Medo de Amar

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Desculpem, eu sinto muito ;u; eu estava absolutamente sem criatividade nesses meses, sinto muito mesmo T-T Espero que gostem do capítulo e me perdoem ♥

Capítulo 22 – Eu esmago morangos por culpa de uma lança-chamas.

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Eu estava certa. Mal consegui dormir nesses três dias que se passaram. Minhas fobias idiotas pareciam um “ziguezague de melhora”, piorava e melhorava o tempo todo. Eu estava tão cansada daquilo...

— Vamos, Rox! – Percy me chamou pela milésima vez naquela semana – Você precisa sair dessa cama.

— Ele tem razão. – afirmou Lucca.

Eu sei que eu deveria estar super feliz por estar com meus dois velhos amigos no meu quarto — que eu não via há um bom tempo -, mas ultimamente eu tinha medo até de respirar errado caso saísse da minha área segura — minha cama.

— Eu não quero sair. – respondi pela milésima vez naquela semana.

Senti meu edredom ser bruscamente arrancado de mim, e gemi. Sério, eu odeio quando fazem isso!

Percy me puxou pelo braço, e graças aos deuses, nenhuma esquisitice soou o alarme dentro de mim. Ele me colocou sentada, tentando me olhar nos olhos, mas eu estava ocupada encarando os meus joelhos.

— Ei, tive uma ideia. – sussurrou enquanto Lucca dobrava meu cobertor como se dissesse “sem cobertor, sem fuga para o mundo dos sonhos, bobona!”

— Que ideia... Jackson? – perguntei com um bocejo no meio da frase. Ele sorriu e deslizou alguns fios de cabelos azuis escuros para longe de meus olhos.

Desanimada? Eu? Imagina!

Ele sorriu mais uma vez e se levantou, arqueando uma sobrancelha. – Você vai para o acampamento comigo!

Droga.

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— Ótima ideia, Percy. – confirmou meu pai, batendo no ombro do meu aminimigo filho de Poseidon. – Eu sempre quis que ela fosse pra lá, mas ela só sabe reclamar!

— Eu já disse! – resmunguei enquanto enfiava mais uma colher de leite e cereal colorido na boca – Eles só sabem...

— Treinar, treinar e treinar! – os dois me interromperam em conjunto – Nós já sabemos, Roxanne!

Bufei em resposta, comendo mais um pouco do meu cereal. Eles continuaram discutindo sobre minha ida ao acampamento quando ouvi a cadeira ao meu lado se arrastar.

— Você vai sumir de novo? – perguntou Lucca, bem baixinho. Parei de comer e olhei para ele.

Lucca estava de cabeça baixa. Seu cabelo negro quase caía sobre os olhos agora. Os olhos castanhos me encaram de forma ansiosa enquanto seu sorriso pequeno demonstrava fraqueza.

— Joey te viu no parque há alguns meses. – continuou, e a lembrança fez com que eu encolhesse os ombros. Era meio dolorosa. – Você nem falou com ele. Nem comigo. A gente fez algo errado? Porque eu nem sei, já que eu nunca te vejo em casa.

Fiquei em silêncio por um minuto, encarando a colher parada no ar. Eu nunca parei pra pensar nisso. Digo, na saudade que eu causaria em meus amigos.

Desviei o olhar da colher para Lucca e sorri um pouco triste.

— Eu acho que não terei escolha sobre ir pra esse acampamento nesse verão. – olhei rapidamente para meu pai e Percy, Lucca fez o mesmo – Mas saiba que quando eu voltar, vou brincar e fazer o que você quiser contigo.

— Jura?

— Juro de dedinho.

Lucca sorriu de verdade quando entrelaçou seu mindinho no meu. Não pude evitar sorrir também. Meu cabelo ficou do tom branco: felicidade. Mas acho que ninguém percebeu.

∆•∆•∆

Fechei a mala em um zip estridente e a coloquei “sentada” na poltrona ao lado da minha estante. Lembrei de quando Phobos observou meus desenhos antigos... Meu corpo se arrepiou.

— Di Immortales! – resmunguei, já sentindo o controle das “fobias” se esvaindo.

Senti minhas mãos começando a soar frio, tremendo. Respirei fundo uma, duas, três vezes até conseguir me acalmar lentamente.

Seria difícil me controlar em um lugar desconhecido. Já estava complicado manter o controle no meu próprio quarto.

Esse quarto estava infestado de lembranças daquele maldito deus do medo.

Mas não faz diferença. Em três dias, eu iria para o acampamento com meu melhor amigo e depois voltaria para passar uma bom tempo com meu pirralho favorito.

— Vai ficar tudo bem. – sussurrei, na esperança de que fosse verdade.

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— Onde você meteu a minha mala, Jackson?

