Melhor Amigo do Homem
4 Capítulo 4
Guardou os papeis em casa, mal ajeitou tudo e saiu rapidamente com o cachorro. Estava sorrindo e andava pela vila sempre como o animal em seu encalço, este permanecia confuso.
“Aonde é que você esta me levando Iruka-sensei?”.
– K, o que houve que você demorou tanto? – depois de tanto tempo passado ele foi perguntar agora. – Seu dono ficou bravo por você passar todo o tempo fora de casa que te proibiu de sair?
O cachorro nada fazia, latia e corria de um lado pro outro, eles estavam se afastando um pouco da vila. Chegaram a um imenso campo, com poucas flores e ao fundo tinha arvores acumuladas, tipo um bosque. Lá era uns dos campos de treinamentos existentes na vila.
“Então era aqui que você queria me trazer!”. O cão sentou-se ao lado de Iruka e observou a paisagem.
– Vamos fazer algo diferente hoje. – Iruka recolheu uma vareta no chão. – Você consegue pegá-lo?
O cachorro se deitou estirado ao chão como resposta.
“Ah não. Você não vai querer que eu corra atrás disso, né?”
– Anda! Levanta molenga. – mexeu no cachorro com os pés, esse nem saiu do lugar. – Vai pegar! – jogou o graveto.
O objeto voou e Iruka e o cachorro acompanharam com o olhar até o graveto cair no chão. O homem e o animal se entre olharam e o cão bocejou e continuou deitado agora de barriga pra cima. Iruka olhou K de cima com uma careta em seu rosto.
Kakashi observou com atenção Iruka, como podia alguém ter a capacidade de mudar a forma do rosto tão rapidamente? De um sorriso para uma careta? Mas até que Iruka ficava bem assim, ainda mais com um seu azul ao fundo e a luminosidade do Sol dava mais brilho a ele.
– Será que você não faz nada? – acariciou a barriga do cachorro. – Pega o graveto!
“Isso não, Iruka. Já não bastava ter que fingir ser cachorro? Agora tenho que fazer as mesmas idiotices?”
Iruka segurou K e o obrigou a levantar, pegou um outro graveto e agachou na frente do cão.
– Hoje estou disposto a passar um dia diferente. Pra falar a verdade desde que te conheci meus dias são diferentes. Mas hoje não quero que seja igual ao outros, você mudou a minha rotina, então faça alguma coisa, por favor.
Jogou o graveto novamente, que caiu em uma distancia considerável. K permaneceu sentado e se coçando. O jovem sensei ficou com os ombros caídos e uma gota na cabeça.
– Você não é nada extraordinário! Você só presta pra dormir e bagunçar. – apontou acusadoramente. – Eu não acredito, estou discutindo com um cachorro. – bateu na testa.
Iruka se sentou no chão, acariciou a cabeça do cachorro e sorriu. Novamente a mudança de humor drástica.
– Desculpa amigo.
“Amigo?”. Em todos os momentos Iruka apenas o chamava de K, ou de adjetivos carinhosos: molenga ou folgado. Nunca lhe chamou de amigo. Talvez o animal esteja tampando o buraco da solidão dele!
“Sendo assim, não o deixarei decepcionado.” O cachorro se levantou, o que estranhou Iruka, e andou tranquilamente. Iruka viu K andar de uma forma tão otimista, viu alem disso o bichinho apanhar o graveto, voltar com ele e largar em seu colo.
– Será que você sabe fazer mais alguma coisa? – sorriu docemente.
“Se sei? Vou de deixar impressionado.” O cachorro olhou fixamente para o conjunto de arvores, visão e audição aguçados. Iruka olhou o mesmo lugar para descobrir o que se passava. O animal permanecia tão atento, era realmente estranho vê-lo assim. Sem preguiça, sem brincadeiras. A orelha direita do animal se moveu um pouco, o olfato aguçou, ele se inclinou um pouco a frente. Ele estava preparado para algo. Só bastou uma pequena movimentação entre as arvores para o animal sair em disparada.
– Espera! – já era tarde o cão correra para o interior das arvores.
