Meio-Sangues

1 Capítulo 1 - Filho dos Raios - Parte 1


Acho que todos já ouviram sobre as histórias incríveis da mitologia grega. Onde heróis, deuses, titãs e diversas criaturas mitológicas viviam e andavam sobre a terra. Onde os Deuses recebiam as preces dos humanos, que foram criados segundo a sua imagem. Além de terem o passatempo de observar o seu comportamento, acreditava-se que os deuses do Olimpo, além de terem semelhança com os mortais, também sentiam os mesmos sentimentos que os humanos, como o amor, a raiva, a compaixão, a tristeza, inveja entre outros. Por ter tais sentimentos, alguns deuses acabavam se relacionando com os humanos, que por meio dessa união, geravam os que eram conhecidos como meio-sangues (híbridos de deuses e humanos, ou semideuses), essas crianças não tinham a imortalidade como os seus progenitores divinos, porém nasciam com habilidades únicas que os permitiam se destacar entre as pessoas normais. Bons exemplos de meio-sangues no decorrer de toda história, são Hércules e Perseu. Heróis que tem seus feitos aclamados por gerações.

Muitos acham que isso tudo não passa de mitos e faz de conta, que foram criados com o intuito de entreter a todos, mas na verdade tudo isso é real! Há 15 anos atrás, houve uma caçada por todos os meio-sangues recém nascidos espalhados pelo mundo. Várias criaturas invadiram e destruíram vilarejos e cidades em busca dessas crianças, onde nem todas conseguiram escapar... Não se sabe ao certo porquê houve essa triste caçada, mas muitos inocentes perderam suas vidas nesse processo.

Provavelmente vocês devem estar se perguntando, "Por que os Deuses não protegeram seus filhos dessa perseguição? Com seu poder seria muito fácil!" Realmente seria uma ótima ideia, se ao menos eles pudessem... Infelizmente existia uma lei no Olimpo, onde os Deuses não poderiam ter contato com suas crianças, pois eles deixariam de ser deuses aos poucos, os tornando completamente humanos. Seguindo esse conhecimento, é que começamos nossa história.

Japão, 8 anos atrás...

— Mantenha a postura Ikki! Concentre-se enquanto ataca, uso de força desnecessária, gera gasto de energia desnecessário. — Disse um velho homem, em um tom sério. Este senhor usava um quimono preto, com um emblema de raio nas costas. Tinha uma barba longa e uma cicatriz em cima do olho direito. Ele era um antigo general de guerra que se aposentou e abriu um dojô, onde vivia com seu pequeno neto que foi criado e treinado por ele arduamente.

— Vovô, por que o senhor me faz treinar tanto? Isso é muito chato e eu quero brincar lá fora! — Disse um garotinho com uma cara emburrada enquanto usava uma espada de madeira que avançava contra o velho Mestre.

— Agora você pode não entender, mas futuramente isso lhe será bem útil.... — Respondeu o velhote com um semblante que esboçava tristeza.

— Eu sei vovô, você sempre fala que pelo fato deu não ser como as outras crianças comuns eu tenho que aprender a usar minhas habilidades muito bem, pra eu não me machucar e poder me defender. — Respondeu o pequenino enquanto o seu avô acariciava seu cabelos negros bagunçados. O garoto tinha cabelos negros como a noite mais escura e olhos azuis como o céu sem estrelas e usava um quimono igual ao do seu avô.

Os dois se sentam na frente da casa e ficam olhando pro céu azul, mas mal sabiam que aquela calmaria logo acabaria. O velho ancião enquanto olhava para frente sentia um mal presságio e um aperto no peito.

Mais tarde naquele mesmo dia...

O dojô estava em chamas, várias criaturas estranhas atacavam e destruíam tudo ao seu redor, o velho olha pro seu neto e em um tom de despedida entregando-o um pingente e diz...

— Fuja, viva a sua vida... esse pingente irá lhe proteger! Use tudo o que lhe ensinei! Ajude aqueles iguais a você pelo mundo...

Um jovem dentro de um ônibus abre os olhos em um gesto sonolento enquanto olhava para um pingente em forma de raio.

— Um sonho é? Bem, não importa muito. — Disse o jovem descendo do ônibus enquanto segue em direção à uma lanchonete. Enquanto o noticiário anunciava as notícias diárias da cidade. Ele pede um hambúrguer e um refrigerante e senta na mesa. O cenário pacífico da cidade acaba mudando repentinamente para altos estrondos e pequenos terremotos que se espalhavam por todos os lados. De longe podia se observar que rapidamente a área onde os cidadãos estavam, foi evacuada rapidamente, aparecendo vários homens fardados, como se fossem uma espécie de força tarefa, enquanto cercavam uma criatura mitológica, ou melhor, um minotauro. (Uma espécie de monstro, meio homem e meio touro que devora humanos). Enquanto eles tentam conter os movimentos da fera, uma menininha perdida, que se afastou da mãe enquanto houve o evacuamento daquela área, começa a chorar. O choro atrai a atenção do minotauro que com um único golpe se desprende dos homens e avança em direção a garotinha...

Em questão de segundos, a criatura é arremessada com força contra a parede e a garotinha aparece do outro lado da rua nos braços do jovem que a entrega para a sua mãe e vai embora do local.

— Obrigado, irmãozão! — agradece a jovenzinha com um sorriso no rosto. Ele vai andando e dá um leve aceno enquanto vai embora.

Já do outro lado, onde o minotauro foi arremessado...

— É muito estranho, essa criatura foi nocauteada por uma imensa descarga elétrica. — comentavam perplexos os agentes de contenção, enquanto observavam o monstro desacordado no chão.

Enquanto isso, o jovem misterioso caminhava com as mãos no bolso, quando houve algo:

— Impressionante senhor Ikki Kaminari. São poucos que conseguem derrubar um minotauro com um único golpe. — Disse um homem louro, com olhos dourados que passava imponência, enquanto estava de braços cruzados e encostado na parede. Ikki, se mostra surpreso com a repentina aparição desse homem misterioso, porém retruca:

— Eu não sei do que você está falando. — Respondeu calmamente enquanto continuava andando lentamente.

— Espanha, França, Inglaterra, Itália...Todos esses lugares tiveram uma peculiaridade em comum... houve relatos de seres mitológicos que perderam o controle e atacaram civis inocentes. O mais intrigante é que todos foram nocauteados por uma grande descarga elétrica. — Disse o homem misterioso entregando fotos dos casos.

— E como tem tanta certeza que sou eu? — Respondeu Ikki em um tom de sarcasmo.

— Atualmente não temos muitos meio-sangues filhos dos três grandes, principalmente quando se trata do filho daquele cara... — O tom de voz do misterioso homem fica mais sério e o seu olhar muda, como se tivesse tendo um flash-back. — e eu estive sempre acompanhando seus passos, principalmente depois daquele incidente de 8 anos atrás no Japão.

O rosto de Ikki demonstra extrema surpresa após ouvir isso. — Como você sabe de tudo isso? Ou melhor, quem é você? — Esbravejou o jovem, em um tom de irritação.

— Ora ora, se quiser as respostas para todas as suas perguntas, venha até esse endereço. — Respondeu entregando um cartão.

Ikki estende a mão e pega o cartão. Após um segundo de desatenção, o homem desaparece misteriosamente, deixando Ikki mais curioso e irritado com a situação, o fazendo levantar várias perguntas que precisam de respostas.