Mea Culpa

1 Mea culpa, mea maxima culpa


AUTORA: Toynako

Mea Culpa

Voltava abatido para casa, nunca em toda minha vida pensei que sentiria uma dor tão grande. Certo, eu sei que sou melancólico, mas quem não estaria assim se fosse rejeitado pelo cara que gostava?

Chamo-me Guilherme, sim, antes que se pergunte, sou gay. Isso não fora culpa minha, meu primeiro namorado, por assim dizer, fora meu irmão que era oito anos mais velho que eu. Naquela época eu era jovem, não sabia muito das coisas. Não devia nem ter dez anos ao que meu irmão já tinha seus dezoito.

Engraçado, lembro de ter comemorado no dia em que este morreu em um acidente de carro. Pensava estar livre de ser a ‘menininha’ na relação. Engano meu, infelizmente ser o passivo parecia uma droga para mim, tanto que acabou me viciando.

Mas o que fazer se não tinha mais como saciar a vontade? Se garotas não serviam para nada, nem me chamavam a atenção?

Acabei assumindo que era gay, não podia fazer mais nada, a não ser tentar ser diferente em um mundo onde tudo tem que ser igual, extremamente igual.

Agora, com meus dezoito anos também, acabei me confessando para um garoto que estava afim. Olhos claros na cor verde, pele clara, cabelo escuro. Não sei por que acabei me apaixonando por alguém parecido na aparência com meu irmão.

Antes que me pergunte novamente, não, eu não amava meu irmão. No dia de sua morte, eu ri tanto que tive que ser levado para o hospital para conter minha crise de risos. Acho que me acharam loucos lá. Não que eu me importasse com o que achavam de mim.

Mas já pensou, gay e ainda louco?

Nada do que caçoar de mim mesmo para conseguir parar as lágrimas.

“— Gui?” – Virei-me para ver quem era.

Ninguém útil, só uma garota que gostava de mim.

“— O que foi Rita?”

“— Você... Se confessou a ele?”

“— Sim, e pode muito bem notar, pelo meu estado, que fui rejeitado.” – Respondi meio tristonho.

“— Gui... Eu gosto de você... Porque não tenta?”

“— Não adianta, já tentamos uma vez...” – Odiava me lembrar disso, da vez em que ‘tentamos’ ficar juntos. “— Não importava o que fizéssemos não ficava duro contigo...”

“— Mas... Nós...”

“— Sou gay, ponto final. O que eu quero é um homem para me comer, só isso...” – Falei decidido, eu já havia falado isso mil vezes para ela.

“— Eu sei... Vai tentar conquistá-lo?”

Respirei fundo, melhor sair do meio da calçada pelo menos. Segurei a mão dela, guiando-a para uma lanchonete ali perto, pedi algo para eu beber e um sorvete de chocolate para ela, por ser seu favorito.

“— Você ainda não me respondeu Guilherme...”

“— Não vou, ele é homofóbico, não posso fazer nada.” – Dei um suspiro, por pouco não apanhara.

“— Credo!”

“— Por isso... Eu vou ficar quieto. Melhor, ficarei sem ninguém.” – Falei convicto.

“— Eu posso me arrepender amargamente disto, mas... Um primo meu está vindo morar na minha casa... Parece que os pais dele não aguentaram um filho gay em casa...”

“— Filho gay!?” – Olhei bem para esta, com um sorriso meio malicioso nos lábios.

“— Como meus pais não tem nada contra isso... Pediram para ficar com a guarda dele.”

“— Quantos anos?”

“— Quinze.”

“— Só!? Poxa... Deve ser novo demais... Não deve entender nada e apenas ficou por curiosidade...” – Respirei fundo, olhando a garçonete trazer o que havia pedido, logo tomei um gole do café.

“— Alguém com curiosidade não faz uma orgia em casa para mais de onze pessoas...”

“— ORGIA!?” – Quase cuspi o café na cara da Rita.

