Megan - A Vida Após A Morte
1 Capítulo 1
Notas iniciais
espero que gostem, eu estava meia sombria quando escrevi essa fic rsrrsrs
boa leitura..
Capitulo um: Fim
Chovia forte, e as grosas gotas caiam sobre mim encharcando a peça delicada que eu vestia, mas eu não me importava, o vento gelado desarrumava meu cabelo negro que esta combinando com o céu, um dia de inverno que a lua não apareceu e as estrelas sumiram em união. A floresta escura assombrava meus pensamentos enquanto corria. Por causa da chuva, o chão estava coberto por uma grossa camada de barro lamacento fazendo com que eu perdesse as minhas duas sapatilhas, ficando totalmente descalça. Olhava para trás a cada passo que dava, rezando para que não estivessem me seguindo. Seus olhos azuis que antes me trazia paz e segurança, agora me assombrava, tomando meus pensamentos, como em um filme de terror.
Uma voz ao fundo me chamava e gritava meu nome, mas não parei por nenhum estante, o medo me dominava, não queria saber quem era.
– Querida apareça! Não vamos machucar você!
A voz grave, um pouco rouca era familiar, um homem me chamava, logo reconheci ser meu guardião, aquele que devia dar a sua vida para me proteger.
– Não seja tímida!
Ele berrou de novo fazendo com que eu acelerasse meus passos, me impulsionando para frente, frustrantemente querendo correr mais rápido.
– Vamos apareça garota imunda.
A segunda voz era fina e hostil, que logo reconheci ser minha tia Meriti, a qual cuidava de mim quando criança, diziam que eu puxei mais a ela, do que a minha própria mãe, meus cabelos encaracolados e negros, meus olhos em um escuro e opaco acinzentado, os traços delicados do rosto em forma de coração, a boca rubra e volumosa, tudo em mim tinha pelo menos um traço de tia Meriti.
– Saia de onde estiver garota!
Novamente gritou Meriti, mas dessa vez mais perto, a alguns metros apenas de distancia. Corri para me esconder por entre os arbustos perto do lago, só agora percebi o quanto corri, já estava no meio da floresta, onde um grande e magnífico lago se encontrava. Fiquei parada tentando me camuflar entre os galhos, tentando fazer parte da floresta que não possuía luz alguma, mas tudo estava contra mim, a Lua que antes se manteve escondida, apareceu, me iluminando e revelando meu esconderijo, os olhos astutos e sorrateiros do meu guardião apareceram, junto com um sorriso de vitória.
– Aqui! Meriti, Diego, achei!
Gritava desesperadamente para o vento gelado. Seus passos eram rápidos e ágeis enquanto se aproximava do local onde eu me encontrava o sorriso não saia de seu rosto nunca, assim como o brilho em seu olhar.
– A galinha dos ovos de ouro!
Diego falou de um modo tão cruel, que quase não o reconheci, mas ele continuava do mesmo jeito, parecido com seu pai, os cabelos loiros, perfeitamente arrumados, o nariz arrebitado, juntos com os perfeitos olhos azuis. Eles foram minha família por um grande tempo, quando meu pai faleceu, deixando eu e minha mãe, a qual trabalhava muito. Nunca tive nenhum problema financeiro, muito pelo contrario, meu pai deixou uma fabrica, e vários patrimônios para a família, mas mamãe Helena simplesmente tinha a alma para o negocio, e triplicou toda a renda da família, fazendo com que o sobrenome Nevele Ficasse reconhecido por toda cidade, e nas regiões vizinhas, o que era muito, levando em conta que vivo na maior cidade do Canadá. Enquanto minha mãe trabalhava eu ficava com os meus tios e o meu primo Diego que eram a minha segunda “família”, mas logo Helena também partiu, deixando a minha guarda com meus tios, únicos familiares que sobraram.
– Por quanto tempo esperamos esse momento, por quanto tempo tivemos que te aturar, a garotinha mimada e fútil da família.
Tia Meriti falava dos nossos tempos juntos como se fosse à pior coisa do mundo, mas eu não me lembrava de ser assim, eu me lembro de brincar com Diego, enquanto tia Meriti trazia leite com biscoitos, a felicidade era tudo que eu lembrava.
