Meio-sangues
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Não demorei, né?
Como prometido, um capitulo com algumas revelações e coisas importantes para o desenrolar da história.
Avisando adiantado: essa semana tem feira multidisciplinar na minha escola, portanto vou ficar sem tempo pra escrever. Só posto mais no fim de semana.
Obrigada aos 6 lindos que favoritaram a Fic ^^ !!!
POV PERCY
O que ele estava pensando? Dando em cima da minha namorada de novo? Esse cara não tem amor à vida? Eu não me aguentei, tive que sair da lanchonete, se eu ficasse lá teria partido pra cima dele. A minha vontade era bater tanto nele que só o pai dele poderia cura-lo. Eu estava com tanta raiva que não percebi um detalhe importante: eu não estava com a chave do carro. Enquanto Annabeth não saísse da lanchonete eu ficaria ali, sem nada para fazer, num posto de gasolina no meio da estrada. Pensei que talvez ela viesse atrás de mim, mas eu estava enganado, pois ela continuou lá dentro com Thomas. Resolvi ir até a frente do posto e quem sabe ficar conversando com um frentista. Me aproximei e percebi um caminhão encostando. Do caminhão pulou uma garota que aparentava ter 15 anos. Era mais baixa que eu, tinha as pontas do cabelo pintadas de loiro, usava uma blusa preta escrita The Beatles em prata. Estava de jeans escuro, e um All Star preto, meio surrado. Ela estava com uma cara de poucos amigos. Bateu com força a porta do caminhão, enquanto ela descia irritada, o motorista colocou a cabeça na janela e gritou:
-De nada pela carona moça! – e deu uma risada rouca. Ela nem seu deu ao trabalho de olhar para ele. Veio em minha direção e perguntou:
-Onde tem um telefone?
-Ei! Eu não trabalho aqui. – fiz uma cara de indignado e ela bufou.
-Oras! E o que um cara tá fazendo na frente de um posto de gasolina no meio do nada, sozinho? Pensei que você trabalhasse aqui.
-Tudo bem. Eu to esperando uns amigos que estão na lanchonete. E não vi ninguém aqui além dos funcionários da lanchonete, você devia bater lá dentro e perguntar pelo telefone.
-Não, não. Não confio nessas pessoas. Você poderia ser um desconhecido muito legal e me emprestar seu celular – ela disse estendendo a mão.
-Eu não tenho celular- respondi e ela fez uma cara debochada.
-Como assim não tem celular? Que tipo de pessoa em pleno século XXI não tem celular?
-Eu.
Ela não pareceu acreditar e pela sua expressão ela estava ficando muito irritada. Por um momento ela me lembrou a Thalia, toda nervosinha.
-Olha aqui garoto, se você não quer me emprestar seu celular tudo bem. Mas, ficar de mentirinha não tá com nada.
-Não estou mentindo! To falando sério. Não tenho celular.
-E seus amigos não tem um para me emprestar?
-Não. Eles também não tem celular.
A cara que menina fez era muito engraçada. Pura incredulidade.
-Tudo bem. E eu posso saber por que vocês não tem celular?
-Porque é muito perigoso. Atrai monstros – eu sei, eu sei o que vocês estão pensando. Como assim falando sobre monstros com uma mortal? A questão é que estava muito engraçado conversar com ela. Ela estava tipo, muito desesperada por um telefone, e eu estava falando a verdade, mas ela não acreditava. Então resolvi pagar uma de louco com ela, e falar sobre monstros.
-Monstros? – ela engoliu em seco. Agora a expressão dela não era mais de confusão. Ela estava seria e preocupada.
-O que você sabe sobre monstros? – eu perguntei agora preocupado.
-Jura que não me chama de louca? – ela perguntou na defensiva e eu assenti. – Eu... Eu... Eu vejo coisas estranhas. Monstros pra ser mais exata. Eles me perseguem.
-E você sabe por que eles te perseguem? – eu perguntei com cautela. Talvez ela fosse como Rachel e tivesse clarividência.
-Sim. Eu sou diferente. Eu sou uma... uma... droga! Como é o nome mesmo?
-Semideusa? – arrisquei.
-Isso. Ei! Como você sabe? Você também é um semideus?
