Meant to be.
18 Capítulo 18
Notas iniciais
(POV LEXIE)
O céu de Seattle estava extraordinariamente estrelado naquela noite.
Fiquei parada por vários minutos na varanda da casa antiga de Meredith observando atentamente a cada estrela e constelação que transformavam a noite em um mar de vagalumes. Ao mesmo tempo em que várias coisas passavam por minha mente, minha mente continuava desligada de tudo que acontecia ao meu redor.
Minha cabeça estava longe... perdida em pensamentos e lembranças.
A admiração pela imensidão do céu e suas estrelas me consumia de uma forma tão intensa que só percebi que não estava sozinha quando suas mãos se enlaçaram ao redor de minha fina cintura. Sua respiração pousou sob minha nuca e o toque de sua pele me fez estremecer.
Respirei fundo e sorri comigo mesma.
Virei lentamente o pescoço a fim de olhá-lo... ao me deparar com seus olhos, me afoguei na vastidão do mar que repousava em seu olhar; ele abriu a boca para falar algo, mas parou subitamente e acariciou meu rosto, me beijando calmamente em seguida.
Depois de tudo que acontecera nos últimos meses, poder desfrutar desse exato momento com Mark do meu lado era... era... me deixava sem palavras.
Senti-lo... sentir o toque da sua pele... sentir a sua respiração... era tudo o que eu precisava.
Entrelacei minha mão com a dele e olhei admirada para o delicado anel que se encontrava em meu dedo anelar.
Muitas coisas haviam mudado nos últimos meses.
Cinco meses antes...
“Meredith, você tem certeza de que não se incomoda por eu ficar aqui? Sabe, eu posso morar com Alex na casa antiga; não tenho problemas quanto a isso.” – eu comecei a corar.
Derek riu excentricamente.
“Lexie, não há outro lugar no mundo em que eu deixaria você ficar.” – ele respondeu debochado e eu sorri de volta.
“Você acabou de se curar de um câncer... eu não deixaria você em qualquer outro lugar... muito menos com Alex!” – Meredith piscou.
Assenti meio envergonhada, mas me dirigi até o quarto que agora seria meu. Derek me ajudou a desfazer as malas enquanto cantarolava alguma música que eu desconhecia. Olhei com cuidado para o quarto e percebi que eles haviam deixado do jeito que meu quarto na antiga casa era. Rapidamente, me senti aconchegada naquele lugar.
Sentei na borda da cama a fim de recuperar o fôlego; Derek lançou-me um olhar preocupado e sentou-se ao meu lado na cama.
“Agora é só uma questão de tempo, você sabe disso, não é? O câncer se foi... logo você volta a trabalhar e...” – ele engasgou – “você e Mark se acertarão, Lexie.” – ele segurou minhas mãos.
Eu assenti tentando acreditar naquelas palavras.
“Ele vai voltar, Lex. Você sabe disso, certo?”
Lancei a ele um sorriso triste.
Derek levantou-se, beijou o topo de minha cabeça e saiu do quarto.
Assim que ele fechou a porta, me senti estranhamente sozinha e sufocada. O quarto parecia fechar-se ao meu redor e algumas lágrimas começaram a se formar no canto de meus olhos.
Como tudo aquilo havia acontecido? Como eu havia chego a aquele ponto da vida?
Há um mês, Mark estava no hospital ao meu lado segurando minhas mãos e pedindo perdão... eu tinha tanta certeza de que nossa história teria um final feliz a partir daquele momento.
Estava enganada.
Tão enganada...
Primeiro, ele parou com as visitas diárias. Depois, parou de atender às minhas ligações e por fim, numa quarta-feira nublada, eu soube que ele havia partido para Los Angeles.
Para Addison...
Exatos mil oitocentos e trinta quilômetros de distância de aonde eu estava.
Onde eu havia errado? O que havia acontecido nesse meio tempo que o fez partir?