– Enquanto meu irmão ficou com todo dinheiro, eu fiquei cuidando da nojentinha da família.
A cada palavra John Chegava mais perto de mim, e eu tentava me afastar, mas já estava na borda do lago ficando preza. A lua voltou a se esconder, me fazendo ver apenas a silhueta de três pessoas, mas um trovão cortou o céu, iluminando o local, me fazendo temer ainda mais o que estava por vir.
A mão fria de Diego agarrou meu braço com força, me puxando para frente ao encontro dos meus tios e eu gritava, gritava a plenos pulmões, gritava como nunca tinha gritado em toda a minha vida, mas não era suficiente, ninguém estaria em uma floresta mal iluminada, por volta das onze da noite em uma sexta-feira.
– Cala a boca!
As palavras vieram junto com um tapa em meu rosto, me fazendo virar a cabeça com o impacto, eu não consegui encarar os olhos de tia Meriti, apenas chorava silenciosamente, olhando as arvores se mexerem pelo vento forte que também balançava meu cabelo, cobrindo meus olhos, as gotas da chuva caiam sobre meu rosto se misturando com minhas lagrimas.
– Por favor! Me deixa ir embora!
Supliquei em um fio de voz, não olhando em seus rostos, com medo do que poderia ver. Eu estava confusa, com frio e molhada, tudo não parecia ter sentido para mim, eu apenas queria um abraço para me aquecer, um cafuné junto com palavras encorajadoras, me dizendo que tudo ficaria bem, era apenas um pesadelo, em que eu não conseguia acordar.
– Te deixar ir embora? Por quê?
Perguntou meu tio John Enquanto virava minha cabeça para ficar de frente com ele, fechei meus olhos rapidamente, e senti seus dedos passarem pela minha bochecha, tirando meus cabelos que estavam desarrumados em frente aos meus olhos.
– Olhe para mim.
A voz de tio John foi com tanta autoridade que não pude o desobedecer, ao abrir meus olhos apenas pude ver uma luz bem forte me impossibilitando de enxergar ergui minha mão tentando em vão fazer com que a luz saísse de foco. Então ela desapareceu.
– Você esta sendo mais corajosa do que seu pai e ate mesmo sua mãe.
A voz de Meriti foi o que me fez acordar de meu transe, por causa da luz.
– O que quer dizer com isso?
Perguntei esperando uma resposta lógica, a qual eu não encontrava, depois de alguns minutos tudo se encharcou, comecei a gritar pedindo socorro e chorando escandalosamente, esperando que alguém viesse me ajudar, mas eu sabia que isso não ia acontecer.
– Acho que já entendeu.
A frase veio com uma risada no final, uma risada de divertimento, de cinismo, de gloria.
– Por quê? Porque vocês mataram meus pais?
Eu gritava desesperadamente.
Silencio, essa foi minha resposta, ninguém atreveu a me responder, mas eu sabia a causa, tinha uma leve desconfiança da ganancia de tia Meriti, da inveja de tio John.
Sem me abalar pelo silencio, me soltei dos braços de Diego e corri, corri o mais rápido possível, tentando me livrar do fim que estava programado para mim nessa sexta-feira fria e escura. Senti que estava sendo seguida, o que me confirmou foram os passos e as vozes atrás de mim, gritando desesperadamente. Meus pés vacilaram e tropecei em um galho jogado ao chão camuflado pelo barro, meu vestido branco florido estava sujo, assim como meu cabelo e rosto, levantei-me o mais depressa possível, mas voltei a cair, meu pé doía muito, levantei pela terceira vez, mas senti algo duro bater em minha cabeça e cai no chão, apesar de ter consciência de vozes ao meu redor, não ouvi o que estavam dizendo.
Minhas pernas foram agarradas com força por um par de mãos, me arrastando ao longo da floresta, minha cabeça e costas batiam nas pedras no caminho, mas eu não conseguia me mexer, fazia de tudo para abrir meus olhos, mas pareciam que eles estavam colados, minha cabeça doía. Braços fortes me pegaram no colo e logo fui jogada com agressividade no chão duro.
