Melhor Amigo do Homem
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Olhos não desgrudavam um do outro. Kakashi não parou em nenhum momento sequer de olhar bem no fundo dos olhos castanhos de Iruka. Talvez estivessem assim por causa do aviso que Kakashi dera de matar Kaito ou por ambos não quererem perder o contato do olhar por medo de nunca mais se verem. Iruka desviou o olhar e ficou a encarar o chão em desanimo.
– Não precisava me dizer isso! – o moreno falou ruidosamente. – Não me importo pela vida dele...
– Mesmo assim eu só queria avisá-lo, Iruka! – falou calmamente esperando o outro levantar o olhar.
Nada! Não veio olhar, gestos e palavras... Nada! Kakashi também abaixou o olhar e deu as costas para Iruka, seguia em direção a porta até o momento de sua mente lhe pregar uma peça no momento errado.
– X -
Fazia semanas que não vira Iruka, não contara o tempo exato, mas sabia que fazia um belo tempo. Andou por toda vila com aquele Sharingan a mostra, não ligou o modo que as pessoas o olhavam, sua mente estava vaga...
Já entardecia quando virou numa parte da vila que não era movimentada. Kakashi não soube como foi surpreendido, ele era um ninja excelente e não deveria ter baixado a guarda daquele jeito. Foi prensado na parede e pode observar um punho vindo em sua direção para socá-lo, por auto defesa, que aprendera, imediatamente Kakashi socou o individuo no estomago. Ficou estático ao ver quem era o seu pretensioso inimigo.
Iruka estava com suas mãos postas sobre o seu estomago contendo a dor que aquele soco provocara, devido a força da agressão acabou cuspindo sangue. O moreno distanciou-se e se encostou à parede oposta tomando ar. Kakashi sabia que tinha algo errado, Iruka não tentaria lhe agredir do nada.
– Você é o culpado. – a voz de Iruka saiu fraca, Kakashi viu gotinhas de lagrimas caírem ao chão. Iruka o olhou com ódio. – Você é o culpado de tudo, por ter me abandonado.
– Até parece que seus pais morreram por minha culpa! – foi o que pensou e disse Kakashi.
Novamente o moreno avançou no mascarado. Iruka sentia raiva, tristeza, abandono, solidão... Tudo o que ele estava fazendo era extravasar todas as suas decepções em alguém que ele julgava culpado por tudo de ruim que ocorrera. Tentou socá-lo diversas vezes, porém Kakashi desviava com destreza... Kakashi pôde observar que mesmo Iruka não sendo um ninja tinha movimentos ágeis, mas o mascarado não queria brigar sem saber o motivo de tudo aquilo e muito menos brigaria com Iruka.
– Maldito dia que te conheci!- Iruka esbraveja ao mesmo tempo em que tentava socar o outro. – Você só me trouxe mal, mentiu, fingiu gostar de mim... Me abandonou deixando a mercê de todas as coisas ruins...
– Não sei o que você esta falando! – pulou distante do menor. – Não menti em nada, eu disse o que realmente sentia, porém para a sua segurança seria melhor ficarmos separados. – agachou-se. – Mas se isso que falas tem haver com a morte de seus pais, eu digo apenas que te avisei que você poderia perdê-los. – não era exatamente isso que Kakashi queria dizer, mas tinha que controlar suas emoções e manter-se fora daquele assunto. Começava daí um Kakashi que esconderia suas verdadeiras emoções.
– Você... Você não sabe de nada. – Iruka falou choroso, olhando para o chão e fechando suas mãos. – A única explicação seria você ser o culpado.
Kakashi levantou-se e deu as costas para o menor, começou a caminhar pretendendo deixar o outro sozinho.
– Que seja então! – foi tudo que disse.
– NÃO ME DEIXE AQUI! – Iruka gritou furioso e correu atrás do mascarado. – Odeio essa sua mania de me abandonar! Odeio o seu jeito frio, odeio seu jeito sabido da vida... — o moreno falava tudo o que vinha na cabeça. Ele queria dizer o que ocorreu com ele, mas coragem faltava e tudo que saia era aquela agressão verbal contra o mascarado. O único jeito de jogar a dor pra fora. – Tudo o que eu queria era esquecer que um dia te conheci Hatake Kakashi!
