Meet The Stablers
1 Certas coisas, não são o que parecem...
Notas iniciais
O silêncio estava por toda a parte.
Era engraçado que, depois de um dia cercada por diferentes tipos de sons e barulhos das mais diversas formas, ela agora tivesse que acostumar seus ouvidos ao silêncio. Era somente a sua própria respiração e o som dos saltos altos ecoando e ditando seu ritmo à medida que avançava pelo corredor. Estava finalmente chegando em casa, muito mais tarde do que gostaria, mas finalmente o seu dia teria um fim na forma de uma noite que fora muito desejada.
Olivia girou as chaves e rapidamente abriu a porta do apartamento, encontrando um breu que era esperado. Avançou pela escuridão, agora o barulho do molho do chaveiro sendo deixado em cima do balcão entoando seus movimentos. Com ele, deixou também sua bolsa porque, a partir daquela hora o seu momento começava, e aos poucos, iria se livrando de todos os pesos, literal e figurativamente; porque passando daquela porta o mundo exterior se esquecia enquanto ela podia se refugiar nas paredes de sua casa.
Talvez não houvesse outro lugar que fosse melhor, especialmente depois de dias em que crimes, morte, ciúme, dinheiro era tudo o que via no trabalho.
Subiu os degraus rapidamente, em menos de trinta segundos já estava no topo da escada. A caminhada fora pouca até seu quarto porque a distância não era muita, a porta de lá permanecia levemente entreaberta. Empurrou-na, entrando à medida que dava uma espiada pelos arredores, mirando a cama onde deixaria o casaco que já ia saindo de seu corpo. Olivia estava ansiosa pra se livrar de tudo aquilo que a acompanhara durante um dia inteiro pra finalmente encontrar o sossego na cama, sob os lençóis que não mereciam melhor adjetivo do mundo além de confortáveis. Dormir ali tinha todo um sabor especial, mas desde o começo ela não achou que seria diferente.
Seus pensamentos foram dispersados quando a porta do banheiro se abriu à esquerda, e de lá ele saiu, surpreso primeiramente, e então fez seu caminho até ela, portando um pequeno sorriso no rosto enquanto ela correspondeu, dando alguns passos para encontrá-lo.
– Oi... — suspirou ela, sorrindo.
– Machucada? — perguntou ele, observando atentamente, cada curva, cada pedaço de pele, do corpo dela.
– Como foi o trabalho? — perguntou ela, tentando mudar de assunto.
– Nos CC's? Normal. Como pai? Difícil, esta criança não para nem por um segundo. — sorriu ele. Olivia deu um sorriso fraco, e depois deu um beijo demorado nele.
Se separaram, apenas quando ouviram o choro constante, e repetido da criança. Olivia fechou os olhos com força, e se moveu para o lado, depois, indo até o quarto da pequena.
– Olá, menina... — sussurrou ela, vendo como os grandes olhos azuis observavam-na atentamente.
Ele chegou na soleira da porta, e observou o modo que ela falava com a filha.
– Venha cá, pequena. — e segurou a filha no colo, vendo como ela parara de chorar, automaticamente. — Senti sua falta, sim?
E ela viu, como a pequena colocou pequenas mechas de seu cabelo na boca.
– Opa, não... — riu ela, colocando a bebê em seus braços, deitada.
À este ponto, ele já estava dentro do quarto, aproximando-se delas.
– Sente-se aqui...– pediu ele. Olivia assentiu, e caminhou até a poltrona de amamentação.
Quando se sentou, ouviu alguns grunhidos vindos da pequena.
– Você a alimentou, hoje? — perguntou ela, olhando para o homem a sua frente, enquanto desabotoava a blusa.
– Sim, do jeito que você disse... — sorriu ele. Olivia assentiu, e colocou a pequena deitada em seu colo, de modo que ela conseguisse mamar.
Ele foi até o lado esquerdo da poltrona, onde se sentou, observando a boca pequenina da filha moldando-se ao seio de Olivia. Observou também, o rosto de Olivia se contorcendo, às vezes.
– Dói?
– Um pouco, mas é muito bom... — sussurrou ela, com um sorriso bobo no rosto, acariciando o rostinho da menina, que colocou a mãozinha no seio, aprofundando os chupões, querendo mais leite.
– Ei, baby... — sussurrou ele, sorrindo bobo, para a filha. A pequena largou o seio, e olhou para ele, rindo, sem dentes.
– Ahhh... — suspirou a pequenina, batendo os bracinhos, segurando os pés, enquanto o pai brincava com ela.
– Tenho que niná-la... — suspirou Olivia, fechando a blusa.
– Eu posso fazer isto. — disse ele, sorrindo. — Posso?
– Ah, claro... — suspirou ela. Foi difícil conseguir um filho, e, mesmo estando cansada, ela não abriria mão do contato, mas ele era o pai, também tinha este direito. — Depois você...
– Eu sei, Liv... Apenas, vá descansar... — pediu ele, colocando a filha numa posição inicial.
– Err... Certo... — sussurrou ela, seguindo para o quarto.
Era incrível... Depois de todo aquele dia cansativo, ela ainda queria mais contato com a filha.
Olivia mal se importou em tirar as botas, ou algo assim.
– Uhh... — grunhiu ela, caindo na cama.
– Deite direito, Liv... — pediu ele, sentando ao lado dela.
