Medo de Amar
14 Capítulo 14 - POV Phobos
Capítulo 14 — Sorria, você está sendo filmado!
***
Saí do quarto dela e fui para a sala. Joguei-me sobre o sofá, e fiz com que o controle aparecesse em minha mão.
Liguei a televisão e comecei a trocar os canais, tentando achar algo de interessante.
Acho que fiquei apertando o botão por uns dez minutos, sem achar nada que eu gostasse.
– Aqui é um saco! — Ouvi a voz do meu pai resmungar ao meu lado. — Sua mãe também! Só sabe inventar histórias.
– Oi pai. — falei, ainda clicando no botão da televisão, distraído.
– Dá pra escolher um canal só?! — gritou ao meu ouvido.
– Eu não sou surdo, droga. — Coloquei o controle no sofá e vi que estava em um canal que estava passando algumas mulheres desfilando de biquíni.
– Ah, agora sim... — murmurou Ares, olhando para a tela.
– O que veio fazer aqui? — perguntei. Não estava muito interessado naquele desfile idiota.
– Ah, droga. — sussurrou impaciente. — Sua mãe mandou que eu viesse lhe buscar.
– Pra quê?!
– Ela quer que eu te leve ao shopping. — Ele fez uma careta. — Para esperarmos ela lá. — Eu ia perguntar o porquê, mas ele me interrompeu. — Não me pergunte merda nenhuma, porque eu não sei o que ela tá tramando!
Bufei e revirei os olhos. Meu pai me pegou pela gola da camisa e me colocou de pé. Ele disse o nome do shopping e eu o vi sumir antes que eu fizesse o mesmo.
***
Depois de meia hora, eu ainda estava sentado naquele banco desconfortável que tinha em uma loja masculina.
Eu estava ali fazia uma hora, mas metade dela, eu havia gastado com as roupas que eu tinha sido forçado a provar.
Afrodite havia reservado algumas roupas ali para mim, e disse que eu deveria prová-las, e se ficasse pequeno ou grande, eu deveria pegar um do tamanho certo. Sem mudar sequer a cor.
E depois de umas quinze roupas depois, eu estava ali, entediado — não que eu não estivesse enquanto provava as roupas -, com o traseiro doendo enquanto esperava algum sinal de vida da minha mãe.
Alguns minutos depois, ouvi um grito estridente.
– Ares! — gritou ela, do lado de fora da loja. Meu pai correu até onde ela estava, com o rabo entre as pernas. Patético. — Onde está ele?! Fez o que eu mandei?! Responde!
Ouvi um murmurio da parte dele. Então ouvi os barulhos dos saltos dela. Mas estava mais forte.
Não. Eram dois pares de saltos que estavam entrando na loja.
Olhei para cima — já que estava encarando meus pés — e vi a verdadeira deusa Afrodite.
Roxanne estava em um vestido rosa, com um cinto negro em sua cintura, e um salto alto rosa claro.
Não sei por quanto tempo fiquei encarando-a, mas só parei ao notar que ela me encarava com firmeza, mesmo que estivesse com o rubor em suas bochechas.
Desviei o olhar. Ela aproximou-se e sentou-se ao meu lado. Continuei olhando para uma caixinha que havia no balcão.
Discretamente, levantei-me e fui até o balcão, vendo que dentro da caixinha havia alguns papéis de propaganda. Agarrei um sobre esportes e fingi prestar atenção nele.
A atendente pigarreou. Levantei o olhar do papel para ela. Ela tinha os cabelos negros, meio azulados, e os olhos azuis cintilantes. Seus lábios eram finos e estavam cobertos por um batom vermelho. Ela não usava mais nenhuma maquiagem e vestia o uniforme da loja — que era uma camiseta social branca, uma saia negra e um crachá com seu nome.
Li seu nome no crachá branco. Helena C. Parker.
– Olá. — disse ela com um sorriso enorme. — Como posso ajudá-lo?
– Hã... — falei, encarando-a novamente. — Eu só vim dar uma espiada... Hã... Sabe... Os papeis.
Ela assentiu e apoiou os cotovelos sobre o balcão. Como ele era um pouco alto, ela continuou na mesma altura.
Seus seios eram enormes, de forma que ganharam ainda mais volume prensados no balcão. Tentei não olhar naquela região.
– Como se chama? — disse. Achei aquilo muito pessoal para uma conversa entre uma atendente e um cliente.
– Phobos. — respondi. Nem sequer pensei em inventar um, como alguns deuses faziam para interagir com os mortais.
Ela piscou. — Ah... Como o deus grego.
Assenti com a cabeça.
– Bem que você parece um deus grego mesmo. — sussurrou de forma sensual. Estava na cara que ela estava tentando me seduzir e querendo me agarrar ali mesmo.
Fiquei em silêncio, fitando o cara de skate no papel de propaganda esportiva. Ela suspirou.
– Quem sabe... Um dia podemos ir tomar um café por aí... — sugeriu ela. Admito. Ela era uma oferecida.
– Aham. — falei sem me importar.
– Quando você voltar, nós combinamos um dia. — Ela se esticou um pouco e sussurrou no meu ouvido direito: — Estarei esperando.
E depois depositou um beijo na minha bochecha. Ela olhou diretamente para o meu lado direito, sorrindo irônica.
No direção de Roxanne.
Olhei de soslaio para Roxanne, que estava sentada no sofá. Ela havia visto aquilo?
Roxanne olhava para o chão, mexendo com as mãos impaciente.
Olhei para a mulher na minha frente e saí pisando duro da loja.
Pude notar meus pais e Roxanne sair em seguida.
Tomará que ela não tenha visto o que aquela imbecil oferecida fez. Tentou provocar ciúmes, chamar atenção! Aquela filha da pu...!
Respirei fundo.
"Merda...", Pensei, impaciente.
***
Entramos em um restaurante e escolhemos duas mesas.
Isto, duas.
Afrodite está tramando alguma.
Eu e Roxanne sentamos ao lado de uma janela que dava para uma vista legal. O lugar era um estilo italiano clichê. Mesas com toalhas quadriculadas, garçons de gravata borboleta, violino como toque de música de fundo...
Ela não olhou uma vez sequer para mim.
Vi meus pais se sentarem em uma mesa longe da nossa.
Suspirei e olhei para a garota á minha frente. Ela fitava o céu da tarde lá fora, pensativa.
– O que está pensando? — perguntei. Ela arregalou os olhos, surpresa.
Sorriu tímida. — Nada não.
Eu iria insistir, mas um garçom chegou á nossa mesa.
– O que irão pedir? — perguntou.
Escolhemos uma refeição e observamos ele afastar-se. Assim que ele sumiu, olhei novamente para ela.
Ela me olhou, em silêncio. Então, de repente, ela arregalou os olhos e colocou a mão sobre a boca, assustada.
Percebi que ela não olhava para mim. E sim para algo atrás de mim. Olhei para trás, discretamente.
Vi Ares com uma câmera apontada em nossa direção.
Olhei em volta. Afrodite sumira.
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