Notas iniciais
Escrito por R.S.

... Até que percebi um sinal no pescoço da Jennifer, um sinal que só a minha irmã tinha, sai correndo da escola – foi tudo armado! Até um feitiço leve para me deixar com raiva ao ponto de partir para cima de alguém -, fui correndo em direção à um bosque de trás da escola, senti um nó na garganta, uma sensação estranha. Sentei-me embaixo de uma árvore, e comecei a refletir e pensar em tudo que está acontecendo na minha vida, eu confessei para o Ector que eu era uma bruxa, e acho que ele está preparando algo contra mim, eu também estou confusa sobre os meus sentimentos sobre o Will, será que eu o amo de verdade? Claro que não, mal o conheço e como eu posso amar uma pessoa que matou minha própria irmã, mesmo aparentemente ela sendo pior que o Síndrome? Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, agora que eu conheço melhor o Will eu não posso acreditar que ele matou minha irmã por maldade, se fosse eu já não estaria aqui, não é? Melhor, eu sinto isso e sei que não foi do modo que pensava até um mês atrás. Sozinha embaixo da árvore, escuto passos e sei que o Will está chegando.

— Will — eu disse me levantando, e indo a sua direção, eu o abraço e sinto que ele me abraçou mais forte. Tudo estava fora do meu controle, e eu não sei ser desse jeito.

Ele abre suas asas, e quando abro meus olhos estou voando com o Will, é tão lindo, tão perfeito, por um segundo consigo me esquecer, de tudo, dos problemas, paramos em uma montanha na floresta, estamos no topo da montanha, sinto um vento tão gostoso acariciar minha pele, posso ver melhor a floresta daqui, me sinto perto do céu.

— Eu sei por que você saiu correndo daquele jeito, você viu o sinal da Jennifer, e acho que você tem o direito de saber a verdade, espero que você esteja preparada.

— Eu estou Will, eu realmente estou disposta a acreditar e independente de qualquer coisa que você me diga, eu vou continuar com o mesmo pensamento — Digo olhando nos seus olhos, ele segura minha mão, ele tem uma pele tão macia. Acho que posso acabar amando ele, e não quero, não posso, não é certo.

— Eu matei sua irmã, só que eu não sabia que ela já tinha dado um jeito para ir para o corpo de outra pessoa, no caso a Jennifer, ela é uma bruxa egoísta, invejosa, Kétlyn era muito poderosa e sabia se esconder muito bem da vista das pessoas, sua mãe já não tinha tanta habilidade assim, a vizinha delas no século XVIII, Agnes era amiga dela, mantinham o máximo de amizade que a época permitia, eram tempos sombrios, você piscava muito devagar ou rápido e já estava condenada a fogueira e Agnes estava grávida e Kétlyn a escondeu, durante cinco meses até a criança nascer e cuidou dela, mas ela queria sua família, sabia que seus pais nunca aceitariam, mas tinha um plano. Era cruel, mas Agnes... Acho que estava certa e que iria fazer o bem de alguma forma. Foi até os grandes da época e falou que sabia de uma bruxa, uma que tinha feito prisioneira e feito os feitiços mais loucos até engravidá-la e outras coisas que você possa pensar até coisas reais que ela viu. Como disse a Kétlyn era cruel, mas não com Agnes, ele nutria sentimentos pela garota.

— O que ela fazia com as crianças? – perguntei ao notar que não era a primeira vez que ele falava isso.

— Ela se dizia curandeira, muitas mulheres diziam isso naquela época quando eram bruxas, quando se popularizou que eram bruxaria que faziam pararam de dizer isso. Mas Kétlyn não, haviam muitas doenças infantis, crianças morriam antes dos dois anos e Kétlyn pegava as mais doentes e deficientes e as torturava por semanas dizendo que era em nome da cura e as poucas que fugiram sofreram muito até morrerem um pouco depois de suas fugas e as que ficaram... não se sabe, simplesmente ninguém viu que fim tinham, mas vi as que fugiram e realmente – ele balançou a cabeça – não é algo que eu queira ver de novo. A cada criança que sequestrava mais bela ficava, acho que era um tipo de poção que ela fazia para seu próprio bem e não das crianças. E quando Agnes falou isso no conselho da província mandaram as duas para fogueira, já que se o que tinha contado fosse verdade ela também estaria infectada com magia pela gravidez, algo que só Deus permitia e não podia ser criado de qualquer outra forma... Claramente a gravidez dela não foi coisa da Kétlyn, a criança se perdeu pelo mundo, a mãe de Kétlyn foi mantida sob proteção do seu amante, amante realmente é a palavra certa para descrevê-los, porque proteger alguém da forma que ele fez naquela época, como ele fez? Precisava de muita coragem. – Ele sorria ao dizer isso como os olhos brilhando.

— Qual era o nome dela? – perguntei, seu sorriso estremeceu.

— Elizabeth Curtens. – estremeci. Ele sentiu e olha fixamente para mim. Elizabeth... Será a mesma de meu sonho, ou aquilo foi apenas um sonho? Acho que não pela sua reação.

— Mas porque estava tão difícil me contar isso?

— Porque não valia a pena – senti um aperto no coração. – Você não acreditava em mim, ao menos escutava o que eu estava falando.

— Eu entendo, achava que se eu simplesmente ignorasse tudo isso fosse sumir. Não posso com isso não quero isso para a minha vida. – digo e vejo ele se encolher ao meu lado apertando um pouco o braço que mantém a minha volta. – Acho que vou ir morar com o meu pai, como ele tanto quer, é o melhor que tenho a fazer, e mais seguro. – digo tentando indiretamente o convencer a esquecer de que um dia já estive em sua vida. De novo, diz uma voz na minha cabeça.

Senti que suas mãos e pernas deslizaram para minha cintura e ele se encolher nas minhas costas

— Não vá, fique aqui. Você não quer levar Kétlyn ao seu pai é muito perigo para ele, não acha? E se acontecesse algo com ele você nunca se perdoaria. Aqui você já tem a vantagem de uma pessoa para ajudar a cuidar de você, eu. – sussurrou no meu ouvido

— Assim como você protegeu Elizabeth? – perguntei virando o rosto para poder encará-lo. Ele me olhou com seus olhos verdes como se estivesse lendo todo e qualquer pensamento bom e ruim que tivesse na vida.

— E talvez até mais. – foi a resposta que tive antes que ele me beijasse.

Notas finais
Acharam que eu tinha me esquecido de vocês? Um dia inteiro sem capítulo novo quando eu postava até 4 por dia. Pois é, é a vida de estudante, não é sempre que temos tempo ou podemos postar. Mas estou de volta, não sei se postarei dois capítulos hoje, depende da disponibilidade de horários aqui e o dia tá cheio hoje, achei só essa brechinha em dois dias até agora... Bom, até a próxima e se quiserem deixar um comentário sobre o que estão achando, ficaria muito grata. Fui!