Medo de Amar

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Só sumi por um mês aqui hein ;u; não me batam. Uma das minhas promessas de ano novo foi que eu seria uma autora menos ausente -q Bem, eu iria postá-lo no Natal, ou por aí, mas ele estava pela metade e minha criatividade estava em uma crise bipolar. Uma hora me odiava e me dava as costas, e na outra, estava ali me obrigando a escrever. ;u; Eu sei que vocês devem estar raivosos com minha falta de vontade, BUUUUUT I'm sorry ;u; E eu já escrevi o próximo e estou na metade do seguinte, ou seja, vou postar mais rápido o/ Espero que gostem do capítulo e pá. (~'-')~

Capítulo 17 — Eu caio do céu.

***

A benevolente encarava-me com um brilho sanguinário no olhar.

Um breve sorriso sarcástico brotou em seus, talvez, lábios (?).

– Muito inteligente de sua parte usar um telefone tão atrativo. – disse a criatura, rindo secamente – Claro, não é de se esperar que uma semideusa de canto faça tamanha burrada.

– Como ousa? – murmurei. – Não me interessa o que você é, pois nem assim isso lhe dá direito de julgar minhas capacidades.

Enquanto eu falava, ela mexia a mão em forma de uma boca, fazendo uma careta entediada e repetindo a frase “blá, blá, blá”.

E, de repente, ela parou e avançou pra frente, com o impulso de me pegar pelo pescoço, ou seja lá qual a região for.

Pulei para o chão por reflexo, como se fosse fazer flexões. Levantei-me o mais rápido que pude antes que ela notasse que não havia sequer me arranhado e corri até a cozinha, abaixando-me atrás do balcão. Ainda abaixada, abri a gaveta e peguei uma faca quase do mesmo tamanho que meu antebraço.

Ouvi os passos dela se aproximando e preparei pra tentar feri-la com a faca, ao menos. Poderia me dar um tempo até eu conseguir uma arma útil... Arma! Papai deve ter alguma no quarto?

Antes que eu notasse, o monstro apareceu ao meu lado. Atirei a faca em sua direção, mas ela desviou facilmente. Arregalei os olhos, tentando pensar enquanto ela chegava mais perto.

Eu precisava pensar em algo ou ela ia me esfolar viva.

Avistei uma frigideira perto da pia. Isso iria atrasá-la, tinha que tentar. Corri até a frigideira e agarrei-a com firmeza.

No mesmo minuto em que a benevolente correu até mim, eu me virei e acertei a frigideira no seu rosto.

– Na mosca! – sussurrei com um sorrisinho.

Ela se virou com a pancada com um gemido de dor. Acertei-a mais algumas vezes, só para fazê-la sentir mais dor e me também me fazer ter mais chances de sobreviver.

Larguei a frigideira no chão com um estrondo e corri até o quarto ao lado do meu, que era o do meu pai. Olhei por cima do ombro e vi que a criatura ainda se contorcia com a dor. Entrei no quarto e tranquei a porta, afastando-me da mesma. Comecei a pensar. Onde meu pai poderia esconder alguma arma?

– Você chega até a ser uma presa difícil, meu bem! – Ouvi a criatura dizer como se isso tivesse graça. – Acho que eu não me importaria de dividi-la em três. Você se importaria?

Ela riu.

Espere. Ela ia chamar mais monstros? Eu ficarei sem chances.

– Você gosta de cachorrinhos? – provocou-me ela – Eles são tão humildes. Que tal um par de cães pra você de presente?

Corri até o guarda-roupa do meu pai e abri-o, jogando as roupas pelo ar. Nada.

Passei para o próximo alvo. Fui até a cama, levantei o travesseiro, as cobertas, o colchão. Nada também.

Revistei o armário do banheiro, as pequenas cômodas que ficavam ao lado da cama, debaixo do tapete; tentei ver até dentro do chão de madeira, se havia alguma tábua solta, mas, infelizmente, não achei nada.

Pude ouvir um rosnado distante. Provavelmente os tais cães que ela me disse.

Olhei em direção a janela. Eu poderia saltar dali... Não, é muito alto. Talvez pelas escadas de incêndio eu pudesse ir ver o Percy, já que ele é semideus e...

– Percy! – exclamei, dando um tapa em minha própria testa – Como não pensei nisso antes?

Aproximei-me da janela e passei metade do corpo pela janela, uma perna de cada lado, respirando fundo.

– Não olhe para baixo, não olhe para baixo. – murmurei pra mim mesma, apoiando o pé direito em um degrau da escada.

A porta pareceu explodir com a brutalidade que foi aberta. Dois cães enormes entraram por ela, rosnando e mostrando seus dentes de lobo mau para mim.

Pulei de uma vez para a escada de incêndio. Mas não antes de um dos cães arranharem a minha coxa com aquelas garras enormes.

– Filho da mãe! – grunhi, subindo a escada. Olhei por cima do ombro e vi que os dois tentavam passar pela janela. Sei que logo eles vão conseguir.

