kakashi preferir se transformar em um cachorro a vim para cá? Preferiu mandar um clone do que deixar um clone com Iruka-sensei. – deu de ombros. – Até logo Gai! – sumiu.

– Mas eu não entendi nada! – Gai esperneou.

– X -

– Sabe K, é interessante essa aproximação repentina de Kakashi-sensei. – Iruka estava sentado em um banco com o cachorro ao seu lado olhando para o nada. – Eu pensei que ele me odiava.

“Tantas vezes eu tenho que dizer que não te odeio!” Olhou para uma direção aonde vinham andando duas mulheres muito atraentes. Andavam ousadamente pela vila, uma delas olhou para Iruka e cochichou algo para a outra. Logo as duas passaram em frente ao sensei sorrindo de uma forma sedutora.

– Boa tarde! – falaram ao mesmo tempo.

– Boa tarde. – respondeu.

– Que belo cachorro você tem! – uma delas acariciou o cachorro. Usou como desculpa para puxar assunto.

“Iruka se deu bem, conseguiu duas.” Kakashi achou engraçado, nunca havia pensado no Iruka dando em cima de alguém. Mas vendo aquela situação achou interessante. As duas mulheres sentaram no banco, uma em cada lado de Iruka, este ficou sem graça.

– Só estão você e seu cãozinho? – uma delas perguntou bem próxima de Iruka, que corado se desaproximou um pouco, ficou encolhido.

“Iruka, você esta parecendo uma presa. Tome iniciativa” O cão só encarava os três.

– Só. – respondeu baixo e ficando mais vermelho.

– Quer uma companhia, ou duas? – uma perguntou.

– Não obrigado. Estou bem sozinho.

“Eu não acredito que você disse isso Iruka.” As duas mulheres fecharam a cara e se levantaram, partiram como se tivessem sido insultadas. O cão olhava incrédulo para as mulheres e para Iruka.

– Você deve estar sem entender nada! – Iruka falou para o cachorro. Se levantou e foi andando para uma direção oposta a das mulheres. – Eu acho as mulheres atraentes, mas...

“Mas...?”

– Digamos que sou homossexual! – colocou suas mãos nas costas olhou para outro lado.

“Eu não acredito!” O cachorro olhou para o nada. “Era isso o que você tanto escondia? Não, não é...” O cão se assustou ao ver Iruka a olhá-lo.

– Vê se guarda esse segredo! – falou brincalhão. – Até parece que um cachorro sabe falar e vai sair contando pra todo mundo. – falou pra si mesmo. – Droga! Viu K? Só é eu andar com você que estou ficando louco.

Ficaram os dois andando numa parte onde não se encontrava muitas pessoas. Ambos perdidos em pensamentos. De súbito Iruka parou de andar, o cão continuou por um pouco, pensando que logo Iruka voltaria a andar. Mas sentiu uma presença desagradável, o cão se virou. A cena que viu não o agradou. Mãos firmes estavam rodeadas na cintura de Iruka, estavam o abraçando por trás e com possessividade.

“Kaito!” O ninja de cabelos azulados apertou mais Iruka, descansou a cabeça sobre o ombro dele e aproximou seus lábios na orelha dele.

– Quanto tempo Iruka! – Iruka parecia estar totalmente submisso a Kaito, sua face estava vermelha, mal se dava para perceber por causa de sua cabeça baixa, mas parecia que seus olhos estavam levemente úmidos. – Eu passei muito tempo longe dessa vila, mas quando voltei você falou comigo uma vez, parece que esta me evitando. – beijou de leve o pescoço de Iruka. O cachorro começou a rosnar baixo.

– É... Que eu... Ando muito ocupado. – olhava para o chão. Não iria lembrar de nada, nada.

– Você não guardou ressentimento pelo o que houve, não é? – Kaito fazia questão de deixar os corpos bem colados. – Você sabe que eu só queria te ajudar.

