Melancholy
11 Capítulo X: Stumbles
Notas iniciais
O moreno evitou a todo custo se notado, deu a volta no corredor esperando encontrar qualquer coisa que desse a desculpa de seu sumiço, infelizmente acabou encontrando Taiga, com o rosto ainda vermelho, correndo pelo mesmo caminho. Ele se forçou a sorrir coçando a nuca e tentando pensar rapidamente em alguma desculpa.
– Eu... ah... me perdi.
– ...bobo _também forçou um sorriso, ainda desconcertado pediu para que o mesmo lhe seguisse _tenho só que me despedir e podemos ir embora.
– Ah tudo bem, você é quem manda.
Os 10 metros até a sala de visitas pareceram eternas, Taiga ainda tentava se acalmar rezando para que nenhum de seus alunos dissesse nada na frente do moreno. Ao chegarem no salão, olhou de canto para Daiki e engoliu seco.
– Pessoal? _chamou a atenção de todos assim que entrou _por hoje é só, infelizmente tenho algo para tratar agora. O cronograma está comigo então peguem antes de sair.
Daiki olhou a redor optando por ficar acuado no canto da sala, Theo veio ao seu encontro imediatamente, agora sem marcas de lágrimas no rosto.
– Dady _o chamou envergonhado mesmo acreditando que ele não soubesse do ocorrido.
– O que foi amor? _estendeu os braços para pegá-lo no colo, mas o menor não aceitou.
– Já estamos indo embora, a mamãe quer passar no shopping _escondeu as mãos atrás do corpo _vim só me despedir.
– Hn... claro, tudo bem! Me dá um beijo de despedida?
Theo finalmente sorriu, deu um beijo rápido na bochecha magra de Daiki e se afastou, ao longe Carry fez um sinal com as mãos e juntos sumiram pelo corredor. Ele esperou que todos saíssem para receber a atenção de Taiga novamente, sentia-se desolado com o que aconteceu a pouco, achou que tinha se acostumado com aquele tipo de situação... que nada, novamente o choque da realidade se assemelhava a um soco no estomago e tudo o que via de si era um lixo de ser humano, incapaz de provar a uma criança o quanto tinha orgulho de ser ele mesmo.
– Daiki? _tocou em seu braço _tudo bem?
– Sim! _respondeu de imediato _terminou?
– ...sim, quer ir para casa ou passear? Está tendo um festival aqui perto _tentou o animar, deu um beijo estalado em seus lábios ao verificar que a porta estava bem fechada.
– Podemos ir para casa? Quer dizer... não me importo de ir ao festival se você quiser.
O ruivo sentiu a nota de insegurança em sua voz e franziu o cenho, desconfiou que talvez o moreno tivesse ouvido a conversa com seus alunos minutos antes.
– Aconteceu alguma coisa? _agachou ao seu lado apoiando o queixo em sua perna.
Daiki olhou para ele e depois para seus pés.
– Não, Bakagami, só estou cansado porque mal dormimos a noite _piscou _e estou morrendo de vontade de você, sabe...
A resposta convincente fez Taiga sorrir.
– Então vamos correndo, que tal se pedisse para a Angel fazer algo diferente para nós? Aposto que ainda quer experimentar um monte de comida aqui dos Estados Unidos.
– ... _pensou por um momento _ah... diga para ela me surpreender.
– E vamos ver um filme também, podemos até marcar uma via- _e foi interrompido pelo celular, pediu um segundo se afastando até a porta e sumindo através dela.
Daiki voltou a ficar sozinho perdido em suas próprias angustias, estava se sentindo mal por ter feito Theo chorar, talvez se não fugisse pelo desconforto de ficar ao lado dos outros pais e mostrasse que podia derrotar qualquer uma ali, nada daquilo tivesse de fato acontecido. Balançou a cabeça desacreditado na própria atitude, pelo menos podia contar com o carinho de Taiga e com ele acreditava que tudo ficaria bem.
– Vamos? _o ruivo voltou a entrar no salão, com o rosto vermelho.
– Aconteceu alguma coisa?
– Ainda não _resmungou _tem algumas mães reclamando sobre... sobre _gaguejou _o calendário porque algumas famílias querem viajar por um tempo mais longo.
