Meant to be.

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Boa leitura :) ♥

(POV LEXIE)

“Lexie.” – Hunt falou enquanto caminhávamos pelos arredores do Seattle Grace Mercy West – “hoje você estará sob os serviços da Dra...”

Ele parou e pensou.

“Altman!” – exclamou quando viu Teddy aparecer na sua frente.

“Sim?” – ela pareceu surpresa.

“Aqui. Lexie Grey é toda sua.”

Eu precisei de um momento para pensar.

“Você... Você me tirou da equipe que estava prestes a fazer uma cirurgia super rara, da qual pessoas matariam para fazer parte... Para auxiliar... Teddy?” – perguntei incrédula.

“HEY!” – Teddy exclamou ofendida.

“Sem ofensa, Dra. Altman. Você é incrível, mas se era algo tão importante relacionado à cárdio, porque não chamou Yang? Ela é a deusa da cárdio, não eu.” – continuei meu discurso.

“Dra. Grey?” – Hunt começou – “mãos à obra.”

“Mas...”

Ele colocou seus dedos em minha boca fazendo com que eu ficasse quieta.

“Sem mas. Agora vai.”

Eu bufei enquanto Teddy ria de toda aquela situação.

“Não quero ouvir mais um pio!” – Hunt gritou enquanto se afastava pelo corredor.

“Não é que não goste de cárdio, ou não goste de você ou sei lá, é só que...”

“Era uma cirurgia de separação de gêmeos siameses. É, eu sei.” – ela suspirou e fomos caminhando até o quarto do paciente.

“Eleanor O’Connor. 63 anos. Os exames mostraram uma válvula aórtica estreitada que substituiremos em uma cirurgia de coração aberto.” – falei o que havia lido no prontuário – “é seguro, não se preocupe.”

“Não sei não, coração aberto?” – a paciente começou.

“A cirurgia é muito segura e a Dra. Altman aqui é a melhor. Não há com o que se preocupar.”

Ela franziu o cenho.

“Eu posso continuar vivendo com meu coração assim sem fazer cirurgia?” – ela perguntei e eu olhei para Teddy suplicando ajuda.

“Senhora O’Connor...” – Teddy começou – “a sua vida depois dessa cirurgia vai melhorar 100%, no entanto, se não se sentir confortável, a Dra. Grey e eu podemos procurar alguma outra maneira de lhe ajudar.”

Ela sorriu.

“Eu ficaria feliz.”

Teddy e eu saímos apressadas. Aquela mulher precisava de cirurgia logo e precisávamos de algo minimamente invasivo.

“Grey?”

“Sim?”

“Mãos à obra!” – ela gargalhou e eu lhe fiz uma cara feia.

Passei horas pesquisando e não achei nada, nenhum procedimento alternativo, nada. Precisava me distrair da cárdio. Aquela era uma área para alguém segura de si e que gostasse de inovar como Yang, não para mim. Eu era apenas Lexie Grey. A residente que iria participar da cirurgia mais legal do mundo e foi obrigada a desistir dela.

Suspirei.

Os corredores pareciam maiores, mais largos. O hospital parecia tão cheio de gente.

Gente triste.

Gente feliz.

Gente que acabava de perder um ente querido.

Gente que ganhava uma segunda chance na vida.

Eu observei as pessoas atentamente. Pareciam tão... Eu não sei... Olhei o relógio, já eram onze horas e Mark ainda não havia me ligado, aposto que a bateria de seu celular acabou e ele não tinha carregador por perto.

“Lexie!” – ouvi alguém me chamando – “Dra. Grey!”

Dentro do quarto 1506 uma paciente me chamava. Uma paciente cujo rosto em conhecia muito bem e cujo sorriso era capaz de reanimar uma alma já morta.

“Carol! Não sabia que você estava aqui.” – fui lhe dar um abraço.

“É tão bom vê-la minha jovem...” – ela suspirou – “eu te vi passando e não pude perder a oportunidade de dar um abraço na minha garota favorita.”

Chequei seus medicamentos e olhei seu prontuário. Uma cirurgia agendada para amanhã com o Dr. Sloan.

Carol estava ali e Mark não havia me contado?

“Você está ótima!” – menti. Carol não parecia nada com a mulher que eu havia conhecido há alguns anos. Ela havia envelhecido e estava debilitada.

“Você está mentindo, há tempos não me sinto como antigamente.” – ela falou triste – “Contudo, você está radiante Alexandra. Está feliz?”

