Medo de Amar - Brutinha
24 Enterro do vovô
Notas iniciais
Ele se aproximou bastante de mim, e ficou intercalado entre minha boca e meus olhos, chegou mais perto fazendo nossos narizes se juntarem, pôs a mão na minha nuca e encostou seus lábios no meu, me dando um selinho, ele pediu passagem mais não dei, me levantei num pulo.
– Miguel! – O repreendi.
– Que foi? – Ele deu um sorriso safado.
– Você é meu primo! – O olhei confusa.
– Foram feito os primos para não pegarmos os irmãos gata. – Ele caminhou em minha direção sorrindo.
– Miguel, para.
– Que foi priminha? É só um beijo inocente. – Ele parou na minha frente. – Vai dizer que eu não sou lindo e irresistível.
– Tu ta é louco. – Dei risada alto. – Desce daqui á pouco eu desço.
– Poxa priminha, vou sair daqui sem nenhum beijo? – Ele fez berçinho.
– É, agora tchau Miguel. – Empurrei ele pelas costas pra fora do meu quarto. – Tchau. – Bate a porta á trancando. – Que garoto safado. – Dei risada comigo mesma e fui pro banheiro pra me banhar.
Tomei banho, coloquei um calça preta e uma blusa de botão preta também, penteei os cabelos, fiz uma maquiagem leve, peguei meu um salto preto e meus óculos e desci.
Todos já estavam á mesa pra almoçar.
– Oi gente. – Falei entrando na sala de jantar.
– Senta aqui meu amor, estávamos esperando você. – Titia falou, falei com o tio, rezamos e almoçamos, fomos todos no carro do Miguel, eu vovó, e titia atrás e eles dois na frente, chegamos ao enterro e já tinha bastante gente, a vovó tava com um semblante triste.
– Chegamos. – Vovó falou desanimada.
– Não fica assim vovó. – Segurei sua mão pra ajudar-la á descer do carro.
– Tem como não ficar meu amor? – Ela tava bastante abatida, vovô era tudo pra ela.
Caminhamos até o caixão dele que estava dentro da capela, eu estava segurando a mão da vovó o tempo todo, caminhamos ao lado do caixão quando eles estava sendo levado pra cova, vovó segurava um guarda-chuvas pois o sol estava forte demais pra ela, o tipo de sol que o vovô amava, lembro que quando eu era menor e ia passar o fim de semana com eles vovô fazia churrasco no quintal e sentava na sua cadeira de sol pra pegar uma cor, ele amava fazer aquilo, todos os finais de semana.
O padre pediu aos entes queridos que fossem lá na frente falar algo sobre o vovô, minhas tias foram, depois o Miguel, a vovó falou de como ele era um bom companheiro, de como ele era uma pessoa incrível, e como ele ia fazer falta pra ela, ela passou mal de tão emocionada que ficou, tivermos que levar-la pro hospital, o médico disse que a pressão dela baixou por causa da emoção, depois fomos pra casa e a vovó foi se deitar, ela estava muito cansada.
Eu também subir pra descansar, tomei um banho relaxante, arrumei minhas coisas que estavam fora da mala, eu ia pegar o vôo pro RJ as 16hrs da tarde, mais de manhã eu ia sair com o Miguel, então era melhor deixar do arrumando, me deitei e mandei um SMS pra Ju, já eram 20hrs45.
‘Oi Ju, cheguei do hospital com a vovó, ela passou mal no enterro.’
A Ju não respondeu, então imaginei que ela esta passando o fim de semana com o Gil, liguei a TV do quarto, apaguei as luzes e me enrolei, tava passando o filme ‘Se ela dança, eu danço’ O que me fez lembrar o Bruno a musica e a boate naquele dia que a gente terminou, antes do final do filme eu adormeci.
Acordei cedo por que tive um pesadelo horrível, eu sonhei que estava correndo do Marcos dentro de um labirinto, e todo lugar por onde eu tentava sair ele estava na saída me esperando.
Levantei num pulo e corri pra fora do quarto meio surtada, eu estava tremula, me sentei na escada por que se não eu cairia lá em baixo se continua-se a descer nervosa assim.
– Prima? – Ouvi a voz do Miguel e olhei pra trás assustada.
– Miguel! – Levantei e o abracei forte, os braços dele me confortava, não como os do Bruno mais era o que eu tinha no momento, e além do mais eu precisava de um abraço, precisava me sentir segura.
– Calma Fat. – Ele me abraçou de volta, me abraçou forte. – Você esta tremendo, o que houve?
– Foi só um sonho ruim. – Falei tentando me convencer que tinha sido só um sonho ruim.
– Tem certeza? Por que você esta muito nervosa.
– Ta tudo bem agora. – Continuava abraçada nele.
– Vai se deitar um pouco mais, ainda são 7hrs30.
– Não quero não, na verdade não consigo. – Sai dos braços deles.
– Vem, eu vou contigo. – Ele pegou minha mão.
– Não, vou descer pra fazer nosso café da manhã.
– Quer que eu vá contigo?
– Vem. – puxei ele pelas mãos e descemos.
Descemos, fizemos o café da manhã, ninguém apareceu, acho que vovó decidiu dormir até mais tarde, a titia e o titio devem estar se curtindo, enfim, eu e o Miguel tomamos nosso café e depois fomos no arrumar, eu ia comprar uma lembrançinhas pras meninas, e dar uma volta.
Prendi o cabelo num rabo-de-cavalo e coloquei um vestido preto (http://2.bp.blogspot.com/-QJEjpv6zP-U/UX1bupEmNZI/AAAAAAAAA_0/Ea0Z_KXfPO0/s1600/page6.jpg) um sapato de salto não muito alto e óculos escuro. Desci e o Miguel já estava me esperando, vovó estava sentada na varanda tomando ar fresco, dei um beijo nela e fomos pro shopping.
Era um pouco longe, uns 40min, mais enfim chegamos, caminhávamos pelo shopping conversando, rindo, brincando, vi uma caixinha preta com uma bonequinha tocando uma guitarra e advinha de quem que eu lembrei? Claro, da Lia.
Bom, tudo o que eu via que era ligado a amor eu lembrava da Ju e do Bruno claro.
Pra Ju eu queria comprar algo mais forte do que um coraçãozinho de pelúcia sabe? Foi na mesma loja que comprei a bonequinha da Lia que eu vi uma caixinha com uma bonequinha bailarina, ai cara, era aquilo que ia levar pra Ju, era a cara dela.
Queria levar algo pro Bruno, porém, não sei se devo sabe? Enfim, optei por não levar nada pra ele, comprei lembranças pros outros, mais os mais importantes foram o da Ju e da Lia.
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