Ele estranhou, tanto o conteúdo quanto o tom de voz, mas confiou que o ruivo possivelmente só não queria o fazer passar pelo desgosto da situação na qual ele já imaginava, afinal Taiga praticamente gritou com seus alunos durante a reunião. Bem no fundo sentiu-se envergonhado por atrapalhar.
– Não acha melhor ficar para ajeitar as coisas?
– Ah que nada, quero pass- _batidas na porta fizeram os olhos castanhos rolarem _sim? _se virou cumprimentando com um aceno uma mulher alta e magra.
– Problemas _ela disse cansada _por favor, Senhor Kagami, atenda ao pedido deles.
Taiga fechou os olhos por um instante e sorriu para a menor pedindo um minuto.
– Daiki e-
– Tudo bem, eu te espero _entrelaçou os dedos estalando-os em seguida.
– Vou pedir para alguém te levar, isso vai demorar e tenho que conversar com algumas pessoas da chefia. Em casa pelo menos você descansa! Pode pedir a Angel o prato que quiser.
Sabia que estava sendo apenas atencioso, o ruivo fazia de tudo para ele se sentir melhor e isso era evidente; ainda assim por que estava tão desconfortável? Tinha gerado aquela situação por sua covardia atrapalhando seu trabalho, agora era outro empecilho por não poder se cuidar sozinho como deveria fazendo-o se preocupar. Se já estava se sentindo péssimo antes, agora ficara ainda pior.
Eles chegaram à recepção e antes de Kagami ser abordado pela mesma menina de antes, ele pediu a um loiro alto e magro o favor de levar Daiki até sua casa entregando as chaves do carro sem hesitar. O moreno não suportava erguer o rosto.
– Daiki, voltarei assim que acabar aqui _ele se curvou com a intenção de um beijo, mas parou na metade da ação percebendo os olhares curiosos em sua nuca _ah... o Roger irá te levar, mas me mande uma mensagem quando chegarem, ok?
– Hn _acenou brevemente deixando o local acompanhado pelo americano, que cá entre nós, parecia muito o Leon Kennedy.
–------------ + -----------------------------
– Theo _Carry chamou o menor quando desceram do carro _antes de entrar, precisamos conversar.
O garotinho obedeceu se acomodando no segundo degrau da escada que dava acesso a porta de entrada.
– O que aconteceu exatamente no clube? _sua voz era ríspida, assim como toda sua postura corporal, mas ele sabia que a mãe tinha apenas o mau hábito de seguir a avó.
– Os outros garotos me caçoaram, eles falaram que eu menti a respeito do papai _seus olhos desviaram para qualquer ponto além de Carry.
– Eles não caçoaram de você, eles caçoaram seu pai. Isso é errado, Theo _cruzou os braços _e se ele tivesse ouvido, como acha que estaria se sentindo?
– ...nunca o vi jogar _tentou se justificar _e se for mesmo uma mentira?
– Nunca o vi mentir _ela rebateu agora perdendo a paciência. Ela ajeitou os cabelos tentando se acalmar.
– Mamãe... _hesitou por um segundo, mas questionou _ a senhora gosta dele?
A pergunta gerou palpitações descontroladas no coração da mulher, era óbvio que ela gostava dele, infelizmente a vida não estava sendo assim tão generosa. Quando Daiki veio lhe contar que ficaria com Taiga ela mal pode acreditar em suas palavras, nunca passara por sua cabeça que eles tinham aquele tipo de relacionamento, foi preciso uma longa explicação de um passado que ela não conhecia para que tudo fizesse sentido. E fez. Carry entendeu que o amor de Daiki não vinha de uma admiração qualquer, estava sendo construído há anos. Seu mundo ruiu, porém depois de anos fingindo ser a boneca que sua mãe sempre desejou, apenas se acomodou a situação desistindo de seus planos malucos de morarem juntos. Era melhor assim, certo?
Ah se a vida fosse simples...
Seu coração que tinha aflorado murchou rapidamente com o balde de água fria e o desespero por ter enfrentado sua mãe daquela forma e agora ter sido rejeitada ainda era constante. Já não se concentrava no trabalho como deveria, passava os dias alienada pesando somente na derrota amarga e dupla – primeiro por não te conseguido o amor de Aomine Daiki e segundo por ter que dizer a sua mãe que ela é quem estava certa. Uma única vez em sua vida teve a coragem de lutar... e agora? O que sobrava da mulher de 20 e poucos anos?