Eu fiquei olhando-a com uma cara de tacho, sem saber o que fazer. Como um garoto de quinze anos estava fazendo orgias na casa dos pais? Ela acabou rindo de minha cara, até eu riria se tivesse me visto em um espelho.

“— Bem... Hoje a tarde ele chega... A noite vai ter um jantar...” – Falou pausadamente, dando umas colheradas no sorvete. “— Aparece lá em casa, você é quase da família mesmo.”

“— Depois do que eu ouvi, não sou nem louco de não ir...” – Comentei rindo.

Continuamos a conversar banalidades. Rita era minha única amiga, talvez por sermos vizinhos e nos conhecemos desde crianças. Ela me salvou diversas vezes quando eu fugia de ser estuprado por meu irmão.

Ela era a única pessoa que tive coragem de falar isso, quando estava acontecendo. Depois da morte dele, contei para os pais dela, e eles me tem quase como um filho.

Não sou filho de chocadeira, antes que ache que não tenho pais. Tenho sim, são grandes empresários que vivem viajando pelo mundo. Tinham me deixado na guarda de meu irmão, e vocês já sabem o que ocorreu.

“— Tchau, Gui... Não demore muito, irei à frente para pegar meu primo no aeroporto com minha mãe...” – Falou, já quando estávamos saindo da lanchonete. “— Contarei tu-di-nho sobre você para meu primo.”

“— Não me faça passar vergonha Rita...” – Envergonhei-me. “— Mas... Qual o nome dele?”

“— Leo.” – Sorriu para mim, se aproximando e dando um suave beijo em meus lábios. “— Isso é pelo que estou fazendo.” – Disse-me, dando a volta e saindo.

Para quem, no começo da tarde estava chorando como se o mundo fosse acabar, eu estava bem alegre agora. Uma coisa era fato, melhor estar sorrindo do que chorando pelo bofe perdido.

Respirei fundo, pegando meu rumo para casa novamente. Demorei um pouco a chegar nesta, mas não importava se eu ficasse dias fora, nunca tinha ninguém em casa. Olhei um calendário na parede.

Estava marcada com um circulo vermelho uma data daqui a poucos meses. Era o aniversário de morte do meu irmão. Ódio, meus pais iriam voltar para casa por uma semana.

Acabei dando de ombros, rumando para o banheiro, tomando uma ducha quente e longa, lavando por completo meus cabelos loiros. Saí de lá sem me importar em andar pelado pela casa até meu quarto.

Chegando neste, joguei-me na cama, ainda faltava muito tempo até a janta na casa da Rita.

“— Leo... Como será que você é...?” – Perguntei para mim mesmo, deitando de barriga para cima.

Não consegui evitar minha mão, que deslizou lentamente pelo meu corpo. Eu estava extremamente carente, bastava um toque meu que eu já me animava. Engraçado, se a Rita tentasse fazer isso, poderíamos ficar horas, e nada.

Soltei um grunhidinho, eu queria tanto sentir toques como o que fazia em mim, só que por outra pessoa. Instintivamente levei meus dedos a boca, lubrificando-os com minha saliva.

Minha outra mão já deslizava pelo meu membro, subindo e descendo, me deixando cada vez mais necessitado.

“— Não quero fazer isso sozinho...” – Choraminguei manhoso, tirando os dedos de minha boca.

Eu odiava fazer isso, não podia negar que sentia-me bem, que aquilo, na hora era prazeroso. Mas depois me dava uma sensação de vazio, de que não passo de um lixo. Eu não quero me satisfazer com minha mão. Quero alguém para amar.

Entretanto, mesmo sabendo que me acharia um lixo, continuei com aquilo até que desmaiei de cansaço na cama, com os lençóis completamente sujos. Poxa, que desperdício, foram quatro vezes, só com a minha mão!

“— Que porra...” – Resmunguei, sentando-me e olhando o estrago que teria que limpar. “— Literalmente, que porra...” – Respirei fundo.