Kakashi virou-se de súbito, pegou Iruka pela gola da roupa e o jogou contra a parede com brutalidade. Iruka sentiu dor nas costas com aquela agressão, por instinto fechou os olhos com o impacto, ele iria cair sentado no chão se não fosse Kakashi o segurar com força contra a parede. Umino esperou qualquer tipo de agressão que provavelmente viria, porém foi surpreendido com um beijo nada delicado, foi um beijo agressivo e cheio de volúpia. Correspondeu como se fosse o ultimo beijo que trocariam, e realmente era.
Quando o ar faltou distanciaram-se e Iruka se surpreendeu ao abrir os olhos e ver aquele olho vermelho sangue, era hipnotizante o movimento giratório daquele sharingan, por mais que Iruka tentasse, ele não conseguia desviar o olhar. Aos poucos sua mente ficava mais leve, lembranças de um certo alguém mascarado iam embora...
– Como queira Iruka, você irá me esquecer! – uma voz que deixou Iruka confuso se fez presente. Tantas coisas estavam indo embora de sua mente que até a voz não lhe era mais familiar. – Assim como eu te esquecerei...
Aquele vermelho foi ficando mais intenso, até chegar a hora que só restava aquilo e mais nada em sua mente. Iruka piscou lentamente e Kakashi afastou-se e se foi como se tivesse ocorrido nada. Ambos eram naquele momento desconhecidos um para o outro. Iruka caiu sentado no chão, piscando confuso e olhando para os lados, ele não sabia por que estava lá tentou lembrar a ultima coisa que fizera antes e veio na sua cabeça o ultimo momento que tivera com Kaito. Abraçou as pernas e começou a chorar. Ele não tinha ninguém ao seu lado.
– X -
Kakashi deu uma pequena olhada para trás e viu Iruka olhar perdido para o chão. Pelo menos aquilo era uma explicação para o esquecimento. Se um lembrava automaticamente o outro também se lembrava. Kakashi enfim saiu da casa fechando a porta com estranha calma.
– X -
Kaito estava a conversar um uma formosa mulher numa parte um pouco afastada. A conversa aparentava ser interessante, pois a mulher se aproximava cada vez mais até chegar um momento que Kaito posou suas mãos na cintura dela e aproximava o seu rosto. Ele parou no meio do caminho ao escutar um rosnado, inclinou um pouco a cabeça para o lado para ver o que tinha atrás da moça. Sorriu ao ver K rosnando para eles dois. A mulher olhou para trás, sem se afastar de Kaito e viu o cachorro.
– O que esse bicho quer? – a mulher perguntou.
O ninja de cabelos azulados não pôde responder, o cão atiçou-se e partiu para o ataque. Kaito jogou a mulher de lado, deixando-a cair no chão sem se importar se ela iria se machucar, e saltou para um pouco distante ainda sorrindo e levantando uma sobrancelha. Estranhamente o cachorro era ágil. K rosnou mais uma vez mostrando suas presas e deixava saliva escorrer, o cão encarava numa forma rústica, agressiva... Kaito olhou bem para os olhos do animal e percebeu algo.
Mais uma vez o cachorro K avançou para atacar Kaito, este correu deixando a mulher para trás. Enquanto o ninja corria velozmente se infiltrando por de dentro de uma mata o cão continuava perseguindo agilmente, mais ágil do que um animal comum. Quanto chegou em uma parte descampada daquela mata, Kaito parou arrastando seus pés no chão, K saltou para cima dele abrindo as presas, o ninja colocou um braço em frente defendendo-se e jogando o cachorro um pouco distante, o animal caiu distintamente em pé e ficou a olha-lo.
– Mostre-se Kakashi! – Kaito sorriu ao falar. – Já notei que é você.
Surpreendentemente o cão não aparentou estar abalado com aquela revelação, simplesmente abaixou a cabeça e formou-se fumaça em sua volta. Quando toda fumaça se dissipou mostrou-se presente a imagem do ninja Kakashi a segurar seu livro com estranha calma.
– Você foi lento para descobrir! – Kakashi ironizou sem tirar seus olhos sobre o livro.
– É tão notória essa sua tranquilidade! – o outro ninja sorriu ao falar. Kakashi levantou a cabeça mostrando seu olhar, seu Sharingan a mostra. Kaito simplesmente não se assustou com aquilo, tudo o que fez foi sustentar o sorriso. – Qual seria tal motivo de se disfarçar de cachorro para que depois viesse a me atacar?
– Tal motivo não te importa! – Kakashi não parava de olhar para o outro, parecia tão calmo.
