Mean
1 Prologue
Notas iniciais

21/05/2002
Havia uma garota baixinha, cabelos louros bem escuros beirando o castanho e muito cheios, ela estava sentada no cantinho do parque com a cabeça enterrada entre as pernas.
Havia uma garota loira de olhos intensamente azuis, ela falava coisas cruéis. O garoto de cabelo espetado ao lado dela pedia que ela parasse. O garoto loiro marrento de olhos azuis acinzentados estava de braços cruzados e não esboçava nada em seus olhos.
A garota loira chamava a outra de coisas terríveis, outras duas garotas riam descontroladamente. A garota de cabelos cheios ainda chorava.
— Deixe-a Anne. — O garoto de cabelos espetados segurou o braço da loirinha.
— Posso saber o motivo de defendê-la Jackson? — Virou-se irada.
— Ela é só uma garota. — Defendeu.
A loira pareceu voltar a si por um segundo e olhou para a garota a sua frente, ela parecia um pequeno animal acuado por predadores.
— Vamos. — Saiu andando.
A garota de cabelos cheios levantou a cabeça e por uma fração de segundos pôde ver o garoto de olhos azuis acinzentados olhar para trás.
Naquele momento ela só sentia dor. Dor e humilhação.
19/09/2006
A menina havia começado a tentar ser aceita na sociedade, ela prendeu seus longos cabelos cheios em duas tranças, uma de cada lado do rosto. Tirou de dentro da bolsa alguns envelopes, respirou fundo e foi caminhando até o grupo que estava em volta de uma mesa.
— O... Olá. — Gaguejou.
— Pode ir embora coisinha. — A garota morena de cabelos lisos disse, sem ao menos olhar para a garota.
— Eu só vim entregar os convites do meu aniversário. — Esticou o braço.
Ninguém olhou para ela.
— Quem vai querer ir para o aniversário de uma garota idiota, magrela, despenteada, pálida e pobre como você? — A mesma morena perguntou.
— Sangue ruim. — Alguém disse entre uma tosse falsa. O loiro.
A garotinha abaixou a cabeça e saiu correndo sem dizer nada. Escondeu-se atrás de uma parede.
— Granger não é? — Um garoto de óculos se abaixou perto dela.
— Você vai rir de mim também? — Perguntou.
— Não, eu queria saber se tem convite para mim. — Sorriu de lado.
Ela esticou a mãozinha branca e entregou a ele um envelope rosa, no verso havia escrito “Para Harry Potter& Família”.
— Eu vou. — Levantou-se.
— Você vai? — A pequena morena grunhiu atrás deles.
— Eu... Não, eu só queria tirar uma com a cara dela. — Disse.
Ambos saíram andando.
Mais tarde, a mãe da garota havia arrumado-a da melhor maneira de todos, mas não havia convidados da escola. Só alguns vizinhos.
— Desculpe a demora e sinto muito por ter dito aquelas coisas. Pansy não podia saber que vinha. –O garoto de óculos entregou um pacotinho de presente para ela.
— Obrigada. — Agradeceu.
— Nós podemos ser amigos se você quiser, só não podemos ser amigos na frente dos meus amigos. — Abaixou a cabeça envergonhado.
— Tudo bem, estou acostumada a ficar sozinha. –Disse com os olhos cheios d’água.
23/06/2009
A polícia parou na porta da casa da menina, arrebentaram a porta, sua mãe não estava em casa e seu pai fechou os olhos quando os homens entraram.
— Aqui a menina, achamos o bebê roubado. — O policial disse. — Leve-a para a delegacia.
Uma mulher, provavelmente a conselheira tutelar, pegou na mão da menina.
— Vamos querida, você conhecerá seus verdadeiros pais. — Disse sorrindo.
Ela olhou para trás e viu seu pai ser colocado numa viatura, sua mãe escondida atrás de uma árvore chorava enquanto ela era levada.
Ao chegarem a delegacia, havia um homem alto de olhos negros, cabelos escuros e vestido elegantemente.
A mulher ao lado dele, era realmente muito bela, olhos grandes e castanhos, vestido comprido preto, o cabelo negro solto e esvoaçante.
— Querida, esses são os seus verdadeiros pais. — A mulher deu um pequeno empurrãozinho.
A mulher abaixou-se e abraçou a garotinha, deu-lhe vários beijos enquanto chorava.
— Ah meu amor, procuramos você todo esse tempo, eu só não sabia que você estava mais perto que esperávamos. — Abraçou-a novamente.
Logo lhe contaram que ela havia sido roubada quando recém nascida, quase arrancada dos braços de sua mãe dentro do hospital.
Ela sentiu destruída, amargurada, sentida. Traída.
A partir daquele momento a antiga Hermione tinha que morrer, ela seria diferente, ela se sentia diferente. Mas tudo seria bem planejado, ela não atropelaria o tempo, faria tudo calculado e friamente.
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