“Ajudar em que? Alguém pode explicar?”

– Eu sei! – sussurrou.

Kaito o virou, ficaram frente a frente. Os rostos estavam bem próximos, Iruka segurava os ombros dele e olhando para o chão. E o barulho do rosnado começava a ficar maior.

“Se afasta do Iruka!”

Presas bem afiadas estavam amostra, saliva começava a escorrer do animal que tentava se controlar ao máximo, o olhar do animal era ódio puro. As duas pessoas presentes não prestavam atenção nessa inusitada cena, Iruka não estava com a mente naquele lugar e Kaito estava entretido em deslizas as mãos pelo Iruka. O cão não estava mais a se aguentar a olhar.

– Se você sabe que foi pra te ajudar, então quero que você também saiba que quero ser mais que um coleguinha. – ele tirou as mãos de Iruka sobre o seu ombro e as segurou atrás de Iruka. Sorriu por causa do outro estar aéreo e tão fácil de ser controlado. Colocou uma mão na nuca de Iruka obrigando a olhá-lo, e se aproximou.

Rapidamente teve de se afastar do jovem sensei por causa do cachorro que quase o atacou. Iruka caiu sentado no chão, agora despertando do seu transe que ele mesmo criara como proteção. Sentado lá olhou para K que estava a sua frente rosnando e latindo com fúria para Kaito.

– Esse é o cãozinho K? – Kaito perguntou com sarcasmo. Iruka apenas balançou a cabeça positivamente. – Fofo. – nesse momento falou com nojo do animal.

Kaito olhou uma ultima vez para Iruka e se retirou rapidamente. K do nada se acalmou e olhou para Iruka de um jeito desconfiado. O cão se aproximou do outro e o encarou. O sensei tentou acariciar o animal, mas este desviou e posse a andar, Iruka se levantou e o seguiu, já sabia do caminho estava seguindo, o de sua casa. O cão estava agindo de uma forma estranha, estava frio o caminho inteiro, sempre olhando para frente.

– Você vai ficar o tempo todo assim? – perguntou mesmo sabendo que nunca seria respondido. – Tá! Vou te contar sobre ele. O nome dele é Inokuma Kaito, é um Jounin que há uns anos atrás foi viver em outra vila por questões diplomáticas. E agora voltou.

“Não precisa explicar nada a um animal, qual seria a importância disso?”

– K! – chamou manhosamente, porém o cão continuava a seguir o seu caminho. – Quando foi as duas mulheres você não agiu assim, mas com Kaito-san você age.

“Porque com aquelas duas mulheres eu tinha certeza que você não teria coragem de ficar elas, mas com seu adorado Kaito-san eu tenho certeza que você ficaria e já ficou.”

– K! – chamou novamente, o cão não o olhava.

– X -

O céu estava escuro e estrelado, belo e triste. Iruka olhava pela janela a noite, estava segurando uma xícara de chá, ao tomar um gole olhou para o cão que estava deitado em frente ao sofá com um olhar perdido para a porta. Ele estava naquela posição há horas, Iruka estava começando a ficar preocupado. Ele não sabia se cachorros tinham depressão ou não. Depositou a xícara sobre a mesa e se aproximou do cachorro. Deitou no chão com os pés descalços sobre o sofá. Tampou a visão que o animal tinha da porta, o cão o olhou um pouco nervoso.

– Você sabe que pode ir para o seu dono a hora que quiser!

“Eu sei que posso ir embora, mas algo me prende aqui.” O cachorro desviou o olhar do o de Iruka, estava desanimado.

– Credo você parece gente, K. Parece até estar com ciúmes de mim!

“Até parece.” Era o que queria acreditar.

– Será mesmo que Kaito-san quer algo serio comigo? – perguntou olhando para o teto.

“Você é ingênuo demais.” Escutaram batidas na porta, o cão continuou desanimado enquanto Iruka se levantava para atender, olhou para trás vendo o animal ainda deitado, mas voltou sua atenção para a porta que foi aberta lentamente.