– Eu estou tão cansada, El... — suspirou ela, levantando.
– Eu sei... Foi por isso que eu fui pros CC's... — sussurrou ele, aproximando-se dela.
– Irônico, huh? – perguntou ela, noutro sussurro. Ele riu.
– Espere aqui... — suspirou ele. Olivia deixou o corpo cair na cama, e sentiu que, se o mundo acabasse naquele instante, ela estaria feliz.
– Vem... — pediu ele, pegando nas mãos dela, começando a levantá-la.
– Elliot... — grunhiu ela. Ele ignorou completamente, e continuou caminhando com ela, até o banheiro. — O que você pretende fazer, El?!
– Sh... — sussurrou ele, no ouvido dela. — Entre na banheira, eu já volto.
Olivia hesitou, mas fez o que lhe foi pedido.
Se despiu lenta e demoradamente, e depois entrou na banheira, sentindo a água quente envolver seu corpo.
Estava com a cabeça deitada numa almofada d'água, quando sentiu o corpo dele, junto ao seu.
– Que pensa que está fazendo, Elliot? — perguntou ela, ainda de olhos fechados. Elliot beijou o pescoço dela, e passou um braço pela barriga dela.
– Bom, só achei que você iria gostar de um pouco de companhia. — sorriu ele, olhando para ela.
– Aham, ok... — ela replicou. — O que você está querendo, El?
Tinha certeza que o tom de desconfiança havia sido notado também por ele, e suas suspeitas se confirmaram quando um olhar de ligeira indignação estampou suas feições.
– Por que sempre eu tenho que ter segundas intenções quando faço alguma coisa especial? — ele respondeu, cruzando os braços. — Eu simplesmente não posso querer ser um bom marido e cuidar da minha mulher, que acabou de chegar às duas manhã, depois de um dia inteiro trabalho?
Olivia balbuciou algumas palavras, tais que nenhum dos dois entendera, e depois se deu por vencida.
– Desculpa... Eu só... — começou ela.
– Está cansada, eu sei, Liv, tudo bem. — suspirou ele, dando um beijo carinhoso na testa dela. — Não aguento mais tanta pressão, e... — começou ela, sendo cortada pelo choro contínuo da menina. — Isso.
– Ei, — ele riu — eu vou até lá, acalmo nossa garotinha, e, quando você sair do banho, nós dois estaremos te esperando.
Olivia hesitou, em deixá-lo cuidar de sua filha, mas ela era mãe de primeira viagem, ele, não. Ele já tivera cinco filhos, antes dela.
– Certo... Eu... Não demoro. — suspirou ela, sorrindo. Elliot negou com a cabeça.
– Demore o tempo que quiser. — sorriu ele, saindo do banheiro.
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Elliot trocava a menina, enquanto ela ria, com a boca desdentada, e brincava com os pézinhos, e com os dedos do pai.
– Ei, mocinha, quer ver a mamãe? — perguntou ele, sorrindo, mexendo o indicador na barriguinha da filha.
Ao ouvir a palavra "mamãe", os olhos da pequena ficaram mais azuis, e brilhavam, como nunca brilharam antes.
– Vamos lá...– sorriu ele, pegando a menina no colo.
Foi caminhando com a pequena calmamente, sentindo como ela examinava cada parte do pescoço, e cabeça dele.
– Vamos ver a mamãe, sim? — e ele ouviu grunhidos felizes, vindos da filha.
Chegou no quarto, e deitou a pequena, com várias almofadas em volta, sabendo da pequena hiperatividade da filha.
– Ei, sh, sh... Vou chamar a mamãe, hm? — murmurou ele, a pequena abriu outro sorriso desdentado, e bateu as mãozinhas.
Elliot deixou a menina deitada na cama, apreensivo, com medo de ela cair, ou algo do tipo.
– Liv...? — chamou ele, abrindo a porta.
– Ahhh!– grunhiu a menina, sorrindo. Elliot olhou para trás, e viu a menina balançando as mãozinhas.
– Oi, El. — suspirou ela, já vestida com o hobby azul, de cetim.
– Eu já disse como você fica linda, nesse hobby?– perguntou ele, sorrindo, vendo Olivia corar furiosamente.
– Acho que sim...– suspirou ela, ficando na ponta dos pés, passando as mãos pelo pescoço dele. Elliot encostou seus lábios, e Olivia não o afastou.
– Bu-bu-bu?– eles ouviram a menina balbuciar, com medo. Olivia se afastou, e foi até o quarto.
– Oi, meu amor...!– sorriu Olivia, pegando a menina no colo, depois de se sentar na cama. Elliot ficou parado na porta do banheiro, vendo Olivia brincar com a filha.
– Pa... — balbuciou a menina, e Elliot entendeu.
Foi se aproximando cada vez mais das duas, que brincavam, e riam juntas. E, Olivia, apesar de estar cansada, não demonstrava isso.
– Ei, Wendy, olhe aqui! — pediu Elliot, mexendo os dedos. A menina olhou para as mãos do pai curiosa.
– Da...– suspirou a menina, olhando para a mãe.
Quando Olivia se deu conta, ela viu sua filha, e Elliot dormindo serenamente.
E era muito amor, e devoção, apesar de muito pouco tempo de convivência.
Ela sabia isso. Ela vivenciou isso. E agora, ela não queria mais nada.
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