Me dê a mão, e siga comigo.

1 Não tem presente melhor!


Era manhã de quinta, eu acabava de acordar e logo via aquele sol maravilhoso na janela. Me levantai e fui correndo tomar café, eu sabia eu dia era, não poderia esquecer o meu aniversário, não e mesmo? Chegando na cozinha, vi minha mãe preparando torradas e suco pra mim, eu amo torradas com suco.

_Ai mãe, eu te amo, cara. Esse suco tá maravilhoso! -eu disse-.

_Que bom que você gostou, filha. Você me encheu tanto pedindo isso que se desse errado eu ia ouvir muito, eu sei que ia ouvir. –minha mãe disse isso e todos rimos, não tinha graça, mas o dia estava propício a rirmos muito-.

_Aé! Filha, eu comprei algo pra você, eu... eu não sei se você vai gostar, mas eu e sua mãe achamos que ia ser bem legal, ainda mais que... –meu pai parou de falar-.

_Que? – perguntei rapidamente, sei lá, vai que é treta-.

_Merda, já estraguei, enfim, é que sabe a tal casa na praia? A que você sempre pediu que tivéssemos? Pois é, eu a comprei, comprei uma exatamente como nós queríamos, não vamos morar lá, mas vamos ir bastante vezes, e uma dessas vezes, será esta semana.

_pois é filha, aproveitamos que seu aniversário cai nas férias de verão, e compramos passagens para irmos lá! O que achou da surpresa? –minha mãe completou as falas do papai-.

_Gente... é que... eu não queria dizer isso mas... PUTA QUE PARIU! EU TO MUITO ANIMADA PRA ESSA VIAGEM, PUTA MERDA, AÊÊÊ! CASA NA PRAIA, MANO! –não preciso falar que ficaram alegres, preciso? -.

Dia seguinte era a viajem, eu arrumei uma malinha muito mal feita só pra poder andar mais rápido. Depois da conversa muito entusiasmante sobre a viagem, meus pais disseram que eu poderia levar alguém junto, uma amiga e bláh bláh bláh... Eu não era uma pessoa super popular, mas até que tinha minhas amiguinhas, decidi chamar a mais próxima, de mais tempo e tal. E essa pessoa era a Milena. Somos amigas desde os 3 anos de idade, nos conhecemos em um parquinho, ela morava logo em frente eu a duas ruas dali. Desde sempre eu fui meio bob e parada, nossa amizade começou com a defesa dela: eu estava brincando com a areia do parquinho, ai veio uma garotinha ridícula e feia (é a garota mais cobiçada do colégio), e me tampou QUASE UM QUILO DE AREIA NAS VENTAS! Milena estava ali perto e decidiu que aquilo não era uma atitude que a agradasse e decidiu tampar um balde tampado e cheio no meio das costas da xêxê (abreviação de xexelenta, carinhosamente dada à Fernanda). Desse dia em diante, sempre brincávamos juntas, ficamos bem amigas, já discutimos muito, fico super mal por isso, mas enfim, fui até a casa dela para chamar ela pra ir com a gente viajar, e é praticamente obvio que ela iria.

Nós ainda estávamos tendo aula, elas acabariam no mesmo dia da viagem. E faltavam apenas dois dias para viajarmos. Só que como dizem: não grite sua alegria, porque as paredes têm ouvidos. Eu estava conversando com um amigo meu no corredor antes de ir para a aula, e cheguei a comentar sobre a casa e sobre a viagem.

_Poxa legal isso, deve ser foda pra caralho ter uma casa na praia.

_É sim mas também não é nada demais, tipo é só a praia e tal...

_É, praia deve ser foda.

_Nunca foi?

_Nunca, minha mãe nunca quis, meu pai também não. E ter uma irmã hidrofóbica não ajuda né? –rimos igual uns idiotas no meio do corredor, mas não durou muito porque a mister xêxê estava chegando ali perto pra acabar com a diversão.

_Aiiiiii, que lindo casal, eu amaria ser madrinha do casamento.

_Oi, Fernanda! Como vai? Meu deus que saudade de você, eu não sabia que sua viagem ia demorar tanto!

Que? Ta feliz em me ver?

_Nem um pouco, vamo embora Guilherme.

_Noooossa, tomo bonito em xêxê? –Guilherme falou isso com uma felicidade, que pareia até tinha ganhado dinheiro-.

_RIDÍCULOS! IDIOTAS, VÃO VER. –Fernanda ficava gritando, parada no mesmo lugar enquanto nós virávamos o final do corredor para poder irmos pra sala-.

Chegando ao final da aula, eu Guilherme e Milena voltamos juntos, morávamos ainda na mesma casa desde criança, a não ser Guilherme, que se mudou para o bairro fazia apenas uns 3 anos, mas que já nos rendeu uma ótima amizade.

No dia seguinte, Guilherme não iria a aula, ele ia no dentista, provavelmente para colocar o aparelho, zoamos muito a cara dele por isso porque ele disse que talvez teria que usar o “freio de burro” e seria hilário ver ele com aquele aparelho. Então fomos só eu e Milena, e no meio do cminho surgiu um assunto que eu nunca esperaria ouvir dela.

_Aé, Gabi, você me acha bonita?

_Acho, por quê?

_hm... nada não. E você acha que eu sou atraente, e que alguém iria querer me namorar?

_Milena você ta querendo alguém ou ta afim de me pegar?

_Ai idiota, eu nunca ia querer te pegar né? Nada contra os gays, mas eu não sou.

_então quem é?

_quem é o que?

_Ai lerda, o menino que você ta querendo!

_Ah! Bem, é... a não é ninguém poxa, só estou perguntando.

_E a katy Perry ta dançando na nossa frente! Fala logo quem é por favor? Não to com paciência, a viagem ta chegando e eu to a mil.

_Bem... é que, eu to gostando do Guilherme...-ela falou tão baixo que parecia só estar mexendo a boca-.

_Você tá me zoando? –eu olhei pra ela com uma cara de “que porra é essa, Milena? ”

_Não vai me dizer que também gosta dele.

_Não, não gosto. Mas tipo, porque isso do nada? Como surgiu assim, de repente?

_Na verdade, eu gosto dele desde que ele veio morar aqui, não, mais ou menos depois de uma ano e meio que ele morava aqui.

_Cara... Eu não sei o que dizer.

_Acha que não tenho chance né? Porque ele é bonito, né? – eu ia ironizar, mas que não era o momento-.

_Sim... é bonito sim.

_Então já posso desistir.

_Deixa de ser idiota, os garotos do colégio babam em você, eu já disse que se eu fosse homem, eu tentava te pegar.

_Ai deixa de ser ridícula. –ela riu sem graça, porque parecia estar até perdendo a cor a medida de que falávamos mais nele-.

_Ok... Mas você ta pensando em se declarar pra ele, quando?

_ME DECLARAR? – um gatinho que estava na rua até pulou com o grito dela-.

_É ué. Geralmente quando gostamos de alguém, nos declaramos.

_Falou a menina que enviou uma declaração em anônimo no Ask.

_Não deixou de ser declaração, deixou?

_Aah, tanto faz, a questão é que eu não vou me declarar.

_quer que ele descubra sozinho? Ele não tem bola de cristal não, ta? –foi só acabar de falar que ela me olhou maliciosamente, e lo entendi a merda que eu tinha, de certo modo, dito. Rimos um bom yempo, logo depois, não quisermos voltar ao assunto, já estava perto do colégio. Decidimos abafar o caso, continuaríamos a falar sobre, quando chegássemos em casa.