Mel Williams & A Guerra entre o Olimpo

2 Primeiro dia como semideusa


Notas iniciais
Minha amiga me ajudou a escrever esse, espero que gostem!

Acordei com uma forte dor de cabeça. Sentei-me. Eu estava em uma cama com lençóis brancos de algodão e vestia algo que parecia um pijama. O local onde eu estava era totalmente desconhecido. Uma sala com paredes brancas e várias camas, uma do lado da outra.

Comecei a ter flash backs do meu sonho, um terrível e estranho sonho. Nele a Srta. Clarke era um Górgona que tentava matar a mim e Meg por sermos filhas de Deuses Gregos e Jonathan era um sátiro, meio bode e meio humano, que tentava nos ajudar levando-nos a um tal de acampamento meio-sangue que era protegido por uma barreira mágica contra monstros.

– Que bom que você acordou, bem na hora da fogueira – uma voz por trás de mim disse, e reconheci sendo Jonathan.

– Onde eu estou? – perguntei.

– Acampamento Meio-Sangue, lar dos semideuses – me respondeu sorridente.

– Então o meu sonho...

– Isso aí, foi tudo real – disse – você vem ou não?

– Claro – eu disse enquanto me levantava.

– Se eu fosse você trocava de roupa primeiro – Jonathan apontou para uma camisa laranja e a minha calça jeans – estou te esperando ali fora.

Vesti a blusa laranja, nela estava escrito “Acampamento Meio-sangue” e com o desenho de um centauro em baixo, depois a minha calça jeans e meus all stars pretos de cano alto.

Jonathan estava na porta me esperando e sem as calças, mostrando as pernas de pode com o pelo castanho escuro. Comecei a segui-lo, tentando não prestar atenção em seu traseiro peludo. Passamos por umas casas grandes e diferentes uma das outras, Jonathan as chamou de Chalés, pelo o que eu entendi cada Deus Olimpiano tem um chalé para seus filhos.

Chegamos à fogueira, havia vários adolescentes conversando sentados uns ao lado dos outros, todos vestidos com a mesma camiseta laranja. Um grupo de garotas meio patricinhas demais pro meu gosto começou a rir de modo esganiçado, olhando pra mim com desdém, o que me deixou um pouco desconfortável.

– Filhas de Afrodite – Jonathan explicou – não ligue pra elas.

Me sentei em um dos cantos ao lado de Meg, pelo menos não ficaria sozinha, já que Jonathan sentou-se com os sátiros do outro lado da fogueira.

Um casco de cavalo bateu no chão, fazendo um barulho estridente. Todos se calaram.

– Eu sou Quíron – disse um homem sentado em um cavalo, não espera, ele era o cavalo e o homem ao mesmo tempo? – sou o diretor de atividades do acampamento, e para aqueles que não sabem, sou um centauro.

– E um pônei de festa – um garoto gritou da plateia fazendo todos rir.

– É, isso também – respondeu com um meio sorriso – Bom, temos duas semideusas novas no acampamento.

As filhas de Afrodite voltaram a rir, cada vez mais alto, qual é o problema com elas?

– Podem se levantar, por favor meninas – Quíron disse com um olhar de encorajamento para nós duas – Meg Cox e Melissa Williams, elas ainda não têm um chalé definido, então...

Uma luz forte brilhou, estava vindo de cima da cabeça de Meg, o que parecia ser um desenho de trigo surgiu de dentro do brilho. Ela parecia tão surpresa e apavorada quanto eu.

– Bom, vejo que o Chalé 4 ganhou uma nova irmã – disse o pônei de festa com alegria – Parabéns filha de Deméter.

Pessoas gritaram e aplaudiram de felicidade. Ela foi andando e se juntou ao grupo de... Deméter? É esse o nome? Bom, pelo menos ela foi... Como se diz mesmo? Reclamada.

– Como de costume, o semideus ainda não reclamado fica no Chalé 11.

Me sentei novamente meio decepcionada, pensei que seria reclamada, mas não.

– Para a captura da bandeira de amanhã, os chalés já decidiram as duas equipes? – perguntou o homem cavalo.

Um menino com mais ou menos a minha idade se levantou, ele tinha cabelo loiro, pele clara e olhos azuis, muito azuis. Ele era lindo.

– Sim, Jake?

– Na primeira equipe será o chalé de Apolo, Deméter, Poseidon, Atena, Afrodite, Hefesto, Hécate, Iris, Dionísio, Hebe e Tique. No segundo será Hermes, Ares, Hipnos.
Quando Jake disse Hipnos todos começaram a rir, até mesmo Meg. Acho que só eu não entendi a piada.

– Tudo bem, agora podem se servir – Quíron disse para todos nós.