Kaito o olhou um pouco irritado e lhe deu as costas, andava de vagar indo embora de lá sem se importar com o outro. De repente parou estático, suas pernas bambearam, mas algo o fazia não cair de joelhos. Seus olhos se abriram por completo ao sentir uma imensa dor pairar por seu corpo, parecia que lhe estavam cortando de dentro para fora.
– Não me agradaram umas histórias que eu soube! – Kakashi se aproximava lentamente atrás de Kaito e lia seu Icha Icha. – Você fez muitas coisas más!
O ninja de cabelos azulados tentou falar, mas ao tentar sua garganta ardeu. Contorceu-se um pouco mais, suas pernas fraquejavam, porém, não caia de jeito nenhum. Kakashi se pôs a sua frente, não muito próximo e continuava a ler seu livro.
– O senhor é considerado um traidor da vila, a penalidade é a morte. – Kakashi deu seu aviso prévio como se fosse a coisa mais normal do mundo.
– Então mate-me logo, não tenho medo de morrer! – e finalmente Kaito havia conseguido falar. Seu nariz começou a sangrar.
– Não! – o albino mexeu o dedo negativamente. – Meu trabalho é tirar todas as informações possíveis de sua pessoa e informar a Ibiki...
– Oras! – Kaito riu apesar da dor. – Conte-me a sua real intenção. Você não viria transformado em um pulguento a me atacar por causa disso... Suponho que esse seu súbito ataque seja, digamos, que pessoal. – sua cabeça começava a doer forte. – Iruka não quis mais que você abanasse o rabinho para ele? – ironizou.
Kakashi o empurrou com um só dedo, fazendo Kaito cair sentado no chão. E ficou a ver o caído colocar a mão sobre o peito, a dor de seu interior tornava-se maior, mas não parava de rir, gostava de deixar Kakashi nervoso, o que a feição de Kakashi não mostrava era nervosismo, pelo contrario, estava calmo até demais.
– Acertei em meu palpite? – Kaito continuou a rir. – Então isso tem haver com Iruka?
– Suponhamos que tenha. – Kakashi falou calmo e virou uma pagina de seu livro.
– Gosta tanto do outro assim? Te dou uma dica, é fácil abrir as pernas dele.
Kakashi se agachou na frente do outro, fechou seu livro com uma só mão e olhou bem nos olhos de Kaito, que sentiu-se queimar por dentro e via aquele Sharingan a girar.
– Está me fazendo esses tipos de provocações para que eu fique nervoso e te mate rapidamente? – o mascarado colocou a mão no queixo e sorriu por debaixo da máscara. – Te digo que não irei te matar, não por agora, vou te fazer implorar pela morte. – Kakashi tombou a cabeça sorrindo.
Cortes pequenos se abriam na pele de Kaito, ele não conseguia desviar o olhar do outro. Seu olho começava a ater um tique. Kakashi se levantou ainda sorrindo e abriu seu livro voltando a ler onde tinha parado, o outro ninja permanecia numa forma pasma, parecia que sua mente estava conturbada com imagens que o assustava e amedrontava. Contorcia as pernas por causa da dor dilacerante que estava sofrendo.
– O dia será longo para você, Kaito...
– X -
Iruka estava sentado na sua cama olhando a noite pela janela. Sua mente estava a mil, não sabia o que exatamente pensar ou agir. Tudo o que fazia era permanecer sentado lá. Olhou rapidamente para o lado, mais precisamente em direção a porta e voltou sua atenção para a janela. Seu coração batia forte em preocupação... Deitou-se encolhido e ao fechar os olhos escutou um baixo uivar na porta. Abriu os olhos devagar e revirou-se na cama, não sabendo se levantava ou não. Sabia que aquele não era K e sim Kakashi, mas se sentia do direito de abrir aquela porta para o cão.
Levantou-se lentamente e seguiu para a porta sem transmitir alegria. Abriu a porta de sua casa e olhou para o cão cinzento que estava sentado olhando para ele de orelhas baixas.
– Mesmo transformado em cachorro não deixarei de ter raiva de você Kakashi! –falou sem expressão.
“Mas pelo menos você abriu a porta!” O falso cãozinho fez olhinhos tristes e abaixou um pouco a cabeça.
– Não adianta Kakashi, não irei cair nessa... – Iruka voltou para o interior da casa, mas deixou a porta aberta para o cão entrar.
