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1 Uma vida normal


Notas iniciais
Este é o primeiro capitulo de uma obra que prometo dar toda uma atenção especial, não postando várias vezes num curto espaço, mas dando o máximo de qualidade e coerência. Espero que gostem!

1° Capitulo: Uma vida normal
Eu já estava a caminho do colégio e o dia estava nublado, eu estava com sono e estava frio, peguei minha mochila enquanto andava e vesti meu blazer vermelho fechei a bolsa novamente e apertei o passo. Virei à esquina e dali já podia ver a fachada, o sinal estava fechado para os carros então passei direto. Subi a escada a direita da porta e me deparei com um pátio, entrei na terceira sala. Já estavam quase todos sentados e íamos começar a aula, a jade, professora de matemática, iniciou a chamada, logo chegou minha vez.
— Nicolas — disse ela em voz alta
— Presente
Como vocês viram, meu nome é Nicolas, deixei chegar a esse ponto, pois nunca fui bom com apresentações, mas até ai tudo bem. Tenho dezessete anos e estou no 3° ano do ensino médio, não tenho muitos amigos, mas os que tenho são realmente muito bons. Estes são Ivo e Janet. A Janet é meio calada, já o Ivo não cala a boca, mas mesmo assim é legal, e é o tipo de amigo que quando a gente esta pra baixo sempre tem uma carta na manga, e é claro, um sorriso no rosto. A Janet é sempre muito atenciosa com todos que dispõem a estar ao lado dela, é fiel companheira e uma amiga primorosa, mas se você não tiver atenção, vai deixar seus pequenos gestos passarem despercebidos.
De longe se notam os olhos azuis marcantes do Ivo, com traços fortes por todo o rosto, com cabelo castanho escuro até os ombros, e barba por fazer a sua leve aparência franzina não prejudicava suas belezas. Janet era um pouco mais baixa que ivo, devia ter 1,65 de altura com corpo bem robusto, olhos castanhos, loira e possuidora de um magnífico cabelo liso quase até a cintura, seus movimentos são tão sutis quanto pássaros se preparando para voar, e sua voz é doce.
A janet se senta a minha direita, o ivo ao lado da Janet, e eu estou na primeira fila da direita. Pego minhas coisas e começo ler as paginas do conteúdo em questão para resolver os exercícios, a aula passou rápido se levar em conta que dessa vez minha mão não ficou doendo. Na troca de professores Janet veio até mim brevemente
—Você continua tendo aqueles sonhos estranhos?
— Quase todas as noites
—Porque não procura ajuda?,Isso vai te fazer mal — Continuou
—Não sei, já tentei muita coisa, tipo me alimentar bem, dormir cedo e tal, mas não ta adiantando
— Tente observar o que puder se você tiver algum sonho hoje e talvez eu possa te ajudar, não garanto nada, mas farei tudo o possível — Concluiu.
—Muito obrigado.

Reconfortei-me na cadeira peguei meus livros e me preparei para a aula que seria de religião e iríamos falar sobre o espiritismo e as contribuições de estudiosos como Allan Kardec, tanto filosófica como cientifica e religiosamente. A possibilidade, segundo os estudos dos espíritas, de uma comunicação com espíritos do plano desencarnado é algo real, o que me deixava com ainda mais medo. Nos meus sonhos, ás vezes, eu via desenhos relacionados a um artefato e até umas relações acopladas a ele, outras vezes sonhava com espíritos que vinham a meu encontro querendo confrontar-me como se eu realmente os tivesse ameaçado. Por algum motivo acho que tudo isso fazia sentido para mim.