Os grupos se levantaram e foram para as mesas, eu fiz os mesmo. Havia comidas de todos os tipos, cores e sabor. Tudo parecia delicioso.

Quando fui colocar um pedaço de bolo na boca Jonathan me repreendeu.

– Não é pra comer, é pra jogar na fogueira.

– Por que eu iria querer queimar a minha comida? – perguntei.

– Por que o cheiro agrada os Deuses, e você quer agradar os Deuses, por que se não agradar, aparecerá vacas, ratos, erva daninha entre outras coisas no seu chalé.

Aquilo era realmente ridículo, os Deuses estavam muito longe, seria impossível sentir o cheiro. Mas como eu não queria atrair problemas já no primeiro dia, eu joguei a MINHA comida na fogueira.

Tenho que concordar com os Deuses, o cheiro é maravilhoso.

A fogueira estava já no final, Quíron disse que teríamos uma hora até o toque de recolher. Então todos foram para os seus chalés.

Um garoto alto se aproximou de mim.

– E aí? Eu sou Travis Stoll filho de Hermes, vou te mostrar o chalé 11.

– Tudo bem – eu disse sorrindo.

Seguimos para onde ficavam os doze chalés, separados dos outros oito. Durante o caminho ele falava sobre a ultima batalha que tiveram em NY, e de como ele e o irmão assaltaram uma loja no caminho e onde aconteceu a primeira grande profecia, mesmo eu não sabendo o que significa isso.

– Pronto, chegamos – ele disse apontando para um chalé velho, com a pintura descascando e um caduceu acima da porta.

Por dentro parecia só mais um chalé de algum acampamento de verão normal, tirando as armas penduradas nas paredes, o que me fez estremecer.

– Você pode ficar ali — Travis apontou para colchonete com estampa do exercito que estava em uma das pontas – só guarde bem as suas coisas, os filhos de Hermes são famosos por furtos – me avisou com um sorriso travesso e uma piscadela.

Achei que ele estava brincando, mas não. Pelo menos eu tenho poucas coisas pra cuidar, o que me lembra que eu tenho que falar com a Meg, ela ficou com a nossa mala.

– Hmm, eu vou ir visitar a minha amiga.

– Tudo bem, mas volte antes do toque de recolher – disse enquanto tirava uma lanterna da gaveta – pegue, você vai precisar.

– Tudo bem, obrigada – eu disse pegando-a.

Escureceu rápido, há pouco tempo atrás estava mais claro, e agora era difícil enxergar algo, mesmo com a lanterna. Dirigi-me para o chalé 4, onde Meg estava com os outros filhos de Deméter.

O chalé era feito de um mármore escuro e amarronzado, como o tronco de uma árvore, possuía tomateiros nas paredes e uma cobertura feita de grama de verdade. Havia várias árvores diferentes em volta do chalé, e alguns de seus galhos entravam pelas janelas que estavam abertas.

Subi os degraus e bati na porta três vezes seguidas. Uma menina com cabelos negros e olhos castanhos abriu a porta, devia ter 15 anos e estava usando um vestido verde claro.

– Oi, posso te ajudar? – perguntou a garota.

– Eu sou Melissa, posso falar com a Meg? – perguntei meio envergonhada.

– Claro, entre – respondeu – meu nome é Clare, sou a conselheira do chalé 4.

O chalé por dentro era branco, com desenhos de árvores estampados na parede, havia várias camas uma do lado da outra, intercalando com pequenos armários de madeira. Meg estava sentada em uma das camas do canto, conversando com uma menina.

Assim que ela me viu, pulou da cama e veio ao meu encontro.

– Que bom que você veio – ela disse – pessoal, essa é a minha amiga Mel.

– Oi Mel – disse uma menina morena com cabelos cacheados, ela parecia ter uns 10 anos.

– Oi – eu disse sorrindo e me curvando um pouco.

– Você veio pegar as suas coisas né? – perguntou Meg.

– Também, mas eu queria saber como você estava, ta se adaptando?

– Sim, eles são muito legais, e são bem parecidos comigo. — podia ver como ela estava gostando de se encaixar aqui.

Olhei em volta. Podia ver meninas e meninos, baixos e altos, loiros, morenos, ruivos, nenhum tinha sequer algo em comum.

– Claro que sim – eu disse.

– Aqui está a mala – ela disse enquanto me entregava.

– Ok. – um sinal tocou alto ecoando dentro do chalé – o que foi isso?

– Toque de recolher – disse a conselheira – são dois toques, o primeiro é o de aviso.

– Acho melhor eu ir – eu disse.

– Ta, te vejo amanhã cedo no refeitório – disse Meg se despedindo.

Saí do chalé 4 e me dirigi ao 11.

