Notas iniciais
"E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal." — Machado de Assis

—----------Gabriela off --------------

—----------Milena on -----------------

Tanto eu quanto a Gaby ficamos ali paradas como completas inúteis, sem ter ideia do que fazer e muito menos alguma reação. Ainda bem que a mãe dela estava ali pra poder correr para o telefone e ligar para hospital enquanto estávamos totalmente paralisadas.

— Vem, é por aqui, logo na sala.

Tenho que admitir que fiquei impressionada com a rapidez que os paramédicos chegaram na casa. A dona Mírian guiou eles enquanto eu e a Gaby subíamos para o quarto. Ela estava tão abalada, parecia que estava em uma outra realidade totalmente distante. Acho que o ser não ouviu metade das coisas que eu disse tentando consola-la, mas eu sentia que precisava continuar falando mesmo que ela não ouvisse, mas principalmente que a Gaby precisava de alguém ali.

Como eu era a única das duas que estava de espírito presente ali, eu ouvi as instruções que a mãe da Gaby estava nos passando e tentei, mais uma vez, trazer ela de volta pra realidade.

— Gaby, eles disseram que vai ficar tudo bem, eles vão levar ele pro hospital na ambulância e nós vamos de ônibus, ta?

Eu não tenho certeza se a mensagem realmente passou pelo cérebro dela, mas ela apenas concordou com a cabeça. Depois disso nós fomos para o ponto de ônibus. É impressionante como quando nós precisamos fazer alguma coisa em tempo recorde o universo prefere simplesmente virar pra você e dizer “Não, prefiro te deixar aflita e sofrendo aí”.

Como a lei de Murphy nos atacou, quando chegamos no hospital a dona Mírian foi correndo para conversar com o médico. De longe deu pra pegar alguns pedaços da conversa como “vai ficar tudo bem” e “internado por dois dias”. Enquanto eu concentrava a minha incrível super audição na conversa dos dois pude ver a Gaby olhando muito assustada e fixamente pra algum lugar. Na minha cabeça eu achei que a menina ia desmaiar se alguém não desse uma notícia boa sobre o pai dela, então eu fui e me intrometi na conversa do médico com a mãe da Gaby, só que no meio do meu percurso a garota deu um grito e eu pensei “pronto, é agora que a menina enfarta”, o que fez com que eu fosse mais rápido ainda até os dois.

— Como ele está? – Cheguei perguntando enquanto olhava perdida para os dois.

— Nós estamos fazendo tudo que podemos e parece que o seu pai está reagindo bem – disse o médico.

— Ah, não, essa não é a filha dele – disse dona Mírian – essa é uma amiga dela, mas é como uma filha mesmo.

— Entendo. Bom, o pai da sua amiga está bem melhor do que quando chegou aqui. Ainda precisamos fazer alguns exames, mas creio que ele não ficará muito tempo aqui. Ele é um homem de ferro.

— Sempre foi – disse dona Mírian.

— A senhora pode passar a noite aqui se quiser, as meninas também, mas não recomendo que elas fiquem.

— Tudo bem, obrigada doutor.

Dito isso ela foi me explicando melhor o que estava acontecendo enquanto íamos em diração a Gaby.

— Ah sim, mas se ele já está bem já é ótimo!

— Que bom que entende, então aqui tem uma lista dos ônibus que podem pegar pra ir embora.

Mal tive tempo de pegar a lista e a Gaby começou a se rebelar

— Que? Eu não vou embora não!

— Vai sim, hospital não é bom nem pro doente! Vai você e a Milena e vão ficar lá quietinhas de portas trancadas, podem pedir um lanche se quiserem.

— Vamos Gaby, a gente liga pra cá de manhã e vê como ele tá.

— Vocês são um porre, sabiam?

Eu queria responder que ela é que era um porre, mas acho que eu já disse isso tantas vezes que a mente dela deve ter feito o trabalho por mim.

Enquanto saíamos do hospital alguém começou a chamar a Gaby, era o Igor! Garoto gato do ônibus sabe? Esse aí mesmo. Imediatamente nós duas olhamos para trás, a diferença foi a de que eu olhei e acenei (ser humano normal), enquanto a Gaby quase torceu meu braço e sai correndo como se fosse uma maratonista (ser humano com vários problemas).

— Oi! – disse acenando com o braço que ainda estava inteiro e funcionava – Ei, por que não espera?

— Porque não quero me encontrar com ele.

