Meio Sem Meia

4 Quinta-feira 13


Se Giulia notasse que hoje é quinta-feira 13, não teria despertado tranquilamente — ainda que com o peso do sono insistindo em mergulhá-la de novo em seu seduzente torpor profundo. Não teria se espreguiçado com tanta vontade, o corpo tremendo pelo prazer de se alongar.

Teria ficado mais atenta quando pegou a faca para passar manteiga no pão, teria tomado mais cuidado quando ligou o plugue da cafeteira elétrica na tomada.

Não teria se arriscado ir de bicicleta à empresa.

No trabalho, não teria fechado negócios.

No almoço, manteria alinhado os talheres. Não testaria e abriria o guarda-chuva dentro da loja devido aos dias chuvosos que se aproximavam.

Não teria acariciado um gatinho preto de rua, passado por baixo de uma escada apoiada à sacada de uma casa em construção e não teria se encontrado com seu futuro esposo para jantar.

Em casa, à noite, teria desvirado o chinelo, não teria cortado as unhas.

Teria desenvolvido a Pémptidekatriaphobia¹ e sequer saído de casa.

É quinta-feira 13? Por suposto que sim. Mas ignoram que é um dia normal, de rotina, como qualquer outro.

Notas finais
¹ Pémptidekatriaphobia (medo da quinta-feira 13; Pémpti: quinta-feira + dekatria: treze + phobia: medo mórbido) é um termo criado pelo autor, relacionando o já criado Paraskevidekatriaphobia (medo da sexta-feira 13). OBS.: Este conto era para ter sido postado dia 13/04/2017, mas a falta de tempo impediu o processo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.