Kakashi fazia questão de correr velozmente entre as arvores, procurava ter bons reflexos para não se atrapalhar em nada. Ele iria provar o quanto o cão era extraordinário. E o coelho que ele estava perseguindo apareceu na hora certa, o cachorro estava casando.
Corria entre raízes, folhas, gravetos, árvores mais curtas com muita agilidade e empenho. O coelho tentava fugir, mas Kakashi sabia que não adiantava. Estava próximo, faltava pouco, iria capturá-lo, iria mostrar o potencial do animal, mostrar que valeu a pena a mudança de rotina. Saltou em direção ao coelho pronto para cravar suas presas e...
Iruka apareceu do nada e bem na frente do animal. Mordeu sem querer o braço dele que usou pra bloquear, o impacto foi tão grande que Iruka e o cão foram parar no chão. K largou o braço do sensei e desaproximou, viu o coelho desaparecer entre os arbustos. Não era para aquilo ter ocorrido, não era para Iruka ter se machucado. Kakashi estranhou a risada de Iruka.
– Retiro o que eu disse. Você é extraordinário. – se Kakashi era extraordinário, Iruka era surpreendente.
Iruka se levantou mantendo o sorriso, o braço sangrando um pouco.
– E eu aqui achando que seu dono não lhe ensinava nada. Nossa! Você é um cão de caça. – mas como Iruka podia ser tão indecifrável? O cachorro o feriu e ele ficava lá o elogiando. – Só que não precisa ferir um animal pra me provar nada, tá bom K?
Como alguém não ligava pra seu bem estar por conta de um animal? Iruka feriu o braço para conservar um pouco mais alem a vida de um coelho. Kakashi observava o sangue escorrer do braço ate os dedos de Iruka, dava pena. O cachorro se aproximou lentamente e lambeu os dedos de Iruka como se fosse um pedido de desculpas.
– Vai ficar tudo bem! Vamos voltar?
– X -
Ficar aquele tempo com Iruka não foi nada esclarecedor, foi tudo mais confuso. Andavam juntos pela vila, paravam de vez em quando por causa de crianças querendo brincar com o cachorro. Iruka precisava fazer um curativo. O surpreendente era que o sorriso não saia do rosto dele.
– O nosso dia foi esquisito, mas até que foi engraçado! – olhou pra o cachorro. – Venha, vamos por aqui.
Entraram por uma rua onde se encontravam umas casas simples, Iruka estava se dirigindo a uma que ficava um pouco afastada das outras, Kakashi conhecia aquela casa, ela pertencia a uma velha senhora louca por animais, ela tinha vários deles. A viu sentada em uma cadeira de balanço e alisando os pelos de um gato em seu colo.
– Olá senhora Genkai!
– Olá Iruka! – aquela velha era louca. Cumprimentou Iruka olhando pra o cachorro. – O que ouve com o seu braço?
– Um pequeno acidente com meu amigo aqui. – de novo o chamava de amigo.
– X -
O braço já estava enfaixado e curado. Iruka perdeu todas as informações necessárias para um cuidado de mordida de cachorro, mas não foi para fazer o curativo que ele foi procurar a velha.
– Senhora Genkai, a senhora já viu esse cão com alguém?
– Sim, com você.
– Bem, com outra pessoa?
– Nunca vi esse cão com outra pessoa, só com você. Eu pensei que ele fosse seu.
– Ele não é meu, ele só passa uma boa parte do tempo comigo, mas ele sempre aparece alimentado e limpo. Ele tem um dono e eu queria conhecê-lo.
– É uma pena ele não ser seu, vocês ficam bem juntos. – Kakashi não gostou da frase. – Muitos cães são trazidos de outras vilas para cá e há muitas pessoas que poderiam ser os donos dele. Já pensou em perguntar para as pessoas mais obvias em ter uma cão desse? Afinal você disse que ele é bom em caça.
Iruka perguntaria, procuraria por esse dono que nunca viu. K entrara em sua vida para causar mudanças, queria saber quem era o dono daquela mudança. Mal sabia ele que seu amigo só passava de uma farsa.
Continua...
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