Melancholy

13 Capítulo XII: Guns


Notas iniciais
Bom dia ;* ..........aaaaaaahn, acho que nada a declarar? Ah sim, procurem um anime chamado: Makura no Danshi. Gente! É muito amor uhaauhauhuha

Taiga saiu do banheiro com a toalha jogada sobre os cabelos, seus olhos ainda inchados estavam desconfortáveis e o cansaço parecia acumulo do mês inteiro. Hesitou por um instante antes de abrir a porta da sala de cinema, ele sabia que Daiki estava lá, pois o espaço acabou servindo de refugio mesmo que de forma inconsciente. Ainda parado à porta, acabou pescando pelo sono absurdo que agora tomava conta de si, resolveu entrar silenciosamente e encontrou o amado deitado no sofá, com o controle da tv pendendo em uma das mãos e a outra fechada na coberta. Acariciou de leve seus cabelos macios, será que era melhor contar a verdade? Mas isso o machucaria tanto, acabaria influenciando sua vida por inteiro e ele sabia que o mesmo tinha medo do que estava por vir – ou estaria se Taiga não fizesse algo a respeito rapidamente.

Novamente seu cérebro gritou por descanso e se rendendo ao sono, deitou no tapete macio, ao seu lado, trocando o controle por sua própria mão.

Do you know what's worth fighting for
When it's not worth dying for?
Does it take your breath away
And you feel yourself suffocating?

Em sua mente, implorava que o sono tomasse conta de tudo, mas as lembranças da conversa surreal com Carry vinham com força, agora reverberando em cada célula de seu corpo. A voz fria, o olhar sínico e os lábios que não paravam de tremer a cada palavra.

Flash Back

– Não, estou no resort com o Kagami Taiga, meu filho e ele _Carry caminhou rapidamente para fora do estabelecimento com o celular apoiado no ombro _não, mamãe _voltou a negar sentindo a impaciência crescer _preciso desligar... mãe, por favor! _chacoalhou a cabeça para os lados _já cansei desse assunto, passar bem! _e afundou o dedo no botão central desligando o celular.

Assim que ela se virou deu de cara com Taiga que tinha no rosto a expressão de culpa e ao mesmo tempo preocupação.

– Desculpa, sua voz estava alta _se justificou _tudo bem? Eu só... ah, me desculpe mesmo.

– ...ah, agora dá de espiar as pessoas Senhor Kagami?

– Como?

O tom de voz soou idêntico ao de sua mãe pegando Taiga desprevenido, por mais errado que fora a pouco, não teve intenção alguma de bisbilhotar.

– Já pedi desculpas _resmungou dando os ombros com a ideia de se retirar e deixar a mulher amarga de lado.

– Está na hora de se tocar _continuou a conversa fazendo o ruivo parar _em todos os passeios você quer se intrometer, além disso não quero que fique falando nada na cabeça do meu filho a respeito do Daiki. Ele errou em destratar o pai na frente dos colegas, mas isso é um assunto que eu, sua mãe, deve resolver.

Se Kagami tivesse prestado atenção, perceberia a nota de ansiedade em sua voz, porém o conteúdo nada amigável logo o irritou ao ponto de não saber como reagir.

– Já não basta ter aparecido depois de tantos anos, cadeirante e agora homossexual. Faça-me o favor _respirou fundo estufando o peito e o olhando com ar superior _coitadinho do Aomine Daiki, sofreu tanto, só está tentando ser feliz _amaciou a voz num teatrinho falso _até pensei em engolir o fato de ele estar inválido pela felicidade do Theo, mas veja no que resultou.

O desabafo estarrecedor deixou Taiga de cara no chão, e o pior não era saber que na verdade a mulher tinha duas caras – isso ele sempre desconfiou – seu medo era descobrir o porquê estava dizendo tudo isso a ele...

– Qual o motivo de estar me dizendo isso? Vou fazer o impossível para que não chegue perto de nós nunca mais _a ameaçou.

– Quero que ele volte ao Japão e suma daqui _cruzou os braços _estava bem melhor sem Aomine por perto. Ninguém me perguntava como é passar pela dificuldade de compartilhar a guarda com um inválido gay e eu estava subindo de cargo graças as fofocas sobre nós. Os tabloides estavam amando sua aparição em casa.

– ...vai sonhando _rosnou.