E lá estava eu, melancólico, olhando aquele líquido pastoso em meus lençóis. Certo, eu me sinto pior que um lixo, talvez o ser mais imundo do mundo. Mas o que podia fazer? Levantei-me, indo rápido ao banheiro, tomando outro banho e me limpando por completo.

Pelo menos, agora, já era hora do jantar, voltei ao meu quarto, me arrumando com roupas costumeiras, a única coisa que fiz de diferente fora passar um lápis preto nos olhos, realçando-os verdes como eram. Verdes iguais o do meu irmão.

Eu era muito parecido com ele se me olhasse no espelho. Por esse motivo pintei meus cabelos para loiro, pelo menos era um alivio não ‘o ver’ quando me observava no espelho.

Eu estava bonito, discreto, mas bonito. Respirei fundo, e saí de casa, rumando logo para a da Rita. Chegando lá toquei a campainha, mesmo sabendo que eu tinha a chave para entrar a hora que quisesse.

Esperei, até que ela fora aberta. Eu literalmente fiquei de queixo caído. Impossível aquele garoto ter só quinze anos. Ele era da minha altura! Certo que nunca fui um ‘exemplar’ perfeito de homem másculo. Mas...

Olhos cor castanho escuro, cabelo curto e vermelho. Por piedade, quem era aquele deus grego? Tá, eu sabia quem era, era o Leo, primo da Rita. Mas mesmo assim... Eu esperava um moleque rebelde e não um garoto da minha altura que se bobeassem diriam que era mais velho que eu.

“— Err... Vai ficar mesmo na porta babando?” – Ouvi ele murmurar, sorrindo gentil.

“— Eu... Err... Bem... Como posso dizer...” – Fiquei sem palavras. Quem não ficaria?

“— Entre, a Rita me falou de você... Guilherme, não é?” – Se afastou da porta, me dando passagem.

“— Sim. E o seu é Leo não é? ” – Entrei, vendo-o fechar a porta.

“— Exato.” – Sorriu mais.

“— Só uma pergunta... Você tem mesmo quinze anos?” – Precisava saber.

“— Tecnicamente, tenho dezesseis, fiz ontem.”

“— Ah... Parabéns atrasado então.” – fiquei meio sem jeito, o modo com que ele me olhava era demais para meu coração.

“— Gostaria de um presente ‘atrasado’ também...” – Murmurou, andando felinamente em minha direção.

Eu arregalei os olhos, recuando alguns passos, batendo na parede atrás de mim. O olhar dele era tão predador, tão dominador. Estremeci ao lembrar que o olhar de meu irmão era o mesmo.

“— Leo...” – Ouvi a voz de Rita, vendo-a ali ao nosso lado.

De onde essa garota apareceu?

“— Só estava cumprimentando a visita.” – Falou Leo, se afastando de mim.

“— Adoraria se não brincasse com o Guilherme. Já te disse que com ele o namoro é serio.”

“— Qu-que!?” – Arregalei os olhos, me desencostando da parede.

“— Poxa prima... Uma casquinha só... Um beijinho não iria fazer mal a ninguém...”

“— Vá para a cozinha seu fazedor de orgias. Tenho que falar com o Gui.”

Leo deu uma piscada para mim e fez o que a Rita disse, logo esta me puxou até o quarto dela. Antes ainda passei pela mãe dela, cumprimentando-a de forma adequada antes de continuar o curso.

Ela me colocou em sua cama e puxou a cadeira do computador para sentar a minha frente.

“— Cuidado com o Leo...” – Adivertiu-me.

“— Porque? É a primeira vez que sinto atração sem ser com alguém parecido com meu irmão...”

“— Tsk... Mas, eu falei com ele no caminho de volta, e...” – Parou de falar ao escutar um barulhinho fundo do computador. “— Esse povo no MSN não me dá sossego!”