Eu suspirei. Não era possível. Uma meio sangue, ali no meio do nada, e adivinha quem é o sortudo que encontra ela? Eu. O grande Cabeça de Alga.
-Sim. Eu sou Percy, Filho de Poseidon. E você é?
-Mariana, filha da minha mãe, e de... Bom, eu não sei quem é meu pai.
-O que você está fazendo aqui Mariana?
-Eu morava em São Francisco, mas, tem oito meses, me mudei para NY com minha mãe. Desde sempre eu via monstros, e coisas estranhas, mas minha mãe sempre disse que era minha imaginação. Só que, eu tenho 14 anos. Não tenho amigos imaginários. Comecei a perceber que era algo estranho comigo. Aí minha mãe resolveu que era melhor nos mudarmos para NY, ela disse que faria bem pra mim, que talvez os monstros sumissem.
-E sumiram?
-Não. Mas eles não apareciam mais com frequência. Eu ainda os via, mas não sempre. Só que de um tempo pra cá minha mãe ficou estranha. Disse-me que já estava na hora do meu pai tomar uma iniciativa e vir me buscar. Têm duas semanas, numa noite, ela me contou muitas coisas. Contou-me que eu era semideusa, e por isso via monstros. Ela também disse que eu precisava ir para um Acampamento, onde os semideuses ficam. Só um detalhe: ela não me contou quem era meu pai. Na manhã seguinte ela simplesmente sumiu. Não deixou bilhete, nem recado. Não faço ideia de para onde ela foi. Há três dias, eu sonhei com uma garota. E ela me dizia no sonho pra eu ir para Ohio. Disse que lá eu encontraria ajuda. Então peguei um dinheiro e saí pedindo carona até chegar aqui. E bom, achei você.
-Como era a garota que você sonhou?
-Ruiva, com sardas, olhos verdes.
-Rachel. Ela é minha amiga. – depois de me explicar sua história, escutei vozes e risos. Olhei para o lado e vi Thomas e Annabeth, sorrindo. Quando Annabeth bateu os olhos em Mariana disse:
-Você.
Mariana fez uma cara de medo e me olhou em busca de socorro.
Annabeth se aproximou seus olhos cinza tempestuosos, parou ao meu lado, de frente para a meio- sangue assustada. Os olhos cinza correram pela garota, por longos segundos. Eu conhecia essa expressão, Annabeth estava a analisando. Descobrindo qual seria a melhor maneira de derruba-la em uma luta.
-É...Oi – disse Mariana.
Annabeth se virou para mim com as mãos na cintura. Ficou me analisando por um tempo até que disse:
-Como a encontrou? – Pelo seu tom, ela queria uma resposta rápida. Eu não entendia isso, ela sempre tinha que ter razão? Eu saí da lanchonete porque estava irritado com ela. Porque ela tinha que vir com esse tom comigo? Eu comecei a encara-la, em vez de dar a resposta.
-Percy. Como a encontrou? – Annabeth insistiu num tom mais agressivo. Ela achava que um olhar intimidador me faria obedecê-la? Bom, eu sempre a obedecia. Mas isso acabou. Eu era Percy Jackson, não era uma simples garota (pela qual eu era apaixonado) que mandaria em mim.
-Pergunte a ela, já que você está tão interessada – eu disse, não desviando os olhos dela.
Ela fez uma cara de confusa, mas se virou para Mariana.
-Oi. Eu sou Annabeth, Filha de Atena, e eu, bem, eu sonhei com você.
-Oi Annabeth. Eu sou Mariana. Sonhou? Eu também meio que sonhei com vocês.
Mariana contou toda sua história para Annabeth e pro Filho de Apolo. Depois de alguns minutos, Annabeth assentiu.
-Certo. Então Mariana, nós estamos em uma missão para resgatar uma amiga nossa, e tentar resolver o problema da névoa. Ainda não sabemos a ligação das duas coisas, mas vamos nos concentrar em salvar Reyna primeiro. Você está com fome?
-Sim.
-Ok. Vá até a lanchonete, coma alguma coisa. Thomas vá com ela. Esperaremos você no carro.
Mariana assentiu e foi em direção à lanchonete. Annabeth se virou para mim e perguntou:
-Posso saber o motivo da resposta grosseira que você me deu?
