Notas iniciais
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Caroline se lembra de quando sua mãe costumava lhe dizer: "fique longe daquele menino Mikaelson, minha filha, ele só traz problemas!" e ela iria olhar para sua mãe, com os olhos arregalados, zombando: "Qual deles, mama? Há dezenas!" o que não era cem por cento verdade. Havia apenas cinco deles.

"Bem, todos eles. Mas Niklaus especialmente!"

Caroline nunca a escutava. Niklaus não era problema, ele só tendia a trazer problema aonde quer que ele fosse. Como naquela vez em que ele duvidou que ela conseguiria subir em cima de uma árvore e no meio do caminho, ela pisou em um galho fraco demais e acabou caindo e torcendo o tornozelo, tendo que ficar uma semana em repouso na cama, sem poder levantar dali. Ou aquela vez em que ele prometeu a ela que iria ensina-la a andar de cavalo e Caroline quase caiu no processo (maldito Niklaus!).

Tá, ok, talvez ele era problema. Mas ele era aquele tipo de problema que você simplesmente não consegue resistir. Ele só precisava sorrir para ela com aquelas covinhas adoráveis e implorar um pouquinho e Caroline iria atrás dele em um piscar de olhos. Sempre. E por que seria diferente? Nik era seu melhor amigo.

Sua mãe simplesmente não entendia. Ela precisava deles. De todos eles. Por não ter irmãos próprios, ela acabou se aproximando de uma maneira extrema deles, e eles a acolheram de braços abertos. Mesmo depois de muitos anos, suas memórias daquela família que havia se tornado tudo na vida dela ainda eram nítidas em sua mente. Ela e Rebekah trançando o cabelo uma da outra; Nik, ensinando-lhe a montar em seu cavalo ou cravar palavras em alguma árvore qualquer; Elijah, assistindo o pôr-do-sol com ela toda tarde; Finn, ensinando-lhe a ler as estrelas e contando-lhe histórias sobre terras que ainda viriam a ser descobertas; Kol, provocando-a praticamente o dia todo, todos os dias; Henrik, que tinha duas irmãs ao em vez de apenas uma. Ela passa praticamente todos os momentos de sua vida com eles, esses irmãos que haviam se tornado uma grande parte dela, do nascer do sol a adormecer entre as lâminas dos ombros de Rebekah.

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A primeira lembrança de Caroline é breve. Ela se lembra de quando os garotos haviam ganhado suas primeiras armas. Bem, quase todos. Mikael entregava pequenas adagas para cada um de seus filhos, negligenciando Niklaus. O olhar abatido em sua face ainda é vivida em sua mente, mesmo todos esses anos depois. Assim como o rubor envergonhado que coloria suas bochechas quando Mikael perguntou se ele iria chorar. Mais tarde, Caroline se lembra de ter roubado a nova adaga de Kol enquanto ele não olhava e entregado-a a Nik como um presente, mas ele ainda parecia chateado. Não sabendo como resolver toda aquela tristeza que tomava conta dele, ela apenas segurou sua mão.

Por um longo tempo, Caroline se perguntava por quê Nik tinha tantas cicatrizes em seu corpo enquanto seus irmão não tinham nenhuma. Ele estava sempre arrumando encrenca, ela pensou. Sempre fazendo algo ruim. Ela assumiu que ele simplesmente tinha mais cicatrizes que outros garotos. Mas ai ela pegou eles uma vez: Mikael, segurando Niklaus sem piedade pela garganta, gritando coisas horríveis a ele; Nik, lutando para segurar suas lágrimas. Ele tinha apenas doze anos...

Apenas outro motivo para odiar Mikael. Ela tinha vários.

Mesmo assim, ela tenta não focar nos momentos ruins. Houve bons tempos também; muitos tempos bons, aliás, que ela guarda perto de seu coração, sempre.

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Ela tinha dez quando juraram que haviam visto um monstro. Estava escuro e eles estavam adentrando cada vez mais na floresta. O resto do vilarejo dormia pacificamente, embaixo de suas cobertas. Eles estariam em sérios problemas se seus pais descobrissem o que estavam fazendo. Nik, tendo catorze anos e com certeza o mais experiente, segura sua mão com força como qualquer bom protetor deveria, e Rebekah pega sua outra mão disponível, enquanto Kol corre para trás dele, segurando o tecido de suas roupas com força.

