Meet Me At The Coffee Shop
20 Road Trippin'
Notas iniciais
Passaram-se uns dias e as crianças levaram alta. Passamos mais algumas semanas lá naquela vila até que Ant falou:
- Liz, acho que já estou pronto.
- Pronto pra que, Ant? – perguntei.
- Pra voltar pra Los Angeles, ué. Pra voltar pra banda e tudo. – disse ele.
- Sério? Você tá realmente pronto pra voltar a sua vida normal? – perguntei.
- Se eu tô pronto? NÃO VEJO A HORA DE RECOMEÇAR, ESCREVER NOVAS LETRAS, VOLTAR PRA BANDA, PRA AQUELA VIDA LOUCA… — disse ele.
- Mas… e quem vai ser o novo guitarrista? – perguntei.
- Sem dúvida alguma tem que ser o John. Ele tem que topar. – disse ele.
- Também acho uma maravilhosa ideia. – disse.
Chamamos as crianças pra viajar e arrumei as coisas delas e conseguimos uma passagem de última hora pra Los Angeles.
Saímos correndo, pegamos um táxi e fomos direto pra Guadalajara e pegamos o voo.
Na mente do Ant…
‘’Puxa… como será a minha vida agora em Los Angeles sem as drogas? Será que eu vou resistir? E álbum, como se chamará? E o flea? Como será que ele reagirá assim que me ver, e percebendo que fiquei sem usar drogas? E como ele deve ter reagido ao saber da notícia do Hillel? E o John? Será que ele realmente vai aceitar a proposta de tocar nos Red Hot Chili Peppers? Será que ele já arrumou um emprego? E como vai o Jack? Será que ele já arranjou alguma outra coisa pra fazer enquanto eu tinha saído? Será que já arranjaram um outro vocalista pro Red Hot Chili Peppers? E como iam a filha e a mulher do Flea? E o Blackie? E a Peggy? E as minhas irmãzinhas? Bom, acho que vou continuar a música que eu tava escrevendo…’’
Bom, voltando, eu não fazia mínima ideia do que o Ant pensava e do que ele tava escrevendo… Desconfiava que aquele caderninho fosse uma espécie de diário… Por isso, nem arrisquei perguntar o que ele tava escrevendo, seria falta de educação… Mas até que a Annie perguntou pra ele:
- Papai, o que você tanto escreve?
- Bom, Annie, é uma letra que eu tô fazendo pro melhor amigo do papai que virou estrelinha agora… — disse ele a abraçando.
Comecei a chorar.
Jeff tava do meu lado e perguntou:
- O que houve, mamãe?
Eu o abracei, botei ele no colo, comecei a fazer cafuné nele e comecei a falar:
- Bom, Jeff, tudo começou num colégio, lá em Los Angeles. O seu pai era criança e começou uma amizade com Hillel, um cara muito gente boa. Depois, de uma maneira muito estranha ele conheceu Michael, cujo apelido flea, juntos,(segundo o seu pai) eles eram os ‘’três mosqueteiros’’.
- Três mosqueteiros, pai? – disse Jeff.
- Sim, filho. E aprontamos várias no colégio… Só não vou contar pra você agora porque depois você vai querer fazer isso e depois vai todo santo dia ir pra diretoria, depois o(a) diretor(a) vai tomar ódio de você e nem vai mais querer olhar na sua cara e você talvez será expulso do colégio… — disse Ant.
- Puxa papai… aconteceu isso com você? – perguntou Annie.
- Mais ou menos… mas confesso que foi muito divertido, mas tivemos consequências que não foram boas… — disse ele.
- Como qual, pai? – perguntou Jeff.
- Bom, quando estávamos fora da escola, tínhamos a mania de saltar de prédios e cair na piscina deles, mas uma vez que pulei, errei a mira e quase tive que ficar andando de cadeira de rodas… — disse ele.
- Puxaaaaaa… – disseram Annie e Jeff.
- Mamãe, papai, contem mais! – pediu Annie.
- É… por favooooooor… — insistiu Jeff.
- Melhor deixar pra outro dia, crianças… estamos quase chegando… — disse.
- Tá bom… — disseram os dois tristonhos.
Demorou um pouquinho e começaram as turbulências. Daí um mexicano começou a gritar em espanhol e inglês: ‘’Segurem o cú de vocês’’ e depois todos gritaram: ‘’Arrrrrriba!’’.
- Mamãe, o que é cú? – perguntou Annie.
- Ah, Annie… é aquele barulho que a coruja faz, ‘’cú,cú’’… — disse.
- Mãe, mas o que tem a ver a coruja com essa situação? – perguntou Jeff.
- Ah Jeff, é porque tem um ditado que diz que quando o avião se balança todo, as turbulências, as corujas que tão pousando, elas escorregam, aí dizem pra segurar o ‘’cú’’. – tentei improvisar essa história. Confesso que estava me segurando pra não rir. Aposto que o Ant também, talvez. Bom, ele tava bem concentrado no que ele tava escrevendo.