– Ka... Kaito? – foi com tamanha surpresa que Iruka falou o nome do homem de cabelos azulados e foi por causa do nome que K levantou a cabeça em fim olhando em direção a porta.

– Vim terminar o que comecei. – entrou sem ser convidado, empurrou Iruka contra uma mesa próxima. Com estrema agilidade chocou seus lábios nos de Iruka com ardor, invadindo com pressa.

Iruka tentou se libertar depois de sentir uma mão entrar por de baixo de sua camisa, lembranças estavam retornando. Kaito não ligava se o outro estava o empurrando levemente, continuou o seu trabalho deslizando mais sua mão no interior da camisa e com a outra mão liberou os cabelos de Iruka, segurando-os com certa força.

Kaito não pode terminar o que estava fazendo, pois sentiu um dor dilacerante em seu braço que estava por de baixo da camisa de Iruka. Separou urgentemente do outro e viu presas grandes e afiadas cravadas em seu braço, o cão fez mais força aprofundando ainda mais as presas. O braço já estava sangrando muito, o cão puxou com fúria o braço dele, não importando se arrancaria o seu braço, tudo o que queria era deixá-lo longe de Iruka, que olhava a cena pasmo. Kaito caiu se apoiando em um só joelho, com fúria eminente, fechou uma mão em punho pronto para socar o cachorro na cabeça. Antes de concretizar o ato Iruka segurou seu pulso impedindo de agredir o animal.

– Solta, K! – mandou, mas o cão não obedeceu, mordeu ainda mais o braço. – SOLTA! – finalmente o animal obedeceu.

Iruka soltou o pulso do outro e foi em direção ao cão, que ainda estava em fúria. Segurou-o pela coleira e tentava puxar para trás. O cão rosnava e latia para Kaito.

– Calma amiguinho. Apesar de parecer, eu não estava atacando Iruka... Ainda. – Kaito falou ironicamente.

O cachorro parecia que havia ficado fora de si, ficou mais feroz. Tentou atacar novamente Kaito, latia alto. Iruka estava com dificuldade em controlar o animal segurando simplesmente sua coleira. Com força imobilizou o animal, prensando a cabeça dele no chão. O cachorro se contorcia, não tirava seus olhos nos de Kaito.

– Por favor, Kaito-san se retire. – Iruka falou baixo e com seus cabelos soltos olhando para o animal, para não ter que olhar o homem a sua frente. Kaito segurava o braço ensanguentado e encarando o animal.

– Você sabe que não vou desistir de você? – Iruka permaneceu de cabeça baixa. – Estou muito interessado em ti. – ao terminar de falar Kaito saiu pela porta batendo-a com força.

Só depois de Kaito sair o cão se tranquilizou, e então Iruka o soltou. O animal levantou-se e encarou a porta. Iruka tentou toca-lo mais o animal recusou o toque quase o mordendo, o sensei caiu no chão por causa do susto que levou.

– Se quiser morder, morde logo. – os cabelos dele estavam caídos sobre o rosto, os olhos se enchendo de lágrimas. – Mas você mesmo o escutou falar que está interessado em mim. PELO MENOS ALGUEM ESTÁ INTERESSADO EM MIM! – gritou assustando o animal, as lágrimas começavam a cair. – É alguém querendo dividir a vida comigo.

“Iruka...” O cão se aproximou cautelosamente e lambeu Iruka.

– Eu já não havia dito que na boca não? – falou brincando. – Você é muito ciumento.

“Eu não sou ciumento!” O sensei e o animal ficaram a se encarar.

– X -

Era comum ele sempre chegar cedo na hora de encontrar o time, era sempre o primeiro a chegar e o ultimo a sair. Mas ao se aproximar no local marcado para encontrar os membros do time escutou vozes. Quando chegou viu a quem pertencia as vozes: Obito e Iruka. Mas por que estariam juntos?

