Notas iniciais
Escrito por B.C. Boa leitura :-).

— O que você quer? – pergunto atordoada com o seu tom, apesar de ter sempre falado assim comigo.

— Conversar Any... Apenas conversar – Ele caminhou até minha cama e lá se jogou. As palavras emanavam calma, mas não do modo com que ele falava, uma raiva que inalava dele chegava junto.

— Não se assuste – ele riu.

Louco!

— Quer conversar. Tudo bem Ector. Sobre o que você quer conversar – falei atenciosamente enquanto sentava ao seu lado na cama com uma coragem fingida que de alguma forma me passava força.

— Você. Não sei. Apenas estava passando por perto e resolvi fazer uma visitinha a minha bruxinha mais querida. – ele abriu um sorriso que ia de orelha a orelha.

Não pretendia revelar meu segredo assim, mas já que ele estava ali.

— Como descobriu – falei enquanto me levantava da cama e caminhava até a janela para fechá-la. O maldito sempre a deixava aberta e achava que não sabia que era ele.

— Sabe. No começo eu nem desconfiava. Você com essa carinha de anjo. Mas eu tenho amigas Any.

— Bruxas?

— É. Bruxas sim, mas continuando. Diga-me como você conseguiu manter esse segredo de todos nós. Creio que Willian também não sabe.

Fitei rapidamente seu olhar. Manter esse segredo a sete chaves era meu maior desejo, mas esse idiota descobriu. Sempre controlei todos meus pensamentos, sentimentos, tudo! E agora? Droga.

— Willian pensa demais. Todos vocês pensam que sabem tudo. Não é assim que o jogo anda.

— E como o jogo anda garota. – ele me fechou entre a parede e me encarou com um grande ódio no rosto. – Me conte como é que você é uma bruxa – ele gritou enquanto segurava meu queixo.

— Quer saber esse é o problema. Seu demônio imbecil. Acha que eu não sabia da Lisa? Confesso que fiquei surpresa com o fato de ela ser próxima de vocês. Eu realmente gostava dela como uma irmã e sempre tentei ignorar todo mal que me fazia, irmãs sabem serem cruéis entre si, mas sei que família também é importante e ela era a minha, mesmo de uma forma totalmente distorcida. Agora me solta seu imbecil – então o empurrei e fui até meu armário de onde tirei uma pequena caixa.

— Garotinha, o que tem nessa caixa?

— Mais que droga. Que parte do não me chame de garotinha vocês não conseguem entender.

Ele apenas riu. Depois ficou sério novamente. Da caixa tirei um pequeno diário. Estava um pouco empoeirado e tive que soprar para limpar.

— Esse é o diário da minha linhagem de bruxas. – disse segurando ele firme. Mas deixando de lado que não sabia o que havia ali dentro com medo que alguém pudesse descobrir, nunca precisei de magia, mas com a quantidade de seres me perseguindo ultimamente, acho que não foi uma das minhas melhores ideias.

— Linhagem? Quer dizer que... Quem mais da sua família é bruxa?

— Bruxo, você quer dizer. Meu papai. Meu incrível pai é um dos bruxos mais poderosos da nossa linhagem. Ele achou que a morte de Lisa foi porque ela se descobriu bruxa tarde, ele não sabia sobre ela e nunca saberá. Que isso fique claro pra você e toda sua trupe, seu palhaço. – xinguei sem medo do que ele pudesse fazer a mim. Um pouco de crueldade faz com que pensem mais de você, quer dizer, isso quando elas não prestam.

Mesmo tendo sido mais legal na minha mente do que realmente após eu ter dito em voz alta, Ector ficou surpreso com aquelas palavras que ouviu.

— Surpreso? É... Legal não é? – falei em tom de desinteresse. — Bom, se quer saber leia ele. – nesse momento joguei o diário para ele prevendo o que viria a seguir.

— Ai, que droga isso queima. – ele me encarou e eu apenas ri.

— Ops! Acho que você não pode tocá-lo.

Novamente ri, um simples feitiço repelente feito pelo papai, nunca pensei que fosse o ver funcionando. Ector parecia sem rumo e ajeitou o chapéu para esconder seus olhos. Seus pensamentos pareciam estar totalmente embaraçados. Sem dizer muita coisa ele abriu e saltou pela janela.

— Eu vou, mas eu vou voltar, Any. Eu vou voltar. E não fale sobre isso com ninguém ouviu?

— Tchauzinho, Ector. – acenei com a mão depois fechei a janela e encarei aquele diário sobre minha cama. Caminhei até ele e o abri...