Esta é nova york; eu ainda moro com minha mãe mas estou me esforçando para sair da casa dela, nós nos damos bem mas nem por isso vou querer me aproveitar disso. Meu pai morreu a mais ou menos um ano então somos somente eu e ela, e de vez enquanto o Ivo ou a Janet aparecessem por ai. Alias, eu devia ter dito isso antes, sou muito desligado.
Logo o sinal tocou e vim para casa, algumas das coisas que ouvi na aula de religião me deixaram um pouco perturbado, se fosse do tipo de cara paranóico com coisas sobrenaturais, já teria ficado deslocado, mas não, mantive o foco. O caminho da escola para casa não era muito longo, cheguei logo.
Assim que entrei pela porta da frente topei com o corredor que dava para cozinha, neste corredor havia uma mesa de centro e a direita a escada que dava entrada para o meu quarto, a cozinha era bem ampla com piso xadrez e todos os elementos da cozinha dispostos um ao lado do outro, a mesa era de mármore e ficava logo atrás. A esquerda, ficava a sala de estar, que também se conectava diretamente com a cozinha, o sofá tinha um estofado vermelho e a TV era bem simples, e ficava em cima de uma cômoda de madeira bem rústica, o qual guardávamos alguns livros na parte de baixo.
Enquanto eu chegava sorrateiramente em casa, lá estava minha mãe cozinhando pacientemente, já podia inclusive, sentir os cheiro de alguns ovos mexidos e escutar o estalar do bacon sendo frito na manteiga. Eu vim cuidadosamente ao encontro dela para abraçá-la e quando ela percebeu minha presença era tarde demais.
— Ai menino! Quer me matar de susto?
— Seu filho não pode mais te abraçar mamãe? —fui levemente brincalhão
— Não desse jeito né menino! — eu apenas ri
— Como foi hoje? — disse ela enquanto fritava o bacon
— Foi Estranho, você não entenderia
— Misterioso! — exclamou risonha
Aquele ponto já estava levemente desvencilhado da conversa e ficava imaginando o que meu pai diria a mãe se de repente ouvisse isso, talvez fosse algo como:
— Sâmara, Sâmara, conversa com esse menino...
Sâmara, este é o nome da mamãe, apesar de todo mundo na vizinhança a chamar normalmente de Sam. Minha mãe, apesar de mais atarefada agora que o papai se foi, não chegou a se tornar sofrida e continua muito bonita mesmo não estando mais nos seus anos de flor da juventude. Tem cabelos pretos, olhos castanhos, pele branquinha e corpo levemente malhado, não é muito baixinha, mas é. Sua voz é suave, porém muito clareada, talvez isso se deva aos seus anos cantando em algumas casas de Jazz muito bem freqüentadas, porém teve de parar quando ficou grávida. Eu dava um oi ao mundo.
— Mãe vou subir para fazer umas pesquisas, tenho de subir, pode deixar um pouco para mim?
— Claro filho, pode ir.

Então eu subia para o meu quarto freneticamente para fazer mais pesquisas sobre quaisquer temas envolvendo espíritos. Espiritismo, paranormalidade, animismo e etc. então cheguei a um tema correlacionado que poderia me auxiliar a entender porque tantos sonhos num período tão curto. A psicanálise. Muitas pessoas com casos expressivos de paranormalidade e sonhos muito repetidos encontraram as razões pelas quais estavam passando por aqueles transtornos envolvendo sonhos e até visões de espíritos e algumas coisas que alguns deles diziam ser demônios, mas que na verdade eram espíritos de má fé brincando com a imaginação dos mais religiosos. Dando uma vasculhada em Psicanalistas de referencia atuando em Nova York, encontrei um destaque: Dr. George harrinson
Depois da pesquisa, coloquei o computador em modo de espera e fui dormir. Tive um daqueles sonhos de novo, No sonho, havia um homem escavando um lugar num deserto e segurando um medalhão enquanto sorria, era tudo muito confuso e havia flash para todo lado, como se algo quisesse me bloquear mentalmente, ou como se eu estivesse bloqueado mentalmente. Havia algo diferente em mim, não sabia o que era, porém sabia que não estava normal.

Comi o restante de bacon com ovos e o macarrão que havia pedido a mamãe para deixar para mim. Peguei a toalha na varanda e fui tomar um banho, estava todo suado, era como se eu tivesse jogado uma partida de futebol enquanto dormia. A água estava quente e pude organizar meus pensamentos. Vesti-me e fui ao telefone, queria ligar para o Dr. Harrinson e marcar uma consulta com ele o quanto antes, também queria evitar que mamãe ficasse a par da situação, pois tudo isso poderia assustá-la, ela pensa que esses acontecimentos foram exclusivos da infância, e por conseqüência, mera imaginação. Contei brevemente a Secretaria do Dr. Harrinson a minha situação e esta passou as informações a ele, que por algum motivo pareceu extremamente interessado no meu caso e concordou em me receber no fim do seu expediente as 9 horas.
Fui avisado pela mamãe que Janet estava me esperando, queria falar comigo ou algo do tipo, Então disse a ela que já estava descendo e me passou pela cabeça a idéia de chama-lá para ir ao consultório do Dr. Harrinson comigo.
— Oi —iniciei
— Oi, como está?
— ainda confuso —disse-lhe — Sente-se
— Tenho algo importante para lhe dizer Nick
— Pode dizer, também tenho algo á dizer —Completei