Um galho se quebra nas proximidades, e eles congelam. "Quem está ai?" Rebekah pergunta, medo visível em sua voz. Caroline segura o braço de Nik fortemente. Algo sussurra na escuridão, e ela tem certeza que vê um par de olhos verdes olharem para ela através dos arbustos. O coração de Caroline pulsa mais rápido a cada segundo.

"Quem está ai?" desta vez é Niklaus que pergunta, tentando parecer destemido. Mas até ele aparenta estar com medo. Kol continua mexendo na trança de Caroline. Ela sussurra para ele parar, mas ele continua mexendo e mexendo até ela olhar para ele e perguntar:"O que?!"

Kol aponta para trás deles com os dedos tremendo, e Caroline olha para aquela direção, e segura um grito.

Uma figura; é preta e alta e está indo em direção a eles. A cabeça da figura se inclina, e ela sussurra para Caroline; é um som horrível. O grito que está preso em sua garganta finalmente sai com facilidade depois disso.

Niklaus jurou mais tarde que ela gritou alto o suficiente para acordar os mortos no cemitério não muito longe de onde se localizavam. O som é terrível e assustador, e ao escuta-lo Rebekah sai correndo de volta ao vilarejo sem nem mesmo olhar para trás. As pernas de Caroline tentam correr atrás dela, mas ela está congelada no lugar, e Kol a está usando como escudo.

"Espera ai..." Niklaus diz, soltando-se de Caroline e se aproximando da figura"Finn?"

Braços pegam Caroline e Kol por trás, e ambos gritam, com certeza achando que seriam arrastados e mortos, seus cadáveres deixados em qualquer lugar naquela imensa floresta. O suposto monstro gargalha com prazer.

Espere... monstros gargalham? E essa risada parecia muito com -

"Elijah" Niklaus resmunga, puxando Caroline e deixando-a enterrar o rosto em seu peito. Ela se da um momento para acalmar, o terror diminuindo devagar. Kol está rindo também agora, e falando para Elijah que ele não estava realmente assustado, que ele só estava entrando no jogo, não ele não havia gritado como uma garota, só queria que Caroline não se sentisse mal por ter agido como um bebê e -

Finn se aproxima de Caroline e da um puxão divertido em sua trança "Me desculpe Caroline, mas você simplesmente faz a melhor das vitimas -

Caroline então grita com ele, raiva tomando o lugar do ódio. Ela diz a eles que eles são os piores irmãos mais velhos do mundo e então corre atrás de Rebekah.

Ela não chegou nem na metade do caminho quando o sons da noite a deixam com medo novamente "Nik?" ela o chama, sua voz baixa "Você pode vir comigo?"

Ele segura sua mão o caminho inteiro de volta.

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Caroline e Rebekah trançavam o cabelo uma da outra e riam, enquanto Rebekah contava-lhe histórias de terror que seus irmãos haviam lhe contado na noite anterior.

"Por que você não casa com um dos meus irmãos? Nós podemos ter filhos juntas e seremos irmãs pra sempre!" Rebekah diz de repente, depois de um longo minuto de silencio de uma história a outra.

"Bekah! Eu não vou me casar com um de seus irmãos! Nojento!"

Niklaus escolhe esse momento para entrar no quarto de Rebekah, seguido por Kol, que se aproxima de Caroline e desmancha a trança que sua irmã estava terminando de fazer.

"Kol!" Rebekah exclama, irritada.

"O que? Ela é minha futura esposa, eu faço o que quero."

"KOL!!" Niklaus e Caroline gritam, antes das bochechas de ambos corarem visivelmente.

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Quando era pequena, Caroline sempre se imaginou crescendo e se tornando uma curandeira e parteira do vilarejo, assim como sua mãe. Ela se lembra de um tempo em que costumava seguir sua mãe quando ela visitava os doentes do vilarejo, uma cesta de plantas medicinais e pomadas pendurada no seu cotovelo. Caroline iria levar seu próprio cesto e espiar goela abaixo com uma careta no rosto, levando cada um de suas tarefas a sério.