O lugar onde estava balançava muito como em um barco, era nauseante. Por fim consegui abrir meus olhos, a visão estava embaçada e não enxergava nada com clareza, então John entrou em foco, ele estava de costas, mas o reconheceria em qualquer lugar, ele fazia força para remar o barco onde nós nos encontrávamos. Tia Meriti estava ao meu lado com um guarda chuva grande e preto encima de sua cabeça a protegendo da chuva, que agora estava mais forte fazendo com que o lago ficasse agitado formando algumas ondas, ela trajava um vestido de cetim também preto com um chapéu de renda com uma flor enorme no topo.
– Vou assim para o seu velório, gostou?
Perguntou tia Meriti fitando a frente, não a respondi, minha cabeça levou uma pontada forte, levei a mão exatamente onde a dor se encontrava, algo molhado encharcou-a, trousse a novamente ao meu encontro, era vermelho e viscoso... Sangue, o cheiro forte chegou ao meu nariz, me fazendo ficar ainda mais enjoada.
O barco parou, e meus tios se ajeitaram perto de mim.
– Tia Meriti?
Minha voz era fraca e suave, se ela não tivesse tão próxima de mim não ouviria, mas ainda sim não respondeu, apenas fitou meus olhos. As mãos dela tocaram meu rosto e sorriu, um gesto simples que me lembrava os tempos da infância. Senti minhas pernas sendo levantadas, assim como minha cabeça e logo depois os braços que me seguravam soltaram-me, senti a água fria, tocando e envolvendo meu corpo, me envolvendo em seu manto frio.
Eu afundava no lago e me debatia em vão tentando subir a superfície, mas eu não sabia nadar, os meus pulmões se contraiam pedindo oxigênio, a qual não tinha embaixo da água. Aspirei tentando encontrar ar, mas apenas água entrou, raspando e queimando, por onde passava, me deixando cada vez mais próxima a morte.
Eu não podia e não queria acreditar que a minha família, as pessoas mais importantes da minha vida, tinham feito isso comigo, mas agora eles não eram mais nada para mim, eu queria vingança, eu não conseguiria a paz da morte. Só ficarei em paz quando tiver o peso de suas mortes em minhas costas, quando o sangue quente, molhado e viscoso, estiver em minhas mãos, quando a suas mortes pesarem em minha consciência e invadirem meus pensamentos, a qual não me arrependerei por nenhum instante, quando esse dia chegar, ai sim descansarei em paz, no escuro e fundo leito, no fim e quente inferno, a qual receberei de braços abertos, assim que a vingança pela morte de meus pais tiver sido realizada.
Minhas costas bateram no chão, mostrando que ali seria meu fim, fechei meus olhos, esperando pela dor e pelo desconhecido que me aguardava, abri meus olhos de novo quando senti mãos frias e ásperas me envolverem, apenas vi uma silhueta passando, então a dor veio, era agonizante, parecia sem fim, meus olhos ficaram mais pesados, sabia o que viria após, apenas uma coisa, a morte.
A luz da lua iluminou o lago, atingindo meus olhos, apesar de estar embaixo da água eu não precisava de ar, não mais.
– Hora, hora acordou?
A voz melodiosa, fina e suave encontrou meus ouvidos, segui com os olhos o lugar onde estava procurando a dona da voz tão bela. Então meus olhos param na figura mais linda que já tinha visto, seu cabelo loiro era perfeito em contraste com as orbes negras, o cabelo era ondulado, e parava um pouco acima da cintura, seus lábios cheios eram vermelhos da cor do sangue, seu corpo esbelto modulava o vestido preto que usava.
– Quem é você?
Perguntei com a voz tremula, sem importar que ainda estávamos de baixo da água. Ela não respondeu de imediato, apenas ficou passando as mãos em seu cabelo sedoso, como se o cabelo fosse mais interessante do que a nossa conversa.
– Sou conhecida por vários nomes, me chame como achar melhor.
A voz era calma e perfeita como sinos de igreja, mas eu não tinha entendido o que ela queria dizer com aquilo, mas a mulher de cabelos loiros não percebeu minha confusão e continuou alisando os fios de cabelo.
– Sabe? Você disse que queria vingança e só descansaria quando conseguisse. Certo?
Após um silencio ela falou, e seus olhos não foram ao encontro com o meu por nenhum estante, mas agora ela fitava as unhas despreocupadamente.