– Se contar algo a ele e você não mandá-lo de volta para casa a mídia vai amar o escândalo que darei sobre vocês. Sua carreira no clube já era, sua imagem será humilhada e Daiki será arrastado junto.

– Inútil! Posso pagar cada jornalista _disse triunfante _cada um deles!

– Vai arriscar? Minha mãe já ganhou um processo pelo simples fato de dormir com o juiz. Consegue imaginar onde duas mulheres podem chegar para destruir alguém?

Kagami sentiu o sangue subir a cabeça e ergueu a mão, a cena seguinte fora acompanhada pelo grito desesperado de Daiki e sua alma pareceu abandonar o corpo naquele mero segundo.

Flash Back – fim.

Does the pain weight out the pride?
And you look for a place to hide?
Did someone break your heart inside?
You're in ruins.

One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky
You and I

Kagami soltou a mão de Daiki se virou para o lado, claro que ainda não pensara com calma no assunto. Carry estava tão estranha falando daquela forma, a menina meiga que se apresentava na frente deles simplesmente pareceu nunca existir. Sua chantagem era simplista: separar do moreno o machucando ao ponto de fazê-lo voltar ao Japão ou começar um mar de mentiras sobre eles expondo ao mundo. Na América escândalos são esquecidos depois de um tempo, talvez em 9 ou 10 meses, mas no Japão...? Jamais seria chamado para convenções novamente e os fãs se decepcionariam muito. Mantinha uma boa relação com país de origem, seria muito afetado com aquilo tudo. Além disso, Aomine Daiki tinha como único medo acabar sendo alvo da mídia, dissera isso para o ruivo no comecinho e por confiar naquele que ama aceitou vir para Los Angeles. Se contasse ao moreno sobre a situação ele com certeza tentaria resolver do seu jeito, Theo acabaria sabendo de tudo e então mais uma pessoa seria afetada.

– Caralho!

Como ia resolver isso?!

– Taiga? _a voz rouca de Daiki chegou aos seus ouvidos provocando um embrulho no estomago _vira aqui pra eu falar com você.

O ruivo se virou, mas acabou sendo surpreendido com um beijo no topo da cabeça.

– Está mais calmo?

– ...não muito _confessou. Está furioso?

– Estou um pouco decepcionado. Tem muitas perguntas rodando na minha mente agora, estou preocupado também e me culpando _estendeu a mão sendo prontamente atendido, entrelaçaram os dedos.

Taiga, agora sentado de frente para o sofá, olhava com pesar os olhos escuros a sua frente. Daiki, deitado de barriga para baixo, não sabia como continuar.

– Vai ficar tudo bem! _o ruivo apertou os dedos de Daiki _prometo que vai. Prometo que te conto quando tudo se acalmar.

No telão, como sempre, um filme qualquer. Na cabeça da do moreno a melodia pesada de Green Day que ouvira de manhã enquanto morria de tédio depois de deixar a quadra de basquete, sempre que a situação apertava ele tinha como fuga se distanciar da realidade se fechando num mundo próprio, musicas faziam parte dessa terapia.

– Daiki... por favor, não faça isso comigo _se lamentou.

– ...confio em você, só me deixa... acostumar com tudo isso, ok?

E entendendo o recado, resolveu cair na cama e ter algumas horas de sono.

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O clima dentro da mansão foi de mal a pior na manhã seguinte, Daiki continuou no quarto e almoçou lá mesmo ignorando o dia bonito do lado de fora; Taiga tão pouco fez questão de chamá-lo, tinha medo. A angústia tomou posse dos sentidos de Kagami, a cada vez que pensava sobre o assunto o buraco em seu estomago aumentava. Estava feliz – quase aliviado – por Daiki confiar em si e parar com as perguntas, mas como resolveria a situação? E pior, estava o protegendo e ao mesmo tempo o machucando. Quanto tempo tinha para se livrar daquela chantagem?! A dor dentro de seu peito era torturante, mas com certeza menor do que imaginar Aomine sofrendo se algo desse errado. Daria um jeito de fazer as coisas não darem certo entre eles e então, mesmo que fosse odiado, o moreno voltaria para casa, ao lado dos amigos. Lá estaria bem protegido.