Quatro meses antes
“Vamos lá, Zozo.” – eu fiz uma careta engraçada – “abre a boquinhaaaaaa.”
Ela me lançou uma expressão carrancuda. Eu bufei.
“Lexie?” – Jackson tocou suavemente meu ombro fazendo com que eu desse um pulo. Ele riu e me cumprimentou com um beijo na bochecha.
“Estão todos lá atrás...”
Ele me olhou confuso.
“Mer, Derek, Cristina, Richard, Owen, Arizona e Harriet.”
Ele sorriu ao ouvir o último nome.
“Você sabe, não é? Um novo bebê na família, ninguém quer ficar longe... é viciante. O perfume das meias é quase tóxico. Todos são afetados pelo efeito bebê.” – nós dois rimos.
“Obrigada por cuidar dela, April e eu precisávamos mesmo...” – ele engasgou.
“Tudo bem, eu sei.” – falei interrompendo-o. Eu sabia para aonde ele e April haviam ido. Eu sabia quem eles foram visitar e eu não queria saber absolutamente nada sobre tal.
Jackson assentiu e saiu de dentro da casa a procura de sua pequena e prematura filha, Harriet.
O drama do nascimento de Harriet havia acontecido durante o último mês; durante um surto no pronto-socorro do hospital, April entrou em trabalho de parto.
Toda vez que alguém me contava a história, um novo problema durante a cesárea surgia, mas o final da história que todos contavam eram a mesma: depois de vários problemas durante aquele dia, mãe e filha passavam bem.
Suspirei fundo e olhei pela janela toda a cena que prosseguia do lado de fora. Meredith ainda com sua barriga de grávida agarrava-se ao pescoço de Derek; Cristina e Owen riam descomunalmente de alguma piada contada por Richard, enquanto Arizona abraçava e beijava a pequena Harriet, relutante em entrega-la à Jackson.
Voltei meu olhar para Zola que agora chorava; peguei-a em meus braços e comecei a enchê-la de beijos.
Ela sorriu.
Dois meses antes...
Parei em frente ao Seattle Grace Mercy West e comecei a encará-lo. Meredith parou ao meu lado.
“Preparada para voltar à ativa?” – ela me lançou um sorriso desafiador.
Eu permaneci trêmula.
“Vai dar tudo certo, Lex. Estavam todos sentindo a sua falta.” – ela me puxou para um abraço – “vamos lá.”
Relutante, segui em frente e pisei no hospital com o pé direito, só por via de dúvidas. Aparentemente o hospital já estava uma loucura e o caos já estava estabelecido por todos os andares.
Antes de começar meu trabalho, caminhei silenciosamente pelos corredores, tentando lembrar do inferno que eu havia passado naquele lugar há poucos meses... o acidente de Mark... o câncer... a perda de memória... a quimioterapia... e por fim, Mark fugindo.
Fugindo do hospital.
Fugindo dos amigos.
Fugindo de mim.
Respirei fundo, a partir de agora, eu seguiria em frente com minha vida e deixaria tudo que me machucou no passado.
Aquele era um bom plano e ele deu certo, pelo menos nos próximos quinze segundos, pois, quando virei à direita em mais um corredor, eu o vi.
Mark Sloan.
Parado em minha frente.
Ele estava mais magro e sua barba estava malfeita, duas grandes olheiras marcavam o contorno inferior de seus olhos e seu cabelo estava mais comprido que o normal, porém, apesar de tudo, ele continuava estonteantemente bonito.
Senti minhas pernas fraquejarem e comecei a piscar freneticamente a fim de descobrir que aquilo não passava de um sonho; no entanto, ele continuava ali e vinha caminhando em minha direção.
“Lex...”
Eu engoli o choro que estava preso em minha garganta e fiz a coisa mais sensata que eu poderia fazer naquele momento: dei-lhe as costas e corri na direção contrária.
Fale com o autor