Quando entrei, havia várias crianças pulando em suas camas, jogando as coisas para o alto e gritando “olha só o que eu roubei do chalé de Hefesto” ou “eu troquei o creme dental por creme de barbear no chalé de Afrodite” bom, esse ultimo até me fez rir.

Fui para o meu canto, me deitei e fechei os meus olhos tentando dormir, mas era impossível com esse barulho todo, e eu tinha acabado de acordar.

Já passava das 3h da manhã, eu estava lendo o livro de Meg sobre a mitologia Grega pra ver se eu conseguia entender alguma coisa. Ouvi um barulho e me assustei.

Uma criança se levantou e foi até uma das camas com uma lanterna, começou a passar maquiagem no rosto de um dos meninos, acho que era o de Travis. Espero que não seja a prova de água.

A noite passou devagar, eu já tinha terminado de ler o livro e não tinha mais nada pra fazer, até que começou a amanhecer. Ouvi uma corneta estridente tocar. Todos levantaram assustados.

– Por que Quíron gosta de acordar cedo? – perguntou um dos meninos – o que ele tem contra a palavra “dormir”?

– Cala a boca e não reclama – respondeu uma menina.

Travis levantou com cara de sono e todo maquiado. Todos começaram a rir.

– O que foi? – perguntou ele

– Acho que o nosso pai reclamou você errado, tem certeza que não é filho de Afrodite? – perguntou um menino quase idêntico ao Travis.

– Cala boca Connor – disse Travis enquanto se levantava e ia até o espelho – QUEM.FOI.O.PESTE.QUE.FEZ.ISSO? TE DOU TRÊS SEGUNDOS PRA CORRER!

Um dos meninos se levantou e correu pela porta, provavelmente o que tinha feito isso com Travis. Em seguida ele pegou sua espada e saiu correndo atrás dele e gritando “Quando eu te pegar você vai estar morto!”.

Era divertido estar no chalé de Hermes, bem divertido.

O resto das crianças se levantaram e começaram a se trocar pra ir para o refeitório, como se nada tivesse acontecido, então eu fiz o mesmo.

Quando passei pela porta, Meg estava me esperando do lado de fora.

– Oi, o que faz aqui tão cedo? Caiu da cama é?

– Muito engraçado – ela disse fazendo uma careta – eu vim quando eu vi um menino correndo atrás do outro com uma espada saindo daqui, os filhos de Deméter ficaram curiosos.

– Então eles pediram pra você descobrir?

– Basicamente.

– Eu te conto depois.

Fomos para o refeitório. Havia várias mesas, tinha uma bandeira com um símbolo engraçado em cima delas.

Me sentei junto com os filhos de Hermes e Meg com os de Deméter. Novamente tivemos que queimar a nossa comida.

– Estejam prontos para a captura da bandeira que vai ser antes do almoço – disse o homem cavalo, mas agora ele estava com a bunda enfiada em uma cadeira de rodas.

– O que é captura da bandeira? – perguntei baixinho para Travis, que estava do meu lado no momento.

– É um jogo, você luta e captura a bandeira do outro time enquanto tenta proteger a sua, é fácil.

– Lutar com o que? – perguntei – com as mãos?

– Não, com armas, faca, espada, arco e flecha.

– E se eu acertar alguém?

– Esse é o objetivo.

– E se alguém morrer? – perguntei indignada.

– Não se preocupa, isso quase nunca acontece – ele disse com uma tranquilidade na voz que me fez ficar com medo – depois vamos escolher uma arma pra você.

Depois do café da manhã Travis me levou até uma “casinha” onde eles guardavam as armas.

– Pode escolher – ele disse

– Acho que prefiro uma espada – eu disse

– Hm, deixa eu ver – ele disse enquanto procurava algo – que tal essa?

– Muito leve – eu disse

– Então essa?

– Muito pequena.

– E essa?

– Muito pesada.

– Só temos essas, você tem que escolher.

Eu provavelmente escolhi a espada errada, com certeza errada. Estávamos começando a captura da bandeira. Clarisse, conselheira do chalé de Ares, me disse pra avançar pela esquerda junto com outras crianças de Hermes. Eu tinha quase certeza absoluta que eu era a isca, por que depois de um tempo as outras crianças de Hermes sumiram.

Eu estava subindo uma das colinas, até que vi um menino com um arco e flecha atirando na direção de Clarisse e de Travis, então eu fui atrás deles, “tentando” erguer minha espada de bronze celestial, que mais parecia de chumbo.