Eu ri, me levantando e me aproximando por trás, abraçando seus ombros e apoiando a cabeça em cima da dela. Quem olhasse juraria que éramos namorados.

“— O que foi agora? É o povo daquelas putarias que você escreve?” – Eu ri, adorava provocá-la sobre seu passatempo.

“— Não são putarias mocinho! São Fics! E a minha mais nova é de um anime que vi recentemente.”

“— Atacando cus novos é? Cansou de fazer aquele loiro comer o albino?” – Brinquei mais.

“— O loiro se chama Mello, e o albino Near... Já te disse...” – Riu divertida, teclando com alguma amiga. “— Mas agora quero mudar de anime... Achei esse que baixei tão fofinho e yaoístico...” – Deu alt+tab na janela mostrando desktop cheio de pastas com animes.

“— Yaoi é um termo tão bonito para viadagem...” – Eu ri.

“— Bobo! Nem vem, que você vive lendo minhas histórias...” – Falou triunfante.

“— Leio sim...” – Envergonhei-me. “— Você descreve tão bem que eu...” – Calei-me.

“— Poxa, o que eu não consigo fazer contigo, minhas histórias fazem...” – Murmurou, fechando o MSN. “— Mas isso agora não vem ao caso...”

Me afastei dela, voltando a sentar na cama, aguardando o desfecho daquilo.

“— Ele gosta de Dark Lemon!” – Falou, como se eu fosse entender os ‘termos’ dos yaois dela.

“— Err... Riiitaaa, traduza isso para mim. Ele gosta do que?”

“— Em outras palavras, ele vai te foder até sair sangue!”

“— VAI O QUE!?” – Assustei-me.

Como assim!? Impossível!

“— Eu estava conversando sobre meu passatempo com ele... E ele disse que o tema que mais gostava era Dark Lemon... Que adorava quando o uke era torturado pelo seme.”

“— Quem é uke?”

“— Você!”

“— Eu!?”

“— Uke é o passivo... Já te disse isso seu tonto!”

“— Tá, mas ele só gosta de ler, eu leio essa putaria que você escreve e nem por isso vou sair colocando minha boca no cu de um cara... Sabia que isso é completamente nojento e ninguém em sã consciência faz isso? ”

“— Não questione minhas histórias, elas não são só putaria... Tem muito romance.”

“— Claaaro… ‘Eu te amo. Eu também. Agora vamos nos comer’. ” – Comentei, rindo da cara vermelha dela.

“— Tá... Você ganhou...” – Deu para escutar o suspiro dela. “— Mas e quanto ao que ele me disse?”

“— O que ele disse?” – Olhei curioso.

“— Que estava atrás de um uke bem dócil para sodomizá-lo à vontade.”

“— So-sodomizar...” – Gelei.

“— Viu, por isso que te tirei de lá da entrada...” – Respirou fundo, ajeitando os cabelos vermelhos. “— Ele disse que se gostasse de você, iria te arrastar para um motel no mesmo instante.”

“— Mo-motel!?” – Gaguejei novamente. “— Eu não quero alguém para me foder e ir procurar outro depois...” – Murmurei magoado.

“— Eu sei... Ahh Gui, desculpa, eu pensei que ia dar certo desta vez...” – Sentou-se ao meu lado, levantando meu rosto com as mãos. “— Tente apenas não cair na conversa dele...”

“— Obrigado Rita... Vou tentar.” – Fechei os olhos ao sentir outro beijo dela.

Não me importava com o beijos, ela sempre me beijou. Era até algo engraçado, no primeiro dia que eles se mudaram para a casa ao lado da minha, eu fui fazer amizade com ela.

Acredita que uma menininha de seis anos me puxou para a parede e me beijou? Os pais dela até estavam vendo, e nós ficamos sendo ‘namoradinhos’ até eu começar a ser estuprado pelo meu irmão.

Porque sempre eu me lembro deste?

