Melhor Amigo do Homem
6 Capítulo 6
Notas iniciais
– Então, era esse o seu método de investigação? – o sorriso irônico não saia da face de Gai.
Estavam tomando sake em uma barraquinha. Encontravam-se mais isolados dos outros, evitando que assim alguém pudesse escutá-los.
– Tem algo contra, Maito Gai? – tentava ao máximo fugir do assunto.
– Nenhuma Hatake Kakashi. Simplesmente é criativo, e é isso que gosto! – levantou o copo de sake brindando no ar. – É isso que é a juventude.
Brindar a que? Era ridículo tudo que estava passando por uma aposta que nem se importava. Talvez só continuasse com essa historia por causa da sua estranha curiosidade que tinha pelo Iruka. Porém não sabia de onde vinha essa curiosidade.
– Por que um cachorro?
Teve os pensamentos cortados pela aquela voz irritante. Olhou simploriamente para o chamativo verde. Seu olhar transmitia indiferença ao assunto, o que não era verdade.
– Era o melhor disfarce para se aproximar do Iruka-sensei, sem despertar suspeitas. Se eu me aproximasse dele com minha verdadeira forma, ele não se abriria comigo como faz para o falso animal. E também a melhor forma de estar no lar dele um bom tempo.
– E quando é que você vai desistir da aposta e se conformar que sou o melhor?
“O que mais quero é desistir. Mas continuo para ver a sua cara de idiota quando te contar as coisas que descobrirei sobre ele e ganhar isso.” A irritação permanecia, mas tentava ao máximo contê-la. E tinha êxito.
– Não vou desistir, estou obtendo bons resultados.
Gai começou com um sorrisinho baixo que aos poucos foi aumentando e se tornando estridente. Já estava bêbado, podia se perceber pelo seu rosto vermelho e seu jeito deplorável de rir. Ria tão escandalosamente que chamava atenção de quem passasse, Kakashi nem ligava para o outro estar a rir desesperadamente, apenas observava que Gai colocava as mãos na barriga para aguentar a dor que vinha. As gargalhadas foram ficando mais altas e por fim caiu do banquinho que estava sentado.
Rolava de um lado para o outro, no chão, bestamente. Despejava lagrimas aos horrores. Gai era realmente exagerado em tudo. Ele se levantou pegou uma garrafa de saquê e colocou um pé sobre o balcão. Fez mais uma ridícula pose, fingindo brinde com a garrafa.
– Obtendo bons resultado, sei. Eu vi como tratou Iruka-sensei. – sentou e encheu mais um copo. – Se o seu resultado vem com você maltratando o pobre coitado, continue sendo um cachorro. Ele gosta mais do cachorro do que de você. – tomou o liquido ardente de uma vez.
Iruka realmente gostava mais do cachorro do que Kakashi. O ninja albino queria nem lembrar do ocorrido de pouco tempo. É, podia tentar uma aproximação mais efetiva, isso se Iruka quisesse e se Kaito não aparecesse, não gostou do jeito dele. Kaito, aquele filho da...
– Você o odeia tanto assim? – e lá vai novamente Gai cortar os seus pensamentos. – Coitado do Iruka-sensei, deve nem saber o porquê de você não gostar dele.
“Não é que eu o odeie ou não goste dele! É só uma coisa que não sei explicar.”
– Você se lembra do dia que conheceu Iruka-sensei? – Gai perguntou.
Tinha umas certas memórias, ele achava. Lembrava? Sim lembrava. Por mais estranho que parecesse Kakashi não recordava, até aquele momento que Gai perguntou, o dia em que conheceu Iruka.
– X -
Era mais uma missão completada. Teve alguns empecilhos mais ocorrera tudo bem. Mas faltava o trabalho em equipe, Obito dava problemas com seu jeito infantil em missões importantes, porém graças ao seu trabalho e da Rin tudo ocorrera bem. Pulavam de arvores em arvores indo de volta a Konoha, estavam sujos, desgastados e fracos, mas não impedia de usar o pouco de energia que tinham para brigar.
– Sua infantilidade quase fez tudo a perder! – era a conclusão de Kakashi sobre a missão.
– Minha infantilidade? Você que é individual demais, queria fazer tudo sozinho. – respondeu Obito. – Olha Kakashi, você pode ser forte, mas não conseguiria resolver a luta sozinho. Por isso que me intrometi na batalha.
