Meant to be

2 Memórias do primeiro beijo.


Notas iniciais
Só pra deixar claro: ainda tô na 1ª temporada de Chicago PD então se eu escrever algo errado sobre Voight, ignorem!

O choro baixinho de Noah ecoando através da babá eletrônica fez o casal despertar de um sono profundo, velado a um muro de travesseiros no meio dos dois. Claro, isso foi obra de Olivia. Que sabia que o motivo da ausência de Hank havia sido justificado, mas ainda assim estava com raiva dele. Ele não entendia a raiva dela mas tentava fazer tudo que ela mandava, porque senão as consequências seriam muito piores. Ela havia declarado 1 mês de greve e ele sabia que se a irritasse, ela provavelmente aumentaria para um ano.

Ambos sentaram na cama e em seguida ela pôs-se de pé, saiu do seu quarto e foi para o quarto de Noah.

‘Oi, meu amor.’ A voz agora mais fina dela ecoando pela babá eletrônica fez Voight sentar-se na cama e ficar atento a conversa, sem respostas por parte de Noah, entre os dois. ‘Mamãe está aqui. Não precisa chorar.’ Ela ninava o menino o balançando em seu colo, mas nada fazia a criança parar de chorar; nem ela cantando para ele, nem mesmo a amiga inseparável de Noah: a chupeta, estava acalmando o menino. ‘Você está com fome? Sim, você está com fome. Vamos comer as 3h da madrugada.’

Ela retirou-se do quarto de Noah e voltou para o seu, dando de cara com um Hank muito risonho sentado na sua cama. O muro de travesseiros não estava mais lá e ela revirou os olhos quando percebeu.
‘Você pode, por favor, ficar com ele enquanto eu faço a mamadeira?’ Ela já estava colocando Noah em cima dele enquanto falava a frase e ele riu mais ainda.

‘Você pode, por favor, tirar os seus peitos da minha cara?’ Olivia instantaneamente levou as duas mãos ao seus seios, os cobrindo. ‘Eu digo, você declarou greve e isso já é tortura suficiente.’ Olivia lhe mostrou o dedo do meio enquanto saía do quarto indo para a cozinha fazer a mamadeira pro seu filho.

Entre as pequenas colheres de leite e mucilon ela pensava em como Hank Voight tinha entrado na sua vida, em como ele se tornou uma pessoa especial para ela. Uma coisa levou a outra e ela começou a lembrar de quando eles deram o primeiro beijo. Ela estava quase deixando Chicago, expôs sua preocupação com Voight apenas em um “Cuide-se!” e segundos depois ela tinha saído pelas portas estreitas da delegacia de Chicago. Mas antes disso, ele tinha quase pedido que ela ficasse “Você tem mesmo que ir?” Ele tinha lhe perguntando, aquilo era quase um pedido para que ela não lhe deixasse, para que ela ficasse ali ao lado dele; onde era o seu lugar. Mas ela foi embora da mesma forma, o deixando parado no meio da delegacia inalando perfume dela que ficou espalhado pelo ar.

Mas então no estacionamento da delegacia, antes de entrar em seu carro, Benson pôde ver a sombra de Voight voltar para lhe atormentar e ela ter que se controlar para manter sua sanidade. Ele se aproximou dela e não lhe disse nada, não pediu para que ela ficasse, não pediu para que ela se cuidasse. Em um gesto muito cometido pelas pessoas, ele pediu para que ela o amasse entre as línguas que brigavam dentro de suas bocas, entre a guerra que um tentava ganhar do outro, entre as costas dela batendo na porta do carro e ele tentando arranhar sua coxa coberta pelo pano grosso da calça. Ele estava lhe ensinando outro idioma, outra língua, uma que ela nunca tinha falado; ele lhe ensinou a língua do amor e se dependesse dele ela aprenderia a ser fluente. O dicionário de sentimentos batendo em seus respectivos peitos, o coração cada vez mais acelerado dando significado a aquele gesto, a aquele sentimento que ambos sentiam por dentro mas que ousavam maquiar em raiva ou implicância toda vez em que se encontravam.

O devaneio de Olivia foi quebrado quando a chaleira apitou avisando que a água já estava pronta para uso, quando olhou para o lado, pôde ver que Voight ainda mantinha o sorriso no seu rosto. O maxilar daquele homem não cansava? Ele sempre estava sorrindo, mas não foi sempre assim. Ele estava sorrindo porque estava com ela e Noah, as pessoas quais ele ama tanto que é capaz até de deixar seu lado bruto de lado, mas claro, não por completo. Ele ainda precisava manter sua pose de durão.

‘No que você estava pensando?’ Ele perguntou, ainda tentando calar a boca de Noah.

‘Em nada!’ Ela respondeu simplesmente, pegando a chaleira e despejando a água na mamadeira do seu bebê.

‘Você estava sorrindo.’ Ele a informou e ela olhou para o chão e continuou a chacoalhar a mamadeira de Noah, colocando-a em seguida em um recipiente com água fria para esfriar.

Olivia caminhou até seus dois garotos e pegou o menor no braço, o menino tinha parado de chorar um pouco e agora só resmungava. Ela sentou-se no sofá junto com os dois e esperou até que a mamadeira estivesse apenas morna para dar ao menino.

Voight tocava levemente suas costas enquanto Benson carregava o menino de volta para o quarto de casal, deitaram-se os três na cama. Noah no meio dos dois tomava seu mingau calmamente, matando a fome que há poucos minutos estava lhe matando. Benson focava sua vista apenas no menino e tentava a todo custo não olhar para Hank.

Quando o menino terminou de tomar o mingau e dormiu, ela pegou a mamadeira e a colocou em cima do criado mudo. Deitando-se, ela ficou cara a cara com Hank. Olivia pensou e repensou várias vezes antes de dizer. ‘Eu estava pensando no nosso primeiro beijo.’

Hank sorriu, lembrando da primeira vez em que seus lábios tocaram os lábios dela. ‘Eu sei.’ Foi sua resposta. Em seguida, ele tocou levemente seu rosto, fazendo-a se arrepiar. Benson pegou Noah e o colocou em cima dela, e então deitou sua cabeça no ombro de Hank e ele abraçou Olivia e Noah com seus braços fortes.
‘Prometa que não vai me deixar.’ Olivia disse aleatoriamente olhando para um ponto fixo não muito importante.

‘Eu prometo sempre lhe ensinar a aprender novos idiomas.’ Ele beijou o topo da sua cabeça e Olivia riu alto. Aconchegando-se em seus braços, ele apagou o abajur e os três ficaram abraçados, cada um tentando esquentar o corpo do outro e livrar uns aos outros da noite fria de NY. Ela tinha uma mão encostada nas costas de Noah que dormia entre sua barriga, seios e colo, Voight tocou a mão de Olivia entrelaçando seus dedos no dela e os três finalmente adormeceram. Juntos, como sempre estariam. Como uma família.