– Eles mataram meus pais
Murmurei baixo e ela riu, sua risada era a musica mais bela que meus ouvidos já tinham ouvido.
– Não se preocupe aqui ninguém ira julgá-la!
A mulher tinha um sorriso em seus lábios vermelhos e seus olhos transmitiam segurança, paz.
– Vamos, pergunte, não tenha medo!
Ela me deixou surpresa pela sua fala que depois de longos minutos ecoou dentro do lago, sendo levado pelas ondas calmas que habitavam o local.
– Aqui, é onde?
Perguntei receosa.
– Aqui é em todo lugar e ao mesmo tempo não é em lugar nenhum, aqui é meu lar, onde pessoas dizem que nunca querem entrar, mas depois que entram não querem sair, aqui e o melhor lugar do mundo, porque o melhor é sempre o que é proibido, o mais belo e o que sempre é errado, aqui é o lugar mais importante, mas ao mesmo tempo ninguém se importa. Aqui querida é o seu sonho, mas é o pesadelo da maioria das pessoas.
Sua fala havia me deixando confusa, mais do que já estava, para mim suas palavras não tinham sentido, era apenas o inverso do que já tinha dito, é como esse lugar fosse tudo ao mesmo tempo.
– Proibido?
Perguntei e ela apenas riu, voltando a acariciar seus cabelos.
– Qual é o lugar que as pessoas mais temem?
Perguntou a mulher agora fitando meus olhos, esperando a resposta que não queria sair da minha boca.
O silencio novamente se instalou e a mulher parecia não ter pressa e eu não pretendia quebrá-lo, mas a curiosidade me venceu.
– Eu morri?
Perguntei me sentando no chão, a encarando, enquanto ela simplesmente arrumava sua roupa.
– A resposta que você procura eu não posso lhe dar, descubra.
Apenas fiquei a encarando.
– O que você quer dizer?
Perguntei, me pondo de pé e andando até ao seu lado e me sentando novamente.
– Você tem que descobrir por si própria...
Seu rosto digno da deusa da beleza se formou em tristeza pura, abaixei a cabeça não querendo ver seu rosto.
– Isso tem haver com a vingança que eu queria?
Perguntei, mas em vão, estava sozinha, sentada na areia dura.
Você tem que descobrir por si própria...
A voz da mulher ecoou por todo lugar chegando aos meus ouvidos, mas eu não podia vê-la, tudo ficou negro, sem cor e sem vida, totalmente assustada me levantei gritando para ela voltar, mas o silencio permaneceu, nenhuma resposta veio ao meu encontro.
Olhei ao redor e não reconheci o lugar onde estava, era sujo e mal iluminado, minha roupa estava suja de barro e mais alguma coisa que não pude identificar, gritos chegavam aos meus ouvidos, mas não conseguia ver quem era, em minhas mãos uma espada, mas eu não entendia o porque dela estar sobre as minhas mãos.
– Por favor, Megan, eu não queria, eles me obrigaram, não me mate...
Eu apenas ouvia a voz, então uma luz iluminou Diego, que estava lá de joelhos, implorando para que eu não o matasse, mas eu não cai em suas armadilhas sentimentais, meus passos eram suaves e sem pressa, eu queria saborear o gosto doce e saboroso da vingança, da minha vingança.
A espada fez um movimento rápido decapitando a sua cabeça, eu não chorei, não gritei, não sofri pela sua morte, eu não era mais Megan de antigamente, aqui eu era o pesadelo, o pesadelo daqueles que me mataram.
Tudo novamente ficou escuro, a espada sumiu de minhas mãos dando forma a uma arma de fogo, mas eu continuava no mesmo lugar, na sala escura e suja.
– Você não é real, você não é real, esta morta, esta morta...
A luz voltou e iluminou Tio John, que estava como antes Diego se encontrava, de joelhos e repetindo as palavras tentando em vão fazer com que eu desaparecesse.
Então os olhos de tio John pararam no corpo já sem vida de Diego, seu único filho.
– O que fez com ele? O que fez com ele seu demônio?
Gritava desesperadamente agarrado ao corpo que sem cabeça, derramava sangue, lambuzando o chão e o termo preto e luxuoso de John que chorava prantos de dor.
– O que você fez comigo, é isso que fiz com seu filho.