No começo estava com tanto medo de acabar enjoando de morarem juntos, ficou ansioso arrumando tudo para recebê-lo desejando do fundo do coração que aquilo desse certo... nem viu o tempo passar, quando se deu conta estavam juntos há quase 1 mês. Ainda tinham tanto a vivenciar! Foram 15 anos longe, foi uma vida enfurnado em festas e jogos de basquete, ao lado dele era como voltar a pureza de uma época que lhe fez infinitamente bem. Sua adolescência fora a melhor possível, deixou o amado para seguir seus sonhos e o destino tratou de juntá-los novamente – era quase como se escrito por um poeta extremamente romântico. Não estava acreditando nos dias bom que passaram até agora, tantos sorrisos! Daiki ainda se acanhava um pouquinho ao sair de casa, porém isso mudava com um passo de cada vez.

Mas e agora?! Deixaria-o na lama mais uma vez, se afastaria mais uma vez!

Simplesmente não era justo, ao mesmo tempo em que seu maior medo era fazê-lo sofrer, a possibilidade de arriscar sua própria imagem o chocava. Na exigência de Carry ninguém saia satisfeito, nem ele, nem Daiki... nem ela, muito menos Theo; o ruivo não entendia o propósito daquilo tudo. Se via num túnel sem saída.

– Amor? _Daiki chamou o ruivo distraído, estava parado na varanda da sala com uma xícara de café nas mãos – ele quase derrubou a louça pelo susto.

– Oi?

– Ah... vou trabalhar agora, se precisar estarei no escritório _deu a volta no sofá se distanciando do ruivo.

Daiki não tinha ido até para dizer isso, infelizmente não encontrava clima – ainda – para voltarem a conversar normalmente. Só queria ver seu rosto e ouvir sua voz um pouquinho, apenas para ter certeza que as coisas ficariam bem. Martelava o dia e a noite em busca de uma resposta, obviamente iria direto ao centro do problema: Carry. Desconfiava que ela só daria versões distorcidas dos acontecimentos, ainda assim talvez pudesse tirar disso alguma coisa. Uma pequena pista.

When you're at the end of the road
And you lost all sense of control
And your thoughts have taken their toll
When your mind breaks the spirit of your soul
Your faith walks on broken glass
And the hangover doesn't pass
Nothing's ever built to last
You're in ruins

One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky

O celular fora prontamente atendido assim que a melodia calma soou pelo quarto da loira, ela sabia que o moreno não tardaria a ligar e essa seria justamente a prova que precisava de Kagami Taiga. Tudo estava indo de acordo com seus planos e isso a fez sorrir.

– Hello?

– Carry, é o Daiki _começou sem muita cerimônia _sabe o que quero.

– ...sim eu sei. Mas me espanta saber que está pedindo a minha versão da história sabendo que Kagami conversou com você obviamente.

– Foda-se o motivo dele ter surrado sua cara, só quero saber que chantagem você fez a ele! _sua voz alterou consideravelmente _não venha achando que vai destruir... enfim, não devo explicações!... porra Carry, confiei em você.

– Não foi a minha culpa _o moreno pode ouvir o tom de lamento em sua voz _sei que jamais acreditará em mim. Um dia a verdade vai aparecer! Kagami não é mais a pessoa que conheceu, não duvido que a 15 anos atrás ele foi o melhor homem da face da Terra, mas o dinheiro e o tempo mudam as pessoas!!!

– Não vai me contar o que quero saber? _disse entre dentes fazendo um esforço descomunal para se controlar.

– ...já disse: não fiz nada.

Daiki desligou. Sabia, era perda de tempo! Atirou o aparelho sobre a mesa de madeira esperando que o mesmo se quebrasse. Daria um jeito de persuadir Taiga sem perder a paciência e ao mesmo tempo cuidaria de tudo ao redor prestando atenção nos mínimos detalhes para não deixar nada passar por si. Jamais imaginou que sofreria aquele tipo de ameaça com seus 30 e tantos anos. Esse era o preço de tentar ser feliz? Afinal o que era a felicidade mesmo?

A noite já estava começando quando os dedos habilidosos de Daiki descansaram sobre o teclado do notebook. Tinha se concentrado tanto no trabalho que mal vira a hora passar, depois de tanto sofrer na droga da sua vida, aprendeu a se deixar levar por outras coisas sem ser os próprios sentimentos. Olhou através da janela do escritório, conseguia ver uma arvore muito grande no jardim e algumas construções – nada com real importância. Se estivesse em casa... agora ele tomaria um banho, pediria pizza e veria um jogo qualquer na tv. Aquela casa era e não era sua ao mesmo tempo por isso descartou totalmente os planos; daria de cara seja com a Angel, seja com o Taiga.

