Notas iniciais
Voltei, finalmente. Mil desculpas por todo esse tempo sem postar nada, aconteceram umas coisas aqui desse lado, mas aqui está, espero que gostem.

Girei a maçaneta e empurrei a porta de carvalho branco da minha, sempre aconchegante, casa. Meu pai estava na cozinha picando tomates.

— Sopa? – Perguntei mais para anunciar minha chegada.

— Macarrão – Respondeu despejando os pedacinhos de tomate na panela. Olhei para nossa mesa de jantar posta para três.

— Eu não vou jantar em casa hoje, papai – Disse pensando em Scott. – Quer dizer, talvez eu jante seu macarrão, mas não ao mesmo tempo que vocês vão jantar.

Meu pai me observou confuso.

— Vou sair com o Scott. Ver um filme, sabe?

— Ah, tudo bem. O Nate também vai? – Perguntou, agora cortando cebolas. Puxa vida, ele já estava chorando por causa delas, não queria que chorasse por mim também, embora eu estivesse surpresa, pois já se passaram três dias desde o nosso término, numa cidade como essa já era para todos saberem.

— Não, hoje seremos só nós, como antigamente, – Respondi casualmente – Só que agora temos carteira de habilitação. – E com isso, entre uma risada e outra, deslizei sorrateiramente para o corrimão das escadas subindo o mais rápido que uma pessoa fugindo de um assunto sem deixar perceptível consegue. Não gostava de mentir para o meu pai, não que isso fosse mentira pois ele não havia perguntado com todas as letras “ Você e Nate terminaram? ”, então, teoricamente, eu estava apenas omitindo a verdade até... Bem, até eu contar.

18h40min.

A campainha toca com a pontualidade que eu sei ser de Scott, abro a porta com o meu mais sincero sorriso, que segundos depois se transforma em uma expressão cuidadosa de surpresa.

Nate.

Passei pela soleira da porta e a fechei atrás de mim.

— O que está fazendo aqui? – Pergunto calma e cautelosamente, não quero nenhum escândalo na frente de casa, ainda mais logo após ter dado a entender ao meu pai que estava tudo bem. Não que não estivesse, só não estava como normalmente era.

— Quero falar com você, Jess. Por favor, me deixa explicar e você vai entender. – Suplicou-me com os olhos vermelhos.

Como eu odiava essa situação.... Por mais que ele tivesse me magoado, eu odiava vê-lo sofrer daquela maneira, mas ele estava se enganando se achava que eu esqueceria tudo apenas para fazê-lo sentir-se melhor, porque eu definitivamente não ia.

— Olha, Nate, você já me explicou tudo, você é quem não está entendendo, nós não vamos dar certo, já não estávamos muito bem e para ajudar pego você aos beijos com outra garota. Acho que você não entende como isso pode machucar, apesar de eu já não desejar mais você, eu confiava em você, abdiquei das minhas próprias vontades para não te magoar e hoje sei que isso foi um erro. – Explico a ele – Agora, por favor, entenda. Eu não estou brava com você, estou magoada, mas sei que vou te perdoar um dia, só que é difícil quando você nem ao menos me deixa tentar, me dê um tempo para pôr as coisas no lugar, para pensar no que seremos, por ora eu só sei que quero ficar sozinha.

Ao dizer isso, avisto Scott estacionar a sua picape Chevrolet C-10 na frente da calçada e caminhar em nossa direção.

— Estou interrompendo algo? – Desponta cuidadoso. Posso perceber que ele é sincero e realmente não quer atrapalhar nada.

— Quer ficar sozinha, é? – Resmunga magoado me olhando com desprezo. Só pode ser brincadeira.

— Olha, eu não sou mais sua namorada, não me trate como se eu ainda fosse, até porque, diferente de você, eu esperei terminar para sair com outras pessoas. – Dito isso, peguei Scott pela mão, que até então observava tudo em silêncio. – Vamos, Scott.

Entramos na picape e ficamos um certo tempo em silêncio, tempo suficiente para Scott decidir que devia perguntar:

— Ele traiu você?

Levantei a cabeça e assenti. Pude sentir os olhos ardendo, as lágrimas estavam chegando. Escondi a cabeça entre os braços recostados nos joelhos.

Scott se aproximou passando seu braço direito pelas minhas costas e acariciando meu ombro:

— Sabe que podia ter me contado – Propôs – Aliás, se tivesse contado eu não teria sido tão educado com ele. – Admitiu entre um sorriso compassivo.

Inclinei minha cabeça na direção do seu ombro e lá a descansei. – Foi por isso mesmo que não contei – Revelei olhando profundamente em seus olhos verdes. Verdes com raias douradas envoltas em sua pupila negra que também me observava.

Não sei quanto tempo passou e, sinceramente, não quero saber. Estar com Scott sempre era bom, leve, tranquilo, como eu disse: Grama verde e fofa, como seus olhos que me observavam zelando por mim, tenho certeza. E eu por ele.

Meu melhor amigo.

Notas finais
Gostaram? Têm alguma sugestão? Podem deixar nos comentários, críticas construtivas também são sempre bem vindas. Até o próximo capítulo. ♥