Nada.
Carry tinha o mau hábito de desistir facilmente das coisas optando pelo caminho mais fácil, entretanto era orgulhosa demais para admitir isso. Contraditória. Ainda assim, depois da conversa com Daiki ainda não tivera coragem de encontrar-se com sua mãe e se escondia em casa ou no trabalho. Estava chateada e a sensação de vazio era a pior coisa do mundo naquele momento.
– Mamãe?
– Vamos entrar meu amor _meneou a cabeça _me desculpe por falar assim com você, mas entenda que o Daiki não tem culpa de seu acidente, ele foi um herói salvando as pessoas e mesmo que não possa correr como os outros pais, ainda se esforça para ser o melhor em tudo por você.
– ...eu sei _Theo mordeu o lábio _prometo que irei defende-lo da próxima vez.
– É assim que se fala. Agora vamos? Quero comer batata frita no jantar, o que acha?
– Nada saudável _sorriu _mas já que não sou a vovó... _e deu os ombros correndo os degraus acima.
Ela desprendeu os cabelos e relaxou os ombros, nada era exagero, ainda tinha o menor como seu maior bem, a ligação entre ela e Daiki. Era o suficiente. Ainda gostava muito do moreno, mas nada que fosse tão forte quanto os sentimentos descritos por ele à Kagami Taiga – sentiu pena de si mesmo por nunca ter amado alguém assim.
– Oras, a derrota é amarga não, Carry?
A voz gelada fez suas costas arrepiarem, ela se virou sentindo tudo girar ao seu redor: sua mãe estava do outro lado do portão com um cigarro nos lábios e a expressão fechada.
– Fiquei sabendo que aquele japonês, além de paralítico, pobre, te rejeitou e só para completar a lista, é gay. Meu Deus.
E então ela riu, uma risada que chegou a congelar a loirinha que agora escorregava para os degraus. Ela olhou para trás apenas para verificar se Theo estava longe o suficiente e logo voltou a atenção para a outra.
– Quando sua mãe fala, tem que ouvi-la! _aumentou a voz agora adentrando a residência _só digo as coisas para o seu bem, mas insiste em ser teimosa, teimosa, teimosa! Quer me deixar doente?! Eu sou Deus pra você, me obedeça da próxima vez.
– ...c-cale a b-
– Um gay, que absurdo, que pecado _ela resmungou tirando o terço que sempre carregava no bolso da camisa _eles não sabem o que dizem, Senhor. Esse menino ainda vai ser punido, ah vai. Vamos entrar, faça alguma coisa para nós comermos.
Ela passou pela filha sem se importar com as lágrimas que agora manchavam sua roupa clara. Os sapatos de salto alto fizeram o barulho característico e a cada passo se distanciavam dentro da residência, assim como suas palavras que, para a senhora de 50 e poucos anos, pareceram ser apenas um breve cumprimento normal e corriqueiro.
A escuridão e o vazio que Carry sentia, de repente engoliu sua alma totalmente.
–------------- + -----------------------
Daiki agradeceu pela carona e adentrou a residência sem mais problemas, seguiu direto até o quarto deixando sua fome de lado – só queria dormir e parar de se culpar pelo acontecimento daquela tarde. O caminho até o quarto principal nunca fora tão longo, se em seu apartamento bastaria alguns passos, pequenos passos que arriscava dar sozinho, achando o máximo avançar aos pouquinhos; tinha vergonha de fazer isso na frente dos empregados.
Se jogou na cama tateando o celular no bolso, o deixou sobre o criado-mudo podendo finalmente fechar os olhos. Sua cabeça latejava. Ele sempre soube que não seria um mar de rosas sair de sua zona de conforto, ainda assim, não precisava passar por uma situação daquelas tão cedo.
Sentiu o fantasma da depressão lhe fazer uma rápida visita, deixou de tomar os remédios controlados a apenas dois meses – escondeu isso de Taiga, Satsuki e todos os outros – porém seu médico parecia ter errado afinal, estava bem melhor se dopando e vivendo uma realidade alheia a sua.
– ...Taiga _lamentou, se tivesse ao menos o ruivo ao seu lado agora!