“Muito.” – sorri de volta.

“Mark. Ele estava aqui ontem, estava tão feliz quanto você. É bom ver que ambos estão felizes e seguindo em frente.”

Eu corei e permaneci em silêncio, olhando-a.

“OH MEU DEUS!” – ela falou quando finalmente associou os fatos – “vocês dois realmente estão juntos novamente, não estão?”

Eu ri.

“É...”

Ela festejou.

“Sabe Lexie, desde a primeira vez que eu a vi, tive certeza de que você era a moça perfeito para nosso menino. Vocês terão lindos filhos juntos.”

Puxei uma cadeira para perto de sua cama e segurei suas mãos.

“Mark não me falou que você estava aqui...” – eu suspirei – “teria vindo vê-la antes.”

“Aposto que ele não queria te preocupar. Estou aqui para um procedimento simples, e ele sabe disso. Vou ficar bem.”

Nós duas ficamos ali, sentadas, conversando durante um período interminável. Quando Carol finalmente dormiu, passei a olhar atentamente suas feições. Ela realmente havia envelhecido; estava mais magra e estava com tantas rugas da idade que nem suas cirurgias plásticas conseguiam escondê-las. Fechei meus olhos e voltei no tempo.

Era ação de graças no nosso primeiro ano juntos. Carol sempre dava uma grande festa em sua mansão para comemorar o dia, e, em geral, os convidados da vez eram as pessoas pelas quais ela era grata. Mark sempre estava no topo da lista; ela era grata à ele por todas as três cirurgias plásticas que havia feito nela. Toda essa gratidão tornou-se numa grande amizade.

Flashback On

“Carol?” – ele chegou perto de uma mulher de cabelos negros e encaracolados. Apesar de sua aparência de cinquenta anos, Mark revelou que ela tinha quase setenta. Ela sorriu ao nos ver.

“MARK!” – ela exclamou – “que bom que você veio!” – e o encheu de beijos no rosto.

“Carol, gostaria de lhe apresentar à Dra. Lexie Grey. Minha namorada.”

Carol abriu um sorriso maior ainda.

“Achei que ia morrer antes de vê-lo tomar juízo e encontrar alguém que preste.” – ela falou isso vindo ao meu encontro com um abraço caloroso.

“Você é linda. Vocês formam um casal lindo. Terão filhos lindos!” – ela exclamou.

Flashback Off

A mulher que dormia na minha frente não parecia em nada com aquela que eu havia conhecido. Dei um beijo em sua testa e saí do quarto.

“Grey!” – Altman exclamou ao me ver no corredor – “venha, tenho uma solução para nossa paciente teimosa.”

Teddy explicou o procedimento pacientemente e Eleanor parecia mais calma e adepta à ideia. A cirurgia aconteceria naquela tarde e eu a auxiliaria, no entanto, não me sentia pronta para auxiliar Teddy. Precisava conversar com alguém; precisava ouvir alguma coisa que preste de Mark.

Liguei para o celular.

Caixa postal.

Liguei de novo.

Nada.

Tentei uma terceira vez.

Nenhum sinal.

Porque ele não me atendia?

“Lexie, está tudo bem?” – Jackson perguntou aparecendo de surpresa ao meu lado.

“É, tá sim.”

Ele ergueu as sobrancelhas como se soubesse que eu estava mentindo.

“É Mark... Estou tentando falar com ele há horas, mas ele não atende o celular.”

Jackson pareceu pensativo, e olhou seu relógio de pulso.

“Já passa do meio dia. Pelos meus cálculos eles já estão no meio da cirurgia de separação dos siameses, não?”

Eu assenti.

“Viu. Não precisa se apavorar, ele não tá ignorando você Lexie... Talvez só esteve muito ocupado desde que pousou em Boise.”

“É, provavelmente.” – aquilo fazia sentido.

Céus, porque eu estava tão paranoica? Jackson me convidou para comer e fomos até a cantina; o almoço era macarrão à bolonhesa. Depois de um almoço desses, me senti pronta para a cirurgia com Teddy; Jackson também me encorajou e no fim, a cirurgia foi um sucesso! Aquela tarde dentro da SO tinha sido tão gostosa que comecei a considerar cárdio como uma segunda, talvez terceira opção de especialização.

Quando me dei conta, o sol já havia partido e dado lugar à uma grande e iluminada lua cheia, sozinha na escuridão da noite repleta de estrelas. Estava começando a ficar frio.

