Medo de Amar

18 Capítulo 18 - POV Perseu


Notas iniciais
Eu iria postar este capítulo amanhã, but sou ansiosa demais e não aguentei esperar até amanhã. Espero que gostem do capítulo.

Capítulo 18 – Lembranças.

***

POV Perseu

Avistei o médico sair do quarto onde Roxanne estava. Ele encarava a paleta que estava nas mãos com um suspiro. Então ele levantou o olhar e me encarou, aproximando-se.

– Vou ser franco com o senhor. – disse ele, com seu olhar sem emoção – Não tem muitas chances de ela acordar. O ferimento foi fundo e ela perdeu muito sangue, e aqueles cortes que ela tinha na coxa também não ajudaram nas chances dela sobreviver.

– Mas... Ela ainda pode acordar, não é? – murmurei, apertando uma mão contra a outra, nervoso.

– Em casos como este, duas entre dez pessoas conseguem recuperar a consciência. – Ele me olhou sério, ajeitando os óculos quadrados sobre o nariz – Mas, sim. Ela tem uma chance de despertar, sim.

– Eu posso vê-la?

Ele me avaliou um pouco e assentiu a cabeça, começando a se afastar, provavelmente indo destruir o otimismo de mais alguém pelo hospital.

Entrei no quarto onde Roxanne estava. Seus cabelos estavam no tom azul claro. Talvez fosse relaxada a sua emoção atual, pois era assim que ela parecia naquele momento. Tão calma, tão tranquila, sem as preocupações que ela tem de enfrentar todos os dias.

Eu me senti culpado. Culpado por ter me afastado dela. Depois que a vi no hospital da última vez, eu acho que me afastei dela. Eu só me preocupava em me divertir, e esqueci-a. Eu nem me toquei de que ela também era semideusa, que também tinha sentimentos, que também podia se machucar, emocionalmente ou fisicamente.

Ela sempre foi tão gentil. Preocupava-se mais com o pai dela que consigo mesma. Desde que a conheci, ela era assim. Agora nem sei se ela é assim ainda. Assim como eu mudei pra completo idiota, ela também deve ter mudado, só não sei se foi pra melhor ou pior.

Sem que percebesse, as primeiras lembranças que vivi com ela vieram na mente.

– Papai! – reclamou uma voz feminina no corredor – Me dá essa chave aqui. Você ainda está com a vista ruim por causa daquele pequeno veneno que espirrou aí.

Terminei de subir as escadas e vi uma garota de aparentemente doze ou treze anos, abrindo a porta do apartamento que estava á venda desde o mês passado. Ela deixou que um homem entrasse primeiro, guiando-o até o sofá que deveria ter sido posto ali mais cedo.

Ela voltou até porta e pegou uma mala enorme, tentando arrastá-la para dentro. Vi que ela parecia cansada e fraca. Andei até ela e peguei a mala, assustando-a.

– Calma, só vou ajudar. – Sorri pra ela e ela corou.

Levei a mala para dentro e acenei para o homem no sofá. Ele pareceu não notar.

– Desculpe, ele não está chegando muito bem de longe – Ela coçou a nuca, envergonhada.

– Sem problemas. – Sorri pra ela.

– Amigo novo é, Roxanne? – O pai dela sorria – Ótimo! Faça bons amigos. Sempre é bom ter alguém pra se confiar nos momentos, sendo difíceis ou não.

Roxanne corou o dobro do que uma pessoa normal conseguiria.

Aquela foi a primeira vez que a vi. Uns dois meses depois ela se mudou. Eu não esperava revê-la. Mas aí, alguns anos depois, eu a vi de novo.

“Sempre é bom ter alguém pra se confiar nos momentos, sendo difíceis ou não.” Disse o pai dela quando nos conhecemos.

E quando ela mais precisava de um ombro amigo, eu não estava ali pra ela. Mas que droga de amigo eu fui?

Roxanne sempre me ajudou com meus problemas. Sempre que eu estava mal por ter brigado com Annabeth ou Grover, ou sempre que eu lembrava os amigos que perdi nas missões e também quando eu ficava com medo de que aqueles monstros sinistros que enfrentei voltassem, ela sempre me ajudava. Dando um simples abraço ou presentinho pra aliviar os pensamentos pesados. Ela sempre esteve ali pra mim, e eu não.

