Dezenas, centenas, quase milhares de naves passavam sobrevoavam todos os dias às sete horas da manhã; sobrevoavam insanamente como um cardume de peixes. E seus contêineres abriam a uma chuva de ferro velho eram despejados sobre um enorme mar de computadores, televisões, robôs, maquinas e etc.

De uma pequena casinha numa pequena ilha, ambas feitas de lata, saia um robô dali de dentro. Sua expressão fora feita com olhos cansados e seu nariz era comprido e arrebitado. Seu corpo era alto, com braços e pernas compridas e finas, mas pés grandes. E seu peito era estufado, ombros para trás, queixo erguido e vestido um smoking empoeirado, com remendos e manchas de óleo e também com uma com uma mochila na mão.

Ele colocava a mão sob a testa e avistava uma torre bem distante no meio daquele enorme e vasto mar de lixo, então pegou sua mochila, pegou distância e partiu correndo na ponta dos pés quase sem abrir demais as pernas e sem perder a postura elegante. Chegando na beirada da ilhazinha de lata ele então arremessou a mochila e ela caiu bem próxima à torre.

— Humpf!

Exclamou com um resmungo o robô desprezando sua pequena falha de precisão, virou de gostas e tirou o smoking, ele segurava delicadamente pelas ombreiras com as duas mãos e o mindinho erguido, entrou de volta na casa de lata e pôs com cuidado o smoking em um cabide, tirou os sapatos e os posicionou abaixo do cabideiro que possuía apenas seu smoking pendurado. Voltou caminhando lentamente com seus pés descalços e sem dedos para a beirada da ilhazinha, tirou uma toca de natação do bolso de sua calça que permaneceu vestindo e ajeitou a toca na sua cabeça. Respirou fundo de mentira pois não respirava e então pulou no mar de lixo.

Começou seu nado suavemente, arrastando seu corpo por cima daquele monte de sucata e batendo os pés levantando vários parafusos como se fossem gotas de água.

Seu nado começou a acelerar e ele mergulhava e subia, mergulhava e subia... Então mergulhou mais profundo e subiu com tudo saltando a dois metros com seu corpo girando como um bailarino e caindo de volta no mar, segundos depois ele voltava a sair do fundo do mar com um salto de alta rotação e mergulhava novamente. Permaneceu saltando até passar um pouco mais da metade do percurso em direção à torre.

Diminuiu o ritmo de seu nado voltando para um nado tranquilo, parou em seguida e mergulhou. Emergiu posteriormente suas penas dentre as sucatas, ele emergiu até metade da coxa mantendo as pernas entendidas perpendicularmente e então fez um quatro invertido, um vê, um xis e depois girava como um parafuso afundando e subindo.

Por um momento ele não subiu, o silêncio e o Sol daquela manhã em um céu cinzento pela poluição, porém sem nuvens, ganharam um pouco de destaque.

Então lentamente as pontas de seus pés começaram a emergir, mas a um metro a frente e paralelo aos seus pés, outro par de pernas subiam. Então ele repetia os movimentos sincronizados com aquele par peculiar de pernas e ao girar o par misterioso fazia a rotação em volta dele. Ao finalizar ele emergiu o tronco e em suas mãos estava um par de pernas soltas de outro modelo de robô . Ele as solta e vai nadando de costas até a torre que estava próxima, pega sua mochila assim que a alcança e uma tábua que já estava ali deixada propositalmente. Ele sobre a torre e posiciona a tábua no topo como um trampolim, analisa e coloca o peso de sua perna em cima da ponta para ela não cair. Começa a revirar sua mochila, ele retira pregos, parafusos, um martelo e uma furadeira manual. Ele faz três fileiras paralelas de furos na tábua e chão da torre com os pregos e martelo, depois coloca uma broca de fazer rosca na furadeira manual para moldar os furos e poder parafusar. Por fim, ele tirou a tampa de seu dedo indicador e dentro, na ponta de seu dedo, havia uma chave philips que ele usou para apertar os parafusos.

Colocou todas as ferramentas de volta na mochila e mirou na sua casinha de lata. Girou e girou o braço com a mochila até soltá-la e ela ser arremessada e logo depois ela entrou pela janela da casinha.

O robô virou de frente para a prancha, esticou seus braços para frente com os dedos entrelaçados fingido os estralarem. Caminhou elegante mente até o fim dela e começou a pular, no quinto pulo ele impulsionou para frente e fez o salto, girando e girando seu corpo até metade da queda, então ele alinhou seu corpo verticalmente de cabeça pra baixo com e passou a mão na nuca abrindo uma portinhola.

Ele apertou o botão de desligar, fechou os olhos e colocou as mãos à sua frente para o mergulho enquanto seu sistema era desligado.

Mergulho profundamente naquele mar de sucatas onde caiu em seu sono eterno.

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