Meia Hora
3 Shinsaku Takasugi/Katsura Kogoro
Notas iniciais
O Ryoma era mesmo um idiota.
Que tipo de pessoa deixa para ler um livro na véspera da entrega do relatório sobre ele? Ryoma. Não só não leu o livro, como também não o comprou.
“Calma Cindy! Eu posso baixar em PDF e ler depois!” PDF uma ova, esse livro era difícil de achar em livrarias, quem dirá na internet.
E para deixar tudo ainda mais perfeito, ele não tinha dinheiro para pagar o bendito livro.
“Eu prometo que te pago depois! Eu só preciso entregar esse relatório amanhã!”
Takasugi Shinsaku era uma pessoa de honra, sempre cumpriria sua palavra, por mais impossível e irritante que fosse.
Depois de passar quase 3 horas indo de livraria em livraria, ele estava quase desistindo e voltando para casa de mãos vazias.
Takasugi decidiu entrar em uma última livraria, um sebo na verdade. Se não encontrasse ali, não o encontraria em lugar nenhum.
O cheiro de mofo o incomodou a principio, mas ele não era do tipo que tinha alergia a qualquer coisa. Um vendedor veio recebê-lo imediatamente, carregando uma pilha de revistas.
―Boa tarde!― Takasugi ficou sem reação. Ele era lindo. Era um pouco menor que ele e tinha cabelos e olhos verdes. E ainda por cima usava óculos, céus, ele tinha um fraco por homens de óculos.
―B-boa tarde― ele gaguejou, o que estava fazendo ali mesmo? Ah, certo, o livro do Ryoma.―, é... Eu preciso desse livro.
Shinsaku tirou um papelzinho do bolso e o entregou para o vendedor.
―Ah! Nós temos esse sim, venha cá. ― ele pôs as revistas sobre o balcão e seguiu por entre as prateleiras.
Ele parou em frente a uma delas e passou o dedo pelas lombadas dos livros, franzindo o cenho. E Takasugi parou para observá-lo melhor. Ele era magro, e não parecia ser muito musculoso, exatamente o tipo de pessoa que mais o atraia. Shinsaku conseguia se ver saindo com ele, talvez só como amigos, ou até algo mais.
―Está aqui― ele puxou um livro de capa azul com folhas amareladas. ―, esse é o nosso último, você teve sorte!
―É... ― ele resmungou, mal prestando atenção no que dizia.
Deus, ele precisava ver aquele moço mais vezes. Era meio bobo se apegar tanto a uma pessoa com quem mal conversara, mas isso acontecia com mais frequência do que ele gostaria de admitir.
―Quer mais alguma coisa?
“O seu telefone.”
―É só isso mesmo.
E eles foram para o caixa. Takasugi já podia sentir que nunca mais encontraria aquele rapaz em sua vida. Era só ter um pouco de coragem e pedir o número dele. Tá bom, não só um pouco, mas não era tão difícil assim.
―São 1800 ienes.
Aquilo tudo por um livro velho?! Ah, mas o Ryoma ia pagar dobrado.
Ele tirou o cartão de crédito do bolso com uma dor no peito, não só por causa do preço, mas também por causa da sua desilusão amorosa de menos de 20 minutos.
Takasugi digitou a senha com desgosto, pensando em tudo que ele deixaria de comprar por causa daquele retardado do Ryoma. Conseguir o telefone daquele moço com certeza o deixaria mais animado.
―E-espera...― disse por impulso, se arrependendo imediatamente. Agora não dava para voltar atrás. ― Você podia... É... Sei lá, me dar seu telefone...?
Droga, aquilo foi estranho demais.
―Claro!― Ele pegou um dos panfletos que estavam espalhados pelo balcão, anotando o número no verso.
―Ah, é, obrigado. ― Ele provavelmente estava muito vermelho naquele momento, droga. ― Seu nome...?
―Katsura Kogoro ― Era um nome bonito, combinava com ele. ―, o seu?
―Shinsaku Takasugi― ele apertou o papel com as mãos trêmulas, enfiando-o no bolso. ―, a gente se vê por aí.
―Até mais.
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