“Mesmo assim você não resiste a esse olhar.” Ao em vez de entrar como um cachorro ele desfez o jutsu e entrou como Kakashi. Fechou a porta com calma. Viu Iruka seguir para o quarto e foi logo atrás dele. Umino se sentou na cama e ficou a olhar para a paisagem pela janela.
– Iruka, eu...
– Não precisa de explicações... Na verdade nem sei porque lhe deixei entrar! – e por fim Iruka o olhou finalmente, porém inexpressível.
– Você me deixou entrar por causa de nosso laço!
– Que laço?! – Iruka tampou seus ouvidos e fechou os olhos. – Mito, isso é só um mito... – Iruka abriu novamente os olhos. – Esqueça tudo referente a mim!
– Quando te esqueci acabei por perder uma parte de mim. – enquanto falava Kakashi se sentava na cama, um pouco afastado do outro sensei. – Te amo Iruka!
Iruka suspirou e desviou o olhar, sem perceber desfiava o lençol de sua cama por causa do nervosismo.
– Você matou Kaito-san? – Kakashi odiava aquela mania que Iruka tinha de referir-se ao outro. E naquele momento passou a admitir que sentia ciúmes. Abaixou sua mascara, para que assim a situação pelo menos ficasse um pouco confortável, já que iruka não o olhava.
– Ainda não... Acho que a morte é algo tão rápido e meramente monótono. O mantenho vivo, porém o faço ter a esperança de morte. – por mais que Kakashi parecesse frio ao dizer isso, foi extremamente sincero com o que pensava.
– Então quer dizer que está brincando com a vida dele e depois que se cansar irá matá-lo? – Iruka o olhou novamente encontrou o rosto de Kakashi sem máscara.
– Não mentirei para você, é isso o que pretendo fazer... – Kakashi notava a preocupação de Iruka. Apesar de tudo o moreno se preocupava com Kaito.
Pairou um silencio constrangedor que rapidamente foi cortado por Kakashi.
– Iruka, sobre nós...
– Não há um nós! – Iruka interrompeu e alterou um pouco a voz. – Poderia, por favor, sair de minha casa? – ele abraçou um travesseiro.
– Iruka, eu sei que fiz tudo errado e que sou um mesquinho frio, mas quero tentar estar ao seu lado cuidando de ti. Tudo o que peço é uma chance. – Kakashi falou com calma.
Iruka se levantou, jogou o travesseiro sobre a cama e apontou na direção da porta com a cabeça baixa.
– Não quero escutá-lo, por favor, saia! – mas Kakashi não saiu, ele se levantou e ficou em frente a Iruka.
– Normalmente eu não compreendia o que estava havendo comigo... E atualmente só tenho pensado em você, e é nesse momento que meu coração dispara. – deu um passo mais perto de Iruka, que permanecia com a cabeça baixa e o braço estendido. – Você me acalma de um jeito que nem imagina, trouxe-me a vida que abandonei há muito tempo.
Iruka já se encontrava com lagrimas e empurrou de leve Kakashi para longe dele, soluçou baixo antes de dizer:
– Pode parar com suas palavras tolas! – seu pedido não foi atendido, Kakashi continuou a falar.
– Você é tão digno para mim. Me conquistou pouco a pouco com a sua simplicidade e por fim ganhou-me totalmente. Agradeço muito ter te conhecido ainda jovem... Tive bastante tempo para te contemplar.
– Eu não sei o que em mim é digno de ser contemplado! – Iruka falou com rancor.
– Tudo! – Kakashi aproximou-se. – Deixe-me cuidar de suas feridas, de suas dores. Quero e desejo seu bem. – passou uma mão suavemente pelo rosto de Iruka. – Tudo o que preciso é que me dê uma chance...
O moreno nada disse, o que se pode entender como um mudo consentimento. Kakashi se aproximou, segurando o rosto de Iruka delicadamente. Passou o polegar sobre o lábio inferior do menor, apreciando aquela parte da pele. Posou um beijo cálido naqueles lábios e aos poucos aprofundava aquele beijo, o tornando desejoso. Kakashi pôs sua mão na nuca de Iruka tentando deixar aquele beijo mais profundo, Iruka correspondia por querer receber aquele tipo de sentimento, mas veio o receio, o medo e a desconfiança sobre Kakashi.
O menor pôs suas mãos sobre o ombro de Kakashi o empurrando levemente, o albino, ao perceber esse pequeno empurro, soltou Iruka, que se sentou na cama abraçando suas próprias pernas.