Ouvi um som baixo vindo da mesinha que havia do lado da cama e pisquei, voltando a realidade. Era o celular de Roxanne. Peguei-o e vi quem ligava para ela.

Atendi, levando o celular ao ouvido, cerrando os dentes.

Alô?

Quem é você e o que quer com Roxanne? – murmurei friamente. Modo protetor ativado.

E-eu sou... Hei isso não é da sua conta! Quem é você?

– Sou Perseu Jackson, irmão da Roxanne. – respondi. Bem, não era realmente uma mentira, ela sempre dizia que eu era como um irmão mais velho pra ela. – Você é amiguinho dela?

Ele murmurou alguma coisa que eu não entendi muito bem.

Eu sou Alan, o namorado da Roxanne. – Ele respondeu. Mordi o lábio, deixando os palavrões somente na mente. – Bem, ela ainda não sabe disso, mas tudo bem, né?

Esse cara vai me tirar muita paciência ainda.

***

– Oh, você é o Percy, não é? – Uma garota atrás de mim murmurou.

Virei-me e dei de cara com aquela garota que eu havia conhecido anos atrás. Roxanne. Ela estava diferente, é claro. Estava mais velha...

Seus cabelos estavam mais compridos, seu corpo agora tinha curvas que pode tirar atenção de vários garotos. Seu rosto estava mais exausto do que antes, mas não perdia aquele brilho que ela sempre teve nos olhos.

Seu rosto estava coberto de pequenas gotas de tinta, assim como os cabelos e as roupas. O cabelo! A cor estava... Diferente. Estava esmeralda.

Lembro-me da vez que a conheci. Pensei ter visto o cabelo dela ter ficado rosa, mas logo estava castanho de novo. Imaginei que fosse coisa da minha cabeça, mas acho que não era só isso. Parecia que seus cabelos tinham vida própria, mudavam de cor quando bem queriam.

– Sou sim. – respondi com um sorriso de canto – E você é a Roxanne.

Ela abriu um enorme sorriso ao ver que eu ainda me lembrava do nome e de sua existência. Roxanne me estendeu a mão coberta por tinta seca dos tons do parque que havia perto. Eu apertei sua mão e convidei-a para passear algum dia pela cidade, que eu poderia lhe mostrar o lugar.

Ela disse que já conhecia, mas ficaria honrada de relembrar o lugar.

E eu vi aquele olhar coberto por sua exaustão, e seu corpo um pouco mole pelo cansaço, a tristeza estampada na expressão dela. Mas mesmo assim, ela aceitara meu convite, apenas para me agradar, apenas para não me decepcionar com apenas um “Não posso hoje” ou “Talvez outro dia”.

Eu percebi que ela seria uma amiga para todas as horas. Não seria como aquelas que a gente só se apoia, mas que também ofereceria apoio á ela.

Eu acabei sorrindo por notar isso.

Ela também sorriu, uma manchinha amarela de tinta nos lábios destacando-se no meio do mar branco que era o brilho dos seus dentes, daquele sorriso confiante que ela queria me transmitir.

Eu havia desligado o telefone já fazia alguns minutos. Apenas pensando em como eu ficaria se perdesse uma das minhas melhores amigas que já tive. Já perdi tantos amigos nessas malditas missões e profecias heroicas, que não sei se aguentaria mais uma perda.

Encarei o celular dela. Percebi que no canto da tela havia um pequeno símbolo de um rosto de um cão infernal, com um “A” meio que pintado ali no focinho do animal. A letra tinha uma impressão de ter sido feita com sangue fresco que ainda escorria pela figura.

– Ares. – sussurrei.

Levantei-me e coloquei o celular dela no bolso. Curvei-me o suficiente para afastar o cabelo da testa dela e dar um beijo ali. Passei os dedos por seus cabelos azuis, que pareciam estar perdendo a cor aos pouquinhos.

– Você vai ficar bem, Rox. – falei baixinho, passando a mão nos cabelos dela mais uma última vez.

Saí do quarto pisando duro. Eu ia ter um sério papo com os deuses dessa vez.

Notas finais
Heeei, pessoinhas! Eu estou planejando postar um capítulo por dia nessa semana. O que acham?