– A sua intromissão quase feriu fatalmente a Rin!
Ao escutar o que Kakashi dissera, Obito parou em um galho. Todos pararam esperando a tão esperada resposta agressiva que viria do Ushiha. Minato, que apenas escutava calado toda a discussão, suspirou cansado. Obito olhou para a integrante feminina do time com um olhar triste, reparou no curativo que tampava um corte fundo no ombro dela. Por pouco não foi no peito, aí sim teria sido fatal. Seu olhar triste poderia ser visto por todos e Rin, sendo a boa amiga que era, queria acalmá-lo.
– Esta tudo bem Obito. – tranquilizou.
Minato pousou uma mão no ombro de Rin e deu seu típico sorriso cativante, olhou os outros dois jovens sem dizer nada, eles sabiam o que o sensei queria. Só queria descansar e ficar ao lado de sua esposa. Então começaram novamente a saltar de volta a vila. Aos poucos os amontoados de galhos estavam diminuindo mostrando mais luminosidade no final de tudo. A claridade estava aumentando, e aumentando, e aumentando até que a luz quase cegasse a todos.
Estavam todos com a mão estendida na altura da testa para fazerem um pouco de sombra para que assim pudessem ver melhor. O campo era bem bonito, cheio de flores e pássaros a sobrevoar o local. O silencio era muito tranquilizante, só se escutava o suar baixo do pequeno rio que tinha ao fundo.
– Bom! – Minato chamou atenção de todos. – Aqui esta excelente para vocês, então vou indo. – sumiu em uma velocidade impressionante.
Ele estava realmente com pressa de encontrar Kushina. Teria sido melhor que ele não tivesse ido embora tão cedo, o clima ficou tenso. Kakashi encarou Obito de uma forma estranha.
– O que você esta encarando? – Obito perguntou irritado.
– Estou vendo o quanto você é tão patético.
Uma veia se formou na testa de Obito e seus olhos ficaram em branco de tamanha fúria, tomou ar para gritar se não fosse interrompido por sua amiga.
– Não vão começar a discutir, né? Vocês vão ter que se entender agora.
Poderiam começar uma discussão imediatamente se as atenções dos três não fossem tiradas por causas de pequeninas risadas. Olharam onde supostamente poderia estar vindo as risadas, e viram um garoto sair do meio dos arbustos correndo segurando uma pequena redinha e perseguindo uma borboleta amarela. Obito abriu um sorriso enorme, era divertido ver aquele garoto, que usava um pequeno rabo de cavalo, pular pelo ar tentando capturar aquela borboleta.
Kakashi achava ridículo isso, um garoto de quase sua idade agir daquele jeito era deplorável. Ele corria alegremente em zigui zague sempre tentando capturar a borboleta. O pequeno inseto planava para cima e para baixo dificultando a captura, o garoto chegava a morder o lábio inferior por causa da dificuldade, ele corria sem prestar atenção no caminho, por isso não percebeu a sua aproximação do rio.
Rin, que apenas observava como os outros dois, abriu a boca para avisar sobre o rio a frente, porem não foi rápido o suficiente. O garoto deu um ultimo salto em direção a borboleta e... Caiu no rio esguichando água para todos os lados. Os três espectadores se prepararam para correr em seu socorro, mas não precisaram nem se quer sair do lugar. Viram a redinha ser atirada para fora do rio e o garoto gargalhando saindo com dificuldade do rio. Kakashi observou que os esperançosos olhos brilhavam de divertimento, e a mirá-los na direção deles ficaram confusos.
Obito saiu correndo rindo na direção do garoto e estendeu a mão para ajudá-lo a sair de lá o que foi recebido timidamente. Já fora do rio o garoto, com as bochechas coradas, agradeceu e pegou a sua redinha devagar.
– Meu nome é Ushiha Obito! – falou tentando puxar assunto com o garoto, o que obteve resultado.
– O meu é Umino Iruka. – ele se virou sorridente estendendo a mão para o aperto de mão, o que foi dada.
– Então. – Obito puxou assunto. – Por que estava tentando pegar a borboleta?
Um pouco distante dali Rin e kakashi observavam a cena com calma. Obito conversava com o garoto como se já fossem íntimos. Kakashi poderia ir embora nesse momento, porém algo o fazia fixar-se no lugar.
– Obito sabe fazer amizade! – Rin comentou para o companheiro.
