Melancolia
1 Prólogo
"Lembre-se de que você é mortal
Todas as coisas devem ter um fim
Mas você não precisa se lamentar
Nós estaremos aptos a nos conhecermos novamente" Last Heaven — The GazettE

20.12.2013
Alice, uma garota de 16 anos, com cabelos curtos e escuros, e uma estatura mediana, entrou no cemitério, o clima estava quente, o sol estava se pondo, porém ainda brilhava fortemente, iluminando aquele lugar, porém, o humor da garota era o oposto daquilo, as sombras tomavam conta da menina, que no momento não chorava, mas, seus olhos vermelhos e inchados, entregavam que Alice havia passado a noite chorando, assim como a pele pálida, entregava que a garota não saía de casa a um bom tempo, e todos sabiam porque, o vazio havia tomado conta do corpo de Alice; a dor, a saudade, o medo, agora eram sentimentos comuns para a garota que passava os dias tentando entender porque aquilo havia acontecido. Porque com ela? Ela não entendia como ela pode ser tão estúpida.
Não se trata de uma história de amor, ou melhor, era um amor diferente, um amor que muitas pessoas não conseguem sentir verdadeiramente, que muitos ignoram, e que outros só dão o verdadeiro valor quando perdem. Amizade. Afinal, o que seria dos humanos sem ela? Alice sabia o que era viver sem ela, já que da maneira mais cruel, arrancaram as partes mais importantes de si. E ela não podia continuar sem elas.
O vestido longo e vermelho encostava-se ao chão e arrastava as folhas secas, Alice tirou os sapatos, também vermelhos, e passou a caminhar descalço, os pés tocavam a grama e as folhas mortas, e após poucos minutos caminhando, ela encontrou os cinco túmulos que procurava, os nomes empregados nas criptas traziam diversas lembranças à Alice: Sara, Isabela, Yasmin, Karla e Débora, eram os nomes cravados nas pedras cinzas, porque doía tanto pensar nelas? Alice largou a bolsa e os sapatos que carregava e ajoelhou-se em meio aos túmulos, por um instante Alice fechou os olhos, permitindo que as lágrimas voltassem a correr por sua face, ao abri-los, revelou seus olhos negros, cheios de dor e saudade. Não havia ninguém ali, mas isso não assustava Alice, ela depositou sobre o túmulo de cada uma das garotas, uma rosa vermelha, mas quando chegou ao túmulo de Sara, passos atrás dela, fizeram com que ela parasse e levantasse rapidamente.
—Eu sabia que você viria.- Alice disse, sem olhar para trás, mas a pessoa atrás de si não respondeu.— Você deve estar feliz, não é? Você conseguiu se livrar delas, e conseguiu arrancar um pedaço de mim. Eu só não entendo porque você as escolheu. Por que elas?- Alice voltou a chorar- Por quê?- Alice gritou- Por quê?- Alice gritou novamente, mas sua voz falhou, as lágrimas voltaram a rolar pelo seu rosto. — Por quê? —ela sussurrou, mas a pessoa atrás dela, ouviu claramente, porém não respondeu.
Alice sentiu os passos vagarosos atrás de si, e o corpo que se pôs ao seu lado, mas não teve coragem de encarar, tudo o que sentiu, foi a lâmina afiada tocar seu pescoço e um líquido quente correr por seu colo. Seu próprio sangue.
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