Após essas turbulências, chegamos em Los Angeles. A cidade dos anjos, como muitos dizem.
- Welcome to L.A.! – gritou o piloto.
Descemos do avião e pegamos um táxi até a kitnet. Chegando lá, estavam a Jess, a Ashley e o John.
Bati na porta.
- Quem será? – perguntou Jess.
- ALICE? ONDE VOCÊ TAVA ESSE TEMPO TODO, CRIATURA? E VOCÊ, ANTHONY? – perguntou ela surpresa.
- Estávamos no México. Precisei me recuperar. Desculpa-me por não informar, mas queria passar um tempo distante das drogas… — disse ele.
- John! – gritei.
Abracei-o fortemente.
- Liz! Garota onde você tava por esse tempo todo? – perguntou ele.
-No México… Bom, cara, como tu tá? – perguntei.
- Tô bem… Escuta, a Jess largou o Flea… e me pegou. – disse John sorrindo.
- O que aconteceu? – perguntei.
- Você não soube? O Flea tem uma mulher e uma filha chamada Clara. – disse John.
- Sério, cara? O Ant não me contou isso. – disse.
- E aí no dia que ela soube da notícia, ela o expulsou de casa, o Jack também foi embora, não só embora, mas embora de tudo, inclusive da banda… — disse John explicando o que houve.
- Como assim? O que houve com o Jack? – perguntei.
- Bom, não sei exatamente… — disse ele.
As crianças se cumprimentaram e John começou a falar com Ant sobre tudo o que aconteceu. Eles resolveram ligar pro Flea (sem a Jess saber). John que insistiu pra ele vir e não contou o porquê. Passaram-se uns minutos e bateram à porta (por sorte não foi a Jess que foi atender, e sim o Ant).
- Quem é? – perguntou Ant fazendo uma voz engraçada.
- É o Flea. – disse Flea.
Ant abriu a porta.
- ANTHONYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY!!!!!!!!!! CARA ONDE É QUE TU TAVA? Eu fiquei aqui desesperado todo esse tempo! – gritou flea.
- Eu tava no México, cara. Precisava ficar sozinho, mas não aguentei ficar sem fazer aquelas coisinhas… Daí chamei a Liz e as crianças, pra passar um tempo com elas e tentar me libertar das drogas. Bom, mas e agora temos que fazer uma reunião dos Chili Peppers, né, cara… — disse Ant.
- É… bom, já conversei com o John e claro que ele topou ser o novo guitarrista… Eu já arrumei um cara cujo apelido é D.H. Peligro, mas ele tá em projetos paralelos e só é por enquanto que ele vai ficar, é só enquanto não achamos outro… — disse Flea.
- Então vamos fazer uns shows, tentar compor umas músicas e procurar um baterista novo. Concorda, Flea? – perguntou Ant.
- Então tá, Ant… O bom do John é que ele já sabe tocar todas as músicas dos peppers e que ele sabe todos os passinhos do Hillel… — disse Flea.
- Realmente… — disse Ant.
Jess tava assistindo tv com as crianças e quando acabou ela se levantou e deu de cara com o Flea.
- O QUE ESSE FELA DA PUTA TRAIDOR TÁ FAZENDO NA MINHA KITNET? – disse Jess.
- Jess, menos, há crianças presentes e essa kitnet também é minha, sabia? – disse.
- MAS VOCÊ FICOU UM BOM TEMPO FORA DAQUI, OU SEJA, NÃO ME INTERROMPA! – disse Jess.
- Mas eu te explico o que ele tá fazendo aqui. Foram o Ant e o John que o chamaram. Se fosse pelo Flea, ele não viria aqui por causa de você… — disse.
- MESMO ASSIM, NÃO QUERO QUE ELE FIQUE AQUI! – gritou Jess.
Cheguei perto do ouvido do Ant e cochichei: ‘’Vocês conversam com o flea que eu dou um jeito na Jess, beleza?’’.
‘’- Beleza.’’ – respondeu Ant.
Peguei uma agulha, esterelizei ela, botei um calmante e cheguei por trás da Jess e injetei.
- É pro seu próprio bem, Jess. – disse.
Ela apagou.
- Mãe, você matou a mãe da Ashley? – perguntou Jeff.
- Não, meu filho, apenas tranquilizei ela, mas ela acordará daqui a um tempo… — respondi.
- Mudando de assunto, hoje vai ter jogo dos lakers, Ant. Querem assistir comigo? – perguntou Flea.
- Vamos. – disse Ant.
Peguei umas roupas amarelas e roxas e vesti as crianças, já que elas não tinham a roupa dos Lakers e também vesti a Jess. Foi um trabalho suado, mas não poderia ser melhor do que tava. Incrivelmente deu espaço no carro do Flea pra todo mundo. Fomos ver o jogo.
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