Mean
4 Annabeth's Life
Notas iniciais

Um homem e uma mulher gritavam um com outro, ele segurava uma mala com uma das mãos e com a outra tentava tirar a mulher de sua frente.
–Você sabe que as coisas estão piores do que antes. –Ele deu um passo atrás.
–É claro que estão você não me dá atenção e não dá a mínima para o que eu tenho para dizer. –Acusou.
–Então comece. –Encarou-a duramente.
–Eu estou grávida. –Anunciou.
–Você não pode. –Jogou a mala no chão. –Você é estéril. –Passou a mão entre os cabelos.
–Eu menti. –Confessou.
–Como? –Voltou á encara-la.
–Eu comprei aquele resultado, eu estava tomando remédios para evitar. –Disse.
–Você engravidou agora para me prender? –Balançou a cabeça.
–Não para te prender, mas porque achei que era a hora certa de criar um elo eterno entre nós. –Colocou a mão na barriga.
–Elo? Elo ou algema? –Subiu as escadas.
–Chame como quiser. –Sorriu de lado.
A mulher subiu as escadas assim como o esposo, entrou no quarto e se deitou ao lado dele.
–Vai querer confusão de novo? –Olhou dentro dos olhos dela.
Ela não respondeu, ele a observou fechar os olhos.
Era incrível como ela parecia ficar cada vez mais bonita. Os cabelos cacheados um pouco abaixo dos ombros, os olhos azuis, a pele macia.
Mas ela não era mais a mesma, havia mudado tanto, havia se tornado cruel á ponto de fazê-lo deixar de ama-la. Mas ele havia realmente deixado de ama-la?
12 de Julho de 1997
Era sábado e era a terceira vez seguida que o homem chegava tarde em casa, mas ela não iria aguentar novamente.
Ele abriu a porta do quarto, a luz estava acesa e Atena estava sentada na cama com cara de poucos amigos.
–Isso são horas? –Perguntou.
–Não comece. –Tirou o paletó.
–O que realmente está acontecendo Fred? –Cruzou os braços.
–Eu saí com os meus amigos e não tenho nenhuma amante porque se eu tivesse você saberia. –Arqueou a sobrancelha.
–Eu não te acusei disso. –Levantou-se.
–Mas você pensou, eu te conheço Atena. –Começou. –Você é corajosa com todos, menos comigo, comigo você é covarde. –Acusou. –Te conheço como ninguém e sei exatamente quem você é. –Vociferou.
–E o que eu sou senhor eu-te-conheço-melhor-que-ninguém? –Entre dentes.
–Você é a filhinha preferida do papai super protetor, você é apaixonada por mentir, e por manipular. –Começou as acusações. –Você até engravidou só para me prender nessa droga de casa que você ama jogar na minha cara que foi presente de casamento do seu papai. –Gritava. –Você mente com a mesma facilidade que troca de roupa, e é com essa mesma rapidez que você muda de humor. –Cada vez mais exaltado.
–Eu apenas batalho com as armas que eu tenho. –Defendeu-se.
–Uma criança é uma arma? –Perguntou.
–É claro que não. –Gritou. –Estou cansada de suas acusações. –Virou-se de costas.
Atena sentiu que algo havia acontecido, olhou para baixo e a bolsa havia estourado.
–Vem. –O homem pegou a esposa no colo enquanto ela sentia as dores.
Algumas horas depois...
A mãe amamentava a pequeno bebê enrolado em uma manta rosa bebê, ela olhava maravilhada.
–Ela é linda demais. –Frederick acariciou o rosto da menina.
–Ela tem meus olhos. –Atena sorriu orgulhosa.
–Espero que não tenha sua personalidade. –Disse sorrindo.
–Eu também. –Disse.
–Por quê? –Encarou-a.
–Porque eu consegui perder tudo o que amo simplesmente por ser eu. –Desviou o olhar. –Eu sei que não há como recomeçar. –Estava falando.
–Mas há como tentar. –Sorriu.
–Sinto muito por tudo. –Olhou para ele com os olhos marejados.
–Eu também. –Ele disse e ela assentiu.
Dois anos depois...
Atena e Fred haviam finalmente decidido á se separar, o relacionamento havia encontrado um fim depois de uma última briga que fora acabar na delegacia depois do homem ter perdido a cabeça e empurrado Atena contra a parede, ela por sua vez furiosa ligou para a polícia.
O resultado foi que o advogado passou uma noite preso e Atena uma noite bebendo enquanto a menina chorava em casa sendo cuidada pela empregada.
Dois meses depois Atena havia resolvido que estava crescida o suficiente para não depender mais do pai, recebeu uma oferta irrecusável de emprego em Amsterdã e teve que tomar a decisão mais difícil de sua vida. Abrir mão da filha.
Annabeth estava no carro, as coisas da menina no porta malas e Atena na direção.
–Vou passar as férias com o papai? –A loirinha perguntou inocente.
–Ah minha querida prometo que será divertido. –Suspirou.
Parou o carro na frente de uma casa de classe média, a casa azul tinha um espaço enorme da frente.
–Papai. –A pequena loira correu para o braços do pai quando Atena abriu a porta.
–Oi meu amor. –Rodou-a no ar.
–Mamãe me deixou passar as suas férias aqui. –Disse sorrindo.
–As minhas férias? –Olhou para Atena.
–Deixe-me explicar para ela. –A mulher pediu.
–Não, você teve a chance. –Disse á mulher e olhou para a filha. –Não é apenas as minhas férias, você vai morar comigo agora Annabeth, a sua mãe irá trabalhar longe daqui. –Contou.