Novamente o sentimento de solidão deu um salto em seu coração. Estar sozinho mesmo rodeado de pessoas...

– Bobagem _meneou a cabeça para os lados.

Se levantou para estalar os joelhos e costas, apesar de ser um escritório amplo estava repleto com as caixas da mudança (muitas coisas ainda estavam guardadas) sempre que olhava para elas sentia preguiça de revirar os objetos, eram apenas pequenas lembranças sem utilidade que qualquer pessoa junta ao longo da vida.

Ele não sabia como encarar Kagami, o ruivo estava com certeza sob pressão jamais iria julgá-lo, ainda assim ficar no escuro por um assunto extremamente importante era um passo para jogar tudo para o alto e perder a paciência. Andava sobre uma linha tênue pendendo entre a razão e o coração. Infelizmente naquele momento nem mesmo Momoi poderia ajudá-lo.

Batidas na porta fizeram sua garganta fechar.

– Entre.

E com uma paciência que nem ele mesmo sabia que podia existir a porta fora aberta lentamente.

– Vamos... jantar?

– Pode entrar não vou te morder _ainda em pé arriscou dar alguns passos, Taiga teve o impulso de ajudá-lo, mas parou ao ver que o moreno estava conseguindo _...vem, entre.

O ruivo obedeceu e por mais que Aomine pendesse a odiá-lo naquele momento, seu rosto de culpa e angústia amolecia totalmente seu coração. Taiga fechou a porta atrás de si e olhou ao redor, contou sem pressa quantas caixas estavam empilhadas na parede esquerda, bem como os livros na prateleira. O clima estranho entre eles não os abandonava, era difícil até mesmo respirar quando um estava na presença do outro.

– Pode ocupar um dos quartos para guardar suas coisas _comentou Taiga _a nossa suíte é grande, mas faltam estantes... ah, a Mione arruma prateleiras pra você.

E percebendo o quanto o assunto era ridículo, parou de tagarelar.

– Quando viaja para a França?

– ...daqui duas semanas _disse entre dentes amaldiçoando ter que sair numa situação dessas _o pessoal do clube planejou a tempos, eu não estava nem lembrando disso.

Fato. Até Daiki reaparecer em sua vida, seus compromissos eram todos avisados por sua governanta e não via o menor problema em atendê-los em cima da hora, afinal Taiga se tornou totalmente desocupado. Talvez ela tenha o avisado sobre a viajem meses atrás, raramente prestava atenção em datas.

– Foi mal ter que viajar assim de repente.

– Trabalho é trabalho _deu os ombros. Para um japonês, o trabalho era quase tão importante quanto sua família então ele entendia a situação sem criar caso.

– Vamos na terça-feira e sexta estaremos de volta! Vamos só visitar o centro de esportes e ter uma reunião com alguns representantes da comissão esportiva... essas coisas sem graça. Ano passado fomos para Londres! Com os alunos que se formaram. Eles ficam 2 anos comigo e depois se formam _explicou ao ver Daiki fazer uma expressão confusa _e então partem para outros times, meu trabalho é só fazer uma pré seleção mesmo. Sendo da geração dos milagres dois anos é mais do que o suficiente para mostrar que tem habilidades uh?

– Hn, sim. Treinando toda semana dá para se ter uma ideia com certeza _respondeu sem muita emoção, aquele assunto era ao mesmo tempo agradável e depressivo.

– Até agora nada comparado a nós, duvido que algum deles chegue a descobrir a zona ou algo perto disso... ah cara, como fomos nos reunir no Japão assim do nada? É muito destino! Quando comecei a trabalhar achei que seria bem fácil. O Midorima por exemplo, até hoje arremessa aquelas cestas impossíveis, conversei com ele a respeito quando o visitei. O mesmo segue com o Akashi e Murasakibara, tudo bem que eles pararam de jogar, mas... Daiki?

O moreno deu dois passos e parou, precisou se agachar evitando assim perder o equilíbrio. Taiga estava sendo totalmente insensível. Óbvio que todos pararam com o basquete, entretanto fora uma escolha ao contrario de si mesmo; quando aconteceu o maldito acidente ainda jogava! Inclusive estava negociando um aro novo para equipar a quadra minúscula no fundo de sua casa. Revoltado com sua própria vida de merda, escondeu o rosto entre os braços pedindo desculpas.