—É que...
Neste momento, mamãe que vinha trazendo duas xícaras de café deu uma leve topada na mesinha redonda que há em frente a porta de entrada, corremos para ajuda-la a limpar tudo aquilo e perguntamos se estava tudo bem, e ela acenou que sim, reparamos que o chão estava liso e ela disse que havia limpado mais cedo. Ao ajuda-la eu e Janet ficamos imóveis por alguns segundos, mas breve voltamos a nos organizar.Eu havia esquecido o que trazia Janet até minha casa. Ela também não tocou no assunto, então me pus a contar o que passei e a convidá-la para ir ao consultório do Dr. Harris. Ela não se opôs.
Chegamos lá uns 5 minutos antes, nossa espera foi breve pois o horário de pico já havia passado e só haviam mais algumas pessoas, que tiveram de deixar para o dia seguinte

— Podem entrar — disse ele se revelando entre a porta
—Se importa se ela me acompanhar Doutor? — me referia a Janet
— de maneira nenhuma, entrem — Reafirmou.
— Queiram me seguir
O doutor harrinson deveria ter quem sabe seus quarenta e cinco anos, com alguns cabelos já grisalhos pele levemente enrugada e com um óculos de grau com lente transparente, apesar da idade que chegava, não parecia ser uma pessoa com falta de saúde. O corredor pelo qual ele nos guiou tinha portas fechadas que deveriam ser de colegas de trabalho, a sala dele era ao fundo.
— Sentem-se por favor
Após as devidas apresentações contei ao Dr. Harris os últimos acontecimentos enfatizando que eles vem se agravando desde a infância e contando com o Maximo de detalhes os sonhos com o tal amuleto.
— consegue desenha-lo para mim? —disse ele, referindo-se ao amuleto
— Sim, —Respondi
No momento em que me foi entregue papel e caneta, algo aconteceu, algo que nunca poderia imaginar na minha vida, algo que nem sequer sabia que poderia acontecer em minha vida, meu corpo começou a se mexer freneticamente, meus olhos se reviraram e eu não via nada, meu coração disparou quase ao ponto de me faltar o ar, meu corpo escorregava na cadeira, mas minha mão desenhava numa velocidade incrível, sem eu nem sequer ter comandado o primeiro traço do desenho. Janet que costumava ter expressão calma agora se encontrava com os olhos completamente esbugalhados e respiração afoita enquanto gritava, e olhava nos meus olhos, que escondiam totalmente a pupila. O Doutor, achando se tratar, no inicio, de uma convulsão tentou deixar meu corpo, mas um movimento completamente involuntário e intenso o empurrou eu sentia tudo, mas não podia fazer nada, eu era o dono do corpo, mas não o controlava.
— Meu Deus! O que foi isso! —gritava o Doutor
— Nick... — O Seu nariz... —dizia Janet assustada
Meu nariz se encontrava completamente ensanguentado, porém o desenho havia sido terminado, era um amuleto grande Amuleto com um ruby ao meio Um diamante a direita e uma esmeralda a esquerda, realmente parecia muito valioso, e saiu com muito mais detalhes do que minha coordenação me permitiria. Fiquei atônito, olhando aquele desenho, que provavelmente poderia ser fruto de uma possessão espiritual. A partir daquela visão que tinha em minha frente, sabia que minha vida nunca mais seria normal.

—Meu deus! É o amuleto de Geeste! — Gritou o Doutor

— O que é isso?

Continua!

Notas finais
Se você gostou do capitulo, marque a historia, assim você poderá acompanhar sempre que sair um novo capitulo! se você tiver algum amigo que se liga nessas paradas recomenda pra ele; e não se esquece de comentar o que você acha que deve melhorar sempre que puder, isso ajuda muito.