Kakashi tinha o consentimento de cuidar de Iruka, mas sabia que seria demorada a reconquista da confiança do outro.
– X -
Ao voltar para casa, Kakashi estava contente ao mesmo tempo um pouco decepcionado. Ele poderia ficar, enfim, com Iruka, mas o outro estava com um trauma e a estima muito baixa. Entrou devagar e encontrou Pakkun a esperá-lo, não trocaram palavras, só ficaram confortáveis com a companhia do outro.
– Desistiu de achar aquela foto? – Pakkun cortou o silencio.
– Eu devo ter jogado fora! – Kakashi fechou os olhos e permanecia sentado no sofá. Uma memória rápida veio em sua cabeça, ele pulou do sofá de súbito, assustando Pakkun, e correu para o quarto, abrindo o guarda-roupa.
– Você já procurou aí, Kakashi! – Pakkun ficava parado vendo os movimentos do ninja.
– Sim, mas não em um certo lugar! – o ninja retirou de lá dentro uma caixa. – Sabe o que tem aqui dentro? – perguntou sorrindo por debaixo da mascara.
– A foto? – Pakkun perguntou.
– Não! É a kunai que ganhei de presente do Minato... Nunca tinha coragem de mexer aqui.
A caixa estava com uma aparência de ser velha. Dois elásticos envolviam a caixa, impedindo da tampa ser aberta.
– Não compreendo o que isso tem haver com a foto. – Pakkun ficou confuso.
O mascarado virou a caixa e mostrou que no fundo dela, presa entre os dois elásticos, estava uma foto. Kakashi a tirou de lá e sorriu ao ver a imagem que ela continha.
– Irá mostrá-la para Iruka-sensei? – perguntou Pakkun.
– Por enquanto prefiro admirar essa foto sozinho!
– X -
Já havia se passado praticamente quase um mês, Kakashi continuava ainda junto e cuidando de Iruka, mas esse sempre continuava com seus pensamentos em outro lugar, sempre evitando um contato mais efetivo, as vezes evitava ficar com Kakashi. Naquele momento os dois andavam pela vila conversando, para todos que vissem eles eram amigos colocando os assuntos em dia. Kakashi tentava conversar, mas Iruka sempre dava respostas vazias.
– Como foi a aula hoje? – Kakashi puxou assunto.
– Boa... – e como sempre tivera uma resposta vazia. Iruka ainda continuava quebrado por dentro. Em um momento Kakashi segurou a mão de Iruka, este puxou sua mão rapidamente. – Não! Alguém pode ver! – Kakashi tinha certeza que o problema não era alguém ver e sim a falta de confiança que tinha sobre ele.
Uns ruídos se fizeram presente, ao longe tinha um cachorrinho a correr e pegava uma pequena bolinha. Iruka olhou aquilo um pouco rancoroso e voltou a andar. Kakashi sabia que o seu companheiro não se sentia bem ao se lembrar das coisas que ocorreram, e tudo que ele mais desejava era que Iruka melhorasse.
Seguiu logo atrás do menor e olhava para seu livro...
– X -
Kakashi algumas vezes dormia na casa de Iruka, mas não ocorria nada além das trocas beijos. O mascarado só dormia lá porque achava que assim protegeria mais Iruka, passava quase toda a noite olhando e zelando o sono do outro. Não esperava nada além, aguardava, com cuidado, a volta de brilho de alegria naquele olhar castanho. E instantaneamente veio uma ideia em sua cabeça. Saiu de lá, deixando Iruka dormindo.
A luz do sol entrava pela janela do quarto e incomodava o sono de Iruka, ele sentiu uma lambida em seu rosto e murmurou algo inaudível. Abriu os olhos devagar e viu uns pelos amarelos, mais uma vez sentiu uma lambida. Acordou de vez e viu um filhote amarelinho em cima da cama e mordendo o seu cabelo, que estava solto.
– Kakashi? – ele perguntou ao cachorro desconfiado.
– Kakashi é um belo nome, tenho que dizer... – o mascarado se pronunciou ao longe olhando aquela cena do filhote. – Mas lamento informar que é fêmea e esse nome não combina com ela!
O moreno se sentou na cama, o que fez a filhote rolar pela cama, ela se levantou balançando os pelos e se pôs a morder o lençol. Iruka estava pasmo com aquilo, olhou para Kakashi espantado.