A imagem frágil que ele demonstrava naquele momento fez o coração do ruivo disparar e a pergunta que fizera para si mesmo no começo do ano agora tinha uma resposta clara: Aomine Daiki ainda não estava pronto para sair da sua zona de conforto. Isso infelizmente o trazia para outra clara decisão...

– Me desculpe, olha o que eu estou falando _se aproximou o abraçando como pode _primeiro eu te magoo e agora fico dizendo essas coisas que te machucam. Nunca consigo te consolar direito _o moreno negou com a cabeça _vamos mudar de assunto, ok? Vem jantar comigo, sabe o que fiz pra você?

– ...curry _respondeu a contra gosto se esforçando para deixar as coisas de lado.

– Exatamente! E vamos comer vendo um filme, deixo você escolher _tremeu só de pensar que Daiki escolheria o gênero terror pero puro prazer de vê-lo com medo.

– Hn _concordou ainda com o rosto escondido no peitoral do ruivo.

– Prometo que as coisas vão melhorar _disse por fim cedendo ao coração machucado.

O filme era “Renascida do Inferno”. Tudo bem, o clima entre eles estava ruim e mesmo com o curry e a ideia do aconchego na sala de cinema as coisas não melhoraram maravilhosamente, ainda assim, Taiga não pode deixar de sentir um medo absurdo pelas cenas macabras do longa e pular do sofá a cada susto que levava; seu prato agora jazia frio, esquecido, em uma das mãos e a outra apertava nervosamente a barra de sua própria camiseta. No ápice do filme não pode controlar o ofego e passou a respirar de forma pesada, acompanhando o personagem principal, suas pupilas estavam do tamanho de bolinhas de gude e não se decidia se olhava para a tela ou para qualquer ponto longe dela temendo o pior.

– Se acal-

– Ah!! _desviou da mão que vinha em sua direção sentindo o rosto esquentar, dessa vez não por vergonha, mas sim por aflição _ah é você, me desculpe _ainda tentando se recuperar, recostou no estofado macio tentando terminar o curry.

– Podemos mudar de filme _disse num tom amável não desistindo de afagar seus cabelos.

– Não! Agora preciso saber do final. Tenho esperança que essa coisa desapareça do mundo no final.

O moreno o fitou com carinho, puxou o edredom para cobrir ambos e se enroscou em sua cintura.

– Eu protejo você, ok?

– Uhum _ainda apreensivo tratou de dar a última garfada antes de voltar a segurar com força qualquer coisa que visse pela frente.

Quando Kagami finalmente respirou, no letreiro, percebeu que seu protetor ronronava agarrado a sua cintura, ainda que ele achasse que o filme seria de fato visto até o final tamanho a apreensão nas cenas mais pesadas, parece que Daiki não se animou muito. Olhou para os lados a procura do controle (e tinha ser rápido ou acabaria se deparando com “Poltergeist”) infelizmente não o encontrando.

– Hn... Daiki, preciso desligar a tv _tentou se livrar do aperto sem sucesso _por favor!

– Poltergeist eu quero ver _resmungou o moreno ainda sonolento _prometo que esse não vai ter assustar.

Ele sentiu o ruivo se contorcer e acabou rindo da cena.

– Só mais um, ok? Porque não pede para a Angel um pouco de pipoca e mais refrigerante?

– Teu cu que eu vou sozinho até a cozinha _reclamou já puxando a coberta para cima dos olhos, porém fora obrigado a se livrar dela em seguida ao ouvir as gargalhadas do moreno _você está de brincadeira, né? Aomine Otário Daiki!!

– N-não é que... uh, você não mudou nada _limpou as lágrimas que se formaram pequenas no canto dos olhos _continua o mesmo medroso... ou melhor, continua a mesma pessoa sincera... que alívio _completou em voz baixa.

– Como assim? Claro que continuo o mesmo, tem coisas que não se mudam tão facilmente em uma pessoa.

– ...estou com medo do que você está escondendo, mas acredito que seja sincero o bastante para me contar caso não encontre solução, certo?

A angústia no peito do ruivo aumentou e a vontade de contar tudo foi refreada no último momento. Ele apenas meneou a cabeça num gesto positivo evitando o assunto o máximo possível.