As lagrimas formaram tímidas no canto dos olhos, não permitiu derrubar nenhuma se virando para o lado e puxando o edredom acima da cabeça. Aomine Daiki não seria derrubado nunca mais, mesmo que ainda viesse a pensar e ter pena de si mesmo, prometeu se esforçar por Taiga.
E como se um anjo que por ali passava visse seus lamentos, mostrou a ele um pequeno raio de sol.
Seu celular começou a tocar e atendeu de imediato sorrindo com o numero.
– Satsuki!
– Errou _a voz de Takeru soou animada _padrinho! Vou te mandar um vídeo no whatsapp, ficou muito foda!!
– Calma ai peste, estou bem sabia? E como vocês estão ai? Ah que bom que vai me mandar um vídeo, era sobre o que mesmo?!!!!
E ambos riram, ele pode ouvir vozes animadas no fundo, mas o garotinho não deu atenção.
– É sério, olha lá quando eu mandar, você é sensacional padrinho! Obrigado!!! _e desligou.
Fitou o aparelho incrédulo, ok o mundo estava maluco – ou ele só conhecia pessoas malucas vai saber – foi direto ao aplicativo saber o que seus queridos gêmeos estavam aprontando. O vídeo era curtinho, tinha 1 minuto e pouco, mas não pode acreditar quando viu. Takeru e Kaoru estavam arremessando e eram fodásticos arremessos disformes estilo Aomine Daiki.
– MEU CARALHO! _voltou o vídeo mais uma vez e outra e outra _puta que pariu, que foda! QUE FODA!!
Discou para o celular da amiga, ainda eufórico.
– Dai-chan! Ai me desculpe, os gêmeos... Dai-... Dai-chan!! Me deixe falar caralho _ palavrão calou o amigo, a quantos séculos não a ouvia falar aquilo? _melhor assim. Enfim, já que você é tão criança quanto eles, sim, eles conseguiram aprender o arremesso disforme assistindo jogos seus do colegial e claro com suas dicas. Estão orgulhosos do padrinho... ah não chora _ela completou sorrindo ao ouvir os soluços contidos do amigo.
– N-não é que... tipo... _riu da situação _sou um retardado só isso.
– To sabendo _comentou de forma divertida _fica ai se achando um nada, que bobo.
– Como sabe disso? Tem bola de cristal agora?
– ... _ela suspirou de forma cansada _não perdi a habilidade de analisar dados, posso não saber tudo o que acontece com você, porém consigo pegar rapidinho o que está sentindo. Meu amigo está inseguro de si mesmo, felizmente tenho dois pestinhas para provar o contrário.
Ficou sem palavras por alguns segundos.
– Posso falar com eles?
– Claro! E mais uma coisa, Dai-chan, como está entre você e o Tai-chan?
– Está tudo bem! Depois eu conto tudo, prometo _cruzou os dedos atrás do corpo.
– Ok
Respondeu monossilábica e passou o celular ao filho mais velho, Takeru atendeu furando os tímpanos de Daiki. Ele contou ao moreno que treinaram muito, pediram a Momoi os vídeos de seus jogos no interescolar e por fim conseguiram com as dicas que recebiam tanto pela internet quanto pelo próprio moreno na época que ainda morava no Japão. Aomine sentiu um comichão gostoso no peito, algo quente e ao mesmo tempo vibrante: ainda era capaz de ensinar! E mais do que isso, era capaz de orgulhar as pessoas que tanto amava. As lágrimas agora passaram de frustrantes para emocionadas.
– Padrinho tenho que ir agora, o papai chegou e vamos ao zoológico! Quando você volta? _perguntou com urgência.
– Assim que o Taiga conseguir uma folga!
– Yes! Vamos jogar contra ele e ganhar dessa vez _a voz do outro gêmeo soou alta no fundo se despedindo também _tchau!
– Tchau e não dê muito trabalho para sua mãe.
Takeru desligou deixando apenas o toque corriqueiro do outro lado, Daiki respirou fundo e olhou para o vídeo mais uma vez.
– Está tudo bem _repetiu para si mesmo _foi só um tropeço de leve.