– Ela é sua! – o mascarado falou ao se aproximar. – Fui assediado pela Genkai, mas consegui a bolinha de pelos. – apontou para a filhote.
Umino se levantou e a cadelinha foi ao chão correndo meio desengonçada, ela começou a morder a calça de Kakashi. Iruka ajeitou seu pijama e seu cabelo bagunçado e olhou para o maior. Ele só queria entender porque Kakashi lhe havia dado um cachorro, e pôde perceber que o mascarado só queria anima-lo, então sorriu largamente e bem sincero.
– Não vai dar um nome a ela? – Kakashi segurou a cadelinha de qualquer jeito, aparentemente incomodava o animal.
– Não segura ela assim! – Iruka a pegou no colo fazendo carinho nela e não deixava de sorrir. Isso animava, e muito, Kakashi. – Que tal Sora?
– É um nome estranho!
– É mais criativo do que K! – e Iruka fez uma pequena piada.
Kakashi coçou a cabeça sem graça o que fazia Iruka rir mais. As coisas estavam começando a melhorar, Iruka se sentia bem com a presença de Kakashi, este voltou a olhar seu livro.
– X -
Gai e Kakashi estavam a tomar sakê, e Iruka foi chamado, pelo mascarado, para acompanhar. Os jonins estavam a ter suas conversas banais e sua típica rivalidade, e no momento a discussão era referente a quem era o melhor animal.
– Os gatos são independentes, usam o seu próprio instinto para conseguir o que querem, não precisão rolar ou aprender pegar coisinhas para agradarem ao seu dono. – Gai falou.
– Prefiro os cães, eles são leais e não importa a situação, eles seriam capazes de morrer por seu dono. – Kakashi defendeu o lado canino. Enquanto eles ficavam a discutir, Iruka, que estava ao lado de Kakashi estava desatento. Ele pensava em como Kakashi fazia questão de cuidá-lo e tentar encaixa-lo em sua rotina. No dia anterior havia ganhado um pirulito, no começo tinha achado estranho, porém tinha adorado o presente. E toda vez que olhava para o mascarado seu coração palpitava.
– Vamos perguntar a uma pessoa neutra! – Gai sugeriu. – Qual você prefere Iruka-sensei?
– Ham? – Iruka balançou a cabeça e ficou a olhar os dois Jounis. – Eu gosto de cães e de gatos, mas prefiro os golfinhos! – sorriu ao falar, pois estava brincando, mas parecia que os outros dois estavam ponderando a ideia.
– Os golfinhos são uns bichinhos legais, são inteligentes e bonitos. – Gai falou olhando pro nada. – Assim como você Iruka-sensei!
Iruka ficou completamente vermelho com aquele tipo de coisa dita pelo Gai.
– Desculpa se eu entendi mal, Gai. – Kakashi falou um pouco sério. – Mas você acabou de dar em cima do Iruka-sensei?
O chunin não pensou se realmente aquilo teria sido uma cantada, só ficou a entender se aquilo que Kakashi estava transmitindo era ciúme, e por mais estranho que parecesse, ele gostou da ideia de Kakashi estar com ciúmes dele...
– X -
Já iria fazer dois meses que Kakashi e Iruka estavam namorando, eles estavam na casa do chunin, o mascarado lendo seu Icha Icha sentado no chão e o moreno estava jogando uma bolinha para Sora brincar.
– Iruka, posso lhe perguntar algo? – Kakashi não deixava de olhar para o seu livro. – Já se relacionou firme com alguém? – com esse tipo de pergunta o moreno ficou vermelho e balançou a cabeça afirmativamente. – Quem?
– Mizuki! – um pouco envergonhado Iruka continuou a brincar com Sora. – Acabou não dando certo no final.
Hatake não disse nada, preferia prestar atenção no seu livro. O silencio reinou no local.
– X -
Iruka estava sentado em um banco no meio da vila, ele abraçava suas pernas dobradas com tristeza. Em sua testa tinha a bandana com o símbolo de Konoha, ele tinha acabado de se graduar ninja. Decidiu por se tornar shinobi para tentar, assim, ser mais forte e esquecer todos os problemas em sua volta. Tentaria ser alguém e se mostrar presente. Mas se sentia incompleto, como se tivesse perdido uma parte importante de sua vida... Suspirou contendo o choro.