Minha voz era suave e bela, assim como a da mulher loira que antes estava comigo.
– Porque quer vingança, por quê?
Perguntava John soluçando.
– Eu não quero vingança, apenas quero que sinta o que eu senti.
As minhas palavras eram como facas que eram atiradas apenas com um propósito, ferir. Ergui a arma em minha mão, sem medo atirei, a bala partiu com um som alto. Tio John caiu morto ao lado do filho com uma bala na cabeça, e assim como da primeira vez, tudo sumiu, e o escuro reinou.
A arma não sumiu de minhas mãos e tia Meriti apareceu sentada em uma cadeira fina de estofamento fofo, com pano caro e vermelho. Ela olhava com desprezo para o canto mais escuro do local, seus olhos opacos acinzentados de uma cor incomum se desviaram para agora encarar os meus, o sorriso em seus lábios volumosos eram uma sentença de morte, a minha morte, mas não tive medo, era a vez dela, pois a minha já tinha chegado, eu já estava morta, eu sabia disso. A roupa que ela usava era preta e o seu chapéu também esse estava jogado de qualquer jeito no chão próximo a ela.
– Suma!
Gritou tia Meriti para mim, encarando meus olhos que eram da mesma cor que os seus.
– Vai embora, você esta morta.
Falou ela novamente, agora mais calma, em tom baixo, mas auditivel, logo após ela riu, sua risada não era como a da mulher loira que era bela, suave, encantadora, a de Meriti era alta e irritante, assustadora.
Tentei pronunciar alguma palavra, porém nenhuma saiu de minha boca, era como se meus lábios tivessem selados, trancados, mas os de tia Meriti não.
– O que faz aqui garota imunda?
Suas palavras eram de um modo cruel que atravessavam meu corpo me abrindo por dentro, me estilhaçando, me mutilando, não sabia por que, mas Meriti era alguém próxima a mim, não se escolhe quem ama, assim como não escolhe sua família.
Garota imunda, essas palavras em especial me despertaram do traze em que me encontrava, eu estava suja, mas do sangue daquela família inútil e gananciosa.
– Você me fez um favor matando eles.
Ela olhou para o corpo sem cabeça de Diego e o corpo de John que repousava em cima do filho.
– Sem ninguém para dividir o dinheiro.
Fechei meus olhos deixando a risada dela ao longe, me concentrando apenas em mim mesma. Eu não me arrependi por nenhum momento o que tinha feito, mas algo me impedia de matar Meriti, algo maior que eu, maior que a vingança, mas não maior do que a morte.
A loira apareceu em meus pensamentos, forcei mais meus olhos impedindo qualquer fresta de luz entrar por eles. Os cabelos da loira voavam com o vento forte isso a deixava mais bela. Ela estava sentada em um trono feito de pedra pintada de vermelho, isso me chamou atenção, de longe eu reconhecia, era Sangue. “Não tenha medo, não é a morte dela que procurava? Vingança!” Sim, era isso que eu procurava, a frase que ecoava na minha cabeça me deu força.
Com uma súbita coragem ergui a arma de fogo, apontando para Meriti e essa fez uma cara de espanto, seus lábios tremeram, os olhos piscaram varias vezes.
– Não ira atirar em sua mãe?
Ela se recompôs rápido de mais, e me fez excitar a puxar o gatilho.
– Você não é minha mãe, ela esta morta! Morta por suas mãos!
– Não vê nossa semelhança? Não se como somos parecidas? O mesmo instinto assassino? A mesma vontade de vingança?
Ela não era a minha mãe, tentava ao máximo não acreditar nas palavras mentirosas e traiçoeiras de Meriti, mas a nossa semelhança era muita.
– Você esta mentindo.
Sussurrei calma, com as lagrimas acumuladas em meus olhos forçando a saída.
– Não minta para si mesma, você sabe que é verdade.
Tia Meriti riu mais alto, sua risada deixava todo o lugar mais sombrio, transportando toda a sua maldade pelos cantos da sala. Tudo estava desconexo, nada mais importava, eu prometi a minha vingança e era isso que eu teria.