A noite caiu e Taiga ainda não havia voltado, por esse motivo Daiki resolveu preparar alguma coisa já que ultimamente andara se sentindo um pouco deslocado. Adentrou a cozinha enorme olhando com cuidado para todo o aparato sobre os balcões: batedeira, liquidificador, fogão industrial – e agora Taiga me diga a necessidade disso?! – e mais uma pá de coisas que não fazia ideia da utilidade. Queria apenas fazer um doce ou algo diferente para eles, percebeu também que parte do ambiente era adaptado para ele e o rubor tomou conta de suas bochechas.
– Qual a necessidade _resmungou deslizando o dedo pela superfície lisa da pedra de mármore.
– Precisa de ajuda, Aomine-san?
A voz suave de Angel o assustou.
– N-não só estava... você me lembra um amigo, aparecendo assim do nada _deixou escapar.
– Mas eu estava aqui esse tempo todo.
– ...ahn, que tal uma torta de limão para sobremesa? Se me ajudar a encontrar os ingredientes...
– Com todo prazer!
–--------- + -------------------------
– Senhor Kagami, que isso nunca mais se repita _e seu chefe, um homem alto e corpulento, bateu com o punho fechado na mesa de madeira encerrando o assunto.
Apesar dos resmungos Taiga deixou o escritório, em suas mãos uma pilha de novos papéis e o no rosto a expressão de fúria. A discussão longa não era sobre o novo calendário de férias, mas sim sobre uma viajem inesperada com seus alunos para a França; não estava nenhum pouco a fim de levar as crianças para nenhuma droga de lugar depois daquela cena péssima contra Aomine. Além disso ainda fora obrigado a pedir desculpas para os pais sem chance de se explicar, afinal os ricaços estavam financiando o clube e isso por si só já justificava.
Se não tivesse tanto amor pelo basquete e a esperança de encontrar alguém realmente bom, já teria largado tudo faz tempo.
Kagami se apressou em entrar no carro para ir embora e ele teria o feito se seu celular não começasse a tocar insistentemente: “trabalho”. Ele precisou fechar os olhos por alguns segundos. A noite seria longa e imprestável.
A ausência do ruivo durante toda a noite fez Aomine adormecer na sala de cinema, em suas mãos o celular ainda exibindo a ultima mensagem que recebera do amado há horas atrás dizendo que estava particularmente encrencado com o trabalho e reuniões. Depois de conversar com seu superior ele ainda teve que receber um milionário que chegara de supetão no clube e fazer as honras num jantar.
O filme de terror passava a esmo no telão enquanto Daiki respirava de forma compassada no sofá, Angel pensou em acorda-lo para lhe oferecer cobertas e chá, mas achou que era melhor o mesmo literalmente não ver a hora passar. Tinha se esforçado bastante naquela noite cozinhando para ambos e infelizmente acabou por jantar sozinho um tanto desanimado. Taiga era uma excelente pessoa, Daiki estava longe de parecer uma menininha do colegial ainda assim a senhora ficou com o coração apertado pela situação desagradável; era a primeira vez que o moreno conseguira superar o desconforto de não estar em sua antiga casa e tudo acabou sendo em vão.
– Essas crianças _balançou a cabeça de forma negativa e voltou com a bandeja nas mãos pelo extenso corredor.
Ela caminhou em passos pequenos e quando adentrou à cozinha encontrou Mione e Taiga discutindo sobre algo, levou um susto pois não o ouviu chegar.
– Senhor Kagami _chamou sua atenção _aceita uma xícara de chá?
– Angel, ah.... não, obrigado. Já vou me deitar _passou as mãos nos cabelos jogando a franja para trás.
O ruivo cambaleou e se apoiando no balcão, Mione apenas desviou o olhar e esperou que ele se recuperasse. Kagami estava bêbado e mal conseguia se sustentar, tirou a gravata sufocante jogando-a em qualquer lugar.
– Boa noite _resmungou rumando para o quarto.
– Ah Senhor Kagami, o Aom-
Ele ergueu a mão indicando que não queria ouvir mais nada, sua cabeça estava prestes a explodir, saiu do cômodo sem olhar para trás.
– Odeio quando bebe _a governanta desabafou em seguida _fica tão estúpido.
– ...essas crianças. Chá, senhorita Mione?
A mulher sorriu, infelizmente o liquido quente não fora o suficiente para barrar o arrepio incomodo que subiu por sua espinha.
>>>
Fale com o autor