Eu não acreditava que ela estava realmente me perguntando isso.
-E você pode me explicar o motivo daquela ceninha ridícula na lanchonete?- Ela suspirou e por incrível que pareça, abaixou o tom e me respondeu.
-Foi apenas uma musica empolgante. Foi engraçado e divertido. Apenas isso. Satisfeito? Você não precisava ter feito um cena e ter nos deixado lá.
-Cena? Eu não fiz cena nenhuma! – Bom, talvez eu tivesse feito, mas não iria dar razão a ela.
Ela me lançou um olhar de repreensão, como se não acreditasse que eu tivesse falado isso. Virou-se de costas para mim e entrou no carro. Eu pensei em ir sentado no banco de trás, mas eu não iria dar uma chance para aquele babaca do Thomas ficar perto dela, de novo. Entrei no carro e bati a porta do carona com força. Nem eu nem Annabeth falamos nada por uns 10 minutos. Até que avistamos Thomas e Mariana vindo em direção ao carro. Eles meio que conversavam. Entraram no banco traseiro e Annabeth perguntou:
-Tudo certo?
-Tudo sim – respondeu o babaca.
-Thomas não soube me explicar direito. Annabeth, até onde vamos?
-Segundo o oráculo, vamos até Vail, Colorado. Temos mais algumas boas horas de viagem ainda. — Annabeth ligou o carro, e já estávamos na rodovia. Mariana continuou fazendo perguntas.
-Onde vamos parar? Digo, vamos parar para descansar, não é?
-Sim. Pretendo dirigir até chegarmos a Ohio. Temos mais 6 horas de viagem pela frente, até lá. Passamos a noite em um hotel, e depois seguimos em frente. Se fossemos direto até o Colorado seriam 31 horas de viagem aproximadamente. Dentro de 2 dias pretendemos estar em Vail.
-E o que aconteceu com sua amiga?
-Ela foi sequestrada, e a única coisa que sabemos é que ela está em Vail.
Annabeth continuou a responder as perguntas de Mariana. Contou a ela sobre o Acampamento Meio- Sangue, sobre nosso centauro favorito, Quíron. Falou sobre o Sr. D, sobre o caça a bandeira, sobre as refeições em mesas separadas de acordo com seu pai/mãe divino, e nessa conversa, elas tentavam descobrir quem seria o pai de Mariana. Quando falaram sobre a fogueira e a nossa cantoria de sempre, Thomas entrou na conversa. Então começaram a falar sobre música, até que entraram no assunto rock, e bem, Annabeth não curte muito. Ela se calou e se concentrou na estrada, enquanto ouvíamos Mariana e o Sr. Babaca falarem de musicas, e até cantarem uns trechos. E assim as horas foram se passando, Annabeth e eu em silencio, e Mariana e o Sr. Babaca conversando.
Percebi o sol se pondo, e a noite chegando aos pouquinhos. Estava cansado, qando pensei em tirar um cochilo, Annabeth quebrou o silencio que tinha se instalado no carro:
-Finalmente chegamos a Columbus. Não aguentava mais dirigir.
-Onde vamos ficar? – Mariana perguntou.
-Não sei, vamos até o centro da cidade e encontraremos um hotel.
-Não tão bom quanto o Du Vernant, mas dando para dormir e tendo comida, tá ótimo. – dessa vez foi o Sr. Babaca que falou, e ele conseguiu arrancar uma risada da Annabeth.
Vagamos pelo centro, até que Annabeth entrou em estacionamento de hotel, e disse que ficaríamos ali. Descemos com nossas mochilas, e fomos até a recepção. Eu falei com a gerente e ela providenciou dois quartos. Parte ruim: um quarto para os meninos e um para as meninas. Droga, tudo bem que eu estava irritado com a Annabeth, mas era melhor dormir com ela no mesmo quarto do que com o Sr. Babaca. Quando Annabeth viu minha expressão com a linda noticia, segurou o riso. Ela se aproximou de mim, e falou baixou o suficiente só para que eu escutasse:
-Sabe, se você quiser, eu posso trocar com você. Eu divido o quarto com Thomas.