– Oi, Kakashi! Aproxime-se. – Obito gritava para ele segurando alguma coisa.

– Vem, Kakashi-san! – Iruka gritou também. – Vem ver o que Obito-kun fez.

Kakashi se aproximou com certa raiva, o tratamento de nomes de Iruka era diferente para Obito. Ao aproximar-se reparou que o colega estava a segurar uma maquina fotográfica antiga, uma que tira fotos instantâneas. E em volta deles um monte de fotos de coisas inúteis, que só Obito tiraria.

– Por que ele está aqui Obito, alias por que você chegou cedo? – Kakashi estava desconfiado.

– Eu não tinha nada o que fazer e vim cedo, quando cheguei o fofo do Iruka-chan estava aqui com essa câmera.

– O fofo do Iruka-chan? – Kakashi não gostou do tratamento que os dois estavam tendo, aquilo era uma forma intima. Iruka havia ficado vermelho e tampou as bochechas com as palmas das mãos.

– É, ele não é fofo? – Obito falava e abraçava Iruka ao mesmo tempo, este não tinha onde olhar de tamanha vergonha. – Hei Iruka-chan! Que tal tirarmos uma foto juntos?

Obito pegou a câmera e a posicionou de uma forma boa para tirar a foto, Iruka olhava para Kakashi que retribuía o olhar. Do nada Kakashi deu um tapa na maquina que caiu no chão, deu as costas e saiu murmurando que aquilo era ridículo. Iruka correu para ver se a maquina estava inteira enquanto Obito apareceu de relance em frente de Kakashi.

– O que deu em você?

– O mesmo que pergunto para ti. Desde quando você e aquele garoto são íntimos? Vocês devem parar de se referirem com apelidos idiotas.

– Ué Kakashi, não sabia que tinha ciúmes de mim. – falou brincando. – Eu sabia que era atraente, mas não sabia que Hatake Kakashi cairia nas minhas graças.

– Não sinto ciúmes de ninguém. – respondeu, porém olhando para Iruka que sorria ao ver a velha máquina inteira. Obito olhou para onde kakashi estava olhando e reparou na forma de olhar. Deu um sorriso largo.

– Eu não acredito! Você esta com ciúmes do fofo do Iruka-chan! – apontou para o mascarado. – Eu sabia que a fofura dele iria te conquistar.

– Eu já disse que não estou com ciúmes. – falou entre dentes.

– Quer ver que é ao contrario? – Obito andou em direção ao Iruka, este se levantou segurando a maquina.

– Ela não quebrou, Obito-kun. – mostrou a máquina.

– Que bom. – olhou competitivamente para Kakashi enquanto abraçava Iruka e depositava um beijo em sua bochecha. Kakashi cerrou os punhos.

– Por... Por que você fez isso? – apesar da vergonha que vinha perguntou.

– Porque você é fofo, Iruka-chan. – apontou para um lado de seu rosto. – Pode retribuir? – Iruka ficou mais vermelho, sorriu docemente e beijou a bochecha do outro ingenuamente.

Com força algo os separou, Iruka olhou para a cena. Kakashi estava segurando a gola da camisa de Obito com fúria e com a outra mão fechada em punho.

– Você gosta de provocar, não é Obito?- o outro sorriu de lado.

– Eu sabia que você sentia ciúmes. – Kakashi ao escutar isso já estava preparado para socar o outro, quando sentiu uma mão delicada tocar a sua. Olhou para Iruka encontrando olhos puros.

– Por que o senhor esta fazendo isso?- Kakashi nada respondeu, largou o outro e retirou-se rapidamente.

Seguia sem rumo seu caminho, entrou entre os arbustos. Ele se tornava ridículo quando agia por impulso. Ele sentiu ciúmes!

– Kakashi-san! – escutou gritarem seu nome e sabia quem era. Iruka corria em sua direção ainda segurando a máquina fotográfica. Parou em frente de si e tomou ar. – O senhor por acaso tem algo com Obito-kun?