A arma de fogo, preta como o sangue seco, ainda estava apontada certeiramente para Meriti, que ria descontroladamente. Não pensei em mais nada quando puxei o gatinho, disparando a bala de prata em seu coração, que depois de duas ou três batidas incompletas e descontroladas, parou. Meriti caiu da cadeira morta, sujando o estofamento caro e chique com o seu sangue sujo e impuro. Puxei o gatinho de novo e de novo, até que as lagrimas venceram a batalha interna e rolaram pelo meu rosto, elas cintilavam pela pouca luz que agora se encontrava no local. Cai de joelho no chão áspero de cimento sem nenhum acabamento. E do mesmo modo em que eu apareci nesse local eu desapareci. Tudo voltou a ficar negro, sem cor e sem vida. Escuro e depois luz.
Eu estava correndo, não sabia por que e nem como, a única coisa que eu sabia era que tinha conseguido a minha vingança, mas de quem eu estava correndo? A escuridão voltou a reinar.
O lugar onde estava balançava muito como em um barco, era nauseante. Por fim consegui abrir meus olhos, a visão estava embaçada e não enxergava nada com clareza, então John entrou em foco, ele estava de costas, mas o reconheceria em qualquer lugar, ele fazia força para remar o barco onde nós nos encontrávamos. John era para estar morto, como ele estava vivo eu não entendia. Meriti estava ao meu lado com o vestido preto e se protegendo da chuva com o seu guarda-chuva rendado.
Senti minhas pernas sendo levantadas, assim como minha cabeça e logo depois os braços que me seguravam soltaram-me. Eu já havia presenciado aquele momento, sabia o que viria a seguir.
Senti a água fria, tocando e envolvendo meu corpo, me envolvendo em seu manto frio. Eu afundava no lago, os meus pulmões se contraiam pedindo oxigênio, a qual não tinha embaixo da água. Respirei fundo tentando encontrar ar, mas apenas água entrou, raspando e queimando, por onde passava, sorri, um sorriso verdadeiro e singelo, eu estava em casa, eu descansaria em paz, pois a minha vingança havia sido realizada.
***
3º pessoa
A noite escura, a lua cheia, o veto gélido de uma noite de inverno balançavam as arvores, que já secas, deixavam suas folhas que algum dia foram verdes caírem, nesse cenário macabro, na noite morta, uma mulher de cabelos longos e ruivos andava pela floresta, seus saltos afundavam no barro lamacento fazendo difícil sua locomoção, mas isso não a impossibilitou, muito menos a fez desistir.
Ao encontrar o grande e profundo lago no centro da floresta um grito horror e de medo saiu da boca da mulher ruiva que estava pintada fortemente com um batom rosa. Os que seus olhos presenciaram, sua mente e pensamentos não conseguiram esquecer, brincando com ela.
Os corpos sem vida, frios, com o coração mudo por entre o barro e a chuva, perturbavam lhe a sanidade. Um jovem de olhos azuis claros e cabelos loiros arrumados estava sem corpo que se encontrava bem mais adiante, outro homem com aparência semelhante a do jovem estava sobre o corpo desse, o homem estava morto com um tiro na cabeça. Muito mais afastado uma mulher de beleza incomparável com cabelos negros encaracolados, olhos acinzentados abertos, escancarados que transmitiam surpresa, medo e por fim maldade, ela estava morta com quatro tiros no peito e um na cabeça.
Mas não era isso que mais lhe perturbava e sim um corpo de uma garota jovem de cabelos negros assim como o da mulher. A garota repousava em silencio, morta, boiando no lago azul cristalino, seus olhos fechados e sorriso em seus lábios, possuía um semblante feliz, descansado, em paz.
A mulher ruiva tremendo de frio e medo se aproximou do lago e do corpo que já estava próximo à costa, um barulho a fez pular e olhar para trás, mas quando seus olhos voltaram ao lago, o corpo da jovem Megan não repousava mais sobre o tranquilo lago. O agitar das ondas se intensificou, o céu antes tranquilo, mostrava o inicio de uma tempestade.
Um grito se fez e ecoou por toda floresta, a mulher ruiva se juntou aos corpos sem vida ao relento de inverno. E os olhos escuros, opacos e acinzentados se abriram para um despertar de uma nova vida, a vida após a morte.
Fim
Notas finais
comentem pra mim saber se ficou bom... beijos
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