Medo de Amar
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Capítulo oito – Eu me perco no Olimpo e o Sol me guia.
***
Eu estava coberta pela raiva. Por que eu não perguntei onde raios o templo de Phobos ficava? Mas que droga! Essa minha ansiedade em vê-lo não me ajudou em nada! Já faz 31min e 56seg que estou aqui tentando achar um caminho. Sim, eu contei os minutos!
Em cada passo que eu dava meus olhos só viam as colunas gregas antigas do Olimpo, e às vezes, templos de alguns deuses. Mas nenhum que me interessasse. E eu estava irritada demais para ir pedir ajuda para algum deles.
“Que piada. Perdida no Olimpo.” Pensei. O local era literalmente resumido em mármore e corredores vazios. Perturbador de um modo silencioso. Aquele silêncio absoluto me torturava.
– Mas que droga! – reclamei um pouco alto.
Eu estava tão concentrada em me xingar mentalmente pela burrice de não perguntar á Deusa do amor e da beleza que direção ir que levei um enorme susto ao sentir uma mão em meu ombro.
– Está tu... – Não o deixei terminar, pois lhe dei um soco forte no nariz. Quem quer que fosse, caiu ao chão com um barulho abafado que ecoou pelo local vazio.
Arregalei os olhos, virando-me e encontrei um cara. Ele tinha cabelos loiros e a pele um pouco morena. Não pude ver seus olhos, pois estavam fechados; ele tinha uma mão no nariz, como se tentasse parar a dor. Suas vestes eram daquelas elegantemente despojadas. Uma camisa branca polo e uma calça jeans escura, e também um tênis All Star clássico.
Aproximei-me dele, corada e provavelmente com os cabelos rosados, mas não parei para notar isso agora.
– Oh, deuses. – resmunguei envergonhada. Ajudei-o a levantar-se. – Me desculpe. Desculpa mesmo. Eu estava tão tensa aqui, e acabei me assustando com você... – Não terminei a frase porque ele tinha aberto os olhos, e tenho que admitir... Eram lindos.
– Tudo bem. – murmurou um pouco rouco. – Já estou melhor... Você tem uma força, hein? Uau!
Dei um riso nervoso. – Desculpe mesmo.
– Tudo bem. – repetiu. Ele tirou a mão do nariz e franziu o cenho. – E você é...?
– Roxanne Mason, senhor. – falei.
– Odeio isso. – sussurrou. Ele revirou os olhos.
– Perdão? – disse sem entendê-lo.
– Ah, é que eu odeio quando me chamam de senhor e que usem toda essa formalidade comigo. – balbuciou. – Ah, desculpe. Sou Apolo, deus do Sol e várias outras coisas.
– Puxa, Apolo! – exclamei com um sorriso.
– Você é uma daquelas semideusas que me ama? – Ele sorriu.
– Não, eu te odeio. – Fiz minha melhor cara de decepcção. Ele pareceu cair, pois encolheu os ombros em modo triste. – Mentira, eu acho você legal.
Ele sorriu de volta e fez algo inesperável. Me abraçou. E foi como aqueles abraços de velhos amigos, coisa que nunca recebi, eu acho.
– Então, Roxanne... – chamou-me Apolo. – O que você está fazendo perto do meu templo?
– Perdida. – Desviei o olhar dele para o chão ao sentir minhas bochechas arderem.
O deus do Sol abraçou-me pelos ombros. – Pra onde quer ir, moça perdida?
– Para... O templo de... Phobos. – respondi-lhe hesitante.
Ele parou de andar, e segurou meu queixo, forçando-me a encará-lo. Eu realmente me envergonhei por aquele ato dele. Dei um tapa em sua mão, o fazendo soltar meu queixo.
– Sabia que te conhecia de algum lugar. – disse. – Você é a famosa Roxanne, que Ares tanto odeia. Ele disse que você era ridícula, mas acho que aqueles óculos escuros estão deixando-o cego, porque você é muito bonita.
– Obrigada.
– Ah, e além de ser famosa pelo ódio de Ares... – continuou. – Você também é conhecida por partir o coração do pobre deus do medo, hein? Tá podendo, garota. Não é todo dia que você parte o coração de um dos filhos durões de Ares.
Suspirei um pouco magoada com aquilo. Eu nunca quis magoá-lo, realmente. Parte de mim queria contar tudo á ele, dizer que o amava e finalmente poder beijá-lo. Mas a outra parte de mim dizia que eu deveria esquecer toda essa história de amor e apenas se desculpar com ele, ou apenas dar meia volta e se jogar do Olimpo e morrer de vez.
– No que está pensando? – sussurrou Apolo ao meu lado, me fazendo dar um pulo.
– Hã... Em nada. – menti.
– Aham, sei. – respondeu irônico.
– É sério. – menti mais uma vez.
– Claro. – disse no mesmo tom. Eu ia protestar, quando ele me interrompeu antes que algo saísse da minha boca. – Enfim, já chegamos.
Olhei para frente. O templo de Phobos não era tão diferente dos outros, por fora.
– Obrigada, Apolo. – agradeci, ainda encarando a porta. Mas me virei para ele, continuando a fala. – Algum dia eu ainda vou te retribuir esse favor.
– Ah, eu sei que vai. – Ele deu um riso malicioso, o que me obrigou a lhe dar um soco no ombro, sem dó. Ele começou a passar a mão no ombro dolorido. – Foi mal! Foi mal! Eu só estava brincando com você! Juro que não ia fazer nada que você não quisesse.
Ele deu um sorriso malicioso. Eu pisei em seu pé, não tão forte desta vez. – Safado!
– Ai! – sussurrou discretamente, recolhendo seu pé para trás. — Certo, eu já parei!
Foi a minha vez de sorrir. – Acho bom. Mais uma vez, obrigada.
– De nada. – Sorriu novamente. – Acho que eu devo ir agora...
– É. – confirmei.
– Até mais, moça perdida. – Ele se aproximou e me deu um beijo na bochecha, se afastando meio sem graça e com um sorriso perverso. Apenas revirei os olhos.
– Apolo... – balbuciei para mim mesma enquanto o via sumir no branco das colunas.
Fui me aproximando lentamente da porta do templo de Phobos. Hesitante, bati na porta. Certo, isso pode parecer meio estranho, mas eu tenho que bater, não é?
– Eu mandei você pausar, Deimos. – pude ouvir a voz de Phobos. Um calafrio percorreu pelo meu corpo. – Seu filho da mãe. Você vai ver depois!
Então a porta se abriu. Eu morri de medo de revê-lo e me virei de costas imediatamente, com as mãos nos olhos. Meus cabelos mudaram do rosa para o negro. Acho que isto foi o bastante para que ele me reconhecesse, porque ele me virou de volta pra ele.
– O que faz aqui? – perguntou baixo.
– E-eu... – Engoli em seco. – Vim conversar com você.
Phobos fechou a porta atrás de si. – Conversar? Depois de todo esse tempo, você querconversar?
– Me desculpa! – choraminguei. – Eu preciso te contar uma coisa!
– Não tem nada que eu queira ouvir de você. – dizendo isso, Phobos virou as costas para mim, abrindo a porta e ameaçando entrar, mas eu não deixei.
Entrei em sua frente e segurei a gola da sua camisa, puxando-o para mais perto de mim e colando seus lábios aos meus.
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