— Ah, jura!? Quero saber por que não quer se encontrar com ele. – JURA QUE VOCÊ NÃO QUER ENCONTRAR COM ELE? NOSSA, NÃO TINHA NOTADO! FALA ISSO COM O MEU BRAÇO!

— Sabe a hora que meu pescoço doeu? Então, eu tava olhando ele, ai ele me olhou, eu virei rápido, torci o pescoço e ele ficou rindo e agora to com vergonha.

— “Eu não estou afim dele”- disse imitando a voz ridícula dela -.

— O que?

— Foi o que disse há algum tempo.

— E NÃO ESTOU!

— Só sua raiva já é uma prova...

— Ah... vai à merda.

A Gaby estava tão não afim dele que ela começou a diminuir o ritmo e, obviamente, o Diego alcançou a gente.

— Ei ei... Espera. Querem ir comigo e com o Thiago?? Vamos sei lá, ir à uma pizzaria!

— De madrugada? – Não, amanhã de manhã Gaby, que pergunta! –

— É... aqui tem várias coisas abertas nessas horas.

— Vamos!

Sinceramente não entendo ela. Primeiro pergunta como se fosse uma coisa absurda, depois aceita sem pestanejar! Fazer o que né, olha as pessoas loucas que a gente tá destinada a amar nesse vida.

O Felipe já dirigia, então ele levou todos nós de carro até o tal lugar (acho que demorou uns 10 ou 15 minutos pra chegar lá, alguma coisa do tipo). Quando finalmente chegamos nós quatro jogamos um pouco de sinuca e, modéstia à parte, eu joguei muito! Eu devo ter encaçapado a bola branca umas oitos vezes, ou seja, eu jogo absurdamente mal.

Depois da incrível aventura na pizzaria (que incluiu alguns muito pedaços de pizza para mim obviamente), nós voltamos para o carro. O Felipe era tipo o “pode tudo” do grupo já que ele era o mais velho, então ele bebia e o Igor ia junto. Claro que nesse dia ele não bebeu, não somos malucos a esse ponto, mas parece que o Igor estava afim, então ele meio que jogou a ideia no ar.

— Então... Meninas, vocês bebem?

— Bem, não frequentemente... Mas dou umas viradas. – Falou a Gaby –

— Não bebo – respondi tentando manter o ar amigável enquanto queria esganar a minha melhor amiga –

– Bem, o Felipe pode... Comprar, e como ele não pode por dirigir... Bora? Ele faz companhia à Milena.

— Ah! Vamos. – Eu metralhei a Gaby mentalmente, e provavelmente com o olhar, mas o que que eu podia fazer?

Nós fomos para uma praça bem legal ali perto, com muita luz, movimento, eu pessoalmente adorei. Ficamos um tempo ali até irmos para um píer! O lugar era maravilhoso, o céu estava totalmente deslumbrante e parecia que aquele lugar tinha uma energia totalmente perfeita! A Gaby que o diga né, porque o Igor finalmente tomou atitude! Ela podia ter tomado também, mas conhecendo ela como eu conheço eles nunca iam sair do zero a zero se ele não fizesse alguma coisa. A Gaby deu um sorrisinho, se virou de frente para ele e deu aquele sorriso maravilhoso que ela tem! O Igor passou a mão pela cintura dela e meu deus! Eles definitivamente fizeram eu e o Felipe de tocha olímpica ali, mas tudo bem, era o momento dela e tudo estava perfeito!

Queria que a minha noite terminasse tão bem quanto a dela, e foi quando o meu celular vibrou com uma mensagem do... Guilherme! Criei mil e uma coisas na minha cabeça, parecia que tudo estava conspirando a favor, então abri a mensagem para ler ela logo.

“É assim agora? Quando viaja esquece totalmente dos amigos? Okay então, eu supero. Brincadeira Mile kkkk, você sabe que eu não consigo ficar bravo com você. Bom, eu sei que a sua viagem deve estar maravilhosa com você e a Gaby aí e tudo mais, mas eu realmente precisava falar isso com você. Somos melhores amigos e sempre contamos tudo um para o outro, então aqui vai... Eu e a Clara estamos tendo um lance! Não é nada sério ainda, mas você sabe como que eu sou doido naquela menina! Espero que você fique feliz por mim, porque eu estou em um mar de felicidade kkkkk. Espero que você veja essa mensagem logo e que possa me responder o mais rápido que puder! Sinto saudades sua e a da Gaby, beijos”

É, parece que a noite não estava tão perfeita assim pra mim...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.