“— Hnm... Gui...” – Murmurou baixinho, largando minha boca, esse fora um beijo de língua. “— E se eu comprasse um vibrador e...”

Vibrador? Eu simplesmente caí na risada, ela queria me ‘comer’ com um vibrador?

“— Rita, deixa de ser louca... Esses teus ‘yaois’ tão te subindo na cabeça.” – Falei, tentando conter meu riso.

“— Verdade...” – Ela acabou por rir também.

Paramos de rir só quando a mãe da Rita apareceu no quarto, com um sorriso amoroso nos lábios, avisando que já era hora de irmos jantar.

Concordamos e logo fomos comer. A conversa era animada, eu adorava jantar com esta família, me sentia muito mais a vontade do que se estivesse com a minha própria. Entretanto, durante todo o jantar os olhos do Leo estavam fixados em mim.

Eu acabei por engolir em seco, sentindo uma perna me acariciar em baixo da mesa. Olhei para o lado, Rita, a única que poderia brincar assim comigo estava ocupada conversando com os pais, e o único que estava a minha frente era o ruivo.

Enchi o copo de mais refrigerante, bebendo-o enquanto sentia aquela perna me atiçar mais e mais. Infernos essa carência toda do meu corpo, eu já estava reagindo. Olhei apavorado para o Leo.

Este apenas lambeu os lábios, sorrindo pervertido e discretamente, movendo mais a sua perna. Eu fiquei vermelho, tentei me acalmar com mais refrigerante, mas pelo fato de ele não parar, meu estado só piorava.

“— Leo querido, me ajuda a tirar os pratos? Ainda tem uma deliciosa sobremesa que eu fiz.” – Falou a mãe da Rita, levantando-se e pegando alguns pratos.

“— Claro senhora.” – Levantou-se para ajudar.

Eu respirei aliviado, podendo enfim me acalmar. Depois disto, o resto correra muito bem. No final da noite, me despedi da família para ir a minha casa.

“— Guilherme querido, não quer passar a noite aqui?” – Indagou-me a mãe da Rita, enquanto eu saía lentamente de sua casa.

“— Não senhora, muito obrigado por tudo.” – Falei-lhe sorrindo, antes de sair dando um beijo em sua bochecha.

Caminhei lento para casa, não tinha pressa, eram poucos passos. Mas de repente fui jogado de encontro ao muro. Olhei assustado para ver quem era, gelei ao ver Leo com o olhar predador em minha direção, a me segurar.

“— Porque não passou a noite lá? Eu ia comer esse teu rabo.” – Falou frio, diferente do cordial ‘Leo’ que abriu a porta.

“— Sai, pensei que fosse mais legal. Mas pelo que vi, parece mais um lixo.” – Respondi, tentando me soltar.

Como alguém de quase dezenove anos, pode ter menos força que alguém de dezesseis?

“— Pouco me importo com o que acha... Eu vou apenas te comer... Para você relembrar ‘os bons tempos’.”

Mal terminou de falar e começou a me arrastar em direção a minha casa, roubando a chave de meu bolso abrindo a porta e me jogando lá dentro, trancando a nós em seguida.

“— Pare com isso Leo.” – Pedi, eu já estava completamente amedrontado, mal conseguia me levantar do chão.

“— Não. Seu corpo reagiu ao meu de uma forma tão pervertida lá no jantar... Se eu continuasse você ia gozar é?” – Riu.

“— Pare!” – Gritei, arranjando força e me levantando.

“— Parar? Mas eu não fiz nada...” – Lambeu os lábios, me fazendo estremecer. “— Ainda...”

Me puxou pelos cabelos, olhando de vez em quando para os lados, parecia procurar por algo.

“— Onde é teu quarto?” – Perguntou-me.

“— Não digo!”

“— Como se fizesse diferença o lugar que iria te comer...”