Quando sua mãe a deixou assistir um parto, ela deixou de lado a idéia. Ela nunca mais queria ver aquilo novamente, e com certeza não queria ter que passar por aquilo. A partir daquele momento ela decidiu que seria uma escudeira e que seria solteira.

Ela se lembra do olhar incrédulo de Rebekah, e da risada histérica de Kol "Caroline, você não foi feita para guerras."

Caroline cruzou os braços e então respondeu, brava: "Eu vou ser uma escudeira! Não há necessidade de me casar, ou algum dia ter filhos!"

Ela então se agarrou nos braços de Nik, lhe implorando que a treinasse, dando-lhe um olhar piedoso que sempre parecia convencê-lo a lhe dar tudo o que ela queria.

Caroline nunca se esqueceria de sua primeira — e ultima — desastrosa sessão de treinamento.

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"Não acredito que concordei em fazer isso!"

"Ah Nik, vamos! Vai ser divertido!"

Niklaus solta um longo e pesado suspiro, enquanto Caroline passa seus dedos em cima de cada um das inúmeras armas que ele havia trazido consigo.

"Por onde você gostaria de começar, oh destemida Valquíria?"

Caroline o encara vitoriosa e um sorriso se espalha por sua face quando ela, com a ponta de seus pés, aponta para uma espada. Niklaus suspira novamente e ignora sua sugestão.

"A adaga então" Niklaus diz rapidamente enquanto a tira de sua bota. Caroline coloca suas mãos em seu quadril "O que? Não é essa a que eu disse que queria. Eu quero -

Niklaus joga a adaga, fazendo-a girar no ar múltiplas vezes e pegando-a facilmente quando ela volta para ele. Ele sorri de lado quando vê a boca de Caroline se abrindo, formando um perfeito "O".

"Você pode me ensinar isso, Nik? Pode?" Ela pergunta, ainda impressionada.

"Não, apenas garotos podem fazer isso"

"Niklaus!" Ela exclama, e sem nenhum aviso joga seus braços e direção a adaga que Nik estava segurando. Ele, tendo rápidos reflexos, coloca a mão que esta segurando a adaga para o alto, impedindo Caroline de pega-la.

"Primeiro, você deve aprender a segura-la" Ele abaixa o braço devagar e entrega a arma para Caroline, que a segura desajeitadamente.

"Eu sei segurar!"

"Tem certeza? Porque você está segurando-a completamente errado." Niklaus se aproxima dela, arrumando a adaga em suas mãos. Caroline não deixa de perceber o quão pequenas elas aparentam ser ao lado das de Nik. "Você deve aprender a segurar primeiro, para depois começar a aprender a atacar os seus oponentes."

Caroline arregala os olhos "Atacar? Eu não vou atacar ninguém com isso!"

Niklaus da um sorriso triunfante, e recoloca a adaga em sua bota "Eu sabia que você mudaria de -

"Eu vou ataca-los com isso!" Caroline exclama, pegando a espada que a alguns minutos se encontrava no chão, cambaleando devido ao seu peso surpreendente. Ela tenta, em vão, levanta-la, quase arrancando a cabeça de Nik no processo. Ele mergulha ao chão rapidamente, equivocando-se dela, e Caroline joga a espada no chão, vomitando desculpas enquanto se ajoelha no chão ao seu lado. Ela diz que sente muito, arrasta a cabeça dele com força para seu colo e penteia seu cabelo, perguntando-lhe: Oh Niklaus, você está machucado e ele a encara, a raiva já deixando sua face ao ver o olhar preocupado de Caroline.

"Nós nunca mais vamos fazer isso." ele promete.

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Caroline se lembra a primeira vez que olhou para Niklaus e não pensou: ugh, garotos, nojento!