— Enviei ela para o acampamento, Mason! – retrucou sorridente, se virando pra mim.

O que diabos tá acontecendo? Simples: Percy adentrou meu quarto e descaradamente fez minha mala sumir. Como? Não faço a mínima ideia.

— O quê? – perguntei fazendo careta.

Ele me confundia facilmente. Eu não sabia muito sobre o mundo divino!

— Seu avô faz boas entregas, Rox. – piscou cúmplice, e eu senti minhas bochechas corarem e meu cabelo “rosar”.

— Vai me transferir via Hermes também? – ironizei, cruzando os braços.

— Claro que não!

Suspirei de alívio com o rostinho ofendido de meu velho amigo, mas suguei o ar de volta quando vi um sorriso perverso começando a surgir em seus lábios.

— Vamos via Blackjack. – murmurou , rindo em seguida.

— 'Tô com medo.

∆•∆•∆

— Rox, conheça meu fiel amigo... Blackjack! — disse Percy, acariciando a crina de um cavalo negro.

Não, não era exatamente um cavalo. Era um cavalo com asas. Como aqueles dos desenhos animados infantis. Um pégaso!

— Um... Pégaso? — perguntei só para ter certeza. Ele assentiu. — Então... Ele voa? No céu? Na infinita altura do céu? Voa com as asas dele e tudo o mais?

Percy fez uma careta tipo "que diabos você tá tentando falar?", o que me fez suspirar. Coloquei as mãos ao lado da cintura, inclinando a cabeça para observar aquele pégaso melhor.

— Que foi? — Percy perguntou.

— Só tô tentando ver o animal de todos os ângulos.

— Eu não sou animal! — bufou indignado. — Calado, Blackjack. Não tem graça. — sussurrou, mas eu o ignorei.

— Idiota! Eu não tô falando de você! — Revirei os olhos, me aproximando do pégaso — E sim dele.

— Ué, por quê? — perguntou desconfiado, olhando o pégaso de soslaio. — Toma essa, a-ni-mal!

Engoli em seco. — 'Tô já imaginado os vários tipos de quedas eu posso ter! Você tá maluco, olha!

— Eu consigo emteder ele, não sou louco! — Resmingou, e então...

Perseus Jackson sorriu. Mas não era um sorriso tipo "Sem problemas, eu não vou deixar você cair", era mais como "Medo de altura, uh? Olha, não vou deixar você cair... Mas já o seu estômago vai se perder na viagem com certeza!"

Ou seja, eu estava ferrada nessa pequena viagem com o filho do deus do mar.

∆•∆•∆

Desci do pégaso, ainda tendo certeza de que não só meu estômago, mas meu cérebro e coração também tinham ficado para trás nesse vôo. Mas eu acho que esses meus órgãos eram como a Contracorrente de Percy: sempre voltava para seu devido lugar, não importa onde se perdesse.

Por que? Porque meu estômago se revirava dentro de mim, clamando por paz. Meu coração disparava como uma rodinha para um hamster geneticamente modificado com o DNA do Flash. E meu cérebro parecia ter virado geleia.

Ouvi a risada do maldito semideus que me torturou nesse vôo todo. Ele colocou a mão sobre o meu ombro, e eu acho que vi três cabeças "Jacksonianas" aparecerem no meu campo de visão.

Um som de asas batendo e um vento nem tão forte me empurrou, e se ele não estivesse me segurando pelos ombros, com certeza eu teria caído.

— Tudo bem?

— Vai ficar tudo ótimo quando eu arrancar sua cabeça! — ameacei, já saltando na cabeça da esquerda, mas acho que errei o alvo real — Ou alguma delas...

Ele riu de novo. Idiota!

— Você ainda vai se assustar com muita coisa por aqui, relaxa. — brincou, colocando o braço sobre meus ombros e me guiando pela colina.

Ele me mostrou algumas coisas básicas enquanto eu ainda saia da tontura recente. Como a Casa Grande, no qual tinha um cara muito estranho e um centauro discutindo sobre trapaça, o Pavilhão – esse é o nome? –, onde nós suspotamente comemos e fazemos oferendas aos deuses.

Ele estava me mostrando o campo de morangos quando um garoto em chamas passou gritando com os braços erguidos como se estivesse em um show de rock, batendo em mim com força.

A ponta da minha camiseta entrou em chamas no mesmo segundo em que o garoto instantaneamente parava de pegar fogo. Gritei, tentando apagar o fogo que só parecia aumentar.

O lança-chamas humano só continuou me observando, gritando algo como "faz alguma coisa, filhote do mar!", e eu não entendi nada.

Mas é claro que segundos depois eu compreendi: um jato de água forte me jogou para atrás, fazendo com que eu esmagasse muitos morangos.