Fui até a creche e passei um tempo com Sofia e Zola. As duas estavam crescendo rápido. Rápido demais.

“Grey!” – ouvi a voz de Callie se aproximar de onde eu estava com as meninas.

“Oi Callie.”

Ela sentou-se ao meu lado e pegou algumas peças, juntando-se à nossa brincadeira.

“Sofia não costuma brincar com outras pessoas que não sejam eu, Arizona e Mark... Ela gosta de você.”

“Eu gosto dela também.”

Callie suspirou.

“Sei que seu desejo não era ser madrasta da minha filha com Mark, mas não temos como evitar isso... Ele gosta de você, realmente gosta. Mark te ama. Sabe... Eu só... Eu só peço pra que você não desista dele dessa vez.”

Eu assenti.

“Eu também o amo, Callie. Às vezes é difícil lidar com tudo o que Mark faz, foi o caso de Sloan Riley... Ou Sofia. Eu não me importo de ser madrasta da sua filha, na verdade, eu adoraria. Eu também não culpo você ou Mark por ela; as coisas aconteceram desse jeito, talvez era pra saber, entende? Nós dois, eu e Mark, nós estamos indo bem, não vou deixar que nada estrague isso.”

Callie sorriu.

“Tenho que levar Sofia para casa, já está na hora de fazer naninha. Né bebê?” – Sofia riu – “você vai ficar de plantão essa noite?”

“Sim. Quero estar aqui quando Mark e todos os outros chegarem; eu realmente quis estar naquela cirurgia e como não pude, bem... Espero ter todos os detalhes possíveis dela.”

Ela riu.

“Certo. Se você ver Arizona, avise que estou esperando ela em casa, ok?”

Dei um beijo em Sofia e vi as duas irem embora.

“Grey!” – Callie parou na porta e olhou para mim – “eu estou feliz por vocês dois. Realmente estou.”

Senti minhas bochechas corarem enquanto vi-as se afastarem da porta.

“É ZoZo, parece que só sobrou apenas nós duas agora.” – falei para minha sobrinha que estava adormecida em meus braços, colocando-a no berço em seguida.

A noite parecia não passar no Seattle Grace. As horas se arrastavam e o avião transportado os médicos não chegava nunca.

Eram onze horas.

Eles estavam atrasados.

Fui ver Carol que ainda dormia profundamente. Estava tão perdida em pensamentos que nem notei quando a silhueta de uma Miranda Bailey devastada apareceu na minha frente.

Ela permanecia muda.

“Dra. Bailey? A senhora está bem? Parece que viu um fantasma.”

Ela olhava para mim sem piscar.

“Dra. Bailey?” – estalei meus dedos em sua frente e ela pareceu sair de um transe.

“Ah... É... Dra. Grey... Lexie... O chefe Hunt pediu para que você o encontrasse na sala de reuniões agora mesmo.” – ela parecia desesperadamente nervosa.

“Bailey? Você precisa de ajuda?”

“Não... Não. Eu estou bem, é só o Tuck. Vai falar com o Hunt.”

Eu assenti e segui o caminho até o a sala de reuniões. Caminhei lentamente sem pressa de chegar lá.

Enquanto fazia meu caminho, tentei novamente ligar para Mark. Nada.

Parei em frente à porta e a abri lentamente a tempo de ver Richard Webber e Owen Hunt sentados, olhando paranoicos para a porta que eu agora abria.

Algo estava errado.

Mas eu já sabia disso.

Eu só não tinha percebido.

Algo estava errado e eu devia ter percebido...

Eu devia ter percebido, não no momento em que percebi que o avião que traria meu namorado, minha irmã e meus amigos estava atrasado; não quando vi Owen e Richard na sala esperando por mim; não no momento em que mandaram Miranda Bailey me chamar ao invés de tocarem meu pager.

Eu devia ter percebido.

Eu devia ter percebido no momento em que liguei para Mark Sloan inúmeras vezes durante todo o dia, e ele não atendeu nenhuma das chamadas. Mas eu estava sendo otimista demais para perceber que alguma coisa estaria errada agora que tudo estava dando certo.

“Lexie... É melhor você se sentar.” – Owen suspirou – “receio que tenho uma grande desventura para lhe contar.”

Senti meu coração pesar e fechei a porta.

“Onde eles estão?” – perguntei sentindo uma lágrima escorrer pelo meu rosto.

Notas finais
Com amor... vocês já sabem né ♥