– Desculpe pelo o que te direi Rin, mas você deve entender a diferença entre fazer amizade e flertar. – Kakashi cruzou os braços analisando a cena de um jeito curioso.
– Obito não está flertando com o garoto. – Rin inclinou a cabeça para o lado olhando fixamente a cena de dialogo.
Os dois ficaram a discutir as reais intenções de Obito sobre o garoto, o som da voz dos dois foi escutada pelo amigo que se lembrou-os rapidamente. Obito olhou na direção deles e olhou de volta para o garoto Iruka.
– Venha, vou te apresentar os meus amigos. – pegou na pequena mão e o puxou.
Ao perceberem que Obito estava vindo na direção deles com o garoto, Kakashi e Rin se calaram, mas o albino ficou a observar o jeito de Obito segurar a mão do garoto para levá-lo, e observou também a face avermelhada dele. O mais irônico de tudo que o garoto lançava olhares tímidos para Kakashi.
– Pessoal, esse aqui é o Umino Iruka. – Obito apresentou o garoto, Kakashi percebeu que o colega de time não havia soltado a mão de Iruka.
Rin inclinou-se com um pouco de dificuldade, devido o ferimento, para cumprimentá-lo, Kakashi permaneceu calado a observar o garoto, que soltou a mão de Obito e imitou o movimento de Rin.
– O meu nome é Rin.
Iruka voltou-se com seus grandes olhos castanhos a olhar para kakashi, que o encarava descaradamente. Obito achou uma tremenda falta de respeito o sou colega não ter se apresentado e fechou a cara.
– Esse mal educado aqui é o Hatake Kakashi. Não liga pro mal humor dele, isso é normal. – chegou perto do ouvido de Iruka e cochichou. – Ele se acha.
Iruka encarou Kakashi um pouco receoso, mas tomou ar e surgiu coragem de cumprimentá-lo. Se pois mais um passo a frente, com uma mão escondeu a pequena rede nas costas e estendeu a outra.
– É um prazer conhecê-lo, Kakashi-san.
– X -
– Kakashi? Kakashi? – Gai o chamava. – Kakashi por que está me encarando?
Ele não estava encarando Gai, simplesmente ficou perdido em lembranças que eram mais perdidas. Olhou melhor para Gai, para que ele não percebesse a sua falta de noção do mundo.
– Eu estive pensando Gai. – falou calmamente. – Que seu cabelo esta mais brilhante.
– Você reparou? – Gai extremamente bêbado se animou. – É graças ao meu novo xampu, ele deixa meus cabelos mais sebosos e brilhantes e... – Gai olhou para o lado vendo que o banquinho que antes era ocupado pelo Kakashi agora estava vazio. – ME DEIXOU FALANDO SOZINHO!
Pulava de telhado em telhado, olhava para o céu estrelado. Não havia reparado que já tinha escurecido. Como poderia ter esquecido aquela lembrança? Sentou no telhado e continuou a olhar para o céu. Aquela lembrança era do tempo que ainda não havia ganhado o sharigan, mas como assim ele não se lembrava disso? Por algum motivo esqueceu, porém as lembranças retornavam aos poucos.
“Será que Iruka se lembra disso?”
– X -
Bateu a porta de sua casa com força. Não havia encontrado K, só tinha encontrado alguém que não desejava encontrar, Kakashi. Encostou as costas na porta tentando segurar as lagrimas que vinha. O outro sensei o humilhara verbalmente e nem sabia o que tinha feito contra ele.
– Ele só age assim porque é um Jonin.
Iruka tentava achar uma solução para o jeito de agir de Kakashi. Estava sozinho, tinha que desabafar com alguém. Quem? K não estava lá.
– Maldito dia que conheci Kakashi-sensei.
Os olhos se abriram um pouco mais, um tanto que espantados. A mente parecia receber certas informações.
– X -
Do momento que havia caído no rio e saído com a ajuda de um garoto até o momento de descobrir que o nome dele era Obito, Iruka reparou que o garoto distante e mascarado o olhava capciosamente. Ficava sem jeito como o mascarado o encarava e o pior foi quando estava sendo puxado pelo Obito para conhecer os amigos dele, o mascarado o encarou ainda mais. A garota Rin o cumprimentou, mas o garoto Kakashi permanecia o encarar e sem dizer nada, o jeito foi tomar coragem para cumprimentá-lo diretamente. O mascarado permaneceu com os braços cruzados e o mesmo olhar.