– Confio em você, por mais que isso esteja me matando... sei que só quer o melhor para nós dois.

– E-eu amo você. Amo você... não sei o motivo de ter esperado tanto tempo, me perdoe.

Com o coração acolhido, Daiki sorriu aceitando o abraço desajustado e o beijos necessitados que vieram a seguir.

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A semana da viajem para a França foi marcada com uma visita inesperada, na Segunda-Feira Mione anunciou, um pouco afoita e com as bochechas extremamente coradas, que Ryouta Kise os esperavam na sala de estar. O loiro não os encontrava a tempos e quando viu seus dois melhores amigos no mesmo lugar não perdeu a oportunidade de encontrá-los.

– Yoho, Aominecchi e Kagamicchi _o jeito infantil de chamá-los deixou Mione constrangida pelos amigos. Para ela, Kise era um supermodelo famoso, educado e fino – aparências enganam as vezes.

– Como você está? _Daiki fora o primeiro a cumprimentá-lo chegando a se levantar por um breve momento _faz tempo!

– Sim, estou bem! Fazendo um trabalho aqui pertinho. Ah, trouxe presentes da França, espero que gostem de tarte citron e choux, voilá! Bon appétit _disse num sotaque perfeito.

Merci _agradeceu recebendo a caixa em mãos _chá?

– Parece bom!

Kagami ficou observando ambos como se não estivesse ali, Kise ria e empurrava a cadeira de Aomine até a cozinha enquanto o mesmo tagarelava sem parar sobre qualquer coisa que não estava interessado. Era costume do loiro sempre tratá-lo daquela maneira, mesmo quando encontravam todos para jogar basquete ainda no colegial, eles se davam bem e por mais resmungão que Daiki fosse – e folgado – acabava passando o dia a mercê das brincadeiras. A nostalgia fora terrível uma vez que ela trouxe o ciúme a tona, o motivo por nunca gostar de Kise como os outros da geração dos milagres era justamente aquele entrosamento entre os dois; além dele ser intrometido, exagerado e usar calças dobradas até a panturrilha (sim, ele achava horrível).

– Angel, chá para combinar com doces franceses, por favor _Daiki pediu num tom animado para a senhorinha.

– Senhor Kise, seja bem vindo. Hoje a casa está cheia de meninos lindos.

My Angel _sorriu beijando sua mão e carimbando de vez sua imagem de príncipe encantado.

O recém chegado acabou virando atração e logo a maioria dos empregados passavam discretamente pela sala apenas para ter o vislumbre do homem eleito um dos mais bonitos, pelo menos do Japão, conhecido também pela sua simpatia, Kise ganhou o coração de muitos e acenava sempre que via os rostinhos corados de suas fãs. Aomine não era afetado por sua aparência, ele se dedicava em contar longas histórias sobre o passado e principalmente a ouvir as boas novas – que incluíam passagens vergonhosas com Seijuro Akashi e sua dupla personalidade. Taiga acabou ficando de escanteio apenas remoendo o ciúme bobo e sem fundamento; costumava ver o loiro nas festas ou em casa mesmo, porém nada que incluísse roubar totalmente a atenção de seu amado.

Kagami saiu de cena para atender o celular e se escondeu na cozinha, quase no colo de Mione.

– Kagami-san? _ela o chamou puxando sua camisa para o lado na tentativa de tirá-lo de cima de si.

– O que eu faço com esse loiro maldito _resmungou _Mione, preciso que arrume minhas malas, viajo amanhã com os meninos para a França.

– Já estão prontas e serão despachadas antes de você _respondeu calmamente o empurrando mais uma vez _ ...o que foi?

– N-não é nada, eu só... eu... não vou suportar vê-lo com outra pessoa.

Mione resolveu não se intrometer, apenas afagou suas costas imaginando o motivo de Kagami Taiga estar tão desanimado. O ruivo sentiu o coração apertar mais um pouquinho, Kise não era o motivo de ele estar assim, claro, apenas não queria admitir que perderia Aomine em breve e que todo aquele clima de descontração vivaria um silencio fúnebre cheio de densas lágrimas.

Aquela viajem seria enfim o momento decisivo para resolver aquele problema. Os pais acompanhariam os filhos e então daria tudo de si para Carry desistir daquela loucura.

>>>

Notas finais
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