Meia Noite
1 Capítulo 1 - Um novo mundo
Notas iniciais
Espero que gostem pessoas ♥
É noite de verão. 07 de dezembro de 2014, e lá estou eu, contemplando-me em frente ao espelho. Eu estou deslumbrante com meu longo vestido de noiva. Amanhã será o dia que menos esperei. Se eu estarei disposta a enfrentar isso tudo de uma só vez? De maneira alguma. Aliás, jamais alguém estaria pronta para se casar com alguém que acabara de conhecer, ser comercializada em conversão de negócios para ser cônjuge de um par de botas milionário, não é e nem será meu auge. Porém, sei que tudo foi pelo bem de minha família.
Sou Elise Hilleshein, tenho dezessete anos. Meus avós desapareceram e foram dados como mortos aproximadamente perto de meus quatro anos e assim tomamos a posse de sua fazenda. Não que a desaparição deles seja algo bem-intencionado, entretanto nos poupou de um futuro angustiante, pois estávamos prestes a ser despachados de nossa modesta moradia. Minha família está passando por uma situação extremamente terrível ainda, há muitas dívidas. O estado financeiro está abaixo de zero por aqui. Aliás, estava. Um Sr. de setenta anos nos propôs, eu em suas mãos, um milhão depositado para minha família. Meus parentes não concordaram em hipótese alguma, mas eu quis assim, proteger minha família, esse é meu objetivo. Meu artificioso casamento será logo pela manhã.Agora são exatamente onze horas da noite, o relógio que meus ancestrais designaram à mim está atado em meu pulso. A cada segundo, ouço o movimento que seu ponteiro exerce. Reparo estar aos prantos quando sinto meus lábios úmidos à medida em que minhas lágrimas o contornam. Meus cabelos loiros cacheados estão com o mesmo penteado de meu cotidiano. Uma espécie de penteado em que o cabelo é partido ao meio e cada parte é amarrada por elásticos. Me sinto deprimente, não poderia estar mais radiante do que neste instante. Jamais me habituei com vestidos, mas os acho encantador. Tudo o que mais quero nesse momento é partir, ter uma vida como todas as outras garotas, em que se casam, tem seus respectivos filhos e morrem dedicando suas vidas à moradia e em suas famílias que amam excessivamente. Não vejo o porquê daquele par de botas desgastado me almejar. Não sou especial, sou uma garota extremamente desajeitada, indiferente, não sei nem mesmo usar um par de saltos, e meu aspecto é desprezível, aliás tudo em mim é desprezível. Olho para o relógio novamente, se passaram trinta minutos. Onze horas e trinta minutos. Meus pais estão adormecidos como rochas. Um pouco antes, no momento em que me levantei, fui descer os degraus para ir à cozinha e acabei despencando lá de cima, nem sinal de alguém despertando. Meus pais, Malia Hilleshein e Joseph Hilleshein, sempre que possível, chamam minha atenção quanto à minha aparência e o modo em que me visto, já estou até mesma acostumada com isso. Sou filha única, então o bajulo é em dobro. Hoje, logo pela manhã meus pais me informaram sobre um homem de vestes brancas procurando por mim, ainda estava adormecida então não pude-lhe atender. Raramente alguém vem na fazenda para nos visitar, ainda mais procurando por mim, não tenho ideia do que ele queria comigo, se for algo de extrema importância, creio que irá me procurar novamente. Tudo está estranho hoje, fora do comum. Aos poucos, cesso minhas lágrimas, sei que isso não me levará a lugar algum, então para não dificultar as coisas me retiro do quarto onde se encontra o espelho. Estou com grande apetite e logo me direciono ao refrigerador que se encontra na cozinha. A janela está escancarada, e o zunido da brisa penetra em meus ouvidos como vozes clamando por socorro. A noite de hoje está sombria. Pressinto não estar só, noto outra presença aqui. Mas rejeito isso, deve ser algo similar a psicose, já que para me decorrer da realidade me recorro aos livros. Devo estar alucinando ou incorporando algum personagem. Então volto à taça de refresco que está em minhas mãos.Estou aterrorizada com esses zunidos, e logo me retiro deste cômodo. A sala está como as trevas, inteiramente obscura. Assento-me no sofá, enquanto consumo um pouco de meu refresco. Estou com o colar que ganhei de minha mãe quando criança, nunca entendi o seu significado, há uma pedra magnifica e azulada. Nunca o retirei, diz ela que um dia irei compreender a sua importância. Apenas aguardo esse dia. Já estou menos abalada, até o momento em que me lembro que amanhã será o dia mais insignificante de minha vida. Ainda estou com o traje de noiva, irei para o andar de cima para tirá-lo. Porém algo me chama a atenção, a porta está entreaberta. Meu corpo toma em um estado de pânico. Dirijo-me até a porta e a fecho com cautela. Observo a escuridão da noite através de sua fechadura, me deparo com a manada de cavalos correndo disparadamente, o gado está assim desde que o sol se pôs. Há algo muito estranho ocorrendo na fazenda. Meu corpo está gélido devido ao pânico. Então me aproximo da fechadura, e um nevoeiro encobre a paisagem, aos poucos consigo vislumbrar algo. Algo nada agradável. Não o via por inteiro. À minha frente se encontra a sombra de um homem com olhos de amêndoas. Dou um salto para trás, minha pulsação está acelerada. Ao mesmo tempo ouço um estrondo de pratos partindo na cozinha. Quem está aqui? O que querem? Me direciono para a cozinha sem um ruído se quer e prossigo:– Mãe?! — Sussurro.Silêncio crucial. Porém, por pouco tempo. Ouço passos em direção à sala, então disparo para dentro do armário da cozinha. Encolho-me no canto do armário. Ouço um clamor lá de cima e ao mesmo instante, me retiro da cozinha e percorro para a sala, acredito que o berro tenha vindo deste cômodo. Temo em ser minha mãe. Está escuro como as trevas. Sinto algo tocando minha pele. Estou intacta, sinto sua pele áspera acariciar minha nuca não compreendo o que ele quer comigo. Mas compreendo seus movimentos a seguir.
Crio coragem, e direciono-me a ele, e no mesmo momento, sinto algo resistente adentrar em minha cabeça e desabo no chão. Ouço o sino da Igreja soar, e tudo o que posso ver além de um sorriso sarcástico, um pouco antes de cerrar os olhos, é o meu relógio, já não está mais atado em meu pulso, está ao lado de meu corpo, não consigo nem ao menos me remexer, porém minhas pupilas se dilatam quando me deparo com o horário. O ponteiro está paralisado, tudo está indicando que o terrível dia começou. Que a meia noite já havia chegado.
Notas finais
Logo mais postarei o capítulo 2. Se gostarem deixe seus reviews ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor