Meet Me At The Coffee Shop
23 The Adventures of Rain Dance Maggie
Notas iniciais
Fizemos cada vez mais shows e o Mother’s Milk vendia cada vez mais, superando nossas expectativas. Apesar do enorme gasto com as drogas, conseguimos separar um pouco de dinheiro depois dos shows pra comprar uma casa maior para os peppers. Quando tínhamos um tempinho extra, eu e a Jess ficávamos tocando em vários barzinhos umas músicas do rhcp, outras de várias outras bandas de rock e outras que nós escrevemos também. Isso até que gerou uma graninha e também ficamos sendo reconhecidas. Para se ter ideia disso, durante um show dos peppers, quando aparecemos lá no fundinho tocando em algumas músicas deles, algumas pessoas nos reconheceram e pediram pra a gente dar uma palhinha. O Ant ficou super orgulhoso de mim e pediu pra eu seguir carreira solo, mas eu disse pra ele que não iria dar certo porque quase não iria dar tempo de ficarmos juntos. Jess já tava ficando com ciúme do John. Não, ele não estava pegando várias mulheres, e sim esfregando suas guitarras durante os shows e depois ficava com o pênis doendo e não podia transar com a Jess.
– Johnny, por que você tem que esfregar a guitarra no seu pau? – perguntou Jess.
– É porque só assim eu consigo sentir a vibe musical que passa por dentro dos meus ouvidos e vai alcançando cada vez mais profundamente a minha alma e isso é muito gostoso e excitante… Ahhhhh… — respondeu John chapado.
– MAS E EU? DEIXEI DE SER EXCITANTE? PERDI SEU PAU PRA UMA GUITARRA? – perguntou Jess.
– Que isso gata, você é meu objeto sexual favorito… I want to party on your pussy baby… I want to party on, party on your pussy… — respondeu John cantando e puxando a Jess pro colo dele fazendo dela uma guitarra e cantando o riff de party on your pussy
– PARA JOHN! PARAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! – gritou Jess vomitando em cima do pé de John.
– Tá vendo? – disse ela irritada.
– Não tem problema, gata. Eu limpo. – Disse John lambendo o sapato dele.
– PORRA QUE PARIU JOHN! VOCÊ TÁ CHAPADO MESMO… PARA COM ISSO, CARALHO! – reclamou Jess.
– VEM CÁ JESS, SÓ ESSE POZINHO… — insistiu John colocando um punhado de cocaína e colocando no nariz da Jess quase sufocando-a.
– PARA JOHN… Para… Paraaaaahhhhh… Ai John… — disse Jess tirando a roupa dele.
Escutamos a barulheira toda e eu e o Ant fomos para a sala ver o que estava acontecendo. Quando vimos que era nada absurdo, voltamos para nosso quarto.
– Ant… — disse.
– O que foi Liz? – perguntou ele.
– Eu tava pensando… que as crianças já deveriam entrar na escola… afinal elas já têm 6 anos… — disse.
– Realmente, Liz… Nunca tinha parado pra pensar nisso… Nossas vidas se resumiram ao lema do Rock n’ Roll e acabamos afetando as crianças também… Elas até já transaram debaixo da cama… Acho que a melhor coisa a se fazer é deixar as crianças com as minhas irmãs e com a minha mãe… Elas não podem viver nesse universo tão maluco que é o da fama, do sexo e das drogas… — disse Ant.
– Bom, apesar de eu ser muito apegada a eles… É uma boa ideia… Só que vai ser meio difícil… – disse.
As crianças estavam assistindo os simpsons na outra sala até que nós começamos a conversar.
– O que foi, mãe? – perguntou Jeff.
– Filho, filha, a mamãe e o papai andaram conversando sobre vocês e chegamos à conclusão de que vocês não podem ficar com a gente mais… — disse tentando manter a calma.
– Então você quer dizer que a gente vai morrer, mamãe? – perguntou Annie.
Comecei a chorar. Passaram-se uns cinco minutos, eu me recuperei e continuei a falar:
– Não filha, a gente só quer que vocês dois passem um tempinho com a vovó e suas titias até a turnê acabar… É para o bem de vocês… Vocês sabem que a mamãe e o papai amam vocês, não sabem? Vem cá dar um abraço na mamãe… — disse.
Depois de chorar rios no meu quarto ao lado do Anthony, eu conversei com a Jess e ela conversou seriamente com o Flea e também decidiram levar a Ash para a casa da Peggy por um tempo.
Passaram-se alguns dias, o AK ligou para a Peggy avisando que as crianças iriam para a casa dela. Arrumamos as coisas das crianças e os mini-instrumentos delas.
Chegamos no aeroporto e demos tchau para as crianças. Não consegui segurar as lágrimas…
– Calma, Liz! É só por um tempo… — disse Ant.
– Mesmo assim, Ant! São nossos bebezinhos já voando sozinhos… — disse.
Anthony me abraçou. A Jess usou tanta droga que acabou nem ligando pra filha. Todos me viram triste e me levaram do aeroporto até a lanchonete do Joe, o lugar onde tudo aconteceu.
Chegando lá, tudo estava diferente. Todos usavam um uniforme e gritavam pelos peppers e por mim também (o que eu já tô me acostumando) e também havia um homem de cabelos ruivos e compridos,forte, e com o corpo todo tatuado no balcão do gerente (o uniforme não dava pra esconder as tatuagens).
–Liz? – gritou o rapaz.
Eu me virei sem saber quem era.
– Liz, sou eu, o Joe… — disse ele.
– J-J-J-J-J-J-J-J-JOE? – gaguejei surpresa.
– Vem cá me dar um abraço, Liz! Como é que você passou esse tempo, linda? – disse Joe. Confesso que fiquei morta de vergonha quando ele me chamou de linda… Ele que estava lindo.
– Minha vida virou de cabça pra baixo, mano… E você? Percebi que mudou muito. – disse abraçando-o.
– Bom… — disse ele coçando a cabeça – Eu estava namorando, mas aí tivemos umas brigas e decidimos terminar… Daí resolvi mudar o visual… — Disse Joe.
– Ficou muito bacana assim… — disse.
– Você já conhece eles? – Continuei apontando para os peppers.
– Sim, eu curto a batida deles… Vocês podem tirar uma foto comigo? – perguntou Joe.
– Mas é claro, Joe... – disse Flea juntando a galera e pedindo para uma empregada dele da lanchonete tirar uma foto.
Ao tirar a foto a empregada do Joe, a Maggie, ficou pelada para os peppers na frente dos clientes e pediu para o John autografar os seios dela. Ele, que estava chapado cumpriu o pedido de sua fã e pegou uma caneta e autografou. Quando eu senti que a Jess já estava tremendo de raiva eu disse:
– Jess, mantenha a calma, o John agora é um rockstar… Isso é normal… Não é só você que sente ciúmes… Eu sinto muito do Anthony também… Mas eu me conformo porque é ao meu lado que ele sempre fica e também porque já temos 2 filhos… — tentei acalmá-la.
– MAS O JOHN TÁ BEIJANDO A MINA! – disse Jess apontando para o John e Maggie.
– Calma, Jess… Ele está chapado, assim como você também fica de vez em quando… Logo ele vai se arrepender disso e vai voltar a te beijar… — disse.
Estava chovendo e o John, que era o mais chapado da galera, foi tomar banho de chuva.
– Vem cá sua gostosa! – Disse John para a Maggie.
Ele e Maggie foram pra chuva e ficaram dançando uma música lá que passou num carro de som na rua.
Conversei um mais um pouco com o Joe e fui pra casa. Fumei uns e fiquei cantando pela casa umas músicas doidas e não tinha nem ideia como minha voz estava… Eu jurava que estava estragando os ouvidos de todos… Até que alguém bateu na porta. O Flea foi atender. Era o nosso produtor, o Michael Beinhorn.
– Quem é que está cantando? – perguntou o Michael.
– Ah, é a Liz, a namorada do Anthony… Pensei que você já tinha escutado ela cantando… — respondeu Flea.
– Eu conheço a Liz, mas não sabia que ela cantava tão bem… Eu vim para sua casa para falar justamente sobre isso, pois tem uma banda de rock que estou produzindo que precisa de vocalista e queria saber se você conhecia alguém, mas acho que já temos a pessoa, isto é, se ela aceitar… — disse Michael.
Flea nem respondeu e foi pro quarto me puxar pra sala. Eu não estava entendendo nada.
– Oi Mike! – disse.
– Oi Liz! Não sabia que você cantava tão bem… Estava aqui escutando a sua voz… — disse Mike me elogiando.
– Estava aqui falando com o Flea sobre uma banda de rock que surgiu e que estou produzindo e essa banda ainda não tem vocalista… E pensei sobre você… — disse ele.
– EU ENTRAR NUMA BANDA? Puxa… eu não sei, se for assim, eu vou ficar longe do Anthony, da Jess, dos meus amigos… — disse.
– Calma Liz, não vai ser tão terrível assim… Essa banda vai abrir os shows dos peppers… — disse Mike.
– Então eu topo… Mas eu vou continuar andando com os peppers, certo? – disse.
– Certo! Só espero que os outros integrantes gostem de você também… — disse ele.
– Tomara… — disse por fim.
O Michael foi embora e passaram-se algumas horas. Não esperava que eu entrasse numa banda… Ainda nem conhecia a galera mas estava com pensamento positivo. Estava assistindo TV até que o telefone ligou. O Anthony levantou do sofá e foi atender:
– Alô?
– Oi Anthony, sou eu, sua mãe. – disse Peggy.
– E aí mãe? Tudo na paz? – perguntou Anthony.
– Na verdade, as crianças ainda não chegaram aqui… Já estou preocupada… — disse ela.
– Obrigado pelo recado, mãe. Vou tentar ligar pro celular do Jeff. Beijos. – disse Ant.
– Beijos. – disse Peggy por fim.
Anthony já estava com uma cara preocupada e logo estranhei:
– O que a Peggy disse? – perguntei.
– As crianças ainda não chegaram… — disse Anthony.
– MAS COMO ASSIM? – disse.
– Eu não sei o que houve… Vou ligar pro celular do Jeff. – disse ele.
– Ligue rápido, Ant! – disse.
Anthony pegou o celular e discou. Eu estava super nervosa e acendi um cigarro de maconha pra viajar na maionese.
– Fora de área. – disse Ant.
Após ele dizer isso, fiquei paralisada, não consegui falar mais nada e simplesmente desmaiei.
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