Pisei em uma folha seca que estalou, logo o menino soube que alguém se aproximava e se virou. Era Jake. Ele apontou o arco para mim, mas eu estava perto de mais. Levantei minha espada e tentei acertá-lo, mas ela era muito pesada. Ele desembainhou sua faca e me atacou, desviei, nem sei como consegui fazer isso. A espada me desequilibrou e eu caí em cima dele, saímos rolando para baixo da colina, mas não fomos para o lado da batalha, fomos para o lado que era proibido atravessar.
Até que paramos de rolar. Bati a cabeça em uma das pedras, e começou a latejar. É normal eu estar vendo tudo torto?

– Você ta bem? – me olhou meio preocupado.

– Acho que sim – eu disse, mas obviamente eu não estava.

Coloquei minha mão na cabeça e senti algo molhado, era sangue.

– Ah santo Apolo – Jake disse – tenho que te tirar daqui, mas não vai dar muito certo se tentarmos atravessar a batalha.

– Não dá pra contornar? – eu perguntei.

– Dá, mas ia demorar muito.

– Se é o único jeito, vamos ir – me sentei um pouco zonza.

– Consegue levantar?

– Eu tenho duas pernas, não tenho?

Tentei me levantar e logo cai, Jake me segurou. Eu tinha torcido o tornozelo e nem tinha percebido.

– Você tem duas pernas, mas acho que um dos seus pés não está muito bom – ele disse rindo – vem, eu te carrego.

– Não, não e não. Eu ainda tenho uma perna boa e posso ir pulando.

– Assim vai demorar o dobro do tempo.

– Você é sempre chato assim ou só quando ta no meio de uma batalha? – provoquei.

– Só quando estou perto de garotas bonitas – corei e fingi que não ouvi.
– Ok, tudo bem, pode me carregar, mas não pense que vou ficar devendo o favor – o olhei séria.
– Não vou pensar – ele disse enquanto me levantava
Andamos por dentro da floresta tentando dar a volta, mas parecia que estávamos passando pelo mesmo caminho todas às vezes.
– Admita que ta perdido.
– Não estou perdido.
– Quer dizer que está – debochei – se você quer sair daqui, admita que está perdido
– Mas não estou.- quanta teimosia.
– É claro que estamos, já passamos por aqui três vezes.
– Na verdade foram quatro.
– Quer dizer que você se perdeu de propósito?
– Eu não disse isso – ele disse tentando corrigir o erro – vamos continuar.
Provavelmente ficamos procurando a saída por umas duas horas. Quando conseguimos sair da floresta a captura da bandeira já tinha acabado.
– Por onde vocês andavam? – perguntou Meg, quando ela reparou que eu estava no colo de Jake ela já mudou – ata, entendi
– Não é o que você está pensando – eu disse – eu torci o pé e o Jake só estava me ajudando
– Aham, sei.- ela tinha mesmo que ficar insinuando??
Meg nos acompanhou até a enfermaria, depois que Jake me deu um cantil de néctar foi embora nos deixando sozinhas.
– Sabia que Apolo pode curar as pessoas?
– E daí?
– Jake é filho de Apolo, dã. Se ele quisesse podia ter te curado lá.
– Vai ver ele não tem o poder de fazer isso.
– Ele é o conselheiro chefe do Chalé 7, é lógico que ele pode curar.
– Para de ficar inventando isso Meg.
– Ta bom, se você não quer acreditar na realidade...
– Que realidade? Eu nem sei mais o que é possível e o que é impossível, olha pra gente, até dois dias atrás éramos só duas garotas problemáticas abandonadas pelos pais, agora repara aonde a gente veio parar.
– Bom, mais um motivo pra você acreditar que...
– Não se atreva a terminar a frase – eu disse dando mais um gole de néctar, que no meu caso tinha gosto de doce de leite com coca-cola – então, quem ganhou a captura da bandeira? – mudei de assunto.
– A minha equipe – ela disse sorridente
Mais a tarde nós teríamos que treinar, eu principalmente. Minhas aulas de espada seriam com Travis, depois teríamos canoagem e aulas de história grega.
É, parece que é essa minha nova rotina e vou ter que me acostumar com ela.

Notas finais
Querem isentivo pra comentar?? Então olhe os gifshttp://data.whicdn.com/images/57413094/tumblr_mklcgvgSEY1rozr97o2_r2_500_large.gifhttp://data.whicdn.com/images/57413042/tumblr_mklcgvgSEY1rozr97o1_r1_500_large.gifhttp://data.whicdn.com/images/56396789/tumblr_lyrja9bxfr1r0v2k2o1_r1_500_large.gifhttp://data.whicdn.com/images/48412300/tumblr_lmfpac3A3H1qd2ctco1_500_large.gifhttp://data.whicdn.com/images/51437720/tumblr_m0zmid1DeK1qb74s3o1_500_large.gifhttp://data.whicdn.com/images/35343794/tumblr_m8zgdc4kiI1qj7lb4o1_500_large.gif