– Lógico que não!

– Mas parecia que o senhor ficou com ciúmes dele.

– Não foi dele. – mudou de assunto. – De quem é essa maquina?

– Meu pai.

– Já reparou que você fala demais de sua família? Não se apegue você vai acabar perdendo eles.

– Eu não vou perdê-los. – ficou emburrado.

– Mais cedo ou mais tarde você vai perdê-los. – ele tinha que lançar sua raiva em algo, mas ao ver Iruka ficar mais emburrado e virar as costas para si não aguentou.

Puxou Iruka para si, se sentou no chão encostado em uma árvore, com Iruka sentado entre as suas pernas de costas para si. O abraçou pelos ombros aproximando as costas dele no seu peito. Iruka pôde sentir a respiração do outro, estava se sentindo protegido.

– Eu não havia lhe avisado para não fazer bico? – Kakashi falou olhando para as copas das arvores.

– Eu não sabia que se eu fizesse bico você iria me abraçar desse jeito. – estava vermelho e encolhido. – Minha mãe também fica assim comigo.

– A sua mãe te abraça de uma forma materna e eu não. – apertou um pouco mais Iruka entre aquele abraço. – Iruka olhou um pouco para cima, inclinado para o lado para poder olhar melhor Kakashi.

– E qual é a sua forma de abraço?- Kakashi o olhou estranho e com extrema rapidez soltou o cabelo de Iruka. – Não, eu não gosto assim. – falou segurando as madeixas castanhas.

– Eu gostei! Obito tem razão, você é fofo. – Iruka perdeu levemente o ar. E como um impulso infantil tentou abaixar a mascara de Kakashi, tentou, pois o mascarado segurou suas frágeis mãos.

– Não! – falou ríspido e direto.

– Vou fazer você se arrepender por não ter abaixado a mascara!

– Não sei como você vai fazer isso. – Kakashi desafiou. Viu Iruka levantar a câmera e tirar uma foto deles dois. Esperou a imagem aparecer no papel e guardou no bolso. – Era desse jeito que iria fazer me arrepender?

– Não. – respondeu rindo. Se afastou de Kakashi e se arrumou para ir embora, virou-se para o mascarado sorriu muito envergonhado com a situação. Beijou Kakashi por cima da mascara, não era um beijo de verdade, era uma travessura. Tudo era só o calor, sem um contato imediato. Era um castigo por não ter matado a curiosidade de um garoto em ver seu rosto. Não sentia pele, não sentia nada. Mas era desejoso não ter o tecido separando lábios, mesmo que aquilo tenha sido um simples toque rápido. – Até logo. – correu.

– X -

– Eu não acredito que fiz isso! – Iruka teve outra lembrança ao olhar K.

“Olha o Iruka, não era tão ingênuo assim.” Em forma de cão Kakashi ria por dentro por causa dessa lembrança.

– É sempre assim, a todo o momento vêm lembranças que eu nem sei como esqueci. Tomara que Kakashi-sensei não se lembre disso.

“O pior é que me lembro.” Viu Iruka deitar-se no chão derrotado, espalhando seu cabelo ao chão.

– Que dia e que lembrança. – murmurando olhando a janela que no seu ponto de vista estava de cabeça para baixo. – Eu sou um idiota.

Pela primeira vez uma lembrança veio a calhar para Kakashi, se sentiu mal no começo mas adorou o final. Ele próprio estava começando a entender.

“Você tinha razão, Iruka. Eu me arrependi mesmo por não ter abaixado a mascara.”

CONTINUA...

Notas finais
obrigada a todos aqueles que leram esse capitulo. Peço que por favor comentem, é muito ruim para um autor a indiferença dos leitores. Aceito criticas e elogios, aceito até um simples legal continua, ou um eu li.Obrigada a todos e continuem acompanhando essa história que estou escrevendo com tamanho cuidado.