Medley
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Aquele era definitivamente o pior ano da minha vida. Eu estava em uma cidade estranha, onde tudo era desconhecido pra mim, e estudava em uma escola onde a maioria era individualista e metidinho. Eu não iria aguentar aquilo por muito tempo.
No verão passado, minha mãe havia recebido uma proposta de trabalho irrecusável, ela ganharia muito mais e trabalharia muito menos. Uma empresa muito maior onde ela apenas coordenaria, aquele era o grande sonho de minha mãe, o único problema é que nós teríamos que mudar de cidade. Eu não queria aceitar, por mais que fosse uma cidade vizinha eu não queria deixar meus amigos, eu não queria deixar minha escola, onde eu havia estudado por toda minha vida e principalmente, não queria deixar a cidade onde eu havia crescido. Mas minha vida inteira foi sempre assim, só eu e minha mãe, e eu faria tudo para ve-la feliz, até deixar pra trás tudo aquilo que eu havia conquistado em todos aqueles 16 anos.
E aqui estava eu, 6 meses após aquele telefonema que me obrigara a sair do meu lugar, em mais um dia chato e monótono. Já havia passado por duas aulas insuportáveis de inglês e mais um teste horrível de física. Faltava apenas 8 minutos e eu estaria a caminho de casa, e eu sabia que aqueles minutos iam durar uma eternidade, todos os dias eram assim. Os minutos passaram mais rápido do que eu imaginei e meia hora depois eu estava em casa. Mas antes de subir para o meu quarto precisava aguentar o stress diário da minha mãe.
- Porque chegou tão tarde em casa hoje?! — perguntou ela
- Mãe, não é tarde. São 12:30. O horário que eu chego todos os dias. — mamãe pareceu distraída. Eu esperei a pergunta que ela fazia todos os dias:
- Porque está com essa cara?! Aconteceu alguma coisa?!
- Não mamãe, não aconteceu nada. Posso subir pro meu quarto?!
Não esperei respostas. Subir as escadas correndo. Entrei no quarto e tranquei a porta. A única parte boa de me mudar foi meu quarto, ele era muito maior que o antigo, havia até banheiro e closet. Tomei um banho demorado, vesti minha camisola mais velha, deitei na cama, peguei meu Ipod e liguei o volume no máximo. A voz do Tom encheu meus ouvidos e o descanso foi instantâneo. Aquela era banda que eu mais amei na vida, era culpa deles eu está suportando tudo aquilo. McFly era a única coisa boa atualmente, eles faziam tudo valer a pena.
Adormeci logo, e mais uma vez sonhei com eles. Aquelas horas eram as únicas que eu conseguia passar em paz, sem preocupações. Mas, cedo demais minha mãe me acordou, lembrando que eu tinha deveres de casa para fazer e eu percebi que era só mais um sonho. E sonhos como aqueles não se realizam.
Dia seguinte era sexta-feira, fim de semana estava chegado e todo sábado eu tinha direito de ir visitar meus amigos na minha antiga cidade. A sexta-feira como sempre se arrastou, mas logo eu estaria com minha melhor amiga, sabendo de todos os babados.
O sábado amanheceu ensolarado e e acordei animada, como sempre acordo no dia de visitar meus amigos. Pulei da cama, tomei um banho e vestir uma roupa leve, antes de descer para tomar café da manhã, liguei para o meu prima-irmão, e lembrei a ele que era dia de visita na outra cidade. Desci as escadas aos pulos.
- Você sempre acorda animada nos dias de sábados. — disse minha mãe satisfeita com minha felicidade.
- Claro mãe, hoje é dia de visitar minha gangue.
Mamãe riu do meu comentário enquanto eu sentava na mesa so café. Comemos juntas. Comi rápido e, enquanto meu primo-irmão não chegava, fui checar se havia alguma novidade dos caras do McFly no Twitter. Me divertir com os comentários do Danny, ele sempre postava as coisas mais divertidas. Não demorou muito até eu escutar a buzina do carro do meu primo-irmão.
- Bom dia Rafa! — falei animada
- Bom dia?! Só se for pra você. — disse ele mal-humorado
Rafa era meu primo, apenas 4 anos mais velho. Apesar de sermos primos, sempre fomos muito unidos, quando pequenos éramos como irmãos. Aos 18 anos, ele se mudou para minha atual cidade, para cursar a faculdade, mas mesmo assim, nunca nos desgrudamos, por isso nos referimos um ao outro como \'primo-irmão\'. Rafa sempre vai me deixar na outra cidade, aos sábados. E eu conheço ele o bastante pra saber que, quando ele está mal-humorado, é porque brigou com a namorada.
- Que houve?! Brigou com a Amanda mais uma vez?
- Não enche. — disse Rafa, acabando com a conversa.
Ri sozinha do mau humor dele. Na volta para casa eu descobriria o motivo da briga com a Amanda.
A cidade era perto, apenas 50 minutos de viagem. Rafa passou todo o caminho calado, ele nunca fazia isso, talvez a briga fosse seria. A viagem pareceu demorar mais que o habitual, devido ao silencio. Finalmente chegamos. Nós sempre nos encontrávamos na praça central, era grande, aberto e havia muitas árvores.
Estávamos a mais de um quarteirão de distancia, mas eu já podia avistar Mari, na beira da estrada, pulando e agitando os braços. Fiquei preocupada, sempre que ela agia assim era porque alguma coisa estranha aconteceu.
Mari era minha melhor amiga, nos conhecemos na 4ª serie e estamos unidas desde então. Nós sempre tivemos os mesmos gostos, sempre gostávamos dos mesmos livros, mesmos filmes, mas principalmente: ambas eram loucas pelos garotos britânicos do McFly.
- Te pego às 5. — disse Rafa
- Tudo bem — disse enquanto descia do carro e o via sair em disparada.
Mal havia saído do carro e Mari veio correndo em minha direção.
- Tu viu? Tu viu? — gritava ela enquanto sacudia meus ombros com força.
- Vi o que? Você tá louca?
- Alice, McFly vem pra cá! McFly vem pra nossa cidade, fazer um show! Alice eu vou ver o Danny!
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