O que ela estava dizendo? Não acredito nisso. Eu prefiro dormir no mesmo quarto que ele do que deixar os dois sozinhos. Se quando eu estava junto, o cara de pau já dava em cima dela, imaginem eles sozinhos em um quarto. No mínimo o sem vergonha ia tentar agarrar ela. Olhei seriamente para ela e respondi:
-Não. Tá tudo bem. Mas, já vou avisando, se por um acaso ele cair da janela, a culpa é dele. – ela me olhou com uma cara de susto e eu apenas sorri.
Fomos em direção ao elevador e entramos no corredor dos nossos quartos. O meu era o 77 e o da frente 79 era o das meninas. Demos boa noite, e por mais que a vontade de dar um beijo em Annabeth fosse grande, não eu não fiz isso.
POV MARIANA
Entrei no quarto com a Annabeth, enquanto ela ia tomar um banho eu me sentei na cama e fiquei sorrindo sozinha. Não acreditava que em tão pouco tempo minha vida mudasse tanto. Eu sempre soube que era diferente, mas uma semideusa? Nunca tinha imaginado. Quando Annabeth saiu do banho eu fui tomar o meu. Quando voltei ela estava sentada em uma das camas e já estava praticamente pronta para dormir. Eu sorri para ela e perguntei uma coisa que estava me deixando curiosa:
-Annabeth, aquele garoto Percy, é seu amigo?
-Sim, meu melhor amigo e namorado na verdade. Por que?
-Achei ele tão calado. Pensei que estivesse, tipo sem nenhum amigo pra conversar.
-Ah, é que nós estamos meio que nos desentendo. Mas, é coisa normal de casal.
-Ah, sim. Claro. Meninos.
-Ele não te falou que era meu namorado?
-Na verdade não. Ele se apresentou e disse que estava com alguns amigos. Mas falou num tom vago. Por isso perguntei, achei que assim como eu, ele estivesse se sentindo deslocado.
-Ah – ela respondeu com uma expressão entristecida- Você está se sentindo deslocada?
-Não mais. Nas primeiras horas, estava um pouco. Mas depois conversando com Thomas e você eu me senti melhor. Vocês estão me ajudando muito. Estão sendo muito legais. Não vou me esquecer disso. Só estou preocupada com minha mãe.
-Calma Mariana. Vamos descobrir o que aconteceu com ela.
-Ok. Pode me chamar de Mari.
-E você pode me chamar de Annie – ela sorriu, mas pude perceber que depois do que comentei sobre Percy não ter me dito que estava com a namorada ela ficou triste. – Estou cansada Mari. Boa noite.
-Boa noite Annie.
Deitei-me na outra cama e logo apaguei. Porém, tive sonhos. Eu não via nada com clareza. Era um nevoeiro completo, mas pude distinguir que eu estava em uma floresta. Eu não saía do lugar, até que uma mulher, com a pele muito branca, quase translucida apareceu. Ela tinha cabelos muito compridos, pretos. Usava um vestido longo, de uma espécie de renda, também preto. Ela flutuava e não podia ver seus pés. Ela me olhou e sorriu:
-Filha de Zeus. Que bom ter se juntado a nós. Sua mãe fez uma escolha sábia te deixando.
-Quem é você? – eu perguntei.
-Eu vôo pela Noite e encanto os céus
Tudo absolutamente tudo nasceu de Meu Útero
Tudo me pertence
E Tudo volta a minha Escuridão
No meu caminho não a escapatória
Eu envolvo a Terra e Todo Cosmos
Porque Sou Nix
A amada e a desamada
Aquela que provem do profundo abismo de si mesma
Todas as dádivas da Noite de mim provem
E para mim Voltam
Pelo vento pelo sopro e pelas Águas
Eu Movimento a vida
Eu existo antes do Tempo
Sou Atemporal e imemorial
Dando-me essa resposta, ela sorriu, e um brilho muito forte veio de seu sorriso. Acordei assustada. Quem era Nix? O que ela sabia sobre minha mãe? Eu teria que esperar amanhecer e contar tudo para Annabeth. Só ela poderia me ajudar.
Notas finais
Gente, tem um tempo já que eu to pensando, em escrever algumas one-shots de Percabeth. O que vocês acham? Devo escrever? Vocês vão ler??
Reviews?? ^^
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