Ela é, de acordo com sua mãe, uma mulher (mesmo que não se sinta como uma) velha o suficiente para casar (ela não quer). Ela estava lamentando sobre isso com Rebekah, explicando-a que a ultima coisa que ela queria era crescer e virar uma mulher, e ter que parar de se divertir por ai com os meninos, quando um ruído na floresta a fez interromper o que é que estava reclamando e olhar naquela direção.

Nik e Elijah aparecem entre as árvores, ambos rindo e sacudindo água de seus cabelos. Niklaus não usava sua blusa, e pequenas gotas de água escorriam pelo seu abdome musculoso. A boca de Caroline havia ficado seca, e sua cara estava quente de constrangimento. Quando eles chegaram ao local onde ela e Rebekah estavam, ela não foi capaz de olha-lo nos olhos. Dando algumas desculpas, ela correu para casa rapidamente, nem mesmo olhando para trás.

Caroline começou a perceber várias coisas depois disso. O modo com Nik cheirava; diferente de quando ele era pequeno. Um cheiro que ela não consegue descrever perfeitamente. Ela apenas sabe que é um cheiro masculino, e que faz sua cabeça girar. O jeito como ele levantava suas sobrancelhas quando ela dizia algo estúpido. As covinhas que se formavam quando ele sorria, as mesmas que quando criança ela achava que eram tão infantis e travessas. Aquelas covinhas fazem seu coração saltar, e quando ele sorri para ela daquele jeito, ela mal consegue respirar.

Ela gosta de conversar com ele, e gosta quando eles fazem longas caminhadas pela floresta; ele sempre parece tentar toca-la de alguma maneira, a guiando para que não pise na lama grudenta; ajudando-a a não tropeçar em um tronco quebrado; seu peito quente em suas costas e seus braços como uma rede de segurança, levantando seu corpo tão facilmente. Ela gosta de imaginar que ele gosta de sentir seu corpo contra o dela também, mas sabe que é apenas mais uma das fantasias que passam em sua cabeça.

Nik sempre quer saber o porquê dela estar tão quieta ultimamente.O que tem te incomodado, ele pergunta, sério.Me conte, ele pede, preocupado.

O que tem a incomodado é ele. E ela percebe que sua mãe sempre esteve certa; Nik é problema. Ele faz seu coração bater forte, seu rosto queimar de constrangimento. Ele faz sua cabeça ficar tonta e sua barriga doer de nervoso. Isso não pode ser bom. Mas ela sorri para ele, tentando chamar-lhe a atenção, e ele a encara sem palavras, se perguntando quem é a mulher que tomou posse de sua melhor amiga.

Ela não conta a Elijah. Quando eles estão no riacho, assistindo ao por-do-sol, ela considera, abrindo sua boca, apenas para fecha-la momentos depois. Ela tem medo, medo de que ele conte para Nik; medo de que isso arruine sua amizade; Ela tem medo de perder Nik para sempre, e sabe que não agüentaria se isso realmente acontecesse.

Ela não conta a Rebekah também, mas ela acha que sua amiga já sabe. O modo como Rebekah olha para ela as vezes, enquanto Caroline admira Niklaus de longe. Rebekah sorri, lhe da uma leve piscadinha, apertando seu nariz antes de se afastar, saltitante.

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Ela sente falta daquele tempo. Do tempo em que ela não precisava se importar. De sua infância. Seus amigos. E não importa quão antigas são essas memórias, esses são os momentos que ela nunca vai esquecer, os momentos que ela se lembrará com carinho, e guardará em seu coração, para sempre e sempre.

Ela sente falta do tempo em que achava que ficariam daquele modo para sempre. Felizes, sem preocupações. Mas oh, ela não tinha idéia, idéia... Idéia de como o futuro, os anos e anos em que uma pessoa passa no escuro podem torna-la completamente diferente do que ela já foi algum dia. E as esperanças, que talvez ainda existam enterradas profundamente dentro do peito, ah, elas acabam morrendo com o tempo.

Olhando para trás, ela se sente nostálgica. Ela sente dor; profunda e torturante. Esses são os dias que ela sempre vai desejar ter de volta. Momentos sem dor, sem tristeza.

você não pode voltar, ela pensa, você nunca poderá voltar.

Mas ah, como ela deseja que pudesse...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.