Me arrastou até uma porta fechada abrindo-a rapidamente. Meus olhos se arregalaram pelo horror ao me ver novamente no quarto de meu irmão. Eu nunca mais tinha entrado naquele cômodo.

“— Cama de casal... Lugar grande, gostei daqui, vai ser nosso motel particular... ‘Gui’...”

Como a minha vida podia mudar tanto em um único dia? No começo eu estava chorando por ter sido rejeitado pelo garoto que eu gostava. Depois eu estava feliz por talvez ter encontrado alguém como eu, que queria apenas amor. Logo a seguir, eu me sentia um, lixo por me satisfazer sozinho.

E agora?

Dor.

Prazer.

Medo.

Ele era bruto, tal qual meu irmão, assustador. Mas me fazia ir a loucura, gritar escandalosamente por mais.

Sou um puto mesmo.

—-X--

Os meses foram passando, e lá estava eu, novamente sendo abusado naquele maldito quarto. Mas aquela seria a última vez. Última vez que sentiria aqueles toques em minha pele. Eu já sabia o que fazer.

Leo saiu do quarto, me deixando abandonado e completamente usado. Ele não ligava para mim, ninguém nunca ligou.

“— Vou dar um fim nisto, irmão...” – Murmurei raivoso, me sentando com cuidado na cama deste, olhando para uma foto na penteadeira. “— Logo você terá companhia.”

Saí andando pela casa, não me importando de sujar o chão desta com meu sangue que escorria por entre as pernas. Depois eu limparia, como todas as outras vezes...

Passei antes pelo calendário, vendo que o dia marcado em vermelho era amanhã. Coincidência, ou não?

Ainda não sabia a resposta. Mas, iria ser perfeito, tomei meu banho, um dos lentos. Precisava me limpar por completo de qualquer sujeira. Quando terminei amarrei bem meus cabelos, colocando um pano neles.

Perfeito, peguei as luvas de jardinagem, e mais algumas coisas e saí de casa. Eu tinha algo a fazer.

—-X--

Engraçado como as coisas podem se repetir em um ciclo vicioso...

Cá estou eu rindo loucamente, enquanto Rita me leva para o hospital no carro dela.

O motivo?

Estranhamente Leo morreu em um acidente de carro...

FIM

29/06/10

Notas finais
Heya~ Agradeço por terem lido e ficaria contente se deixassem um comentário sobre o que acharam! Eu estou fazendo commissions de fanfics, se tiverem interesse deem uma olhadinha~ — Tabela de preços: > 1.000 palavras -> 20 reais > 2.000 palavras -> 25 reais > 3.000 palavras -> 30 reais > Acima de 4.000 palavras negociar sobre preço. > Observação: A quantidade de palavras pode ser alterada para finalização da história, sem custos adicionais. Ex: 1000 palavras virar 1100 palavras. — Qual gênero é permito? > Ação; Amizade; Angust; Aventura; Comédia; Crossover; Darkfic; Death Fic; Drama; Ecchi; Ficção Científica; Furry; Humor; Humor Negro; Lemon; Paródia; Poesia; Romance; Shoujo-ai, Shounen-ai; Songfic; Suspense; Terror; Tragédia; Universo Alternativo e Yaoi. > Basicamente todos, no entanto conteúdo adulto +18 apenas no gênero Boys Love/Yaoi. > Conteúdo adulto não pode ser comissionado por pessoas menores de 18 anos. — A fanfic após finalizada será postada no Nyah e Spirit. Caso queira que esta seja de teor pessoal, será cobrado 10 reais a mais do total, até 3.000 palavras. Após isso negociar sobre. — O prazo para a entrega da fanfic (até 3.000 palavras) será de até dois dias úteis. Acima de 4.000 palavras negociar sobre prazos. — O pagamento será realizado no ato do pedido, via Paypal, da preferência do cliente. Para pedidos acima de 4.000 palavras, pode haver dois parcelamentos. — Será conversado a respeito da commission apenas por Twitter: @Toynako.
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