– Vocês são ninjas? – Iruka perguntou, tentou dar a volta por cima.
– Percebeu agora garoto?- finalmente Kakashi falou.
Iruka não sabia se o motivo de tremer era o frio causado pelas suas roupas molhadas ou o medo que sentia por causa da voz do outro.
– Por que estava tentando capturar a borboleta? – Rin tentou mudar de assunto, para que Iruka ficasse mais a vontade.
– Para mostrar para minha mãe. – sorriu docemente.
– Mostrar? – Kakashi perguntou só que estava mais preocupado em olhar para o sorriso de Iruka.
– É, mostrar. – ficou sem jeito. – A borboleta é um ser tão bonito e frágil, que eu queria mostrá-la para minha mãe. Depois que eu a mostrar a libertarei para que outras pessoas possam apreciá-la.
Obito passou seu braço sobre o ombro de Iruka e sorriu para ele. Kakashi estreitou os olhos levemente, não gostou da cena que estava vendo. Obito tomou a redinha da mão de Iruka.
– Eu te ajudo a pegá-la! – saiu correndo sendo seguido pelo Iruka.
Rin sorriu e se sentou na grama vendo a cena hilária de seu amigo Obito correr atrás de uma borboleta. Kakashi teve uma vontade súbita de ir embora, porém ficava para ver o que iria dar, observava o jeito desengonçado de Obito, nem parecia um ninja. Mas observar Iruka era diferente, era um garoto comum sem feitos especiais, porem corria com ânimo junto a Obito. A roupa branca molhada o deixava mais frágil, e as bochechas ficavam cada vez mais coradas. E os lábios rosados abertos tentando tomar mais ar, que perdia por causa da corrida.
– E depois você diz que Obito esta flertando, quem está flertando aqui é você. – Rin falara aquilo como se fosse comum. Na hora que Kakashi iria responder ela continuou. – O seu olhar para o garoto é de puro flerte, todos perceberam, até mesmo o próprio garoto. – Kakashi olhou para Iruka e percebeu que este desviou o olhar, mais corado ainda.
– Isso é loucura sua. – respondeu o albino.
Iruka corria para todos os cantos junto com Obito para capturar a borboleta, achava graça do jeito dele. Só não se sentia bem com o olhar de Kakashi. Um vulto passou muito rápido ao lado de Iruka que desalinhou algumas mexas de seu cabelo amarrado, assustou Obito que quase pegara a borboleta, a dita cuja que sumira do nada. O vulto voltou a passar e parou em frente a Iruka.
Era Kakashi, com as suas duas palmas das mãos fechadas segurando algo. Ele ficou cansado de observar e para acabar com tudo rápido decidiu por ajudar.
– Aqui esta a sua borboleta. – Iruka ficou com a boca levemente aberta o que mexeu um pouco com Kakashi. – Anda, vai ficar ai babando ou vai pegar a borboleta? Não estou com paciência para ficar segurando isso por muito tempo, então pega isso logo.
Iruka sorriu e correu para perto de um arbusto onde tirou uma mochila e correu de volta. Dentro dela ele tirou um pequeno recipiente de vidro que tinha uma tampa cheia de furos. Com cuidado, Kakashi depositou a borboleta no vidro que imediatamente foi fechado. Iruka ficou com os olhos brilhando.
– Obrigado Kakashi-san. – Iruka agradeceu. – E obrigado Obito-kun.
“Obito-kun?” Kakashi acabou pensando.
Todos viram a hora que Iruka apanhou a mochila e saiu correndo com o vidrinho na mão, todo sorridente. Obito se virou para Kakashi e...
– Valeu Kaka... – Obito nem precisou terminar, Kakashi não estava mais lá. Olhou para Rin que apenas deu de ombros.
– X -
Quando foi que ocorreu isso que não se lembrava? Iruka ficou confuso, aquilo veio derrepente em sua cabeça e não era imaginação parecia real. Real até demais. Parecia que já tinha acontecido. Se aconteceu, por que ele havia se esquecido? Tanto faz. Ele se sentou no chão, tentado afastar a memória de mais cedo dos insultos de Kakashi. E no dia seguinte procuraria K.
– X -
Kakashi continuava a observar o céu, agora com mais memórias em sua mente.
“Pelo jeito eu tenho muito mais lembranças, mas eu vou procurar pensar nelas depois. Agora tenho que resolver certos problemas, começando pelo cachorro K.”
CONTINUA...
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