–Ela vai me deixar. –Começou a chorar. –Não vai mamãe. –Pediu agarrada a perna da mulher.
–Eu preciso. –Respondeu.
–Por que você não entra meu amor? –Fred se dirigiu a filha.
–Você não precisa mais voltar se for. –Disse para a mãe.
–Eu vou voltar. –Tentou beijar o rosto da filha, mas a menina correu.
–Pode ir embora. –O homem estava sério.
–Não posso, tenho que falar com ela. –Teimou.
–Você não quer falar com ela, não mais. Você a abandonou Atena e ela não precisará de você nunca mais. –Garantiu.
–Eu não a abandonei. –Defendeu-se. –Você nos abandonou quando saiu de casa. –Acusou.
O homem riu sem humor.
–Vá embora Atena. –Ordenou.
–Não vou. –Negou-se.
–Não pedi para que fosse, ordenei. –Disse entre dentes.
–Espere só um minuto, deixe-me dar um último abraço. –Pediu.
–Vá embora. –Disse pausadamente.
Pegou o braço da mulher e saiu “rebocando-a” para longe da casa.
–Entre e vá embora. –Virou-se para ir embora.
–Não diga asneiras á ela. –Ele virou-se. –Não ensine a minha filha a ser como você Chase. –Cuspiu o sobrenome com nojo.
–Eu saberei criar a minha filha. –Saiu andando.
O homem entrou na casa e prendeu a respiração, se ela não houvesse sido tão orgulhosa e tão dona da verdade, talvez eles tivessem dado certo.
–Papai. –A pequena chamou.
–Diga meu amor. –Abaixou-se.
–Me leva para o quarto. –Pediu.
Ele pegou-a no colo e levou a garota para o quarto que havia preparado para ela.
Não era tão grande quanto o antigo, a pintura rosa bebê, o papel de parede nem florado, o lençol da Barbie cobria a cama.
Deitou-a na cama, a garotinha tirou do casaco um envelope branco e entregou a ele.
–Quero que leia para mim e me prometa que não vai parar de ler até o final e que não vai pular nada. –Pediu.
Ele encarou a garotinha a sua frente e se perguntou como ela podia ser tão adulta sendo apenas uma criança.
Pegou o envelope e atrás havia escrito “Para minha querida filha”. Meneou a cabeça.
–Leia. –Pediu mais uma vez.
Ele abriu o papel, pigarreou e começou.
–“Querida Annabeth... Sei que provavelmente me odiará depois de eu te deixar com seu pai, mas meu bem não confunda deixar com abandonar.
Não a abandonei de maneira alguma, pois abandonar é ir embora sem deixar vestígios de uma possível volta, abandonar é o ato de ser covarde o suficiente para não lutar.
Estou deixando-a. Deixando você aos cuidados da melhor pessoa do mundo. Embora eu tenha sido a pior das esposas, seu pai jamais fora um homem infiel ou até mesmo cruel comigo.
Ele, o homem que escolhi para ser o pai da minha filha, é a melhor pessoa para te criar. Confio á ele a minha própria vida.
Sei que ele lhe ensinará a ser uma boa pessoa, coisas que talvez jamais aprendesse se estivesse comigo.
Dou-te, porém um conselho mesmo sabendo que é nova demais agora, mas um dia entenderás.
Viva. Apaixone-se. Divirta-se. Seja exatamente quem você é sem medo de que te recriminem por isso. Mas seja sábia em suas escolhas e ações, pois lembre-se: Escolhas só são tomadas uma vez e podem causar estragos eternos e inimagináveis e ações uma vez feitas jamais podem ser desfeitas mesmo que seja o desejo mais puro de seu coração.
Não queira amar cedo demais e embora as pessoas digam que não se escolhe á quem amar, é mentira. O amor é uma sensação criada pelo nosso cérebro e sendo assim podemos comanda-lo.
Vou lhe ensinar uma coisa, amor é como uma casinha de lego. Sabe por quê? Porque quando queremos construir uma bela casinha de lego, temos que fazer um bom alicerce e ir construindo pecinha por pecinha até ficar pronto, se quisermos que ela fique perfeita demoramos dias, semanas, meses e até anos. Mas com um descuido nosso podemos destruí-la rapidamente, poderemos deixar que outras destruam-na, poderemos esquecer ela em algum lugar e depois sem querer pisar nela. Sabe o que acontece? Você destrói a casa e ainda machuca seu pé. O amor também é assim, você o constrói durante anos e um descuidado seu é o suficiente para que ele seja destruído e você ainda acaba se machucando.
Tome cuidado Anne, a vida é difícil e mundo não é um conto de fadas.
Embora talvez agora você não acredite, eu amo você. Amarei você até o último dia da minha vida.
Amo você eternamente minha pequena.
Com carinho da sua mãe... Atena.”
–Papai você não vai colocar ninguém no lugar dela não, não é? -Olhou para ele enquanto chorava. –Prometa-me que será apenas eu e você. –Pediu.
–Eu prometo que seremos eu e você para sempre. –Abraçou-a.
–Não quebre sua promessa papai. –Fungou.
Logo depois de alguns meses a garota completou a idade e foi para a escola, lá se tornou amiga dos mais bem sucedidos e aprendeu com eles e com sua mãe que ninguém jamais fica de verdade na sua vida.
Ela sabia que suas ações poderiam ser cruéis, mas ela não estava nem aí.
Embora no fundo sentisse seu coração apertar quando humilhava alguém sabia que isso ensinaria para aquela pessoa o que ela aprendeu: “A vida não é um conto de fadas”.
Essa era a vida de Annabeth Chase, a garota que fora deixada pela mãe, a princesinha do papai.
A perfeita Annabeth Chase.
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