Kakashi encontrava-se sentado no mesmo banco, porém de costas para Iruka. Sua mão cobria a parte esquerda de seu rosto. Sentia-se estranho, fizera algo a um belo tempo e seu sharinga ardia. Sabia que tinha se esquecido de algo por conta própria, mas não sabia porque queria ter esquecido e o que foi. Escutou o garoto sentado atrás de si começar a chorar, não ligou. O garoto não tinha nada haver com sigo.
O clima na vila era frio, e tinha uma neblina densa cobrindo o local. O mascarado levantou para ir embora, parou com um passo a frente ao perceber que o choro do outro garoto piorava. Iruka chorava para espantar aquela dor que carregava, percebeu que a pessoa que também estava sentada naquele banco levantou, mas parou de súbito. Kakashi colocou sua mão sobre a cabeça do garoto desconhecido, este levantou a cabeça e mostrou seu rosto molhado, seus olhos inchados e vermelhos.
– Para de chorar, isso é ridículo! – Kakashi falou e tirou sua mão sobre a cabeça do garoto, que julgava desconhecido.
– Não consigo. – Iruka respondeu baixo.
– E por que não consegue?
– Sinto-me vazio... – Iruka abaixou a cabeça.
– Também me sinto assim, mas não estou por aí chorando! – Kakashi se afastou indo embora. – Arranje um amigo, assim você deve melhorar...
Iruka olhou para as costas do garoto que estava a ir embora e disse:
– E qual seria um bom amigo para mim?
Kakashi parou, ainda de costas ficou a pensar na resposta...
– X -
Iruka se levantou do chão, parando de brincar com Sora, foi andando até parar em frente a Kakashi, que mesmo percebendo sua presença não tirava os olhos do livro.
– Eu já percebi Kakashi... Há muito tempo percebi... – Iruka falou baixo.
– Também percebi que essas memórias sempre vêm ao mesmo tempo para nós dois, há uma espécie de ligação entre agente!
– Não é isso que quero dizer Kakashi... – Iruka se agachou em frente ao outro. – Faz quase dois meses que você está a olhar essa mesma página do seu livro!
Hatake olhou diretamente para Iruka e sorriu abertamente, ele estava com o rosto a amostra, Iruka havia percebido então ele tirou daquela página a foto que ele passava o tempo todo a olhar e entregou a Iruka, este olhou atento para a foto sem sorrir.
– Porque você ficou esse tempo todo a olhar essa foto de nós dois? – perguntou sem tirar os olhos sobre a foto.
– É que gosto de me lembrar o que vivemos naquela época. – Kakashi dessa vez sorria um pouco. – Realmente eu o tinha próximo a mim...
– Estamos próximos. – Iruka falou.
– Não como eu desejo... Nesse momento parece que estamos juntos porque você esta tentando gostar de mim!
Iruka escutou atento o que Kakashi disse e se levantou largando a foto no chão, há tempo tinha certeza do que sentia. Gostava da companhia do outro, das palavras sinceras e bonitas, das brincadeiras e dos cuidados que o outro dava. Só não demonstrava o que sentia como fazia quando era criança porque tinha receio e pavor daquilo acabar de repente.
– Nossos laços nunca se romperam só se tornaram mais fortes! – Iruka falou calmo. – Pode, por favor, se levantar Kakashi? — o albino obedeceu, se levantou deixando o livro de lado. Parou e ficou a olhar o que Iruka pretendia fazer, o moreno o abraçou de súbito, deixando a cabeça descansada no peito de Kakashi, que retribui o abraço. – Desculpa não demonstrar o que sinto, é que tenho medo que tudo seja mais uma coisa a ser esquecida. – sua voz saia abafada devido estar com a cabeça ainda no peito de Kakashi.
– Não será!
Iruka levantou o rosto, chorando um pouco e sorrindo fraco. Passou seus braços pelo pescoço do maior, o beijou, ao se desaproximar falou:
– Estou pronto...
De primeira Kakashi não havia entendido o que Iruka quis dizer, mas logo entendeu e sorriu em resposta. Rapidamente o beijou, calmo para não assustar o outro, deslizou suas mãos pelo corpo de Iruka apreciando cada ponto. A volúpia do beijo aumentava e o contato do corpo também, Kakashi tocou as costas de Iruka por debaixo da camisa, com a outra mão tocou a perna dele. E sem noção do que fazer no momento, o albino deitou Iruka no chão disposto a tirar a camisa deste.
– Espera, estão nos vendo! – Iruka falou suspirando.