Olhei em volta, furiosa, notando o quão vermelho meu cabelo estava. Parecia que o morango havia grudado em todo o meu cabelo.

— Você! – apontei para o garoto moreno que havia provocado tudo aqui, e me assustei um pouco quando minha voz fora duplicada.

— Ra-Ra... — respondeu o moreno, em modo de defesa. Corei fortemente, imaginando que ele estava rindo de mim, mas...

— Não me chame assim, seu maldito elfo!

Me virei para ver quem havia pronunciado aquela frase tão assustadora. Não a frase, mas o tom. Entende?

Era uma garota de tranças. Só isso que eu pude notar, pois no segundo seguinte ela pareceu correr atrás do carinha do fogo.

— Eu vou te matar, Valdez! — ela ameaçou, tentando alcança-lo, mas sempre que ela esticava o braço, ele recuava três passos.

— E me reviver, certo? — ele sorriu fraco, como se aquilo pudesse explodir uma bomba nuclear — e pela aparência que a garota estava, eu não estava discordando muito daquilo.

— Sim... Para poder te matar de novo!

Percy tinha razão. Eu tinha muita coisa com que me assustar ainda. Eu estava até surpresa de ainda não ter pirado com alguma coisa.

Eu só tirei minha atenção dos dois quando uma mão apareceu no meu campo de visão. Ela era extremamente pálida, então não podia ser a do Percy. Me peguei seguindo o trajeto daquele braço até poder ver o rosto do dono da tal mão.

Ele realmente era pálido, e seus olhos pareciam ter cobertores debaixo deles. Olheiras bem profundas. Os olhos castanhos escuros, quase negros me observavam quase que impacientemente. Seus cabelos também eram negros e aparentavam ser bem rebeldes. Vestia uma calça negra, com clássicos All Star. Uma camiseta de uma banda que eu não identifiquei por culpa do morango que pingava dos meus cabelos, atrapalhando minha visão. Ele balançou a mão, como se dissesse "eu não tenho o dia todo, colega".

Um sorriso quase sarcástico apareceu em seus lábios quando eu hesitei em segurar sua mão.

— Precisa de ajuda ou não?

Segurei sua mão de vez, me assustando em como aquele garoto magro tinha força. Talvez fosse um pouco mais novo, sendo só uns dois centímetros menor do que eu.

— Bem-vinda, novata.

Franzi o cenho, olhando em volta. O olhar de todos brincava entre mim e a discussão do garoto em chamas e da menina assustadora.

— Como sabe que eu sou novata? — perguntei.

Tipo, haviam tantos campistas por ali... Como ele saberia que eu era carne nova?

— Não é todo dia que uma garota em chamas de cabelo colorido esmaga uns morangos, sabia? — rebateu com um sorriso de canto. Bufei, cruzando os braços.

Por que eu estava falando com esse garoto? Quem estava me ajudando era o meu melhor amigo!

— Jackson? — chamei, olhando em volta.

Percy parecia ocupado dando atenção para alguns campistas que estavam em volta dele. Olhei para o medonho e parcialmente gentil garoto que me ajudara.

— Posso ajudar? — sorriu novamente, mas eu sabia que se eu desse uma brecha, ele iria tirar uma com a minha cara sem eu notar.

Suspirei, tentando obter qualquer outra ajuda dali. Mas parecia que os deuses não estavam jogando do meu lado desta vez. Nada que não me surpreenda.

Girei rapidamente para o menino. — Como se chama?

— Eu me chamo eu. — respondeu normalmente.

Fiz uma careta, claramente confusa. Que diabos de nome é "eu"?

— Mas as pessoas me chamam de Nico. — sorriu da mesma forma que a última vez, parecendo se divertir diante daquela situação — Seria estranho se eu me chamasse de Nico, né?

Meus cabelos ficaram ainda mais vermelhos, se é que aquilo era possível. Respirei fundo uma, duas, três vezes na tentativa de me acalmar e não estrangular aquele campista.

— Será que você poderia me explicar isso tudo?

Girei o dedo, como se dissesse "me explique sobre esse mundo ou o que vai girar é a minha cabeça e não o meu dedo".

Ele sorriu de leve, menos idiota desta vez, colocando as mãos nos bolsos da calça negra.

— Claro. Por que não?

Notas finais
Espero que tenham gostado, mesmo que esteja meio bagunçando (meio?) sksjdkjabs Então, caso tenha algum erro ou algo do tipo, não fiquem tão chateados comigo. Eu tô postando pelo celular (eu esperei por 6 dias um computador, mas... O meu não colaborou) Enfim, acho que já vou começar o próximo capítulo em breve. Vou me esforçar para não demorar com a próxima postagem. P.S: Eu já tinha planejado mandar a Rox para o Camp de uma forma ou outra, então... Espero que curtam essa ideia ;u;