Eu conseguia sentir a dor; o arranhão ardendo e o sangue escorrendo pelo meu jeans velho. Tentei recuperar alguma merda de força que me restava pra ignorar a dor e subir as escadas mais rápido.

Assim que cheguei ao apartamento de Percy, soquei a janela, quebrando-a em pedaços. Entrei pela mesma e vasculhei o quarto. Uma desordem total e nenhuma arma visível.

Abri a porta e saí para o corredor da casa, estava completamente vazia.

– E agora? – sussurrei, sem poder conter mais o choro — Quem poderá me defender?

Joguei-me na parede do corredor, deslizando até o chão, com a perna dolorida e sangrenta. Se o corte fosse mais fundo, acho que eu poderia ver meus ossos. Ok, sem dramas, Roxanne.

Mas eu ainda estava chorando de qualquer forma. Eu iria morrer e fim da minha história. Percy e Sally chegariam em casa e veriam os meus restos no corredor. Ou não, talvez nem sobrasse nada meu, além desse maldito sangue dessa maldita ferida.

Estiquei a perna ferida, pra ver se passava um pouco da dor. Pude ouvir os uivos lá fora. Talvez eu tivesse, uns, o quê? Cinco minutos de vida?

Senti algo no meu bolso enquanto mexia a perna. Enfiei a mão nele e tirei um celular do mesmo. Encarei o celular como se fosse algo inútil.

Mas aí eu me lembrei de alguém.

Afrodite poderia me ajudar. Afinal, eu sou especial pra ela ainda não sou?

Desbloqueei a tela, sem querer, acabei sujando-o um pouco com sangue.

Liguei para com contato com o nome dela.

– Vamos, atenda, eu preciso de você... – Caixa postal. – Droga.

Pra quem mais eu poderia ligar?

Sons de garras se chocando contra o metal da escada.

Levantei-me e corri até o banheiro, trancando-me ali mesmo. Eu tinha que ter mais uns minutinhos pra pensar ao menos em algo pra sobreviver.

Olhei a lista de contato.

Vários desconhecidos, Alan, Afrodite, Ares, desconhecidos, des...

Ares! Ele era minha única esperança agora.

– Não acredito que vou ter que pedir ajuda para um idiota como ele... – discuti comigo mesma — Não! Não vou fazer isso. Prefiro morrer.

O som de mais vidros se quebrando alcançou meus ouvidos.

Eles entraram, estão aqui.

– Mudei de ideia.

Disquei o número e esperei. No quarto toque, ele atendeu.

– Sua peste! Como ousa me interromper?

– Como sabe que sou eu? – indaguei, franzindo o cenho.

– Não preciso saber que é você. Qualquer um que me interrompa é uma peste. – disse ele com seu famoso e familiar tom sarcástico

– Oras, e o que você estava fazendo de tão importante? – Ouvi os passos dos animais ecoarem pelo corredor – Olha, esquece! Eu preciso da sua ajuda, por favor!

– A unicórnio não pode usar seu chifre mágico pra se defender dos monstrinhos? Tsc, tsc, tsc. Pensei que eu estivesse te treinando pra sobreviver e não pra aprender a pedir ajudinha aos deuses.

– Me treinando? ISSO É CULPA SUA?!

– Meu ouvido não é penico, pirralha. Não se tocou que esse seu celularzinho, em vez de ter um símbolo de coraçãozinho aí no cantinho da tela, tem um cão infernal?- disse ele num tom risonho - Mas que burra! Eu troquei o celular encantado de Afrodite pra um celular que faz ilusões de monstros. Nada disso aí é real, babaca.

Meu queixo caiu.

– Mas ele me feriu... – tentei argumentar.

É claro que feriu! Precisava ter algo real aí pra você acreditar. Eles não vão te matar. Não quero que você morra. Não nas mãos deles, mas sim nas minhas, claro.

– Primeiro, quero lhe agradecer por “salvar” minha vida. – falei tranquilamente – Segundo, eu desejo do fundo do que eu sou obrigada a chamar de coração, que você vá se ferrar! Seu idiota!

Desliguei assim que ouvi ele rir do outro lado da linha. Destranquei a porta e saí. Fui até a cozinha e abri a gaveta, pegando uma faca estranha que estava debaixo das outras, afinal era a maior.

Virei-me para procurar algum cão e ver se Ares estava tirando uma com a minha cara até se eu estiver perto da morte, ou se era verdade que era tudo coisa de ilusão, mas não precisei.

O cão cerrava os dentes, rosnando em sua posição de ataque.

Enfiei a faca no que seria do crânio do cão, se ele não houvesse sumido antes de eu fazer isso em uma nuvem de poeira com um rugido sinistro. Em algum cômodo da casa, o mesmo som ecoou. Isso quer dizer que eu já me livrei dos cães. Mas eu nem toquei no segundo...

Mas, pensando bem, Ares não me disse nada sobre uma Fúria, somente dos cães... Ah, isso não importa.

A porta do quarto de Percy voou por todos os lados, e a benevolente passou pelo que restou da mesma. Tá, talvez importe um pouco. Segurei a tal faca com mais força.