– Quem? – Kakashi parou o que fazia e olhou para o lado vendo Sora sentada no chão olhando para eles atentamente e sem piscar. – Está querendo aprender? – Kakashi falou com ela, a cadela abanou o rabo e latiu parecendo dar uma resposta positiva a pergunta. – É nova demais para isso!
Kakashi puxou Iruka e o carregou para o quarto. Iruka se sentou na cama e respirava com dificuldade devido o nervosismo, o albino se ajoelhou a sua frente e acariciou seu rosto transmitindo tranquilidade. Hatake começou a lhe distribuir beijos por seu pescoço e tirou por fim sua camisa. Os beijos desciam e chegavam em um ponto, Iruka segurou o lençol por causa do nervosismo por ver Kakashi abrir sua calça, acabou por fim suspirando baixo ao sentir seu membro ser envolvido pela boca de Kakashi. Colocou sua mão sobre os cabelos cinzentos e gemia baixo. O maior admirava as reações do chunin, e parou o que fazia para deitar Iruka e despi-lo de vez, fez o mesmo.
Os beijos retornaram, e Kakashi deslizava mão de leve entre as pernas de Iruka, este começava a se arrepiar e cravou as unhas nas costa do outro. Kakashi lambeu os dedos.
– Não precisa disso, você sabe que não sou virgem Kakashi!
– Só não quero machucá-lo. – ao introduzir dois dedos, Kakashi percebeu que Iruka mordeu seu lábio e arqueou as costas, mas não por ter sentido dor, mas por de primeira ter acertado o ponto sensível dele.
Ficou um tempo a prepará-lo e quando Iruka pediu por favor e gemia baixo para que Kakashi o fizesse dele, o maior não pensou duas vezes em substituir os dedos por seu membro. Beijou Iruka penetrando-o ao mesmo tempo, ficou sem se mexer por um tempo e logo começou as estocadas.
Na cabeça de Iruka vinha uma borboleta a planar. Segurou Kakashi com força e gemia alto, sentia o coração do maior bater acelerado enquanto aumentava as estocas. O beijo que eles trocavam enquanto faziam amor ainda continuava doce como no dia do primeiro beijo entre eles. Juntaram as mãos entrelaçando os dedos, não precisava de uma fita para saberem que o laço entre eles jamais iria se romper.
Já estavam se aproximando do fim, o cheiro de sexo e os gemidos dominavam o local. Os corações palpitavam, os corpos continuavam com seu movimento frenético e prazeroso. Imagens deles jovens e juntos vinham... Os abraços, os beijos... Tudo vinha acompanhado com a imagem de uma borboleta, que muitos dizem que é um ser místico e mágico que mexe com o destino.
Com mais uma estocada firme, Iruka gritou liberando-se, Kakashi fez o mesmo no interior do moreno. Apesar do ato ter acabado, eles não se desgrudaram e seus dedos continuavam entrelaçados. Kakashi passou sua mão no rosto do outro sorrindo e dando um cálido selinho.
– Te amo Kakashi! – o que Iruka disse fez o coração de Kakashi disparar, ele sorriu alegremente e abraçou Iruka sussurrando um também te amo.
A emoção do momento foi interrompida com um barulho de algo se quebrando na sala. Sora latia e corria pela sala, provavelmente destruindo tudo por lá.
– Ela é destruidora! – Iruka comentou e olhou para Kakashi, que estava em cima de si.
– Mas ela é uma ótima amiga! – Kakashi falou.
– Você me disse algo parecido naquele dia da neblina!
– É, eu disse. – Kakashi voltou a beijar Iruka.
– X -
Iruka ficou sentado esperando o garoto, que persistia estar de costas, a dar sua resposta. Kakashi pensava e pensava. Ele mesmo queria saber a resposta, mas algo em seu coração lhe dizia que ele tinha que dar uma resposta para o garoto, algo para animá-lo e que o fizesse ficar mais seguro e completo.
– Então? Não sabe qual seria um bom amigo? – Iruka voltou a perguntar limpando suas lagrimas e olhando para aquele garoto, que estranhamente o fazia ficar quente por dentro, como se fosse seguro estar com ele. Como se aquele garoto preenchesse o seu vazio.
Kakashi voltou a andar, porém olhou para trás por cima do ombro e olhou diretamente nos olhos castanhos brilhantes do outro garoto antes de falar.
– Dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem...
FIM...
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