O monstro voou até mim, me pegando pelos ombros e me arrastando pelo quarto de Percy até a janela. Minha garganta doía com o grito que saia dela. Ela subiu no ar.

Pude ver meus pés se distanciando da janela, da escada, da rua...

– Me solte! – gritei, balançado os pés.

– Vou soltar logo, não se preocupe, meu bem – Ela riu.

Se eu ia morrer, eu prefiro morrer com a pouca honra que me resta. Levantei o punho e enfiei a faca na barriga da Fúria, subindo o corte até o pescoço, o mais fundo que a arma me podia. Ela gritou e virou uma nuvem de pó. Comecei a cair, mas antes que eu notasse, caí num terraço de barriga para baixo, rolando um pouco. Meu pé latejava, assim como meu braço e coxa.

Levantei-me totalmente fraca e procurei a faca. Senti uma pulsação na cintura e senti medo. Medo de olhar pra baixo. Olhei assim mesmo e vi que a faca estava enfiada ali no canto. Gemi e retirei-a. De repente, a dor veio.

É incrível como só notamos a dor quando vemos a ferida.

Manquei até a escada de incêndio e comecei a descer. Quando faltavam apenas alguns degraus pra chegar ao menos ao andar do apartamento de Percy, eu não aguentei mais o peso. Caí e rolei escada abaixo, a dor consumindo a alma por completo agora.

Respirei fundo com dificuldade.

– Perseu Jackson, eu disse que era para você estar aqui antes de eu chegar! – Ouvi a voz de Sally ecoar de dentro da casa.

Tentei me levantar mais uma vez. Entrei pela janela, ferindo as mãos para poder apoiar no parapeito que estava coberto de cacos. Manquei mais um pouco até a sala e vi que Sally estava de costas pra mim, fechando a porta e falando ao telefone.

– Eu irei contar até três e espero que você esteja aqui no último segundo! – exigiu ela, batendo o pé. – Um...

Eu me escorei naquela parede pela segunda vez, com a mão sobre o ferimento e deslizei, suspirando baixinho. Não tinha forças para falar nem para sequer chorar.

– Dois...

Isso era tudo culpa minha. Minha burrice ultrapassou os limites. Eu devia ter enfrentando os cães mais cedo, eu teria visto que não eram reais e nada disso teria acontecido. Mas é claro que meu pai e Ares também tem uma parcela de culpa. Se meu houvesse me treinado, eu teria os matado, teria coragem. E se Ares houvesse me alertado, eu estaria bem.

– Três!

A porta se abriu e Percy deu um selinho em uma loira, que saiu correndo com um riso em seguida. Sally guardou o celular e colocou os braços na cintura, rindo também. Percy encarou-a com um sorriso e entrou, guardando o celular no bolso, como a mãe.

Seus olhos bateram em mim e seu sorriso sumiu. O espanto colado na sua expressão.

Não era á toa também, eu parecia uma fonte de sangue, uma esponja cheia de furos, jorrando sangue no corredor todo.

Sally virou-se e me encarou, colocando as mãos na boca. Os dois correram ao meu lado, não pareciam saber o que fazer no meu estado.

– Desculpe – sussurrei rindo bem fraco. Isso doía. – Não queria invadir, destruir e sujar a casa de vocês com meu sangue imundo.

– Cala a boca, Roxanne. – disse Percy, sem achar graça. Ele me pegou no colo.

– Leve-a para o carro. – pediu Sally

– Não, vai demorar muito com esse trânsito. – o retrucou, me levando pra fora do apartamento – Com Blackjack é mais rápido.

Ele foi até a janela no fim do corredor e passou por ela, ainda comigo no colo.

E assoviou.

Um cavalo alado negro surgiu e parou na nossa frente. Percy me colocou na frente e subiu, segurando-me pela cintura. Respirei fundo, mesmo que doesse.

O cavalo relinchou.

– Não me chame de chefe, Blackjack – Percy reclamou – E para o hospital, logo!

Blackjack levantou voo. Relaxei o corpo no de Percy, seu queixo escorado na minha cabeça. Eu queria dormir... Quem sabe assim passasse essa dor. Não, não passaria; só se eu morresse. Ah, morrer parecia tão reconfortante agora...

– Não durma, Rox, por favor. – murmurou Percy.

Mas eu não pude evitar. A consciência pesava. Eu estava exausta. Havia matado meus três ou dois primeiros monstros, sozinha!

Eu estava praticamente morrendo.

Eu tinha que dormir, tinha que descansar. Afinal, se todas essas coisas já aconteceram comigo, é porque eu realmente deveria morrer, não?

Fechei os olhos com um pequeno suspiro, sem me preocupar se eu acordaria ou não.

Notas finais
PRIMEIRAMENTE, NÃO ME MATEM! Vai ter próximo ainda, se lembram? ;u; Bem, eu provavelmente ainda postarei essa semana como um pedido de desculpas por meu sumiço o/ Reviews? ;u;